EK 35
A avó
Bedstemoder
Sobre este conto
Uma avó de cabelos brancos e olhos luminosos guarda uma rosa achatada e seca no livro de hinos que costuma ler. Embora tenha rosas frescas num copo, é para aquela flor antiga que sorri e chora. Suas lágrimas avivam a rosa, e a sala parece dar lugar a uma floresta onde ela volta a ser jovem, ao lado do homem que lhe oferece a flor.
Personagens e estrutura
- Personagens
- A avó idosa, também vista jovem na lembrança, O homem jovem que lhe oferece a rosa, As rosas da roseira plantada na sepultura, O rouxinol que ouve as rosas e canta a lembrança, As pessoas que colocam o livro no caixão e enterram a avó, A velha tia referida na epígrafe de Anastasius Grün
- Onde se passa
- Sala da avó, com poltrona, rosas frescas e livro de hinos; floresta evocada quando as lágrimas caem na rosa seca; sepultura junto ao muro da igreja, roseira, cemitério ao luar e órgão no interior da igreja.
- Acontecimentos
- A avó lê um livro de hinos com fechos de prata e guarda nele uma rosa seca, para a qual sorri com lágrimas nos olhos.
- Quando as lágrimas caem na flor, ela se aviva, as paredes desaparecem e a avó é vista jovem numa floresta, recebendo a rosa de um homem.
- Depois de contar uma história e dizer que está cansada, a avó adormece na poltrona; seu rosto fica sereno, e dizem que morreu.
- Põem-na num caixão preto e linho branco, com o livro de hinos sob a cabeça conforme pedira e a rosa dentro dele; depois a enterram.
- Plantam uma roseira sobre a sepultura; as rosas falam da vida e de serem colhidas, e o rouxinol canta sobre a flor guardada durante a vida da avó.
- O órgão toca hinos, e o narrador afirma que os mortos não vêm assustar os vivos; livro e rosa viram pó, mas florescem novas rosas e os olhos ainda a verão jovem.
- Desfecho
- Sobre o túmulo florescem rosas novas, o rouxinol canta e o órgão toca os hinos do livro enterrado sob a cabeça da avó. O narrador diz que os mortos sabem mais que os vivos, conhecem nosso medo e não vêm nos assustar. O caixão está cercado de terra, o livro e a rosa se desfazem em pó, mas a avó é lembrada com seus olhos mansos e eternamente jovens. O fecho afirma que os olhos nunca podem morrer e que os nossos um dia a verão jovem e bela, como quando beijou a rosa fresca.
Tenho uma velha tia,
Que tem um velho livrinho;
Dentro desse velho livro
Há uma folha velha e seca.
Também devem estar tão secas as mãos
Que outrora, na primavera, a colheram para ela.
Que terá a velha senhora?
Ela chora sempre que a vê!
Anastasius Grün.
A avó é tão velha, tem tantas rugas e os cabelos inteiramente brancos, mas seus olhos brilham como duas estrelas; sim, são muito mais belos, tão mansos, tão abençoados de se olhar. E ela sabe as histórias mais encantadoras. Tem um vestido de flores grandes, de uma seda grossa que farfalha. A avó sabe tanta coisa, pois viveu muito antes do pai e da mãe, isso é bem certo! A avó tem um livro de hinos com grossos fechos de prata e lê nele muitas vezes. No meio está uma rosa, toda achatada e seca, que não é tão bonita como as rosas que ela tem no copo; mesmo assim, sorri para ela com a maior ternura, e até lhe vêm lágrimas aos olhos! Por que será que a avó olha assim para a flor murcha no livro velho?
Você sabe? Toda vez que as lágrimas da avó caem sobre a flor, as cores se avivam, a rosa se expande e a sala inteira se enche de perfume. As paredes desaparecem como se fossem apenas névoas, e em volta está a floresta verde e bela, onde o sol brilha entre as folhas. E a avó — sim, é bem jovem, é uma bela moça de cabelos loiros, de faces redondas e vermelhas, linda e graciosa; nenhuma rosa é mais fresca. Mas os olhos, os olhos mansos e abençoados — sim, ainda são os da avó! Ao seu lado está sentado um homem jovem e vigoroso; ele lhe oferece a rosa, e ela sorri. Mas a avó não sorri assim! Sim, o sorriso vem. Ele desapareceu; passam muitos pensamentos, muitas figuras! O belo homem desapareceu, a rosa está no livro de hinos, e a avó — sim, está de novo sentada como uma velha senhora, olhando a rosa murcha que está no livro.
Agora a avó morreu!
Ela estava sentada na poltrona, contando uma história encantadora. Disse que agora chegara ao fim, que agora estava cansada, e recostou a cabeça para dormir. Respirava, dormia, mas tudo foi ficando cada vez mais quieto, e seu rosto estava tão cheio de paz e felicidade que parecia iluminado pelo sol. Ela sorria, e então disseram que havia morrido.
Foi posta no caixão preto, envolta no linho branco. Estava tão bonita; os olhos estavam fechados, mas todas as rugas tinham desaparecido. Repousava com um sorriso nos lábios; seus cabelos eram tão brancos como prata, tão veneráveis! Não se tinha medo algum de olhar a morta: era a querida avó, tão bondosa. O livro de hinos foi posto no caixão, debaixo de sua cabeça, como ela mesma pedira. A rosa estava no livro velho. E então enterraram a avó.
Sobre a sepultura, bem junto ao muro da igreja, plantaram uma roseira. Ela ficou cheia de rosas, que acenavam ao vento e diziam umas às outras: “Como é bom florescer à quente luz do sol! Como é bom banhar-se em orvalho e luar! E, quando estamos mais belas que nunca, vem uma mão carinhosa e nos colhe para a mais encantadora moça. Como ficaremos vermelhas, como exalaremos perfume!”
O rouxinol ouviu o que as rosas diziam e cantou sobre a rosa que a jovem moça pusera no livro de hinos, sobre a rosa que ali ficara guardada até as faces frescas se enrugarem e a jovem moça se tornar uma velha senhora. Como é bom viver na lembrança!
Enquanto o rouxinol cantava sobre as rosas e sobre a sepultura, o órgão da igreja tocava os belos hinos que estavam no livro debaixo da cabeça da morta. A lua brilhava tão grande e redonda, mas os mortos não estavam ali. Qualquer criança podia ir tranquilamente à noite colher uma rosa junto ao muro do cemitério. Um morto sabe mais do que todos nós, vivos, sabemos. Os mortos conhecem a angústia que sentiríamos diante do estranho, se surgissem entre nós. Os mortos são bons e amorosos; não querem nos assustar, não vêm. Há terra sobre o caixão e terra dentro dele. As páginas do livro de hinos são pó; a rosa, com todas as suas lembranças, se desfaz em pó. Mas, lá em cima, florescem rosas novas; lá em cima, o rouxinol canta e o órgão toca. Pensamos na querida avó de olhos mansos e eternamente jovens. Os olhos nunca podem morrer: os nossos um dia a verão jovem e bela, como quando ela beijou pela primeira vez a rosa vermelha e fresca que agora é pó na sepultura.
Sobre esta edição
- Obra
- Bedstemoder
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
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En Historie
Ler o original em dinamarquês
Ich hab’ eine alte Muhme,
Die ein altes Büchlein hat,
Es liegt in dem alten Buche
Ein altes, dürres Blatt.
So dürr sind wohl auch die Hände,
Die einst im Lenz ihr’s gepflückt.
Was mag doch die Alte haben?
Sie weint, so oft sie’s erblickt!
Anastasius Grün.
Bedstemoder er saa gammel, hun har saa mange Rynker og et ganske hvidt Haar, men hendes Øine de skinne ligesom to Stjerner, ja de ere meget smukkere, de ere saa milde, saa velsignede at see ind i; og saa kan hun de deiligste Historier og hun har en Kjole med store Blomster, det er saadant noget tykt Silketøi, det rasler. Bedstemoder veed saa meget, for hun har levet længe førend Fader og Moder; det er ganske vist! Bedstemoder har en Psalmebog med tykke Spænder af Sølv og i den Bog læser hun tidt; midt i den ligger en Rose, den er ganske flad og tør, den er ikke saa smuk, som Roserne, hun har i Glasset og dog smiler hun allervenligst til den, ja der komme Taarer i hendes Øine! hvorfor mon Bedstemoder saaledes seer paa den visne Blomst i den gamle Bog?
Veed Du det? — Hver Gang Bedstemoders Taarer falde paa Blomsten, da blive Farverne mere friske, da svulmer Rosen og hele Stuen fyldes med Duft, Væggene synke, som vare de kun Taager, og rundt om er det den grønne, den deilige Skov, hvor Solen skinner mellem Bladene, og Bedstemoder — ja, hun er ganske ung, hun er en deilig Pige med gule Haar, med runde, røde Kinder, smuk og yndig, ingen Rose er mere frisk; dog Øinene, de milde, velsignede Øine — jo, de ere endnu Bedstemoders! — Ved hendes Side sidder en Mand, ung og kraftig, han rækker hende Rosen og hun smiler — saaledes smiler dog ikke Bedstemoder! — jo, Smilet kommer, — han er borte, der gaae mange Tanker, mange Skikkelser forbi! — Den smukke Mand er borte, Rosen ligger i Psalmebogen og Bedstemoder, — ja, hun sidder igjen som en gammel Kone og seer paa den visne Rose, der ligger i Bogen.
— Nu er Bedstemoder død!
Hun sad i Lænestolen og fortalte en deilig Historie, hun sagde at nu var den ude, at nu var hun træt, og hun lagde sit Hoved tilbage for at sove; hun trak Veiret, hun sov, men det blev mere og mere stille og hendes Ansigt var saa fuldt af Fred og Lykke, det var ligesom der gik Solskin over det; hun smilede, og saa sagde de at hun var død.
Hun blev lagt i den sorte Kiste, hun blev lagt i det hvide Linned, hun var saa smuk, og dog vare Øinene lukkede, men alle Rynker vare borte, hun laa med Smiil om Munden; hendes Haar var saa sølvhvidt, saa ærværdigt, man blev slet ikke bange ved at see paa den Døde, det var jo den søde, eiegode Bedstemoder. Og Psalmebogen blev lagt i Kisten under hendes Hoved, det havde hun selv forlangt, og Rosen laa i den gamle Bog, og saa begravede de Bedstemoder.
Paa Graven, tæt under Kirkemuren, plantede de et Rosentræ, og det stod fuldt af Roser og de nikkede i Vinden og sagde til hverandre: »hvor det er deiligt at blomstre i det varme Solskin! hvor det er deiligt at bade sig i Dug og Maaneskin! og naar man saa er allersmukkest, kommer en kjærlig Haand og plukker os til den deiligste Pige. Hvor vi ville rødme, hvor vi ville dufte!«
Og Nattergalen hørte hvad Roserne sagde, og Nattergalen sang om Rosen, som den unge Pige lagde i sin Psalmebog, om Rosen som gjemtes der til de friske Kinder vare runkne, til den unge Pige var en gammel Kone. Det er deiligt at leve i Erindringen!
Og medens Nattergalen sang over Roserne og over Graven, spillede Orgelet i Kirken de smukke Psalmer, der stode i Bogen under den Dødes Hoved; og Maanen skinnede saa stor og saa rund, men de Døde vare her ikke; ethvert Barn kunde ved Nattetid roligt gaae hen og plukke en Rose der ved Kirkegaardsmuren. Een Død veed mere end alle vi Levende vide. De Døde kjende den Angest vi vilde føle ved det Sælsomme, om de stode frem imellem os; De Døde ere gode og kjærlige, de ville ikke skrække os, de komme ikke. Der er Jord over Kisten, der er Jord inden i den, Psalmebogens Blade ere Støv, Rosen med alle sine Erindringer falder i Støv, men ovenover blomstre nye Roser, ovenover synger Nattergalen og Orgelet spiller; man tænker paa den kjære gamle Bedstemoder med de milde, evig unge Øine. — Øine kunne aldrig døe, — vore skulle engang see hende ung og smuk, som da hun første Gang kyssede den friske røde Rose, der nu er Støv i Graven.
A avó
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