EK 24
Os namorados: o pião e a bola
Kjærestefolkene [Toppen og bolden]
Sobre este conto
Um pião propõe namoro à bola que divide a gaveta com ele, mas ela se orgulha do material de que é feita e diz estar quase noiva de uma andorinha. Quando a bola desaparece durante uma brincadeira, o pião continua a pensar nela. Anos depois, já dourado, ele também se perde.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Pião de mogno que deseja namorar a bola e mais tarde é dourado, Bola de marroquim com uma rolha no corpo, Menino dono dos brinquedos, que pinta o pião e brinca com a bola, Andorinha com quem a bola afirma estar quase noiva, Juiz municipal que, segundo o pião, o torneou, Criada que encontra o pião no barril de lixo
- Onde se passa
- Gaveta com brinquedos, espaço onde o menino lança a bola, calha do telhado, barril de lixo e sala da casa. A narrativa se estende por vários anos.
- Acontecimentos
- O menino pinta o pião de vermelho e amarelo e lhe põe um prego de latão. A bola rejeita a proposta de namoro e declara um quase noivado com uma andorinha.
- A bola sobe no ar e volta a saltar ao tocar o chão. Na nona vez, desaparece. O pião acredita que ela se casou com a andorinha e continua a amá-la.
- Anos depois, o pião é dourado, salta alto demais e cai no barril de lixo. Lá encontra a bola, deformada após passar cinco anos na calha.
- A bola conta sua história sem reconhecer o pião. Ele a reconhece em silêncio, e uma criada o encontra e o leva de volta à sala.
- Desfecho
- A criada encontra o pião dourado no barril e ele volta à sala com grande estima e honra. Não se ouve mais falar da bola, e o pião deixa de falar de seu antigo amor. O narrador encerra dizendo que o amor passa quando a amada ficou cinco anos numa calha e é reencontrada no lixo.
O pião e a bola estavam juntos numa gaveta, entre outros brinquedos, quando o pião disse à bola:
— Não deveríamos namorar, já que estamos juntos na mesma gaveta?
Mas a bola, que era costurada em marroquim e tão convencida quanto uma senhorita fina, não quis responder a uma coisa dessas.
No dia seguinte, veio o menininho que era dono dos brinquedos. Pintou o pião de vermelho e amarelo e bateu um prego de latão bem no meio dele. Ficava realmente magnífico quando o pião rodopiava.
— Olhe para mim! — disse ele à bola. — O que a senhora diz agora? Não deveríamos namorar? Combinamos tão bem: a senhora pula, e eu danço! Ninguém poderia ser mais feliz do que nós dois!
— Ah, o senhor acha? — disse a bola. — Pelo visto não sabe que meu pai e minha mãe foram pantufas de marroquim e que eu tenho uma rolha no corpo!
— Sim, mas eu sou de mogno! — disse o pião. — E o juiz municipal me torneou pessoalmente. Ele tem seu próprio torno, e isso lhe deu um grande prazer!
— Posso confiar nisso? — perguntou a bola.
— Que eu nunca mais receba uma chicotada, se estiver mentindo! — respondeu o pião.
— O senhor sabe defender muito bem sua causa! — disse a bola. — Mas não posso. Estou praticamente meio noiva de uma andorinha. Toda vez que subo ao ar, ela põe a cabeça para fora do ninho e diz: “A senhora quer? A senhora quer?” E eu já disse sim por dentro; isso é praticamente meio noivado. Mas prometo ao senhor que nunca vou esquecê-lo!
— Sim, isso vai ajudar muito! — disse o pião, e os dois pararam de conversar.
No dia seguinte, tiraram a bola da gaveta. O pião viu como ela subia alto no ar, como um pássaro, até que já não se podia enxergá-la. Sempre voltava, mas dava um salto alto toda vez que tocava o chão. Isso vinha ou do anseio que sentia, ou da rolha que tinha no corpo. Na nona vez, a bola desapareceu e não voltou mais. O menino procurou e procurou, mas ela tinha sumido.
— Sei muito bem onde ela está! — suspirou o pião. — Está no ninho da andorinha e se casou com ela!
Quanto mais o pião pensava nisso, mais apaixonado ficava pela bola. Era justamente por não poder tê-la que seu amor aumentava; ela ter escolhido outro era o que tornava tudo tão singular. O pião dançava e rodopiava, mas sempre pensava na bola, que em sua imaginação ficava cada vez mais bonita. Assim se passaram muitos anos — e aquele se tornou um amor antigo.
O pião já não era jovem! Mas um dia foi inteiramente dourado. Nunca parecera tão bonito: agora era um pião dourado e saltava com um zunido. Ah, isso sim era alguma coisa! Mas de repente saltou alto demais e — desapareceu!
Procuraram e procuraram, até no porão, mas não conseguiam encontrá-lo.
Onde ele estava?
Tinha caído no barril de lixo, onde havia de tudo: talos de couve, lixo varrido e cascalho que caíra da calha.
— Agora, sim, estou bem instalado! Aqui o dourado pode sair de mim num instante! E que pobretões são esses no meio dos quais vim parar!
Olhou de lado para um longo talo de couve, desfolhado até demais, e para uma estranha coisa redonda que parecia uma maçã velha. Mas não era maçã nenhuma: era uma velha bola que passara muitos anos lá em cima na calha, atravessada pela água.
— Graças a Deus, enfim chega alguém da mesma condição que a gente, com quem se pode conversar! — disse a bola, observando o pião dourado. — Na verdade, sou de marroquim, costurada por mãos de donzela, e tenho uma rolha no corpo, mas ninguém adivinharia só de olhar para mim! Estive prestes a me casar com uma andorinha, mas caí na calha, e fiquei lá por cinco anos, deixando a água passar por mim! É muito tempo, pode acreditar, para uma donzela!
Mas o pião não disse nada. Pensava em sua antiga amada e, quanto mais ouvia, mais claro ficava para ele que era ela.
Então a criada veio para virar o barril.
— Ora, aqui está o pião dourado! — disse ela.
O pião voltou à sala, recebido com grande estima e honra. Da bola, porém, não se ouviu mais nada, e o pião nunca mais falou de seu antigo amor. Ele passa quando a amada ficou cinco anos numa calha, deixando a água passar por ela; sim, a gente nem a reconhece quando a encontra no barril de lixo.
Sobre esta edição
- Obra
- Kjærestefolkene [Toppen og bolden]
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Kærestefolkene
Ler o original em dinamarquês
Toppen og Bolden laa i Skuffe sammen mellem andet Legetøj, og saa sagde Toppen til Bolden: »Skulle vi ikke være Kærestefolk, siden vi dog ligge i Skuffe sammen?« — men Bolden, der var syet af Safian og bildte sig lige saa meget ind som en fin Frøken, vilde ikke svare paa saadant noget.
Næste Dag kom den lille Dreng, der ejede Legetøjet; han malede Toppen over med rødt og gult og slog et Messingsøm midt i den; det saa just prægtigt ud, naar Toppen snurrede rundt.
»Se paa mig!« sagde den til Bolden. »Hvad siger De nu? skulle vi saa ikke være Kærestefolk, vi passe saa godt sammen, De springer, og jeg danser! lykkeligere end vi to kunne ingen blive!«
»Saa, tror De det!« sagde Bolden, »De veed nok ikke, at min Fader og Moder have været Safians Tøfler, og at jeg har en Prop i Livet!«
»Ja, men jeg er af Mahognitræ!« sagde Toppen, »og Byfogden har selv drejet mig, han har sin egen Drejerbænk, og det var ham en stor Fornøjelse!«
»Ja, kan jeg stole paa det?« sagde Bolden.
»Gid jeg aldrig faa Pisk, om jeg lyver!« svarede Toppen.
»De taler meget godt for Dem!« sagde Bolden, »men jeg kan dog ikke, jeg er saa godt som halvt forlovet med en Svale; hver Gang jeg gaar til Vejrs, stikker den Hovedet ud af Reden og siger: »Vil De? vil De?« og nu har jeg indvortes sagt Ja, og det er saa godt som en halv Forlovelse; men jeg lover Dem, jeg skal aldrig glemme Dem!«
»Ja, det skal stort hjælpe!« sagde Toppen, og saa talte de ikke til hinanden.
Næste Dag blev Bolden tagen frem; Toppen saa, hvor den foer højt op i Luften, ligesom en Fugl, man kunde til sidst slet ikke øjne den; hver Gang kom den tilbage igen, men gjorde altid et højt Spring, naar den rørte Jorden; og det kom enten af Længsel, eller fordi den havde en Prop i Livet. Den niende Gang blev Bolden borte og kom ikke mere igen; og Drengen søgte og søgte, men borte var den.
»Jeg veed nok, hvor den er!« sukkede Toppen, »den er i Svalereden og er gift med Svalen!«
Jo mere Toppen tænkte derpaa, desto mere indtagen blev han i Bolden; just fordi han ikke kunde faa hende, derfor tog Kærligheden til; at hun havde taget en anden, det var det aparte ved det; og Toppen dansede rundt og snurrede, men altid tænkte den paa Bolden, der i Tanken blev kønnere og kønnere. Saaledes gik mange Aar — — og saa var det en gammel Kærlighed.
Og Toppen var ikke ung mere — — ! men saa blev den en Dag hel og holden forgyldt; aldrig havde den set saa dejlig ud: den var nu en Guldtop og sprang, saa det snurrede efter. Jo, det var noget! men med eet sprang den for højt, og — borte var den!
Man søgte og søgte, selv nede i Kælderen, den var dog ikke til at finde.
— — Hvor var den?
Den var sprungen i Skarnfjerdingen, hvor der laa alle Slags, Kaalstokke, Fejeskarn og Grus, der var faldet ned fra Tagrenden.
»Nu ligger jeg rigtignok godt; her kan snart Forgyldningen gaa af mig; og hvad det er for nogle Prakkere, jeg er kommen imellem!« og saa skævede den til en lang Kaalstok, der var pillet alt for nær, og til en underlig rund Ting, der saa ud som et gammelt Æble; — men det var intet Æble, det var en gammel Bold, der i mange Aar havde ligget oppe i Tagrenden, og som Vandet havde sivet igennem.
»Gud ske Lov, der dog kommer en af ens Lige, som man kan tale med!« sagde Bolden og betragtede den forgyldte Top. »Jeg er egentlig af Safian, syet af Jomfruhænder og har en Prop i Livet, men det skulde ingen se paa mig! jeg var lige ved at holde Bryllup med en Svale, men saa faldt jeg i Tagrenden, og der har jeg ligget i fem Aar og sivet! Det er en lang Tid, kan De tro, for en Jomfru!«
Men Toppen sagde ikke noget, han tænkte paa sin gamle Kæreste, og jo mere han hørte, desto klarere blev det ham, at det var hende.
Da kom Tjenestepigen og vilde vende Fjerdingen: »Hejsa, der er Guldtoppen!« sagde hun.
Og Toppen kom igen i Stuen til stor Agt og Ære, men Bolden hørte man intet om, og Toppen snakkede aldrig mer om sin gamle Kærlighed; den gaar over, naar Kæresten har ligget fem Aar i en Vandrende og sivet, ja, man kender hende aldrig igen, naar man møder hende i Skarnfjerdingen.
Os namorados: o pião e a bola
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