SR 005

O Rei Andrade

Sílvio Romero

O rei Andrade

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(Sergipe)

Havia um rei de nome Andrade, que tinha três filhas, e lhes disse que o que sonhassem lhe contassem todos os dias pela manhã. Uma delas logo no dia seguinte contou ao rei um sonho que foi o seguinte: “Sonhei que havia de mudar de estado nestes poucos dias, e cinco reis haviam de me beijar a mão, e entre eles el-rei meu pai.” O rei ficou muito zangado com a filha e lhe ordenou que, se de novo sonhasse aquilo, não lhe contasse mais, senão a mandaria matar. A moça tornou a sonhar coisa semelhante, e pela manhã, apesar de lhe rogarem as irmãs, ela contou o sonho ao pai. Ele mandou matá-la e cortar-lhe o dedo mindinho que os matadores lhe deviam trazer.

Os criados do rei levaram a princesa para um ermo e tiveram pena de a matar; cortaram-lhe somente o dedo, que levaram ao rei, deixando a moça nas brenhas. Ela começou a caminhar e, muito longe, encontrou um buraco, e entrou por ele dentro, e, quanto mais entrava, mais o buraco se alargava, até que ela foi dar num rico palácio. Aí ela tinha o almoço, a janta e a ceia, sem ver ninguém, porque o palácio era encantado. Apenas ela ouvia, de um quarto que estava fechado, falar um papagaio. Depois de alguns dias, apareceu-lhe um lindo moço que lhe deu a chave do quarto e disse que o abrisse e respondesse ao papagaio coisa que fizesse sentido ao que ele dissesse. O moço desapareceu. A princesa abriu a camarinha, e o papagaio, que era muito grande e bonito, e das asas douradas, ficou muito alegre, sacudindo-se todo, e disse:

Como vem a filha
Do rei Andrade
Tão bonita,
Tão formosa,
E tão ornada!

— Ó meu papagaio dourado,
Eu das tuas ricas penas
Pretendo fazer um toucado.

Aí o papagaio desencantou-se no lindo moço que dantes lhe tinha aparecido, o qual moço mandou logo vir um padre e se casou com a princesa, mandando convidar cinco reis, que no cortejo beijaram a mão de sua noiva. No meio deles veio o rei Andrade. Todos os outros beijaram a mão da princesa, e, quando chegou a vez do rei Andrade, a nova rainha não lhe quis dar a mão; pelo que ele ficou muito injuriado e foi queixar-se ao rei seu amigo e dono da casa. O noivo, indo perguntar a razão daquilo, a moça lhe contou a sua história, o que sabendo o rei Andrade foi pedir perdão a sua filha.


Sobre esta edição

Obra
O rei Andrade
Autoria original
Sílvio Romero
Texto em português
Texto original
Edição publicada
1.0.0
Produção
Codex · edição textual por IA (Romero)
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
03/11/2026

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O Rei Andrade

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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