EK 133
Quem foi o mais feliz?
Hvem var den Lykkeligste?
Sobre este conto
As rosas de uma roseira seguem destinos diferentes, enquanto o vento procura saber qual foi a mais feliz.
Personagens e estrutura
- Personagens
- As rosas, A roseira da cerca, A luz do sol, O orvalho, O vento, A mãe enlutada e a filha morta, A velha capinadeira, O pintor e o poeta, A borboleta e o gafanhoto, Os fumantes de charutos, O jardineiro, o jovem senhor e a bailarina, O maquinista de palco e a avó
- Onde se passa
- Um jardim e os lugares para onde suas rosas são levadas: quarto funerário, preparo de pot-pourri, pintura, poema, teatro e a casa de uma velha pobre.
- Acontecimentos
- A luz do sol, o orvalho e a roseira reivindicam a maternidade das flores; o vento se dispõe a investigar a felicidade delas.
- Uma mãe leva uma rosa ao peito da filha morta; a capinadeira colhe outra para conservar em pot-pourri.
- Um pintor retrata uma rosa e um poeta escreve sobre outra, que se julgam favorecidas e imortais.
- Uma rosa com uma folha verde deformada interpreta as atenções como distinções e é escolhida para uma experiência com fumaça de charuto.
- Uma rosa num buquê é lançada aos pés de uma bailarina, quebra-se e rola para os bastidores; um maquinista a leva para casa e ela alegra a avó.
- A última rosa ainda na planta se considera a mais feliz por ter sobrevivido às outras, até o vento espalhar suas pétalas.
- Desfecho
- O vento diz ter recebido as histórias de todas as rosas e pergunta ao ouvinte qual delas foi a mais feliz, deixando a resposta a ele.
— Que rosas lindas! — disse a luz do sol. — E cada botão se abrirá e ficará igualmente belo. São meus filhos! Beijei-os e lhes dei vida!
— São meus filhos! — disse o orvalho. — Eu os amamentei com minhas lágrimas.
— Pois eu diria que sou a mãe deles! — disse a roseira da cerca. — Vocês são apenas padrinhos, que deram presentes de batismo conforme suas possibilidades e boa vontade.
— Meus lindos filhos de rosa! — disseram os três, desejando a cada flor a maior felicidade. Mas só uma poderia ser a mais feliz, e uma teria de ser a menos feliz; qual delas, porém?
— Isso eu hei de descobrir! — disse o vento. — Corro por toda parte, atravesso a fresta mais estreita, sei o que acontece fora e dentro.
Cada rosa aberta ouviu o que se dizia, cada botão que inchava o sentiu.
Então passou pelo jardim uma mãe cheia de tristeza e amor, vestida de preto. Colheu uma das rosas, entreaberta, fresca e cheia, que lhe pareceu a mais bela de todas. Levou a flor ao quarto quieto e silencioso onde, poucos dias antes, a jovem filha, tão alegre e cheia de vida, se agitava, mas agora jazia estendida como uma imagem de mármore adormecida no caixão preto. A mãe beijou a morta, depois beijou a rosa entreaberta e a pôs sobre o peito da jovem, como se o frescor da flor e o beijo de uma mãe pudessem fazer o coração bater de novo.
Pareceu que a rosa se expandia; cada pétala tremia de pensamento e alegria:
— Que caminho de amor me foi concedido! Torno-me como uma criança humana, recebo o beijo de uma mãe, recebo palavras de bênção e entro junto no reino desconhecido, sonhando sobre o peito da morta! Certamente me tornei a mais feliz de todas as minhas irmãs!
No jardim onde estava a roseira andava a velha capinadeira; ela também contemplava a magnificência da planta e fixou os olhos na maior rosa, inteiramente aberta. Mais uma gota de orvalho e um dia quente, e as pétalas cairiam. A mulher viu isso e achou que a flor já cumprira sua função de beleza; agora devia cumprir também a de utilidade. Colheu-a, portanto, e a pôs num jornal. Ela iria para casa junto de outras rosas desfolhadas e, com elas, seria conservada, viraria pot-pourri; seria reunida aos pequenos rapazes azuis chamados lavandas, embalsamada com sal. Só as rosas e os reis são embalsamados.
— Serei a mais honrada! — disse a rosa quando a capinadeira a apanhou. — Serei a mais feliz! Vou ser embalsamada.
Vieram ao jardim dois rapazes; um era pintor, o outro poeta. Cada um colheu uma rosa, bela de se ver.
O pintor reproduziu na tela a rosa florida, de modo que ela julgou ver-se num espelho.
— Assim — disse o pintor — ela viverá por muitas gerações humanas, durante as quais milhões e mais milhões de rosas murcharão e morrerão!
— Fui a mais favorecida! — disse a rosa. — Conquistei a maior felicidade!
O poeta contemplou sua rosa e escreveu um poema a seu respeito, todo um mistério, tudo o que lia pétala por pétala na rosa: “Livro de imagens do amor”. Era uma poesia imortal.
— Sou imortal com ela! — disse a rosa. — Sou a mais feliz!
Entre todo aquele esplendor de rosas, porém, havia uma quase escondida pelas outras, por acaso, talvez por sorte. Tinha um defeito, crescia torta no caule, e as pétalas de um lado não correspondiam às do lado oposto; no meio da própria flor brotava algo como uma folhinha verde atrofiada. Isso acontece com as rosas!
— Pobre criança! — disse o vento, beijando-lhe a face. A rosa pensou que era uma saudação, uma homenagem; percebia que tinha sido feita um pouco diferente das outras rosas e que de seu interior brotava uma folha verde, e considerava aquilo uma distinção. Uma borboleta desceu até ela e beijou suas pétalas; era um pretendente; ela o deixou voar de novo. Veio um gafanhoto enorme; pousou, é verdade, em outra rosa, e esfregou a canela, apaixonado: esse é o sinal do amor entre os gafanhotos. A rosa sobre a qual ele pousara não compreendia, mas a rosa com a distinção, a folha verde atrofiada, compreendia, pois era para ela que o gafanhoto olhava, com olhos que diziam: “Eu poderia comer você só de amor!” E o amor nunca pode ir além disso: um se dissolve no outro! Mas a rosa não queria dissolver-se naquele saltador. O rouxinol cantava na noite estrelada.
— É só para mim! — disse a rosa com o defeito ou distinção. — Por que sou assim distinguida em tudo, acima de todas as minhas irmãs? Por que recebi esta particularidade que me torna a mais feliz?
Então vieram ao jardim dois senhores fumando charutos; falavam de rosas e de tabaco. Dizia-se que as rosas não suportavam a fumaça, mudavam de cor, ficavam verdes; era preciso experimentar. Não tiveram coragem de pegar uma das rosas mais magníficas; pegaram a que tinha o defeito.
— Que nova distinção! — disse ela. — Sou imensamente feliz! A mais feliz de todas!
E ficou verde de consciência e de fumaça de tabaco.
Uma rosa, ainda meio botão, talvez a mais bela da roseira, recebeu o lugar de honra no buquê artisticamente montado pelo jardineiro. Foi levada ao jovem e presunçoso senhor da casa e andou com ele de carruagem. Estava como flor de beleza entre outras flores e linda folhagem; chegou à festa e ao esplendor. Homens e mulheres estavam sentados, tão enfeitados, iluminados por mil lâmpadas; a música soava; era no mar de luz do teatro. E, quando, sob uma torrente de aclamações, a jovem e festejada bailarina avançou flutuando pelo palco, buquê após buquê voou como uma chuva de flores aos seus pés. Caiu ali o buquê em que a bela rosa estava como uma pedra preciosa; ela sentiu toda a sua felicidade sem nome, a honra e o brilho em que penetrava. Ao tocar o chão, dançou junto, saltou, correu pelas tábuas, quebrada de seu caule na queda. Não chegou às mãos da homenageada; rolou para trás do cenário, onde um maquinista de palco a apanhou, viu como era bela, como estava cheia de perfume, mas não tinha caule. Então a pôs no bolso e, ao chegar em casa à noite, colocou-a num copinho de aguardente, onde ela ficou sobre a água a noite inteira. De manhã cedo, puseram-na diante da avó, que, velha e sem forças, estava sentada na poltrona. Ela olhou a bela rosa quebrada e se alegrou com ela e com seu perfume.
— Sim, você não foi para a mesa da senhorita rica e elegante, mas para junto da pobre velha; contudo, aqui você é como uma roseira inteira. Como é linda!
Ela olhava a flor com alegria de criança, pensando certamente também em sua própria juventude viçosa, havia tanto tempo passada.
— Havia furos nos vidros da janela — disse o vento. — Entrei facilmente, vi os olhos da velha brilhando de juventude e a bela rosa quebrada no copinho de aguardente. A mais feliz de todas! Eu sei! Posso contar!
Cada rosa da planta no jardim tinha sua história. Cada rosa acreditava e julgava ser a mais feliz, e a fé traz bem-aventurança. A última rosa, porém, era a mais feliz de todas, segundo pensava.
— Sobrevivi a todas! Sou a última, a única, a filha mais querida da mãe!
— E eu sou a mãe delas! — disse a roseira da cerca.
— Sou eu! — disse a luz do sol.
— E eu! — disseram o vento e o tempo.
— Cada um tem parte nelas! — disse o vento. — E cada um receberá parte delas!
E então o vento espalhou suas pétalas sobre a cerca, onde repousavam as gotas de orvalho, onde brilhava o sol.
— Eu também recebi minha parte — disse o vento. — Recebi a história de todas as rosas, que contarei pelo vasto mundo! Diga-me então: qual delas foi a mais feliz de todas? Sim, isso você precisa dizer, eu já disse o bastante!
Sobre esta edição
- Obra
- Hvem var den Lykkeligste?
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
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