EK 31
Os saltadores
Springfyrene
Sobre este conto
Uma pulga, um gafanhoto e um ganso saltador se reúnem para disputar quem salta mais alto. Convidam o mundo inteiro a assistir, e o rei promete dar sua filha ao vencedor. A pulga e o gafanhoto apresentam suas qualidades; o ganso permanece calado, enquanto o cão da corte e um velho conselheiro falam a seu favor.
Personagens e estrutura
- Personagens
- A pulga, O gafanhoto, O ganso saltador, O rei e sua filha, a princesa, O cão da corte, O velho conselheiro
- Onde se passa
- Uma sala onde os três saltadores disputam diante do rei e da princesa; ao final, serviço militar estrangeiro e uma vala onde o gafanhoto reflete.
- Acontecimentos
- O rei promete sua filha a quem saltar mais alto. A pulga e o gafanhoto expõem suas credenciais, enquanto outros elogiam o ganso saltador.
- A pulga salta tão alto que ninguém vê; os presentes afirmam que ela não saltou.
- O gafanhoto salta só metade daquela altura, mas atinge o rosto do rei, que considera aquilo nojento.
- Após ficar parado, o ganso saltador dá um pequeno salto torto para o colo da princesa. O rei declara que esse é o salto mais alto e lhe dá a filha.
- A pulga protesta, vai servir num exército estrangeiro e, segundo dizem, é morta.
- O gafanhoto se senta numa vala, repete que é preciso ter corpo e canta sua canção triste. O narrador diz ter tirado dela a história, que poderia ser mentira mesmo impressa.
- Desfecho
- O ganso saltador recebe a princesa. A pulga insiste que saltou mais alto, deixa o lugar para servir num exército estrangeiro e, segundo dizem, é morta. O gafanhoto, na vala, repete que é preciso ter corpo e canta uma canção triste. O narrador afirma ter tirado dessa canção a história e admite que ela poderia ser mentira, mesmo se impressa.
Certa vez, a pulga, o gafanhoto e o ganso saltador quiseram ver qual deles podia saltar mais alto. Convidaram então o mundo inteiro e quem mais quisesse vir assistir àquela festa; e eram três saltadores de verdade quando se reuniram na sala.
“Pois darei minha filha a quem saltar mais alto!”, disse o rei. “Porque é uma miséria essas pessoas terem de saltar por nada!”
A pulga foi a primeira a se apresentar. Tinha maneiras tão delicadas e cumprimentava para todos os lados, pois tinha em si sangue de senhorita e estava acostumada a conviver somente com seres humanos, o que faz muita diferença.
Depois veio o gafanhoto. Era, de fato, bem mais corpulento, mas tinha boa compostura e usava um uniforme verde, que já nascera com ele. Além disso, o sujeito dizia que tinha uma família muito antiga no Egito e que aqui também era muito estimado: fora tirado diretamente do campo e posto numa casa de cartas de três andares, todos feitos de figuras do baralho, com o lado colorido voltado para dentro. Havia portas e janelas, recortadas no corpo da dama de copas. “Canto de tal maneira”, disse ele, “que dezesseis grilos daqui, que chiam desde pequenos e mesmo assim não ganharam casa de cartas, ao me ouvirem ficaram ainda mais magros de despeito do que já eram!”
Assim os dois, tanto a pulga quanto o gafanhoto, explicaram muito bem quem eram e que achavam que podiam muito bem casar com uma princesa.
O ganso saltador não disse nada, mas diziam que, por isso mesmo, pensava ainda mais. Bastou o cão da corte farejá-lo para garantir que o ganso saltador era de boa família. O velho conselheiro, que recebera três condecorações por ficar calado, assegurou que sabia que o ganso saltador era dotado de poderes mágicos: olhando para suas costas, podia-se saber se o inverno seria ameno ou rigoroso, coisa que não se pode ver nem nas costas de quem escreve o almanaque.
“Pois eu não digo nada!”, disse o velho rei. “Mas ando sempre assim, pensando cá comigo!”
Agora era a vez do salto. A pulga saltou tão alto que ninguém pôde ver, e então afirmaram que ela nem sequer tinha saltado, o que foi bem mesquinho.
O gafanhoto saltou só a metade daquela altura, mas saltou bem no rosto do rei, que disse que aquilo era nojento.
O ganso saltador ficou muito tempo parado, pensando; por fim, acharam que ele nem sequer sabia saltar.
“Tomara que não esteja passando mal!”, disse o cão da corte, e tornou a farejá-lo. Zás! Ele deu um pequeno salto torto e foi parar no colo da princesa, que estava sentada bem baixo, num banquinho de ouro.
Então o rei disse: “O salto mais alto é saltar até minha filha, porque essa é a parte mais fina da coisa. Mas é preciso ter cabeça para pensar nisso, e o ganso saltador mostrou que tem cabeça. Tem osso na testa!”
E assim ele ganhou a princesa.
“Mas fui eu quem saltou mais alto!”, disse a pulga. “Mas tanto faz! Que ela fique com aquele conselheiro-ganso de pauzinho e breu! Fui eu quem saltou mais alto, mas neste mundo é preciso ter corpo para que possam ver a gente!”
E então a pulga foi servir num exército estrangeiro, onde dizem que foi morta.
O gafanhoto se sentou lá fora, na vala, e pensou em como as coisas realmente se passavam no mundo. E também disse: “É preciso ter corpo! É preciso ter corpo!” Depois cantou sua própria canção triste, e foi dela que tiramos esta história, que bem poderia ser mentira, mesmo que estivesse impressa.
Sobre esta edição
- Obra
- Springfyrene
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Springfyrene
Ler o original em dinamarquês
Loppen, Græshoppen og Springgaasen vilde engang se, hvem af dem der kunde springe højest, og saa inviterede de hele Verden og hvem der ellers vilde komme at se den Stads, og det var tre ordentlige Springfyre, da de kom sammen i Stuen.
»Ja, jeg giver min Datter til den, som springer højest!« sagde Kongen, »for det er saa fattigt, at de Personer skulle springe om ingenting!«
Loppen kom først frem, den havde saadanne nette Manerer og hilsede til alle Sider, for den havde Frøkenblod i sig og var vant til kun at omgaas med Mennesker, og det gør nu meget.
Nu kom Græshoppen, den var rigtignok betydelig sværere, men den havde dog ganske god Skik paa sig og var i grøn Uniform, og den var medfødt; desuden sagde Personen, at den havde en meget gammel Familie i det Land Ægypten; og at den her hjemme var højt vurderet, den var tagen lige fra Marken og sat i et Korthus, der havde tre Etager, alle sammen af Herreblade, der vendte den kulørte Side indad; der var baade Døre og Vinduer og det skaarne ud i Livet paa Hjerter Dame. »Jeg synger saaledes,« sagde den, »at seksten indfødte Faarekyllinger, der have pebet fra smaa af og dog ikke faaet Korthus, have ved at høre mig ærgret sig endnu tyndere, end de vare!«
Begge to, baade Loppen og Græshoppen, gjorde saaledes godt rede for hvem de vare, og at de troede, de nok kunde ægte en Prinsesse.
Springgaasen sagde ikke noget, men man sagde om den, at den tænkte desto mere, og da Hofhunden kun snøftede til den, indestod han for, at Springgaasen var af god Familie; den gamle Raadmand, der havde faaet tre Ordener for at tie stille, forsikrede, at han vidste, at Springgaasen var begavet med Trolddomskraft; man kunde se paa Ryggen af den, om man fik en mild eller en streng Vinter, og det kan man ikke engang se paa Ryggen af ham, der skriver Almanakken.
»Ja, jeg siger nu ikke noget!« sagde den gamle Konge, »men jeg gaar nu altid saadan og tænker mit!«
Nu var det Springet om at gøre. Loppen sprang saa højt, at ingen kunde se det, og saa paastod de, at den slet ikke havde sprunget, og det var nu lumpent.
Græshoppen sprang kun halvt saa højt, men den sprang Kongen lige i Ansigtet, og saa sagde han, det var ækelt.
Springgaasen stod længe stille og betænkte sig, man troede til sidst, at den slet ikke kunde springe.
»Bare den ikke har faaet ondt!« sagde Hofhunden, og saa snøftede han igen til den: Rutsch! sprang den et lille, skævt Spring hen i Skødet paa Prinsessen, der sad lavt paa en Guldskammel.
Da sagde Kongen: »Det højeste Spring er at springe op til min Datter, for det er det fine af det, men sligt hører der Hoved til at falde paa, og Springgaasen har vist, at den har Hoved. Den har Ben i Panden!«
Og saa fik den Prinsessen.
»Jeg sprang dog højest!« sagde Loppen. »Men det kan være det samme! lad hende kun have den Gaaseraad med Pind og med Beg! jeg sprang dog højest, men der skal i denne Verden Krop til, for at de kunne se en!«
Og saa gik Loppen i fremmed Krigstjeneste, hvor man siger, at den blev slaaet ihjel.
Græshoppen satte sig ude i Grøften og tænkte over, hvorledes det egentlig gik til i Verden, og den sagde ogsaa: »Krop skal der til! Krop skal der til!« og saa sang den sin egen bedrøvelige Vise, og det er af den, vi har taget Historien, som dog gerne kunde være Løgn, om den endogsaa var trykt.
Os saltadores
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