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EK 150

A grande serpente do mar

Hans Christian Andersen

Den store Søslange

Sobre este conto

Um pequeno peixe tenta descobrir o que é uma coisa longa e pesada que desce ao mar e assusta seus habitantes.

Personagens e estrutura
Personagens
Um pequeno peixe do mar e seus irmãos, Uma foca e um golfinho, Uma baleia jovem e uma baleia velha, Um tubarão, um peixe-serra, um peixe-lobo e um congro, Uma vaca-marinha e outros habitantes do mar
Onde se passa
O oceano, da superfície ao fundo, entre a Europa e a América, onde seres humanos instalam um cabo telegráfico submarino.
Acontecimentos
  1. Um cabo telegráfico desce ao mar, esmaga pequenos peixes e dispersa os irmãos do protagonista.
  2. A foca supõe que a coisa seja a grande serpente do mar; o menor dos peixes decide investigar, enquanto os demais desistem.
  3. O peixinho encontra um navio naufragado com os corpos de uma mãe e de uma criança e depois acompanha uma baleia e outros animais até o cabo.
  4. Uma baleia velha relata sua doença, mas os outros se afastam; ao chegarem ao cabo, os animais o tocam, comparam e ameaçam.
  5. O ataque fracassa quando o peixe-serra atinge por engano o traseiro do peixe-lobo, e os animais se chocam e devoram uns aos outros.
  6. Uma vaca-marinha declara que o cabo não presta, e os demais repetem sua opinião; o pequeno peixe conserva uma ideia diferente.
Desfecho
O peixinho pressente que a serpente é a maior maravilha do mar. O narrador identifica o cabo como uma criação do engenho humano que transporta pensamentos e conhecimento entre terras e compara sua expansão à serpente de Midgard abraçando a Terra.

Havia um peixinho do mar de boa família; não me lembro do nome, os sábios terão de lhe dizer. O peixinho tinha mil e oitocentos irmãos, todos da mesma idade; não conheciam o pai nem a mãe, tinham de cuidar de si mesmos desde o começo e sair nadando, mas isso era muito divertido. Água para beber não lhes faltava: tinham o oceano inteiro. Não pensavam na comida, ela haveria de chegar; cada um seguiria sua vontade, cada um teria sua própria história; sim, nisso também nenhum deles pensava.

O sol brilhava através da água e iluminava tudo à sua volta; era tão claro! Era um mundo das criaturas mais extraordinárias, algumas terrivelmente grandes, de bocas imensas, capazes de engolir os mil e oitocentos irmãos; mas nisso também não pensavam, pois nenhum deles ainda havia sido engolido.

Os pequenos nadavam juntos, bem perto uns dos outros, como nadam os arenques e as cavalas. Mas, quando iam tranquilamente pela água, sem pensar em nada, desceu do alto, com um ruído terrível, bem no meio deles, uma coisa longa e pesada que parecia não ter fim. Estendia-se cada vez mais, e cada peixinho que atingia era esmagado ou sofria um golpe do qual não podia se recuperar. Todos os peixes pequenos, e os grandes também, desde a superfície do mar até o fundo, fugiram para os lados, aterrorizados. A coisa pesada e brutal afundava cada vez mais, ficava cada vez mais comprida, milhas e milhas, atravessando todo o mar.

Peixes e caracóis, tudo o que nadava, tudo o que rastejava ou era levado pelas correntes percebeu aquela coisa terrível, aquele congro descomunal e desconhecido que de repente viera lá de cima.

Que coisa era aquela? Nós sabemos! Era o grande cabo telegráfico, de muitas milhas de comprimento, que os seres humanos baixavam entre a Europa e a América.

Houve susto e alvoroço entre os legítimos habitantes do mar por onde o cabo descia. O peixe-voador subiu acima da superfície tão alto quanto pôde; até o ruivo tomou impulso e percorreu sobre a água a distância de um tiro de espingarda, pois isso ele sabe fazer. Outros peixes procuraram o fundo; correram tão depressa que chegaram muito antes de o cabo telegráfico ser visto lá embaixo. Assustaram tanto os bacalhaus quanto os linguados, que andavam pacificamente nas profundezas do mar, comendo seus semelhantes.

Dois pepinos-do-mar ficaram tão assustados que vomitaram o estômago, mas continuaram vivos, pois podiam fazer isso. Muitas lagostas e sapateiras saíram de suas boas armaduras e tiveram de deixar as pernas para trás.

Em todo aquele medo e confusão, os mil e oitocentos irmãos se separaram e nunca mais se encontraram, ou não se reconheceram. Apenas uns dez ficaram no mesmo lugar e, depois de permanecerem quietos por umas duas horas, superaram o primeiro susto e começaram a ficar curiosos.

Olharam em volta, olharam para cima e para baixo, e, lá nas profundezas, julgaram avistar a coisa terrível que os assustara, que assustara grandes e pequenos. A coisa se estendia pelo fundo do mar até onde podiam enxergar. Era muito fina, mas eles não sabiam o quanto podia engrossar nem quanta força tinha. Estava inteiramente imóvel, mas, pensaram, podia ser uma artimanha.

— Deixem-na onde está! Não é da nossa conta! — disse o mais cauteloso dos peixinhos.

Mas o menor de todos não queria desistir de descobrir o que podia ser aquilo. Viera de cima; lá em cima deviam estar as melhores informações. E nadaram em direção à superfície; o tempo estava completamente calmo.

Ali encontraram um golfinho: é um desses saltadores, um vagabundo do mar que sabe dar cambalhotas pela superfície. Tem olhos para ver, devia ter visto e saber de alguma coisa. Perguntaram a ele, mas só havia pensado em si mesmo e em suas cambalhotas, não vira nada, não sabia responder; então ficou calado, com um ar orgulhoso.

Em seguida, dirigiram-se à foca, que acabava de mergulhar. Era mais cortês, embora comesse peixinhos; mas, naquele dia, estava satisfeita. Sabia um pouco mais que o peixe saltador.

— Passei muitas noites sobre uma pedra molhada, olhando para a terra, a muitas milhas daqui. Lá existem criaturas traiçoeiras, que na língua delas se chamam seres humanos. Perseguem-nos, mas quase sempre lhes escapamos, pelo que pude entender. E foi o que fez esse congro de que vocês perguntam. Esteve em poder deles, lá em terra firme, decerto desde tempos imemoriais. De lá o trouxeram num barco para levá-lo pelo mar a outro país distante. Vi o trabalho que tiveram, mas conseguiam dominá-lo, pois ficara enfraquecido em terra. Enrolaram-no em voltas e círculos; ouvi como tilintava e chacoalhava quando o acomodavam, mas acabou escapando deles, fugiu para cá. Seguraram-no com todas as forças, muitas mãos o agarraram, mas ele escapuliu e chegou ao fundo. É onde está, imagino, por enquanto!

— É um pouco fino! — disseram os peixinhos.

— Deixaram-no passar fome! — disse a foca. — Mas logo vai se recuperar e voltar à antiga grossura e tamanho. Suponho que seja a grande serpente do mar, de que os seres humanos têm tanto medo e sobre a qual tanto falam. Eu nunca a tinha visto, nunca acreditara nela; agora acredito que seja ela!

E a foca mergulhou.

— Como sabia coisas! Como falou! — disseram os peixinhos. — Nunca fiquei tão sabido antes! Tomara que não seja mentira!

— Podemos nadar até lá embaixo e investigar! — disse o menor. — Pelo caminho, ouvimos a opinião dos outros!

— Não dou uma batida de nadadeira para descobrir coisa alguma! — disseram os outros, e mudaram de direção.

— Pois eu dou! — disse o menor, e partiu para as águas profundas.

Mas estava longe do lugar onde jazia “a coisa comprida que desceu”. O peixinho olhava e procurava por todos os lados, rumo às profundezas.

Nunca antes sentira seu mundo tão grande. Os arenques passavam em grandes cardumes, brilhantes como um barco gigantesco de prata; as cavalas também seguiam juntas e pareciam ainda mais magníficas. Vinham peixes de todas as formas, com desenhos de todas as cores; medusas, como flores meio transparentes, deixavam-se carregar e conduzir pelas correntes. Grandes plantas cresciam do fundo do mar, ervas da altura de uma braça e árvores em forma de palmeira, com cada folha coberta de animais de conchas brilhantes.

Por fim, o peixinho avistou uma longa faixa escura lá embaixo e nadou em sua direção. Mas não era peixe nem cabo: era a amurada de um grande navio afundado, cujos conveses superior e inferior haviam sido quebrados pela pressão do mar. O peixinho entrou no compartimento de onde a água já levara as muitas pessoas que haviam morrido quando o navio afundou, com exceção de duas: uma jovem mulher estava estendida ali com uma criancinha nos braços. A água as levantava, como se as embalasse; pareciam dormir. O peixinho ficou muito assustado; não sabia que elas nunca mais poderiam acordar. Plantas aquáticas pendiam como cordas sobre a amurada, sobre os dois belos cadáveres, o da mãe e o da criança. Tudo estava tão quieto, tão solitário! O peixinho fugiu o mais depressa que pôde, para onde a água era mais bem iluminada e havia peixes para ver. Não tinha ido longe quando encontrou uma baleia jovem, terrivelmente grande.

— Não me engula! — disse o peixinho. — Nem chego a ser um gostinho na boca, de tão pequeno, e para mim viver é um grande prazer!

— O que você quer aqui tão fundo, onde os da sua espécie não vêm? — perguntou a baleia.

E o peixinho contou sobre a longa e estranha enguia, ou o que quer que fosse aquilo, que descera do alto e assustara até as criaturas mais corajosas do mar.

— Ho, ho! — disse a baleia, puxando tanta água para si que teria de soltar um enorme jato quando subisse para respirar. — Ho, ho! Então era aquilo que me fazia cócegas nas costas quando me virei! Pensei que fosse um mastro de navio que eu pudesse usar para me coçar! Mas não foi neste lugar. Não, aquilo está muito mais longe. Vou investigar; não tenho mais nada para fazer!

E nadou adiante, com o peixinho atrás, sem chegar muito perto, pois se formava uma corrente impetuosa onde a grande baleia avançava pela água.

Encontraram um tubarão e um velho peixe-serra. Os dois também tinham ouvido falar do estranho congro, tão comprido e tão fino; não o tinham visto, mas queriam vê-lo.

Então chegou um peixe-lobo.

— Vou junto! — disse ele; queria ir pelo mesmo caminho. — Se a grande serpente do mar não for mais grossa que um cabo de âncora, vou parti-la com uma só mordida!

E abriu a boca e mostrou suas seis fileiras de dentes.

— Posso deixar a marca dos dentes numa âncora de navio; bem posso cortar aquele talo!

— Lá está ela! — disse a grande baleia. — Estou vendo!

Julgava enxergar melhor que os outros.

— Vejam como se ergue, como oscila, se contorce e se curva!

Mas não era ela: era um congro imenso, de vários côvados de comprimento, que se aproximava.

— Esse eu já vi antes! — disse o peixe-serra. — Nunca fez grande alvoroço no mar nem assustou nenhum peixe grande!

Então lhe falaram sobre a nova enguia e perguntaram se queria participar da descoberta.

— Se essa enguia for mais comprida do que eu — disse o congro —, vai se dar mal!

— Vai mesmo! — disseram os outros. — Somos muitos para não precisar tolerá-la!

E se apressaram a seguir adiante.

Mas então algo lhes apareceu bem no caminho, um monstro estranho, maior que todos eles juntos.

Parecia uma ilha flutuante que não conseguia se manter à tona.

Era uma baleia antiquíssima. Sua cabeça estava coberta de plantas marinhas; suas costas, de bichos rastejantes e de tantas ostras e mexilhões que a pele negra estava toda salpicada de branco.

— Venha junto, velha! — disseram. — Apareceu aqui um peixe novo que não deve ser tolerado.

— Prefiro ficar onde estou! — disse a velha baleia. — Deixem-me em paz! Deixem-me ficar! Ah, sim, sim, sim! Carrego uma doença grave! Meu alívio é chegar à superfície e pôr as costas para fora. Então vêm as grandes e bondosas aves marinhas e me bicam; faz tanto bem, desde que não enterrem demais o bico, pois muitas vezes ele entra direto na minha gordura. Vejam só! Ainda tenho nas costas o esqueleto inteiro de uma ave; ela cravou as garras fundo demais e não conseguiu se soltar quando desci ao fundo. Agora os peixinhos a descarnaram. Vejam como ela ficou e como eu estou! Estou doente!

— É só imaginação! — disse a baleia. — Nunca fico doente. Nenhum peixe fica doente!

— Com licença! — disse a velha baleia. — A enguia tem doença de pele, dizem que a carpa tem varíola, e todos nós temos vermes nas entranhas!

— Bobagem! — disse o tubarão.

Não queria ouvir mais, nem os outros; tinham outras coisas a fazer.

Por fim chegaram ao lugar onde estava o cabo telegráfico. Seu longo leito no fundo do mar vai da Europa à América, passando por bancos de areia e lodo marinho, rochedos e emaranhados de plantas, até por florestas inteiras de corais. Lá embaixo as correntes mudam, redemoinhos giram, peixes surgem em multidões, mais numerosos que os incontáveis bandos de aves que os seres humanos veem na época das migrações. Há agitação, chapinhar, zumbir, murmurar: um pouco desse murmúrio ainda assombra as grandes conchas marinhas vazias quando as levamos ao ouvido.

Agora haviam chegado ao lugar.

— Lá está o bicho! — disseram os peixes grandes, e o pequeno disse o mesmo.

Viram o cabo, cujo começo e fim se perdiam fora de seu campo de visão.

Esponjas, pólipos e gorgônias oscilavam a partir do fundo, baixavam e se curvavam sobre ele, que ora ficava escondido, ora podia ser visto. Ouriços-do-mar, caracóis e vermes se moviam ao redor; aranhas gigantescas, levando sobre si uma tripulação inteira de bichos rastejantes, passeavam pelo cabo. Pepinos-do-mar de um azul-escuro, ou como se chamam esses bichos que comem com o corpo inteiro, pareciam deitados, farejando o novo animal que se instalara no fundo do mar. Linguados e bacalhaus se viravam na água para escutar por todos os lados. O peixe-estrela, que sempre se enterra no lodo e só deixa de fora as duas hastes compridas com os olhos, estava ali espiando para ver o que resultaria daquele alvoroço.

O cabo telegráfico permanecia imóvel. Mas havia nele vida e pensamento; pensamentos humanos passavam por ele.

— Essa coisa é traiçoeira! — disse a baleia. — É capaz de me bater na barriga, que é justamente o meu ponto sensível!

— Vamos apalpá-la! — disse o pólipo. — Tenho braços longos, tenho dedos flexíveis; já toquei nela, agora vou pegar um pouco mais firme.

E estendeu seus braços mais longos e flexíveis até o cabo e em torno dele.

— Não tem escamas! — disse o pólipo. — Não tem pele! Acho que nunca dá à luz filhotes vivos!

O congro se deitou ao longo do cabo telegráfico e se esticou o máximo que pôde.

— Essa coisa é mais comprida que eu! — disse. — Mas não é o comprimento que importa; é preciso ter pele, barriga e flexibilidade.

A baleia, a jovem e forte baleia, se inclinou para baixo, mais fundo do que jamais estivera.

— Você é peixe ou planta? — perguntou. — Ou é apenas uma obra lá de cima, que não pode prosperar aqui embaixo entre nós?

Mas o cabo telegráfico não respondeu; seu jeito não era esse. Pensamentos passavam por ele, pensamentos humanos; num segundo, percorriam as muitas centenas de milhas de uma terra à outra.

— Vai responder ou quer ser partido? — perguntou o tubarão voraz.

E todos os outros peixes grandes perguntaram o mesmo:

— Vai responder ou quer ser partido?

O cabo não se mexeu, tinha seu pensamento particular, como pode ter quem está cheio de pensamentos.

“Que me partam; então serei içado e consertado. Já aconteceu com outros da minha espécie, em águas menores!”

Por isso não respondeu; tinha outra coisa a fazer: telegrafava, cumpria seu ofício legítimo no fundo do mar.

Lá em cima, o sol se punha, como dizem os seres humanos; ficava como o fogo mais vermelho, e todas as nuvens do céu brilhavam como fogo, cada uma mais magnífica que a outra.

— Agora temos iluminação vermelha! — disseram os pólipos. — Talvez assim se veja melhor aquela coisa, caso seja necessário.

— Em cima dela! Em cima dela! — gritou o peixe-lobo, mostrando todos os dentes.

— Em cima dela! Em cima dela! — disseram o peixe-espada, a baleia e o congro.

Lançaram-se adiante, com o peixe-lobo na frente; mas, no instante em que ia morder o cabo, o peixe-serra, na sua impetuosidade, enfiou a serra bem no traseiro do peixe-lobo. Foi um grande engano, e o lobo ficou sem forças para morder.

Houve uma confusão em meio àquela lama: peixes grandes e pequenos, pepinos-do-mar e caracóis se chocavam, comiam uns aos outros, apertavam, esmagavam. O cabo permanecia quieto e cumpria sua tarefa, como se deve fazer.

A noite escura pairava acima, mas os bilhões e bilhões de pequenos seres vivos do mar brilhavam. Crustáceos menores que uma cabeça de alfinete brilhavam. É realmente maravilhoso, mas é assim mesmo.

Os animais do mar olhavam para o cabo telegráfico.

— Afinal, o que é essa coisa e o que ela não é?

Sim, essa era a questão.

Então chegou uma velha vaca-marinha. Os seres humanos chamam essa espécie de sereia ou tritão. Ela era fêmea; tinha cauda e dois braços curtos para bater na água, seios caídos, algas e parasitas na cabeça, e se orgulhava disso.

— Querem saber e conhecer? — disse ela. — Então sou certamente a única que pode lhes proporcionar isso; mas, em troca, exijo pastagem sem perigo no fundo do mar para mim e para os meus. Sou peixe como vocês e, pela prática, também sou bicho rastejante. Sou a mais sábia do mar; sei tudo o que se move aqui embaixo e tudo o que há lá em cima. Essa coisa sobre a qual vocês cismam vem de cima, e o que cai lá de cima está morto ou acaba morto e impotente. Deixem-na ser o que é. É apenas uma invenção humana!

— Pois eu acho que ela tem algo mais! — disse o peixinho do mar.

— Cale a boca, cavala! — disse a grande vaca-marinha.

— Esgana-gata! — disseram os outros, o que era ainda mais insultuoso.

E a vaca-marinha explicou que todo aquele bicho alarmante, que aliás não dava um pio, era apenas uma invenção da terra seca. E fez uma pequena palestra sobre a perfídia dos seres humanos.

— Querem nos apanhar — disse ela —, é só para isso que vivem; estendem redes, vêm com iscas no anzol para nos atrair. Aquilo ali é uma espécie de linha de pesca enorme, que eles acham que vamos morder; são tão estúpidos! Nós não somos! Não toquem naquela porcaria; vai se desfiar, virar pó e lodo, tudo. O que vem de cima está rachado, quebrado, não presta!

— Não presta! — disseram todas as criaturas do mar, adotando a opinião da vaca-marinha para terem uma opinião.

O peixinho manteve seu próprio pensamento.

“Essa serpente imensamente comprida e fina talvez seja o peixe mais maravilhoso do mar. Tenho esse pressentimento.”

— O mais maravilhoso! — dizemos também nós, seres humanos, e o dizemos com conhecimento e certeza.

É a grande serpente do mar, mencionada muito antes em cantigas e lendas.

Ela nasceu e veio ao mundo, brotou do engenho humano e foi posta no fundo do mar, estendendo-se das terras do Oriente às terras do Ocidente, levando mensagens tão depressa quanto o raio de luz que vem do sol à nossa Terra. Cresce, cresce em poder e extensão, cresce ano após ano, por todos os mares, ao redor da Terra, sob as águas tempestuosas e as águas transparentes como vidro, onde o marinheiro olha para baixo como se navegasse pelo ar translúcido e vê multidões de peixes, um verdadeiro fogo de artifício de cores.

Lá no mais profundo se estende a serpente, uma serpente de Midgard que traz bênçãos e morde a própria cauda ao abraçar a Terra. Peixes e bichos rastejantes dão de testa nela, mas não compreendem aquela coisa lá de cima: a serpente do conhecimento da humanidade, cheia de pensamentos, que anuncia em todas as línguas e, no entanto, é silenciosa, para o bem e para o mal, a mais maravilhosa das maravilhas do mar, a grande serpente do mar do nosso tempo.


Sobre esta edição

Obra
Den store Søslange
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Eventyr og Historier · Femte Bind · Anden Udgave · 1894 · Dinamarquês · Femte Bind · Anden Udgave · edição póstuma
Volume Femte Bind. Página 196–210. Consultar esta edição ↗

A grande serpente do mar

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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