AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

KHM 24

Senhora Holle

Irmãos Grimm

Frau Holle

Sobre este conto

Uma menina obrigada a fiar até sangrar deixa cair sua bobina num poço. A madrasta manda que a busque, e ela salta no poço. Ao despertar num prado ensolarado, segue um caminho onde um forno e uma macieira pedem ajuda. Por fim, encontra uma velha de dentes grandes, a senhora Holle, que lhe oferece trabalho e uma vida melhor.

Personagens e estrutura
Personagens
Menina trabalhadora, enteada da viúva, Viúva e madrasta que favorece sua própria filha, Filha preguiçosa da viúva, Senhora Holle, velha de dentes grandes que emprega as meninas, Pão no forno que pede para ser retirado, Macieira carregada de frutas maduras que pede para ser sacudida, Galo sobre o poço que anuncia os dois retornos
Onde se passa
Casa da viúva e estrada com um poço; prado ensolarado ao qual as meninas chegam após saltarem no poço; caminho com forno e macieira; casa da senhora Holle e grande portão de retorno ao mundo de cima. Uma nota da edição menciona Hesse.
Acontecimentos
  1. A enteada precisa fiar até sangrar. A bobina cai no poço quando tenta lavá-la; a madrasta exige que a recupere, e a menina salta para buscá-la.
  2. Ao despertar num prado, ela retira os pães já assados do forno, sacode a macieira e junta as frutas caídas antes de seguir até a casa da senhora Holle.
  3. A menina aceita trabalhar e sacode a cama até as penas voarem, o que faz nevar no mundo. Vive bem, mas sente saudades e pede para voltar para junto dos seus.
  4. A senhora Holle a conduz ao portão. Uma chuva de ouro a cobre, e ela recebe sua bobina de volta. Ao retornar, é anunciada pelo galo e bem recebida pela família por causa do ouro.
  5. A mãe manda a outra filha repetir o caminho para obter a mesma sorte. Ela fere os dedos e a mão para ensanguentar a bobina, salta no poço e recusa ajudar o pão e a macieira.
  6. A segunda menina trabalha no primeiro dia pensando no ouro; no segundo começa a preguiçar e no terceiro nem quer levantar. Não sacode a cama corretamente e é dispensada.
Desfecho
A segunda menina espera a chuva de ouro, mas, ao passar sob o portão, recebe um grande caldeirão de pez. A senhora Holle o chama de recompensa por seus serviços e fecha o portão. Quando ela volta para casa, o galo anuncia a donzela suja. O pez permanece grudado nela pelo resto da vida.

Uma viúva tinha duas filhas. Uma era bonita e trabalhadora; a outra, feia e preguiçosa. Mas ela gostava muito mais da feia e preguiçosa, porque era sua própria filha. A outra tinha de fazer todo o trabalho e ser a Cinderela da casa. A pobre menina precisava sentar-se todos os dias junto a um poço, na estrada principal, e fiar tanto que o sangue lhe saltava dos dedos. Aconteceu que, certa vez, a bobina ficou toda ensanguentada. Ela se inclinou sobre o poço para lavá-la, mas a bobina escapou de sua mão e caiu lá embaixo. A menina chorou, correu até a madrasta e lhe contou o que havia acontecido. Mas a mulher a repreendeu com tanta dureza e foi tão impiedosa que disse: “Se deixou a bobina cair, vá buscá-la de volta.” A menina voltou ao poço sem saber o que fazer. Na aflição, saltou para dentro dele para buscar a bobina. Perdeu os sentidos e, quando acordou e voltou a si, estava num belo prado, onde o sol brilhava e havia muitos milhares de flores. Caminhou pelo prado e chegou a um forno cheio de pão. O pão gritou: “Ah, tire-me daqui, tire-me daqui, senão vou queimar! Já estou assado há muito tempo!” Ela se aproximou e, com a pá de forno, tirou todos os pães, um depois do outro. Seguiu adiante e chegou a uma árvore carregada de maçãs, que lhe chamou: “Ah, sacuda-me, sacuda-me! Nós, maçãs, estamos todas maduras!” Ela sacudiu a árvore, e as maçãs caíram como chuva. Sacudiu até não restar nenhuma lá em cima. Depois de juntá-las todas num monte, continuou andando. Por fim, chegou a uma casinha, de onde uma velha espiava. Como a velha tinha dentes muito grandes, a menina ficou com medo e quis fugir. Mas a velha a chamou: “Por que está com medo, querida menina? Fique comigo. Se fizer direito todo o trabalho da casa, vai viver bem. Só precisa ter cuidado de arrumar bem minha cama e sacudi-la com vontade, até as penas voarem. Assim neva no mundo (1). Eu sou a senhora Holle.”

(1) Por isso, em Hesse, quando neva, dizem que a senhora Holle está arrumando sua cama.

Como a velha lhe falava com tanta bondade, a menina tomou coragem, concordou e entrou a seu serviço. Fazia tudo a contento e sacudia a cama com tanta força que as penas voavam ao redor como flocos de neve. Em troca, tinha uma boa vida: nenhuma palavra desagradável e, todos os dias, comida cozida e assada. Depois de passar algum tempo com a senhora Holle, ficou triste. No começo, nem sabia o que lhe faltava. Por fim, percebeu que sentia saudades de casa. Embora ali vivesse muitos milhares de vezes melhor, desejava voltar. Finalmente disse à velha: “Fiquei com saudades de casa. Por melhor que eu viva aqui embaixo, não posso ficar mais. Preciso voltar lá para cima, para junto dos meus.” A senhora Holle respondeu: “Fico contente que queira voltar para casa. Como me serviu com tanta fidelidade, eu mesma a levarei de volta para cima.” Pegou-a pela mão e a levou até um grande portão. O portão se abriu e, bem quando a menina estava debaixo dele, caiu uma enorme chuva de ouro. Todo o ouro grudou nela, cobrindo-a dos pés à cabeça. “Isto é seu, porque foi tão trabalhadora”, disse a senhora Holle, devolvendo também a bobina que havia caído no poço. Então o portão se fechou, e a menina se encontrou no mundo de cima, perto da casa da mãe. Ao entrar no pátio, o galo estava pousado sobre o poço e cantou:

“Cocoricó,
nossa donzela dourada está de novo aqui.”

Ela entrou em casa e, como chegava coberta de ouro, foi bem recebida pela mãe e pela irmã.

A menina contou tudo o que lhe acontecera. Quando a mãe soube como ela havia conseguido tamanha riqueza, quis dar a mesma sorte à outra filha, feia e preguiçosa. Ela teve de sentar-se junto ao poço e fiar. Para ensanguentar a bobina, picou os dedos e enfiou a mão numa sebe de espinhos. Depois jogou a bobina no poço e saltou também. Como a outra, chegou ao belo prado e seguiu pelo mesmo caminho. Ao chegar ao forno, o pão gritou outra vez: “Ah, tire-me daqui, tire-me daqui, senão vou queimar! Já estou assado há muito tempo!” Mas a preguiçosa respondeu: “Era só o que faltava, eu me sujar!”, e foi embora. Logo chegou à macieira, que chamou: “Ah, sacuda-me, sacuda-me! Nós, maçãs, estamos todas maduras!” Ela respondeu: “Logo eu! Uma pode cair na minha cabeça!”, e continuou andando. Quando chegou à casa da senhora Holle, não teve medo, pois já ouvira falar dos dentes grandes, e logo se pôs a seu serviço. No primeiro dia, fez um esforço: foi trabalhadora e obedecia quando a senhora Holle lhe dizia alguma coisa, pois pensava em todo o ouro que receberia de presente. No segundo dia, porém, já começou a preguiçar; no terceiro, ainda mais, e pela manhã nem queria se levantar. Também não arrumava a cama da senhora Holle como devia e não a sacudia para fazer as penas voarem. A senhora Holle logo se cansou disso e a dispensou. A preguiçosa ficou satisfeita e pensou que agora viria a chuva de ouro. A senhora Holle a levou até o portão, mas, quando ela ficou debaixo dele, em vez de ouro foi despejado um grande caldeirão de pez. “Esta é a recompensa pelos seus serviços”, disse a senhora Holle, fechando o portão. A preguiçosa voltou para casa inteiramente coberta de pez. Ao vê-la, o galo sobre o poço cantou:

“Cocoricó,
nossa donzela suja está de novo aqui.”

Mas o pez ficou firmemente grudado nela e não saiu enquanto ela viveu.


Sobre esta edição

Obra
Frau Holle
Autoria original
Irmãos Grimm
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Frau Holle

Kinder- und Hausmärchen · 1857 · Alemão · 7. Große Ausgabe
Volume I. Página 133–136. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

Eine Wittwe hatte zwei Töchter, davon war die eine schön und fleißig, die andere häßlich und faul. Sie hatte aber die häßliche und faule, weil sie ihre rechte Tochter war, viel lieber, und die andere mußte alle Arbeit thun und das Aschenputtel im Hause sein. Das arme Mädchen mußte sich täglich auf die große Straße bei einem Brunnen setzen, und mußte so viel spinnen, daß ihm das Blut aus den Fingern sprang. Nun trug es sich zu, daß die Spule einmal ganz blutig war, da bückte es sich damit in den Brunnen und wollte sie abwaschen: sie sprang ihm aber aus der Hand und fiel hinab. Es weinte, lief zur Stiefmutter und erzählte ihr das Unglück. Sie schalt es aber so heftig und war so unbarmherzig, daß sie sprach ‘hast du die Spule hinunterfallen lassen, so hol sie auch wieder herauf.’ Da gieng das Mädchen zu dem Brunnen zurück und wußte nicht was es anfangen sollte: und in seiner Herzensangst sprang es in den Brunnen hinein, um die Spule zu holen. Es verlor die Besinnung, und als es erwachte und wieder zu sich selber kam, war es auf einer schönen Wiese wo die Sonne schien und viel tausend Blumen standen. Auf dieser Wiese gieng es fort und kam zu einem Backofen, der war voller Brot; das Brot aber rief ‘ach, zieh mich raus, zieh mich raus, sonst verbrenn ich: ich bin schon längst ausgebacken.’ Da trat es herzu, und holte mit dem Brotschieber alles nach einander heraus. Danach gieng es weiter und kam zu einem Baum, der hieng voll Äpfel, und rief ihm zu ‘ach schüttel mich, schüttel mich, wir Äpfel sind alle mit einander reif.’ Da schüttelte es den Baum, daß die Äpfel fielen als regneten sie, und schüttelte bis keiner mehr oben war; und als es alle in einem Haufen zusammengelegt hatte, gieng es wieder weiter. Endlich kam es zu einem kleinen Haus, daraus guckte ein alte Frau, weil sie aber so große Zähne hatte, ward ihm angst, und es wollte fortlaufen. Die alte Frau aber rief ihm nach ‘was fürchtest du dich, liebes Kind? bleib bei mir, wenn du alle Arbeit im Hause ordentlich thun willst, so soll dirs gut gehn. Du mußt nur Acht geben daß du mein Bett gut machst und es fleißig aufschüttelst, daß die Federn fliegen, dann schneit es in der Welt (1); ich bin die Frau Holle.’

(1) Darum sagt man in Hessen, wenn es schneit, die Frau Holle macht ihr Bett.

Weil die Alte ihm so gut zusprach, so faßte sich das Mädchen ein Herz, willigte ein und begab sich in ihren Dienst. Es besorgte auch alles nach ihrer Zufriedenheit, und schüttelte ihr das Bett immer gewaltig auf daß die Federn wie Schneeflocken umher flogen; dafür hatte es auch ein gut Leben bei ihr, kein böses Wort, und alle Tage Gesottenes und Gebratenes. Nun war es eine Zeitlang bei der Frau Holle, da ward es traurig und wußte anfangs selbst nicht was ihm fehlte, endlich merkte es daß es Heimweh war; ob es ihm hier gleich viel tausendmal besser gieng als zu Haus, so hatte es doch ein Verlangen dahin. Endlich sagte es zu ihr ‘ich habe den Jammer nach Haus kriegt, und wenn es mir auch noch so gut hier unten geht, so kann ich doch nicht länger bleiben, ich muß wieder hinauf zu den Meinigen.’ Die Frau Holle sagte ‘es gefällt mir, daß du wieder nach Haus verlangst, und weil du mir so treu gedient hast, so will ich dich selbst wieder hinauf bringen.’ Sie nahm es darauf bei der Hand und führte es vor ein großes Thor. Das Thor ward aufgethan, und wie das Mädchen gerade darunter stand, fiel ein gewaltiger Goldregen, und alles Gold blieb an ihm hängen, so daß es über und über davon bedeckt war. ‘Das sollst du haben, weil du so fleißig gewesen bist’ sprach die Frau Holle und gab ihm auch die Spule wieder, die ihm in den Brunnen gefallen war. Darauf ward das Thor verschlossen, und das Mädchen befand sich oben auf der Welt, nicht weit von seiner Mutter Haus: und als es in den Hof kam, saß der Hahn auf dem Brunnen und rief

‘kikeriki,
unsere goldene Jungfrau ist wieder hie.’

Da gieng es hinein zu seiner Mutter, und weil es so mit Gold bedeckt ankam, ward es von ihr und der Schwester gut aufgenommen.

Das Mädchen erzählte alles, was ihm begegnet war, und als die Mutter hörte wie es zu dem großen Reichthum gekommen war, wollte sie der andern häßlichen und faulen Tochter gerne dasselbe Glück verschaffen. Sie mußte sich an den Brunnen setzen und spinnen; und damit ihre Spule blutig ward, stach sie sich in die Finger und stieß sich die Hand in die Dornhecke. Dann warf sie die Spule in den Brunnen und sprang selber hinein. Sie kam, wie die andere, auf die schöne Wiese und gieng auf demselben Pfade weiter. Als sie zu dem Backofen gelangte, schrie das Brot wieder ‘ach, zieh mich raus, zieh mich raus, sonst verbrenn ich, ich bin schon längst ausgebacken.’ Die Faule aber antwortete ‘da hätt ich Lust mich schmutzig zu machen,’ und gieng fort. Bald kam sie zu dem Apfelbaum, der rief ‘ach, schüttel mich, schüttel mich, wir Äpfel sind alle mit einander reif.’ Sie antwortete aber ‘du kommst mir recht, es könnte mir einer auf den Kopf fallen,’ und gieng damit weiter. Als sie vor der Frau Holle Haus kam, fürchtete sie sich nicht, weil sie von ihren großen Zähnen schon gehört hatte, und verdingte sich gleich zu ihr. Am ersten Tag that sie sich Gewalt an, war fleißig und folgte der Frau Holle, wenn sie ihr etwas sagte, denn sie dachte an das viele Gold, das sie ihr schenken würde; am zweiten Tag aber fieng sie schon an zu faulenzen, am dritten noch mehr, da wollte sie Morgens gar nicht aufstehen. Sie machte auch der Frau Holle das Bett nicht wie sichs gebührte, und schüttelte es nicht, daß die Federn aufflogen. Das ward die Frau Holle bald müde und sagte ihr den Dienst auf. Die Faule war das wohl zufrieden und meinte nun würde der Goldregen kommen; die Frau Holle führte sie auch zu dem Thor, als sie aber darunter stand, ward statt des Goldes ein großer Kessel voll Pech ausgeschüttet. ‘Das ist zur Belohnung deiner Dienste’ sagte die Frau Holle und schloß das Thor zu. Da kam die Faule heim, aber sie war ganz mit Pech bedeckt, und der Hahn auf dem Brunnen, als er sie sah, rief

‘kikeriki,
unsere schmutzige Jungfrau ist wieder hie.’

Das Pech aber blieb fest an ihr hängen und wollte, so lange sie lebte, nicht abgehen.

Senhora Holle

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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