KHM 27
Os músicos de Bremen
Die Bremer Stadtmusikanten
Sobre este conto
Um burro que já não consegue trabalhar como antes foge do dono e toma o caminho de Bremen, onde espera ser músico da cidade. Pelo caminho, encontra um cão, um gato e um galo que também procuram escapar de ameaças de seus donos. Os quatro seguem juntos, pensando no que poderão fazer com suas vozes e sua música.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Burro que carregava sacos ao moinho e propõe ir a Bremen, Cão de caça chamado Packan, ameaçado de morte pelo dono, Gato envelhecido, ameaçado de afogamento pela dona, Galo cuja dona quer mandar preparar para a sopa, Donos dos animais e a cozinheira mencionada pelo galo, Ladrões que ocupam uma casa na floresta, Chefe dos ladrões e o homem que envia para examinar a casa
- Onde se passa
- Caminho para Bremen, fazenda com portão e floresta onde os animais passam ao anoitecer; casa iluminada dos ladrões, com mesa, cozinha, lareira, porta dos fundos, pátio, esterco e trave sob a cumeeira.
- Acontecimentos
- O burro encontra o cão, o gato e o galo; cada um se junta à viagem a Bremen depois de contar sua situação.
- Sem alcançar Bremen num dia, os quatro param na floresta. Do alto de uma árvore, o galo avista uma luz, e todos seguem até uma casa de ladrões.
- Empilhados à janela, os animais fazem seus sons e entram pela abertura, fazendo tilintar os vidros. Os ladrões pensam que chegou um fantasma e fogem.
- Os quatro comem o que sobrou, apagam a luz e dormem: burro no esterco, cão atrás da porta, gato na lareira e galo na trave.
- Depois da meia-noite, um ladrão volta. O gato lhe arranha o rosto, o cão morde sua perna, o burro lhe dá um coice e o galo canta.
- Desfecho
- O homem foge e conta ao chefe que encontrou uma bruxa, um homem com faca, um monstro com porrete e um juiz que mandava trazer o patife. Os ladrões não ousam voltar. Os quatro músicos gostam tanto da casa que não querem mais sair. A narrativa termina dizendo que quem a contou por último ainda está com a boca quente.
Um homem tinha um burro que, durante muitos anos, carregara os sacos até o moinho sem se queixar. Mas suas forças estavam se esgotando, e ele se tornava cada vez menos capaz de trabalhar. O dono pensou então em se livrar dele para não ter mais de alimentá-lo. O burro, porém, percebeu que a coisa ia mal, fugiu e tomou o caminho de Bremen. Lá, pensava, poderia tornar-se músico da cidade. Depois de andar um pouco, encontrou um cão de caça deitado no caminho, ofegante como quem correu até se cansar. “Por que está ofegando assim, Packan?”, perguntou o burro. “Ah”, disse o cão, “como estou velho, fico mais fraco a cada dia e já não consigo acompanhar a caça, meu dono quis me matar a pancadas. Então fugi. Mas como vou ganhar meu pão agora?” “Sabe de uma coisa?”, disse o burro. “Vou para Bremen e me tornarei músico da cidade. Venha comigo e peça para ser aceito na música também. Eu toco alaúde, e você toca os tímpanos.” O cão concordou, e continuaram a caminhar. Não demorou para encontrarem um gato sentado à beira do caminho, com uma cara de três dias de chuva. “Ora, o que aconteceu com você, velho limpa-barbas?”, perguntou o burro. “Quem pode ficar alegre quando a própria vida está em jogo?”, respondeu o gato. “Como estou ficando velho, meus dentes estão perdendo o fio e prefiro ficar atrás do fogão ronronando a correr atrás de ratos, minha dona quis me afogar. Consegui fugir, mas agora é difícil achar uma saída. Para onde vou?” “Venha conosco para Bremen. Você entende de música noturna, então pode se tornar músico da cidade.” O gato achou boa a ideia e foi com eles. Os três fugitivos passaram depois por uma fazenda, onde o galo da casa estava sobre o portão, gritando com todas as forças. “Seus gritos penetram até a medula dos ossos!”, disse o burro. “O que está planejando?” “Pois anunciei tempo bom”, disse o galo, “porque é dia de Nossa Senhora, quando ela lavou as camisinhas do Menino Jesus e quer pô-las para secar. Mas, como amanhã, que é domingo, vêm visitas, a dona da casa não teve piedade e disse à cozinheira que queria me comer amanhã na sopa. Por isso, hoje à noite vão me cortar a cabeça. Agora grito a plenos pulmões enquanto ainda posso.” “Ora essa, cabeça-vermelha!”, disse o burro. “É melhor vir embora conosco. Vamos para Bremen. Algo melhor que a morte você encontra em qualquer lugar! Você tem uma boa voz e, se tocarmos juntos, há de sair coisa boa.” O galo gostou da proposta, e os quatro seguiram juntos.
Não conseguiram, porém, chegar à cidade de Bremen num só dia. Ao anoitecer, entraram numa floresta, onde pretendiam passar a noite. O burro e o cão se deitaram debaixo de uma grande árvore. O gato e o galo subiram nos galhos, mas o galo voou até a ponta, onde estaria mais seguro. Antes de adormecer, olhou mais uma vez para os quatro lados e lhe pareceu ver uma faísca brilhando ao longe. Chamou os companheiros e disse que devia haver uma casa não muito distante, pois aparecia uma luz. O burro falou: “Então precisamos nos levantar e ir até lá, porque aqui o abrigo é ruim.” O cão achou que uns ossos com um pouco de carne também lhe fariam bem. Puseram-se a caminho na direção da luz. Logo a viram brilhar com mais força; ela foi ficando cada vez maior, até chegarem a uma casa de ladrões muito iluminada. O burro, que era o maior, aproximou-se da janela e olhou para dentro. “O que está vendo, cinzentão?”, perguntou o galo. “O que estou vendo?”, respondeu o burro. “Uma mesa posta, com boa comida e bebida, e ladrões sentados ao redor, aproveitando tudo.” “Isso seria bom para nós”, disse o galo. “Sim, sim, ah, se estivéssemos lá!”, disse o burro. Os animais deliberaram sobre como expulsar os ladrões e por fim encontraram um meio. O burro devia apoiar as patas da frente na janela, o cão saltar sobre as costas do burro, o gato subir no cão e, por último, o galo voar até lá e pousar na cabeça do gato. Feito isso, a um sinal, começaram todos juntos a fazer sua música: o burro zurrou, o cão latiu, o gato miou e o galo cantou. Depois se lançaram pela janela para dentro da sala, fazendo os vidros tilintarem. Os ladrões deram um salto com aquela gritaria terrível. Convencidos de que um fantasma estava entrando, fugiram para a floresta, cheios de medo. Os quatro companheiros se sentaram à mesa, contentaram-se com o que tinha sobrado e comeram como se fossem passar quatro semanas de fome.
Quando os quatro músicos terminaram, apagaram a luz e procuraram um lugar para dormir, cada um conforme sua natureza e comodidade. O burro se deitou sobre o monte de esterco, o cão atrás da porta, o gato junto às cinzas quentes da lareira, e o galo se empoleirou na trave debaixo da cumeeira. Cansados da longa caminhada, logo adormeceram. Passada a meia-noite, os ladrões viram de longe que já não havia luz na casa e que tudo parecia tranquilo. O chefe disse: “Não devíamos ter nos deixado assustar assim”, e mandou um deles ir examinar a casa. O enviado encontrou tudo em silêncio. Entrou na cozinha para acender uma luz e, tomando os olhos ardentes e brilhantes do gato por brasas acesas, aproximou deles um fósforo para que pegasse fogo. Mas o gato não estava para brincadeiras: saltou-lhe no rosto, bufou e arranhou. O homem levou um susto enorme, correu e quis sair pela porta dos fundos. O cão, que estava deitado ali, levantou-se e o mordeu na perna. Quando atravessava o pátio correndo e passava pelo monte de esterco, o burro ainda lhe deu um forte coice com a pata traseira. O galo, despertado pelo barulho e já bem acordado, gritou de cima da trave: “Cocoricó!” O ladrão correu o mais que pôde de volta ao chefe e disse: “Ah, há uma bruxa horrenda naquela casa! Ela soprou em mim e arranhou meu rosto com seus longos dedos! Diante da porta está um homem com uma faca, que me feriu na perna. No pátio está deitado um monstro preto, que me atacou com um porrete de madeira. E lá em cima, no telhado, está o juiz, gritando: ‘Tragam-me o patife!’ Então tratei de fugir.” Daí em diante, os ladrões não ousaram voltar à casa. Mas os quatro músicos de Bremen gostaram tanto dela que não quiseram mais sair. E quem a contou por último ainda está com a boca quente.
Sobre esta edição
- Obra
- Die Bremer Stadtmusikanten
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Die Bremer Stadtmusikanten
Ler o original em alemão
Es hatte ein Mann einen Esel, der schon lange Jahre die Säcke unverdrossen zur Mühle getragen hatte, dessen Kräfte aber nun zu Ende giengen, so daß er zur Arbeit immer untauglicher ward. Da dachte der Herr daran, ihn aus dem Futter zu schaffen, zu aber der Esel merkte daß kein guter Wind wehte, lief fort und machte sich auf den Weg nach Bremen: dort, meinte er, könnte er ja Stadtmusikant werden. Als er ein Weilchen fortgegangen war, fand er einen Jagdhund auf dem Wege liegen, der jappte wie einer, der sich müde gelaufen hat. ‘Nun, was jappst du so, Packan?’ fragte der Esel. ‘Ach,’ sagte der Hund, ‘weil ich alt bin und jeden Tag schwächer werde, auch auf der Jagd nicht mehr fort kann, hat mich mein Herr wollen todt schlagen, da hab ich Reißaus genommen; aber womit soll ich nun mein Brot verdienen?’ ‘Weißt du was,’ sprach der Esel, ‘ich gehe nach Bremen und werde dort Stadtmusikant, geh mit und laß dich auch bei der Musik annehmen. Ich spiele die Laute, und du schlägst die Pauken.’ Der Hund wars zufrieden, und sie giengen weiter. Es dauerte nicht lange, so saß da eine Katze an dem Weg und machte ein Gesicht wie drei Tage Regenwetter. ‘Nun, was ist dir in die Quere gekommen, alter Bartputzer?’ sprach der Esel. ‘Wer kann da lustig sein, wenns einem an den Kragen geht,’ antwortete die Katze, ‘weil ich nun zu Jahren komme, meine Zähne stumpf werden, und ich lieber hinter dem Ofen sitze und spinne, als nach Mäusen herum jage, hat mich meine Frau ersäufen wollen; ich habe mich zwar noch fortgemacht, aber nun ist guter Rath theuer: wo soll ich hin?’ ‘Geh mit uns nach Bremen, du verstehst dich doch auf die Nachtmusik, da kannst du ein Stadtmusikant werden.’ Die Katze hielt das für gut und gieng mit. Darauf kamen die drei Landesflüchtigen an einem Hof vorbei, da saß auf dem Thor der Haushahn und schrie aus Leibeskräften. ‘Du schreist einem durch Mark und Bein,’ sprach der Esel, ‘was hast du vor?’ ‘Da hab ich gut Wetter prophezeit,’ sprach der Hahn, ‘weil unser lieben Frauen Tag ist, wo sie dem Christkindlein die Hemdchen gewaschen hat und sie trocknen will; aber weil Morgen zum Sonntag Gäste kommen, so hat die Hausfrau doch kein Erbarmen und hat der Köchin gesagt sie wollte mich Morgen in der Suppe essen, und da soll ich mir heut Abend den Kopf abschneiden lassen. Nun schrei ich aus vollem Hals, so lang ich noch kann.’ ‘Ei was, du Rothkopf,’ sagte der Esel, ‘zieh lieber mit uns fort, wir gehen nach Bremen, etwas besseres als den Tod findest du überall; du hast eine gute Stimme, und wenn wir zusammen musiciren, so muß es eine Art haben.’ Der Hahn ließ sich den Vorschlag gefallen, und sie giengen alle vier zusammen fort.
Sie konnten aber die Stadt Bremen in einem Tag nicht erreichen und kamen Abends in einen Wald, wo sie übernachten wollten. Der Esel und der Hund legten sich unter einen großen Baum, die Katze und der Hahn machten sich in die Äste, der Hahn aber flog bis in die Spitze, wo es am sichersten für ihn war. Ehe er einschlief, sah er sich noch einmal nach allen vier Winden um, da deuchte ihn er sähe in der Ferne ein Fünkchen brennen und rief seinen Gesellen zu es müßte nicht gar weit ein Haus sein, denn es scheine ein Licht. Sprach der Esel ‘so müssen wir uns aufmachen und noch hingehen, denn hier ist die Herberge schlecht.’ Der Hund meinte ein paar Knochen und etwas Fleisch dran, thäten ihm auch gut. Also machten sie sich auf den Weg nach der Gegend, wo das Licht war, und sahen es bald heller schimmern, und es ward immer größer, bis sie vor ein hell erleuchtetes Räuberhaus kamen. Der Esel, als der größte, näherte sich dem Fenster und schaute hinein. ‘Was siehst du, Grauschimmel?’ fragte der Hahn. ‘Was ich sehe?’ antwortete der Esel, ‘einen gedeckten Tisch mit schönem Essen und Trinken, und Räuber sitzen daran und lassens sich wohl sein.’ ‘Das wäre was für uns’ sprach der Hahn. ‘Ja, ja, ach, wären wir da!’ sagte der Esel. Da rathschlagten die Thiere wie sie es anfangen müßten, um die Räuber hinaus zu jagen und fanden endlich ein Mittel. Der Esel mußte sich mit den Vorderfüßen auf das Fenster stellen, der Hund auf des Esels Rücken springen, die Katze auf den Hund klettern, und endlich flog der Hahn hinauf, und setzte sich der Katze auf den Kopf. Wie das geschehen war, fiengen sie auf ein Zeichen insgesammt an ihre Musik zu machen: der Esel schrie, der Hund bellte, die Katze miaute und der Hahn krähte; dann stürzten sie durch das Fenster in die Stube hinein daß die Scheiben klirrten. Die Räuber fuhren bei dem entsetzlichen Geschrei in die Höhe, meinten nicht anders als ein Gespenst käme herein und flohen in größter Furcht in den Wald hinaus. Nun setzten sich die vier Gesellen an den Tisch, nahmen mit dem vorlieb, was übrig geblieben war, und aßen als wenn sie vier Wochen hungern sollten.
Wie die vier Spielleute fertig waren, löschten sie das Licht aus und suchten sich eine Schlafstätte, jeder nach seiner Natur und Bequemlichkeit. Der Esel legte sich auf den Mist, der Hund hinter die Thüre, die Katze auf den Herd bei die warme Asche, und der Hahn setzte sich auf den Hahnenbalken: und weil sie müde waren von ihrem langen Weg, schliefen sie auch bald ein. Als Mitternacht vorbei war, und die Räuber von weitem sahen daß kein Licht mehr im Haus brannte, auch alles ruhig schien, sprach der Hauptmann ‘wir hätten uns doch nicht sollen ins Bockshorn jagen lassen,’ und hieß einen hingehen und das Haus untersuchen. Der Abgeschickte fand alles still, gieng in die Küche, ein Licht anzuzünden, und weil er die glühenden, feurigen Augen der Katze für lebendige Kohlen ansah, hielt er ein Schwefelhölzchen daran, daß es Feuer fangen sollte. Aber die Katze verstand keinen Spaß, sprang ihm ins Gesicht, spie und kratzte. Da erschrack er gewaltig, lief und wollte zur Hinterthüre hinaus, aber der Hund, der da lag, sprang auf und biß ihn ins Bein: und als er über den Hof an dem Miste vorbei rannte, gab ihm der Esel noch einen tüchtigen Schlag mit dem Hinterfuß; der Hahn aber, der vom Lärmen aus dem Schlaf geweckt und munter geworden war, rief vom Balken herab ‘kikeriki!’ Da lief der Räuber, was er konnte, zu seinem Hauptmann zurück und sprach ‘ach, in dem Haus sitzt eine greuliche Hexe, die hat mich angehaucht und mit ihren langen Fingern mir das Gesicht zerkratzt! und vor der Thüre steht ein Mann mit einem Messer, der hat mich ins Bein gestochen: und auf dem Hof liegt ein schwarzes Ungethüm, das hat mit einer Holzkeule auf mich losgeschlagen: und oben auf dem Dache, da sitzt der Richter, der rief bringt mir den Schelm her! Da machte ich daß ich fortkam.’ Von nun an getrauten sich die Räuber nicht weiter in das Haus, den vier Bremer Musikanten gefiels aber so wohl darin, daß sie nicht wieder heraus wollten. Und der das zuletzt erzählt hat, dem ist der Mund noch warm.
Os músicos de Bremen
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