AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

EK 5

Polegarzinha

Hans Christian Andersen

Tommelise

Sobre este conto

Uma mulher que deseja ter uma criança recebe de uma bruxa um grão de cevada. Da flor que nasce surge uma menina de apenas uma polegada, chamada Polegarzinha. Ela dorme numa casca de noz e navega num prato até ser levada por uma sapona que a quer como esposa de seu filho. Tão pequena, Polegarzinha precisa enfrentar distâncias, animais e mudanças de estação numa escala muito diferente da sua.

Personagens e estrutura
Personagens
Polegarzinha, depois chamada Maja, Mulher que deseja uma criança, Velha bruxa, Sapona, Filho da sapona, Peixinhos do rio, Borboleta branca, Besouro-de-maio e os outros besouros, Rata-do-campo, Toupeira, vizinho e pretendente, Andorinha, Quatro aranhas, Anjo da flor, rei e príncipe das flores, Habitantes das flores, Homem que conta histórias, na Dinamarca
Onde se passa
Casa da mulher, rio com nenúfares, árvore, floresta, campo de cereais, casa da rata-do-campo e túneis da toupeira. Depois, viagem sobre mar e montanhas às terras quentes não nomeadas, com palácio de mármore e flores junto a um lago. A andorinha retorna à Dinamarca no final.
Acontecimentos
  1. Polegarzinha nasce numa tulipa e é levada por uma sapona para casar com seu filho. Peixes roem o caule da folha que a prende no rio e a deixam seguir pela correnteza.
  2. Ela amarra uma borboleta à folha; um besouro a leva voando e depois a abandona quando os outros a rejeitam. Sozinha na floresta, enfrenta o inverno e busca abrigo com uma rata-do-campo.
  3. O vizinho, uma toupeira, ouve Polegarzinha cantar e se apaixona. Num túnel, ela encontra uma andorinha aparentemente morta, percebe que vive e cuida dela em segredo durante o inverno.
  4. Na primavera, Polegarzinha recusa partir com a andorinha para não entristecer a rata. A rata prepara seu casamento com a toupeira, emprega quatro aranhas no enxoval e a ameaça quando ela protesta.
  5. Ao se despedir do sol antes do casamento, Polegarzinha reencontra a andorinha e aceita fugir em suas costas. Cruzam mar e montanhas e chegam a um palácio nas terras quentes.
  6. Numa flor entre pedaços de uma coluna, Polegarzinha conhece o rei das flores, aceita ser sua esposa e recebe asas de uma mosca branca. Ele lhe dá o nome Maja; a andorinha canta, embora triste por se separar dela.
Desfecho
Polegarzinha aceita o príncipe e passa a poder voar de flor em flor com as asas recebidas. Chamada Maja, fica com o povo das flores. A andorinha se despede e volta à Dinamarca, onde tem um ninho sobre a janela do homem que conta histórias; seu canto a ele é apresentado como a origem de todo o relato.

Era uma vez uma mulher que desejava muito ter uma criancinha, mas não sabia de modo algum onde conseguir uma. Então foi procurar uma velha bruxa e lhe disse: — Eu queria tanto ter uma criança! Você não pode me dizer onde poderei conseguir uma?

— Podemos resolver isso, sim! — disse a bruxa. — Aqui está um grão de cevada. Não é desses que crescem no campo do lavrador ou que se dão às galinhas para comer. Ponha-o num vaso, e verá uma coisa!

— Muito obrigada! — disse a mulher. Deu doze skillings à bruxa, voltou para casa e plantou o grão de cevada. Imediatamente nasceu uma grande e linda flor, que parecia uma tulipa, mas tinha as pétalas bem fechadas, como se ainda estivesse em botão.

— Que flor mais linda! — disse a mulher, beijando suas belas pétalas vermelhas e amarelas. No instante do beijo, a flor deu um grande estalo e se abriu. Agora se podia ver que era mesmo uma tulipa, mas, bem no meio da flor, sobre o assento verde, havia uma menininha sentada, tão delicada e bonita! Media apenas uma polegada, e por isso foi chamada Polegarzinha.

Deram-lhe por berço uma linda casca de noz envernizada. Pétalas de violeta azul eram seus colchões, e uma pétala de rosa, sua coberta. Ali dormia à noite; de dia brincava sobre a mesa, onde a mulher tinha posto um prato, cercado por uma coroa inteira de flores cujos caules mergulhavam na água. Nela flutuava uma grande pétala de tulipa, sobre a qual Polegarzinha podia sentar-se e navegar de um lado do prato ao outro. Tinha dois fios brancos de crina de cavalo para remar. Era uma beleza de ver. Ela também sabia cantar, com uma voz tão delicada e bonita como nunca se tinha ouvido por aqui.

Uma noite, enquanto estava deitada em sua bela cama, uma sapona horrível entrou saltando pela janela, que tinha uma vidraça quebrada. A sapona era tão feia, grande e molhada! Saltou direto para a mesa onde Polegarzinha dormia sob a pétala de rosa vermelha.

— Seria uma bela esposa para meu filho! — disse a sapona. Pegou a casca de noz onde Polegarzinha dormia e saltou com ela pela vidraça, para o jardim.

Ali passava um rio grande e largo, mas junto à margem tudo era pantanoso e enlameado. Era onde a sapona morava com seu filho. Ui! Ele também era feio e repugnante, igualzinho à mãe. — Coax, coax, breque-que-quex! — Foi tudo o que conseguiu dizer ao ver a linda menininha na casca de noz.

— Não fale tão alto, senão ela acorda! — disse a velha sapona. — Ainda pode fugir de nós, pois é leve como uma penugem de cisne! Vamos pô-la no rio, sobre uma daquelas largas folhas de nenúfar. Para ela, tão leve e pequena, será como uma ilha! Dali não poderá escapar enquanto arrumamos a sala de visitas lá debaixo da lama, onde vocês vão morar e formar seu lar!

No rio cresciam muitos nenúfares, com largas folhas verdes que pareciam flutuar sobre a água. A folha mais afastada da margem era também a maior de todas. A velha sapona nadou até lá e colocou sobre ela a casca de noz com Polegarzinha.

A pobrezinha acordou bem cedo e, quando viu onde estava, começou a chorar amargamente. Havia água por todos os lados daquela grande folha verde, e ela não conseguia de modo algum chegar à terra.

A velha sapona estava lá na lama enfeitando sua sala com juncos e nenúfares amarelos — tudo devia ficar bem bonito para a nova nora! Depois nadou com o filho feio até a folha onde Polegarzinha estava. Queriam buscar sua bela cama e instalá-la no quarto nupcial antes que ela própria chegasse. A velha sapona fez-lhe uma profunda reverência dentro da água e disse: — Aqui está meu filho. Ele será seu marido, e vocês vão morar tão bem lá na lama!

— Coax, coax! Brequequequex! — Foi tudo o que o filho conseguiu dizer.

Pegaram então a linda caminha e saíram nadando com ela, mas Polegarzinha ficou sozinha sobre a folha verde, chorando, pois não queria morar com aquela sapona repugnante nem ter seu filho horrível por marido. Os peixinhos que nadavam na água tinham visto a sapona e ouvido o que dissera. Puseram então a cabeça para fora, pois queriam ver a menininha. Assim que a viram, acharam-na tão bonita e ficaram com tanta pena de que fosse levada para junto da feia sapona! Não, aquilo não aconteceria! Juntaram-se na água em volta do caule verde que sustentava a folha onde ela estava e o roeram com os dentes até cortá-lo. Então a folha desceu pelo rio com Polegarzinha, para longe, bem longe, onde a sapona não poderia chegar.

Polegarzinha navegou por tantos lugares! Os passarinhos pousados nos arbustos a viam e cantavam: — Que linda donzelinha! — A folha com ela flutuava cada vez mais longe. Foi assim que Polegarzinha viajou para outras terras.

Uma linda borboletinha branca não parava de voar ao seu redor e por fim pousou na folha, pois gostava muito de Polegarzinha. Ela estava tão contente, porque agora a sapona não podia alcançá-la, e tudo era tão belo por onde navegava! O sol brilhava na água, que parecia o mais lindo ouro. Então pegou a fita que usava na cintura, amarrou uma ponta na borboleta e prendeu a outra na folha. Esta passou a deslizar muito mais depressa, e ela também, pois estava de pé sobre a folha.

Nesse instante, veio voando um grande besouro-de-maio. Assim que a viu, agarrou-lhe a cintura fina com uma garra e voou com ela para uma árvore. Mas a folha verde continuou descendo o rio, e a borboleta voou junto, pois estava amarrada à folha e não conseguia se soltar.

Meu Deus, como a pobre Polegarzinha se assustou quando o besouro voou com ela para a árvore! Mas o que mais a entristecia era a linda borboleta branca que tinha amarrado à folha: se não conseguisse se soltar, morreria de fome. O besouro, porém, não se importava nem um pouco com isso. Pousou com ela na maior folha verde da árvore, deu-lhe o néctar das flores para comer e disse que era muito bonita, embora não se parecesse nem um pouco com um besouro-de-maio. Depois vieram fazer uma visita todos os outros besouros que moravam na árvore. Olharam para Polegarzinha, e as senhoritas besouras puxaram as antenas e disseram: — Ela só tem duas pernas! Que aspecto miserável! — Não tem antenas! — disse outra. — Tem a cintura tão fina, credo! Parece um ser humano! Como é feia! — disseram todas as besouras. E, no entanto, Polegarzinha era tão bonita! O besouro que a tinha levado também achava isso, mas, como todos os outros diziam que era horrível, por fim ele também acreditou e não quis mais ficar com ela. Podia ir para onde quisesse. Levaram-na voando para baixo e a puseram numa margaridinha. Ali chorou, por ser tão feia que os besouros não a queriam. E, no entanto, era a mais linda que se podia imaginar, tão delicada e luminosa como a mais bela pétala de rosa.

Durante todo o verão, a pobre Polegarzinha viveu inteiramente sozinha na grande floresta. Trançou uma cama de talos de capim e a pendurou debaixo de uma grande folha de labaça, para que a chuva não caísse sobre ela. Colhia o néctar das flores para comer e bebia o orvalho que toda manhã se formava nas folhas. Assim passaram o verão e o outono, mas então chegou o inverno, o frio e longo inverno. Todos os pássaros que tinham cantado tão lindamente para ela foram embora. As árvores e flores murcharam; a grande folha de labaça sob a qual morava se enrolou, e restou apenas um caule amarelo e seco. Ela sentia um frio terrível, pois suas roupas estavam rasgadas e era tão pequena e delicada, a pobre Polegarzinha, que morreria congelada. Começou a nevar, e cada floco que caía sobre ela era como se jogassem sobre nós uma pá inteira de neve, pois somos grandes, e ela tinha apenas uma polegada. Enrolou-se numa folha seca, mas aquilo não a aquecia, e tremia de frio.

Logo fora da floresta, onde tinha chegado, havia um grande campo de cereais. A plantação já tinha sido colhida havia muito tempo; só os caules secos e nus saíam da terra congelada. Eram como uma floresta inteira para ela atravessar. Ah, como tremia de frio! Então chegou à porta da rata-do-campo: um pequeno buraco debaixo dos caules cortados. A rata-do-campo morava ali, bem abrigada e confortável, com a sala cheia de grãos, uma bela cozinha e uma despensa. A pobre Polegarzinha ficou junto à entrada, como qualquer pobre menina mendiga, e pediu um pedacinho de um grão de cevada, pois havia dois dias que não comia absolutamente nada.

— Pobrezinha! — disse a rata-do-campo, que no fundo era uma boa e velha rata-do-campo. — Entre na minha sala quentinha e coma comigo!

Como gostou de Polegarzinha, disse: — Pode ficar comigo neste inverno, mas terá de manter minha sala bem limpa e me contar histórias, pois gosto muito delas. — Polegarzinha fez o que a boa e velha rata-do-campo pediu e ficou vivendo muito bem.

— Logo teremos visita! — disse a rata-do-campo. — Meu vizinho costuma me visitar toda semana. Mora ainda melhor do que eu, com grandes salões, e usa um lindo casaco de veludo preto! Se você pudesse tê-lo por marido, estaria bem amparada. Mas ele não enxerga. Conte-lhe as histórias mais lindas que souber!

Mas Polegarzinha não queria nada daquilo. Não queria de modo algum o vizinho por marido, pois era uma toupeira. Ele veio fazer uma visita com seu casaco de veludo preto. Era tão rico e instruído, dizia a rata-do-campo! Sua casa também era mais de vinte vezes maior do que a dela. Instrução não lhe faltava, mas não gostava nada do sol nem das belas flores e falava mal deles, pois nunca os tinha visto. Polegarzinha teve de cantar. Cantou tanto “Besouro, voe, voe!” como “O monge caminha pelos prados”, e a toupeira se apaixonou por ela por causa de sua bela voz. Mas não disse nada: era um homem muito ponderado.

Pouco antes, ele tinha escavado pela terra um longo corredor entre sua casa e a delas. A rata-do-campo e Polegarzinha receberam permissão para passear por ali quando quisessem. Mas ele lhes pediu que não se assustassem com o pássaro morto no corredor. Era um pássaro inteiro, com penas e bico, que certamente morrera havia pouco, quando o inverno começara, e agora estava enterrado justamente onde ele tinha feito o corredor.

A toupeira pegou na boca um pedaço de madeira podre, pois ela brilha como fogo no escuro, e foi na frente, iluminando o longo corredor escuro. Quando chegaram ao lugar onde estava o pássaro morto, encostou o focinho largo no teto e empurrou a terra para cima, abrindo um grande buraco por onde a luz podia entrar. No meio do chão estava uma andorinha morta, com as belas asas bem apertadas contra os lados do corpo, as pernas e a cabeça encolhidas debaixo das penas. A pobre ave certamente tinha morrido de frio. Polegarzinha sentiu tanta pena! Gostava muito de todos os passarinhos, que tinham passado o verão cantando e gorjeando tão lindamente para ela. A toupeira, porém, cutucou a ave com suas pernas curtas e disse: — Agora não pia mais! Deve ser miserável nascer passarinho! Graças a Deus nenhum dos meus filhos será um! Um pássaro desses não tem nada além do seu quivit e acaba morrendo de fome no inverno!

— Sim, isso o senhor pode mesmo dizer, como homem sensato que é — disse a rata-do-campo. — De que serve ao pássaro todo o seu quivit quando chega o inverno? Tem de passar fome e frio. E ainda assim isso deve ser uma grande coisa!

Polegarzinha não disse nada. Quando os outros dois deram as costas à ave, inclinou-se, afastou as penas que lhe cobriam a cabeça e beijou seus olhos fechados. “Talvez seja este o pássaro que cantou tão lindamente para mim no verão”, pensou. “Quanta alegria me deu, esse querido e lindo passarinho!”

A toupeira fechou o buraco por onde entrava a luz do dia e acompanhou as senhoras até em casa. À noite, porém, Polegarzinha não conseguia dormir. Levantou-se da cama, trançou uma grande e bonita coberta de feno, levou-a para baixo e a estendeu em volta do pássaro morto. Pôs aos lados da ave um algodão macio que tinha encontrado na sala da rata-do-campo, para que ficasse aquecida naquela terra fria.

— Adeus, lindo passarinho! — disse. — Adeus, e obrigada pelo seu belo canto no verão, quando todas as árvores estavam verdes e o sol nos aquecia tanto! — Encostou a cabeça no peito da ave, mas nesse instante levou um grande susto: parecia que alguma coisa batia lá dentro. Era o coração do pássaro. Ele não estava morto; estava em estado de torpor e, agora que tinha sido aquecido, voltava à vida.

No outono, todas as andorinhas voam para as terras quentes. Mas, se uma se atrasa, fica tão gelada que cai morta, permanece onde caiu, e a neve fria a recobre.

Polegarzinha tremia de verdade, de tanto susto, pois a ave era muito, muito grande em comparação com ela, que só tinha uma polegada. Mesmo assim, tomou coragem, ajeitou o algodão mais perto da pobre andorinha, foi buscar uma folha de hortelã-crespa que tinha usado como coberta e a pôs sobre a cabeça da ave.

Na noite seguinte, desceu de mansinho até ela outra vez. Já estava bem viva, mas tão fraca que só conseguiu abrir os olhos por um instante e ver Polegarzinha ali de pé, com um pedaço de madeira podre na mão, pois não tinha outra lanterna.

— Obrigada, linda criancinha! — disse-lhe a andorinha doente. — Fiquei tão bem aquecida! Logo recuperarei minhas forças e poderei voar outra vez lá fora, sob o sol quentinho!

— Ah! — disse ela. — Está tão frio lá fora, está nevando e congelando tudo! Fique na sua cama quente; eu vou cuidar de você!

Ela levou água à andorinha numa pétala de flor. A ave bebeu e lhe contou que tinha ferido uma das asas num arbusto espinhoso e por isso não conseguira voar tão depressa quanto as outras andorinhas, que tinham partido para longe, bem longe, para as terras quentes. Por fim, caíra no chão, mas não se lembrava de mais nada e não sabia de modo algum como tinha chegado ali.

Ficou lá embaixo durante todo o inverno. Polegarzinha era boa com ela e gostava muito dela. Nem a toupeira nem a rata-do-campo souberam de nada, pois não gostavam da pobre andorinha sem recursos.

Assim que chegou a primavera e o sol começou a aquecer a terra por dentro, a andorinha se despediu de Polegarzinha, que abriu o buraco feito pela toupeira lá em cima. A luz do sol entrou tão bonita! A andorinha perguntou se ela não queria acompanhá-la. Podia sentar-se em suas costas e voariam para longe, para a floresta verde. Mas Polegarzinha sabia que a velha rata-do-campo ficaria triste se ela a abandonasse daquela maneira.

— Não, não posso! — disse Polegarzinha. — Adeus, adeus, boa e linda menina! — disse a andorinha, voando para a luz do sol. Polegarzinha a acompanhou com os olhos, que se encheram de lágrimas, pois gostava muito da pobre andorinha.

— Quivit! Quivit! — cantou a ave, voando para a floresta verde.

Polegarzinha estava tão triste! Não lhe davam permissão para sair ao sol quentinho. Os cereais semeados no campo, por cima da casa da rata-do-campo, também tinham crescido muito. Eram uma floresta inteira e espessa para a pobre menininha de apenas uma polegada.

— Agora, neste verão, você terá de costurar seu enxoval! — disse-lhe a rata-do-campo, pois o vizinho, a enfadonha toupeira de casaco de veludo preto, tinha pedido sua mão. — Precisará de tecidos de lã e de linho! Precisará de coisas para se sentar e se deitar quando for a esposa da toupeira!

Polegarzinha teve de fiar num fuso de mão, e a rata-do-campo contratou quatro aranhas para fiar e tecer noite e dia. Todas as noites a toupeira vinha fazer uma visita e sempre dizia que, quando o verão terminasse, o sol já não brilharia tão quente: agora queimava a terra até deixá-la dura como pedra. Sim, quando o verão acabasse, haveria o casamento com Polegarzinha! Mas ela não estava nem um pouco contente, pois não gostava da enfadonha toupeira. Todas as manhãs, quando o sol nascia, e todas as noites, quando se punha, saía de mansinho até a porta. Quando o vento afastava as pontas dos cereais e ela conseguia ver o céu azul, pensava em como tudo era claro e bonito lá fora e desejava tanto poder ver de novo a querida andorinha! Mas ela nunca mais vinha; certamente voava bem longe, na bela floresta verde.

Quando chegou o outono, Polegarzinha estava com todo o enxoval pronto.

— Daqui a quatro semanas será seu casamento! — disse-lhe a rata-do-campo. Mas Polegarzinha chorou e disse que não queria se casar com a enfadonha toupeira.

— Ora, bobagens! — disse a rata-do-campo. — Não seja teimosa, senão vou mordê-la com meu dente branco! Que belo marido você vai ter! Nem a própria rainha tem um casaco de veludo preto igual ao dele! Ele tem fartura tanto na cozinha quanto na adega. Agradeça a Deus por ele!

Então chegou o dia do casamento. A toupeira já tinha vindo buscar Polegarzinha. Ela teria de morar com ele bem no fundo da terra e nunca sair ao sol quentinho, pois ele não gostava disso. A pobre criança estava tão triste! Agora teria de dizer adeus ao belo sol, que, na casa da rata-do-campo, ao menos tinha recebido permissão para ver da porta.

— Adeus, sol brilhante! — disse ela, erguendo os braços bem alto. Também saiu um pouquinho da casa da rata-do-campo, pois agora os cereais tinham sido colhidos, e só restavam os caules secos. — Adeus, adeus! — disse, abraçando com seus pequenos braços uma florzinha vermelha que estava ali. — Dê lembranças minhas à andorinha, se você a vir!

— Quivit, quivit! — ouviu-se naquele instante sobre sua cabeça. Ela olhou para cima: era a andorinha, que acabava de passar por ali. Assim que viu Polegarzinha, ficou tão contente! A menina lhe contou como não queria ter a feia toupeira por marido e como teria então de morar bem debaixo da terra, onde o sol nunca brilhava. Não conseguiu deixar de chorar ao contar aquilo.

— Agora vem o inverno frio — disse a andorinha. — Vou voar para bem longe, para as terras quentes. Quer vir comigo? Pode sentar-se nas minhas costas! Amarre-se com a fita da sua cintura, e voaremos para longe da feia toupeira e de sua sala escura, bem longe, por cima das montanhas, para as terras quentes, onde o sol brilha mais bonito do que aqui, onde sempre é verão e há belas flores. Venha voar comigo, doce Polegarzinha, que salvou minha vida quando eu estava enregelada naquele porão escuro debaixo da terra!

— Sim, vou com você! — disse Polegarzinha. Sentou-se nas costas da ave, com os pés sobre a asa aberta, amarrou seu cinto numa das penas mais fortes, e a andorinha voou bem alto, por cima da floresta e do mar, por cima das grandes montanhas onde sempre há neve. Polegarzinha sentia frio naquele ar gelado, mas se abrigou debaixo das penas quentes da ave e só punha a cabecinha para fora, para ver toda a beleza lá embaixo.

Chegaram então às terras quentes. Ali o sol brilhava muito mais claro do que aqui, o céu era duas vezes mais alto, e nas valas e cercas cresciam as mais lindas uvas verdes e azuis. Nas florestas pendiam limões e laranjas, havia perfume de murtas e hortelãs-crespas, e na estrada corriam lindas crianças, brincando com grandes borboletas coloridas. Mas a andorinha voou ainda mais longe, e tudo ficava cada vez mais bonito. Debaixo de belíssimas árvores verdes, junto ao lago azul, havia um reluzente palácio de mármore branco dos tempos antigos. Videiras se enroscavam pelas altas colunas. Bem no alto havia muitos ninhos de andorinha, e num deles morava a andorinha que carregava Polegarzinha.

— Aqui é minha casa! — disse a andorinha. — Mas escolha uma daquelas flores magníficas que crescem lá embaixo, e eu a porei ali. Você ficará tão bem quanto poderia desejar!

— Que maravilha! — disse ela, batendo suas pequenas mãos.

Uma grande coluna de mármore branco tinha caído no chão e se partido em três pedaços. Entre eles cresciam grandes e belíssimas flores brancas. A andorinha desceu com Polegarzinha e a pôs numa das largas pétalas. Mas que espanto ela levou! Havia um homenzinho sentado no meio da flor, tão branco e transparente como se fosse de vidro. Tinha na cabeça a mais linda coroa de ouro e, nos ombros, belíssimas asas transparentes. Ele não era maior do que Polegarzinha. Era o anjo da flor. Em cada flor morava um homenzinho ou uma mulherzinha como ele, mas aquele era o rei de todos.

— Meu Deus, como ele é bonito! — sussurrou Polegarzinha à andorinha. O pequeno príncipe ficou muito assustado com a andorinha, pois ela era uma ave gigantesca em comparação com ele, tão pequeno e delicado. Mas, quando viu Polegarzinha, ficou tão contente! Era a menina mais bonita que já tinha visto. Por isso tirou sua coroa de ouro e a pôs na cabeça dela. Perguntou como se chamava e se queria ser sua esposa; assim seria rainha de todas as flores! Ah, aquele sim era um marido, bem diferente do filho da sapona e da toupeira de casaco de veludo preto! Ela disse sim ao belo príncipe, e de cada flor saiu uma senhora ou um senhor, tão lindos que era um prazer vê-los. Cada um trouxe um presente a Polegarzinha, mas o melhor de todos foi um par de belas asas de uma grande mosca branca. Prenderam-nas nas costas de Polegarzinha, e agora ela também podia voar de flor em flor. Havia tanta alegria! A andorinha estava lá em cima, no ninho, cantando para eles o melhor que podia, mas, no fundo do coração, estava triste, pois gostava muito de Polegarzinha e nunca teria desejado se separar dela.

— Você não deve se chamar Polegarzinha! — disse-lhe o anjo da flor. — É um nome feio, e você é tão bonita! Vamos chamá-la Maja!

— Adeus, adeus! — disse a andorinha, e voou outra vez para longe das terras quentes, de volta à distante Dinamarca. Ali tinha um pequeno ninho sobre a janela da casa do homem que sabe contar contos de fadas. Para ele cantou “quivit, quivit!”, e foi assim que ficamos sabendo de toda a história.


Sobre esta edição

Obra
Tommelise
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
29/10/2026
Edições e fontes

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Tommelise

Eventyr, fortalte for Børn · Andet Hefte · 1835 · Dinamarquês · Andet Hefte · segundo fascículo
Volume Andet Hefte. Página 5–28. Consultar esta edição ↗
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Der var engang en Kone, som saa gjerne vilde have sig et lille bitte Barn, men hun vidste slet ikke, hvor hun skulde faae et fra; saa gik hun hen til en gammel Hex og sagde til hende: »Jeg vilde saa inderlig gjerne have et lille Barn, vil Du ikke sige mig, hvor jeg dog skal faae et fra?«

»Jo, det skal vi nok komme ud af!« sagde Hexen. »Der har Du et Bygkorn, det er slet ikke af den Slags, som groer paa Bondemandens Mark, eller som Hønsene faae at spise, læg det i en Urtepotte, saa skal Du faae noget at see!«

»Tak skal Du have!« sagde Konen og gav Hexen tolv Skilling, gik saa hjem, plantede Bygkornet, og strax voxte der en deilig stor Blomst op, den saae ganske ud, som en Tulipan, men Bladene lukkede sig tæt sammen, ligesom om den endnu var i Knop.

»Det er en nydelig Blomst!« sagde Konen, og kyssede den paa de smukke røde og gule Blade, men lige i det hun kyssede, gav Blomsten et stort Knald, og aabnede sig. Det var en virkelig Tulipan, kunde man nu see, men midt inde i Blomsten, paa den grønne Stol, sad der en lille bitte Pige, saa fiin og nydelig, hun var ikke uden en Tomme lang, og derfor kaldtes hun Tommelise.

En nydelig lakeret Valdnødskal fik hun til Vugge, blaa Violblade vare hendes Matrasser og et Rosenblad hendes Overdyne; der sov hun om Natten, men om Dagen legede hun paa Bordet, hvor Konen havde sat en Tallerken, som hun havde lagt en heel Krands om med Blomster, der stak deres Stilke ned i Vandet; her flød et stort Tulipanblad, og paa dette maatte Tommelise sidde og seile fra den ene Side af Tallerkenen til den anden; hun havde to hvide Hestehaar at roe med. Det saae just deiligt ud. Hun kunde ogsaa synge, o saa fiint og nydeligt, som man aldrig her havde hørt. —

En Nat, som hun laae i sin smukke Seng, kom der en hæslig Skruptudse hoppende ind af Vinduet; der var en Rude itu. Skruptudsen var saa styg, stor og vaad, den hoppede lige ned paa Bordet, hvor Tommelise laae og sov under det røde Rosenblad.

»Det var en deilig Kone til min Søn!« sagde Skruptudsen, og saa tog hun fat i Valdnødskallen, hvor Tommelise sov, og hoppede bort med hende gjennem Ruden, ned i Haven.

Der løb en stor, bred Aa; men lige ved Bredden var det sumpet og muddret; her boede Skruptudsen med sin Søn. Uh! han var ogsaa styg og fæl, lignede ganske sin Moder: »coax, coax, brekke-ke-kex!« det var alt hvad han kunde sige, da han saae den nydelige lille Pige i Valdnødskallen.

»Snak ikke saa høit, for ellers vaagner hun!« sagde den gamle Skruptudse, »hun kunde endnu løbe fra os, for hun er saa let, som et Svaneduun! vi ville sætte hende ud i Aaen paa et af de brede Aakandeblade, det er for hende, der er saa let og lille, ligesom en Ø! der kan hun ikke løbe bort, mens vi gjøre Stadsestuen istand nede under Mudderet, hvor I skulle boe og bygge!«

Ude i Aaen voxte der saa mange Aakander med de brede grønne Blade, der see ud som de flyde oven paa Vandet; det Blad, som var længst ude, var ogsaa det allerstørste; der svømmede den gamle Skruptudse ud og satte Valdnødskallen med Tommelise.

Den lillebitte Stakkel vaagnede ganske tidlig om Morgenen, og da hun saae, hvor hun var, begyndte hun saa bitterligt at græde, for der var Vand paa alle Sider af det store grønne Blad, hun kunde slet ikke komme i Land.

Den gamle Skruptudse sad nede i Mudderet og pyntede sin Stue op med Siv og gule Aaknappe, — der skulde være rigtigt net for den nye Svigerdatter, — svømmede saa med den stygge Søn ud til Bladet, hvor Tommelise stod, de vilde hente hendes pæne Seng, den skulde sættes op i Brudekammeret, før hun selv kom der. Den gamle Skruptudse neiede saa dybt i Vandet for hende og sagde: »her skal Du see min Søn, han skal være Din Mand, og I skal boe saa deiligt nede i Mudderet!«

»Coax, coax! brekkekekex!« det var Alt, hvad Sønnen kunde sige.

Saa toge de den nydelige lille Seng og svømmede bort med den, men Tommelise sad ganske alene og græd paa det grønne Blad, for hun vilde ikke boe hos den fæle Skruptudse eller have hendes hæslige Søn til sin Mand. De smaa Fiske, som svømmede nede i Vandet, havde nok seet Skruptudsen og hørt hvad hun sagde, derfor stak de Hovederne op, de vilde dog see den lille Pige. Saa snart de fik hende at see, fandt de hende saa nydelig, og det gjorde dem saa ondt, at hun skulde ned til den stygge Skruptudse. Nei, det skulde aldrig skee. De flokkede sig nede i Vandet rundt om den grønne Stilk, der holdt Bladet, hun stod paa, gnavede med Tænderne Stilken over, og saa flød Bladet ned af Aaen, bort med Tommelise, langtbort, hvor Skruptudsen ikke kunde komme.

Tommelise seilede forbi saa mange Stæder, og de smaa Fugle sad i Buskene, saae hende og sang »hvilken nydelig lille Jomfrue!« Bladet med hende svømmede længer og længer bort; saaledes reiste Tommelise udenlands.

En nydelig lille hvid Sommerfugl blev ved at flyve rundt omkring hende, og satte sig tilsidst ned paa Bladet, for den kunde saa godt lide Tommelise, og hun var saa fornøiet, for nu kunde Skruptudsen ikke naae hende og der var saa deiligt, hvor hun seilede; Solen skinnede paa Vandet, det var ligesom det deiligste Guld. Saa tog hun sit Livbaand, bandt den ene Ende om Sommerfuglen, den anden Ende af Baandet satte hun fast i Bladet; det gled da meget hurtigere afsted og hun med, for hun stod jo paa Bladet.

I det samme kom der en stor Oldenborre flyvende, den fik hende at see og i Øieblikket slog den sin Klo om hendes smækkre Liv og fløi op i Træet med hende, men det grønne Blad svømmede ned af Aaen og Sommerfuglen fløi med, for han var bundet til Bladet og kunde ikke komme løs.

Gud, hvor den stakkels Tommelise blev forskrækket, da Oldenborren fløi op i Træet med hende, men hun var dog allermeest bedrøvet for den smukke, hvide Sommerfugl, hun havde bundet fast til Bladet; dersom han nu ikke kunde komme løs, maatte han jo sulte ihjel. Men det brød Oldenborren sig ikke noget om. Den satte sig med hende paa det største, grønne Blad i Træet, gav hende det Søde af Blomsterne at spise og sagde, at hun var saa nydelig, skjøndt hun slet ikke lignede en Oldenborre. Siden kom alle de andre Oldenborrer, der boede i Træet, og gjorde Visit; de saae paa Tommelise, og Frøken-Oldenborrerne trak paa Følehornene og sagde: »hun har dog ikke mere end to Been, det seer ynkeligt ud. Hun har ingen Følehorn!« sagde den anden. »Hun er saa smækker i Livet, fy! hun seer ud ligesom et Menneske! Hvor hun er styg!« sagde alle Hun-Oldenborrerne, og saa var Tommelise dog saa nydelig; det syntes ogsaa den Oldenborre, som havde taget hende, men da alle de andre sagde, hun var hæslig, saa troede han det tilsidst ogsaa og vilde slet ikke have hende; hun kunde gaae, hvor hun vilde. De fløi ned af Træet med hende og satte hende paa en Gaaseurt; der græd hun, fordi hun var saa styg, at Oldenborrerne ikke vilde have hende, og saa var hun dog den deiligste, man kunde tænke sig, saa fiin og klar som det skjønneste Rosenblad.

Hele Sommeren igjennem levede den stakkels Tommelise ganske alene i den store Skov. Hun flettede sig en Seng af Græsstraa og hang den under et stort Skræppeblad, saa kunde det ikke regne paa hende; hun pillede det Søde af Blomsterne og spiste, og drak af Duggen, der hver Morgen stod paa Bladene; saaledes gik Sommer og Efteraar, men nu kom Vinteren, den kolde, lange Vinter. Alle Fuglene, der havde sjunget saa smukt for hende, fløi deres Vei, Træerne og Blomsterne visnede, det store Skræppeblad, hun havde boet under, rullede sammen og blev kun en guul, vissen Stilk, og hun frøs saa forskrækkeligt, for hendes Klæder vare itu og hun var selv saa fiin og lille, den stakkels Tommelise, hun maatte fryse ihjel. Det begyndte at snee og hver Sneefnug, der faldt paa hende, var, som naar man kaster en heel Skuffe fuld paa os, thi vi ere store og hun var kun en Tomme lang. Saa svøbte hun sig ind i et vissent Blad, men det vilde ikke varme, hun rystede af Kulde.

Tæt udenfor Skoven, hvor hun nu var kommet, laae en stor Kornmark, men Kornet var forlange siden borte, kun de nøgne, tørre Stubbe stode op af den frosne Jord. De vare ligesom en heel Skov for hende at gaae imellem, o, hun rystede saadan af Kulde. Saa kom hun til Markmusens Dør. Den var et lille Hul inde under Korn-Stubbene. Der boede Markmusen luunt og godt, havde hele Stuen fuld af Korn, et deiligt Kjøkken og Spiiskammer. Den stakkels Tommelise stillede sig indenfor Døren, ligesom en anden fattig Tiggerpige og bad om et lille Stykke af et Bygkorn, for hun havde i to Dage ikke faaet det mindste at spise.

»Din lille Stakkel!« sagde Markmusen, for det var igrunden en god gammel Markmuus, »kom Du ind i min varme Stue og spiis med mig!«

Da hun nu syntes godt om Tommelise, sagde hun: »Du kan gjerne blive hos mig i Vinter, men Du skal holde min Stue pæn reen og fortælle mig Historier, for dem holder jeg meget af,« og Tommelise gjorde, hvad den gode, gamle Markmuus forlangte og havde det da grumme godt.

»Nu faae vi nok snart Besøg!« sagde Markmusen, »min Naboe pleier hver Ugesdag at besøge mig. Han sidder bedre endnu inden Vægge, end jeg; har store Sale og gaaer med saadan en deilig, sort Fløielspels! bare Du kunde faae ham til Mand, saa var Du godt forsørget; men han kan ikke see. Du maa fortælle ham de nydeligste Historier, Du veed!«

Men det brød Tommelise sig ikke om, hun vilde slet ikke have Naboen, for han var en Muldvarp. Han kom og gjorde Visit i sin sorte Fløielspels, han var saa riig og saa lærd, sagde Markmusen, hans Huusleilighed var ogsaa over tyve Gange større, end Markmusens, og Lærdom havde han, men Solen og de smukke Blomster kunde han slet ikke lide, dem snakkede han ondt om, for han havde aldrig seet dem. Tommelise maatte synge og hun sang baade »Oldenborre flyv, flyv!« og »Munken gaaer i Enge,« saa blev Muldvarpen forliebt i hende, for den smukke Stemmes Skyld, men han sagde ikke noget, han var saadan en sindig Mand. —

Han havde nylig gravet sig en lang Gang gjennem Jorden fra sit til deres Huus, i den fik Markmusen og Tommelise Lov til at spadsere, naar de vilde. Men han bad dem ikke blive bange for den døde Fugl, som laae i Gangen; det var en heel Fugl med Fjer og Næb, der vist var død for ganske nylig, da Vinteren begyndte, og nu gravet ned, just hvor han havde gjort sin Gang.

Muldvarpen tog et Stykke Trøske i Munden, for det skinner jo ligesom Ild i Mørke, og gik saa foran og lyste for dem i den lange, mørke Gang; da de saa kom, hvor den døde Fugl laae, satte Muldvarpen sin brede Næse mod Loftet og stødte Jorden op, saa der blev et stort Hul, som Lyset kunde skinne ned igjennem. Midt paa Gulvet laae en død Svale, med de smukke Vinger trykkede fast ind om Siderne, Benene og Hovedet trukne ind under Fjedrene; den stakkels Fugl var bestemt død af Kulde. Det gjorde Tommelise saa ondt for den, hun holdt saa meget af alle de smaa Fugle, de havde jo hele Sommeren sjunget og qviddret saa smukt for hende, men Muldvarpen stødte til den med sine korte Been og sagde: »Nu piber den ikke meer! det maa være ynkeligt at blive født til en lille Fugl! Gud skee Lov, at ingen af mine Børn blive det; saadan en Fugl har jo ingen Ting uden sit Quivit og maa sulte ihjel til Vinteren!«

»Ja, det maa I, som en fornuftig Mand, nok sige,« sagde Markmusen. »Hvad har Fuglen for al sit Quivit, naar Vinteren kommer? Den maa sulte og fryse; men det skal vel ogsaa være saa stort!«

Tommelise sagde ikke noget, men da de to andre vendte Ryggen til Fuglen, bøiede hun sig ned, skjød Fjedrene tilside, der laae over dens Hoved, og kyssede den paa de lukkede Øine. »Maaskee var det den, som sang saa smukt for mig i Sommer,« tænkte hun, »hvor den skaffede mig megen Glæde, den kjære, smukke Fugl!«

Muldvarpen stoppede nu Hullet til, som Dagen skinnede igjennem, og fulgte saa Damerne hjem. Men om Natten kunde Tommelise slet ikke sove, saa stod hun op af sin Seng og flettede af Hø et stort smukt Teppe, og det bar hun ned og bredte rundt om den døde Fugl, lagde blød Bomuld, hun havde fundet i Markmusens Stue, paa Siderne af Fuglen, for at den kunde ligge varmt i den kolde Jord.

»Farvel Du smukke lille Fugl!« sagde hun, »Farvel og Tak for din deilige Sang i Sommer, da alle Træerne vare grønne og Solen skinnede saa varmt paa os!« Saa lagde hun sit Hoved op til Fuglens Bryst, men blev i det samme ganske forskrækket, thi det var ligesom noget bankede der indenfor. Det var Fuglens Hjerte. Fuglen var ikke død, den laae i Dvale, og var nu bleven opvarmet og fik Liv igjen.

Om Efteraaret saa flyve alle Svalerne bort til de varme Lande, men er der een der forsinker sig, saa fryser den saaledes, at den falder ganske død ned, bliver liggende, hvor den falder, og den kolde Snee lægger sig ovenover.

Tommelise rystede ordentligt, saa forskrækket var hun blevet, for Fuglen var jo en stor, stor en imod hende, der kun var en Tomme lang, men hun tog dog Mod til sig, lagde Bomulden tættere om den stakkels Svale, og hentede et Krusemynteblad, hun selv havde havt til Overdyne, og lagde det over Fuglens Hoved.

Næste Nat listede hun sig igjen ned til den, og da var den ganske levende, men saa mat, den kunde kun et lille Øieblik lukke sine Øine op og see Tommelise, der stod med et Stykke Trøske i Haanden, for anden Lygte havde hun ikke.

»Tak skal Du have, Du nydelige lille Barn!« sagde den syge Svale til hende, »jeg er blevet saa deilig opvarmet! snart faaer jeg mine Kræfter og kan flyve igjen, ude i det varme Solskin!«

»O!« sagde hun, »det er saa koldt udenfor, det sneer og fryser! bliv Du i din varme Seng, jeg skal nok pleie Dig!«

Hun bragte da Svalen Vand i et Blomsterblad, og den drak og fortalte hende, hvorledes den havde revet sin ene Vinge paa en Tornebusk og kunde derfor ikke flyve saa stærkt, som de andre Svaler, som da fløi bort, langt bort til de varme Lande. Den var da tilsidst faldet ned paa Jorden, men mere kunde den ikke huske, og vidste slet ikke, hvorledes den var kommet her.

Hele Vinteren blev den nu hernede og Tommelise var god imod den og holdt saa meget af den; hverken Muldvarpen eller Markmusen fik det mindste at vide derom, for de kunde jo ikke lide den stakkels fattige Svale.

Saasnart Foraaret kom og Solen varmede ind i Jorden, sagde Svalen Farvel til Tommelise, der aabnede Hullet, som Muldvarpen havde gjort ovenover. Solen skinnede saa deiligt ind til dem, og Svalen spurgte, om hun ikke vilde følge med, hun kunde sidde paa dens Ryg, de vilde flyve langt ud i den grønne Skov. Men Tommelise vidste, det vilde bedrøve den gamle Markmuus, om hun saaledes forlod hende.

»Nei, jeg kan ikke!« sagde Tommelise. »Farvel, farvel! Du gode, nydelige Pige!« sagde Svalen og fløi ud i Solskinnet. Tommelise saae efter den, og Vandet kom i hendes Øine, for hun holdt saa meget af den stakkels Svale.

»Quivit! qvivit!« sang Fuglen og fløi ind i den grønne Skov. —

Tommelise var saa bedrøvet. Hun fik slet ikke Lov at komme ud i det varme Solskin; Kornet, der var saaet paa Ageren, henover Markmusens Huus, voxte ogsaa høit op i Veiret, det var en heel tyk Skov for den stakkels lille Pige, som jo kun var en Tomme lang.

»Nu skal Du i Sommer sye paa dit Udstyr!« sagde Markmusen til hende, for nu havde Naboen, den kjedelige Muldvarp i den sorte Fløielspels, friet til hende. »Du skal have baade Uldent og Linned! Du skal have at sidde og ligge paa, naar Du bliver Muldvarpens Kone!«

Tommelise maatte spinde paa Haandteen, og Markmusen leiede fire Ædderkoppe til at spinde og væve Nat og Dag. Hver Aften gjorde Muldvarpen Visit og snakkede da altid om, at naar Sommeren fik Ende, saa skinnede Solen ikke nær saa varmt, den brændte jo nu Jorden fast, som en Steen; ja naar Sommeren var ude, saa skulde Brylluppet staae med Tommelise; men hun var slet ikke fornøiet, for hun holdt ikke noget af den kjedelige Muldvarp. Hver Morgen, naar Solen stod op, og hver Aften, naar den gik ned, listede hun sig ud i Døren og naar saa Vinden skilte Toppene af Kornet ad, saa at hun kunde see den blaa Himmel, tænkte hun paa, hvor lyst og smukt der var herude, og ønskede saameget, at hun igjen maatte faae den kjære Svale at see; men den kom aldrig mere, den fløi vist langt borte i den smukke grønne Skov.

Da det nu blev Efteraar, havde Tommelise hele sit Udstyr færdigt.

»Om fire Uger skal Du have Bryllup!« sagde Markmusen til hende. Men Tommelise græd og sagde, hun vilde ikke have den kjedelige Muldvarp.

»Snik snak!« sagde Markmusen, »gjør Dig ikke obsternasig, for ellers skal jeg bide Dig med min hvide Tand! Det er jo en deilig Mand, Du faaer! hans sorte Fløielspels har Dronningen selv ikke Mage til! Han har baade i Kjøkken og Kjælder. Tak Du Gud for ham!«

Saa skulde de have Bryllup. Muldvarpen var allerede kommet, for at hente Tommelise; hun skulde boe med ham, dybt nede under Jorden, aldrig komme ud i den varme Sol, for den kunde han ikke lide. Det stakkels Barn var saa bedrøvet, hun skulde nu sige den smukke Sol Farvel, som hun dog hos Markmusen havde faaet Lov at see paa i Døren.

»Farvel, Du klare Sol!« sagde hun og rakte Armene høit op i Veiret, gik ogsaa en lille Smule udenfor Markmusens Huus; thi nu var Kornet høstet, og her stod kun de tørre Stubbe. »Farvel, farvel!« sagde hun og slog sine smaa Arme om en lille rød Blomst, der stod. »Hils den lille Svale fra mig, dersom Du faaer den at see!«

»Qvivit, qvivit!« sagde det i det samme over hendes Hoved; hun saae op, det var den lille Svale, der just kom forbi. Saasnart den saae Tommelise, blev den saa fornøiet; hun fortalte den, hvor nødig hun vilde have den stygge Muldvarp til Mand, og at hun saa skulde boe dybt under Jorden, hvor aldrig Solen skinnede. Hun kunde ikke lade være at græde derved.

»Nu kommer den kolde Vinter,« sagde den lille Svale, »jeg flyver langt bort til de varme Lande, vil Du følge med mig? Du kan sidde paa min Ryg! bind Dig kun fast med dit Livbaand, saa flyve vi bort fra den stygge Muldvarp og hans mørke Stue, langt bort over Bjergene til de varme Lande, hvor Solen skinner smukkere end her, hvor der altid er Sommer og deilige Blomster. Flyv kun med mig, Du søde lille Tommelise, som har reddet mit Liv, da jeg laae forfrossen i den mørke Jordkjelder!«

»Ja, jeg vil følge med Dig!« sagde Tommelise, og satte sig op paa Fuglens Ryg, med Fødderne paa dens udbredte Vinge, bandt sit Belte fast i een af de stærkeste Fjer og saa fløi Svalen høit op i Luften, over Skov og over Sø, høit op over de store Bjerge, hvor der altid ligger Snee, og Tommelise frøs i den kolde Luft, men saa krøb hun ind under Fuglens varme Fjer og stak kun det lille Hoved frem for at see al den Deilighed under sig.

Saa kom de til de varme Lande. Der skinnede Solen meget klarere end her, Himlen var to Gange saa høi og paa Grøfter og Gjærder voxte de deiligste grønne og blaa Viindruer. I Skovene hang Citroner og Appelsiner, her duftede af Myrther og Krusemynter, og paa Landeveien løb de nydeligste Børn og legede med store brogede Sommerfugle. Men Svalen fløi endnu længer bort, og det blev smukkere og smukkere. Under de deiligste grønne Træer ved den blaa Sø, stod et skinnende hvidt Marmorslot, fra de gamle Tider, Viinrankerne snoede sig op om de høie Piller; der øverst oppe vare mange Svalereder, og i en af disse boede Svalen, som bar Tommelise. —

»Her er mit Huus!« sagde Svalen; »men vil Du nu selv søge Dig een af de prægtige Blomster ud, som groe dernede, saa skal jeg sætte Dig der og Du skal faae det saa nydeligt, Du vil ønske det!«

»Det var deiligt!« sagde hun, og klappede med de smaa Hænder.

Der laae en stor hvid Marmorsøile, som var faldet om paa Jorden og knækket i tre Stykker, men mellem disse voxte de smukkeste store hvide Blomster. Svalen fløi ned med Tommelise og satte hende paa et af de brede Blade; men hvor forundret blev hun ikke! der sad en lille Mand midt i Blomsten, saa hvid og gjennemsigtig, som han var af Glas; den nydeligste Guldkrone havde han paa Hovedet og de deiligste klare Vinger paa Skuldrene, selv var han ikke større end Tommelise. Han var Blomstens Engel. I hver Blomst boede der saadan en lille Mand eller Kone, men denne var Konge over dem allesammen.

»Gud, hvor han er smuk!« hvidskede Tommelise til Svalen. Den lille Prinds blev saa forskrækket for Svalen, thi den var jo en heel Kjæmpefugl imod ham, der var saa lille og fiin, men da han saae Tommelise, blev han saa glad, hun var den allersmukkeste Pige, han endnu havde seet. Derfor tog han sin Guldkrone af sit Hoved og satte paa hendes, spurgte, hvad hun hed og om hun vilde være hans Kone, saa skulde hun blive Dronning over alle Blomsterne! Ja det var rigtignok en Mand, anderledes, end Skruptudsens Søn og Muldvarpen med den sorte Fløielspels. Hun sagde derfor ja til den deilige Prinds og fra hver Blomst kom en Dame eller Herre, saa nydelig, det var en Lyst, hver bragte Tommelise en Present, men den bedste af alle var et Par smukke Vinger af en stor hvid Flue; de bleve hæftede paa Tommelises Ryg og saa kunde hun ogsaa flyve fra Blomst til Blomst; der var saadan en Glæde og den lille Svale sad oppe i sin Rede og sang for dem, saa godt den kunde, men i Hjertet var den dog bedrøvet, for den holdt saa meget af Tommelise og vilde aldrig have været skilt fra hende.

»Du skal ikke hedde Tommelise!« sagde Blomstens Engel til hende, »det er et stygt Navn, og Du er saa smuk. Vi ville kalde Dig Maja!«

»Farvel! farvel!« sagde den lille Svale, og fløi igjen bort fra de varme Lande, langt bort tilbage til Danmark; der havde den en lille Rede over Vinduet, hvor Manden boer, som kan fortælle Eventyr, for ham sang den »quivit, quivit!« derfra have vi hele Historien.

Polegarzinha

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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