AC 008

Raposinha gaiteira

Adolfo Coelho

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Era uma vez uma raposa que tinha por compadres um grou e um lobo. Certo dia lembrou-se o grou de convidar a raposa para que fosse cear com ele umas papas de milho; a raposa foi mas nada pôde comer, pois o grou apresentou-lhe as papas dentro de uma almotolia e como a raposa não tivesse bico o grou comeu as papas todas. Passados dias, a raposa para se vingar, convidou o grou também para comer papas, mas desta vez comeu ela tudo, pois tinha deitado as papas numa laje e o grou não pôde comer. A raposa tomou tal fartadela que nem podia andar, e como tivesse de fazer uma jornada, pediu ao compadre lobo que a levasse às costas, pois estava muito doente. O lobo isso lhe fez e a raposa ia dizendo pelo caminho.

Raposinha gaiteira
Farta de papas
Vai à cavaleira.

O lobo perguntava-lhe: — “Que dizes tu, comadre?” — “Ai, minha barriga, ai, minha barriga.” Assim foram caminhando até que o lobo caiu no logro que a raposa lhe pregou e então reparando que estavam perto de um poço disse para a raposa: — “Ah! tu assim me enganaste! Disseste-me que estavas muito doente e vais cantando pelo caminho:

Raposinha gaiteira
Farta de papas
Vai à cavaleira.

Pois bem fica neste poço para não me tornares a enganar.” E atirou a raposa ao poço. A raposa meteu-se dentro de um balde que estava na borda do poço para se tirar água, ora com um, ora com outro; de que se havia de lembrar a raposa? Disse ao compadre: — “Olha, tu fizestes muito bem em me deitar ao poço, porque estão cá coisas muito bonitas; se tu queres ver, mete-te nesse balde que aí está em cima; vens ver o que cá está e depois voltas.” O lobo caiu novamente no logro; meteu-se no balde, e foi abaixo e ao mesmo tempo que ele ia descendo vinha subindo para cima o balde em que estava a raposa. Esta logo que se viu em cima disse para o lobo: — “Fica para aí para não seres tão tolo que te fies nas matreirices que as mais raposas tão matreiras como eu te queiram impingir.” E foi-se cantando pelo caminho fora:

Raposinha gaiteira,
Farta de papas
Vai à cavaleira.

(Coimbra.)


Sobre esta edição

Obra
Raposinha gaiteira
Autoria original
Adolfo Coelho
Texto em português
Texto original
Edição publicada
1.0.0
Produção
Codex · edição textual por IA (Coelho)
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
03/11/2026

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As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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