SR 016

A Madrasta

Sílvio Romero

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Havia um homem viúvo que tinha duas filhas pequenas e casou-se pela segunda vez. A mulher era muito má para as meninas; mandava-as como escravas fazer todo o serviço e dava-lhes muito.

Perto de casa havia uma figueira que estava dando figos e a madrasta mandava as enteadas botar sentido aos figos por causa dos passarinhos.

Ali passavam as crianças dias inteiros, espantando-os e cantando:

«Xô, xô, passarinho,
Aí não toques teu biquinho,
Vai-te embora para teu ninho...»

Quando acontecia aparecer qualquer figo picado, a madrasta castigava as meninas. Assim foram passando sempre maltratadas. Quando foi uma vez, o pai das meninas fez uma viagem e a mulher mandou-as enterrar vivas. Quando o homem chegou, a mulher lhe disse que suas filhas tinham caído doentes e lhe tinham dado grande trabalho e tomado muitas mezinhas, mas sempre tinham morrido. O pai ficou muito desgostoso.

Aconteceu que nas covas das duas meninas e dos cabelos delas nasceu um capinzal muito verde e bonito e, quando dava o vento, o capinzal dizia:

«Xô, xô, passarinho,
Aí não toques teu biquinho,
Vai-te embora para teu ninho...»

Andando o capinheiro da casa a cortar capim para os cavalos, deu com aquele capinzal muito bonito, mas teve medo de cortá-lo, por ouvir aquelas palavras. Correndo foi contar ao senhor.

O senhor não o quis acreditar e mandou-o cortar aquele mesmo capim, porque estava muito grande e verde. O negro foi cortar o capim e, quando meteu a foice, ouviu aquela voz sair debaixo da terra e cantando:

«Capinheiro de meu pai,
Não me cortes os cabelos;
Minha mãe me penteava,
Minha madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira
Que o passarinho picou.»

O negro, que ouviu isto, correu para casa assombrado e foi contar ao senhor, que não o quis acreditar, até que o negro insistiu tanto que ele mesmo veio e, mandando o negro meter a foice, também ouviu a cantiga do fundo da terra. Então mandou cavar naquele lugar e encontrou suas duas filhas ainda vivas por milagre de Nossa Senhora, que era madrinha delas. Quando chegaram em casa, acharam a mulher morta por castigo.


Sobre esta edição

Obra
A Madrasta
Autoria original
Sílvio Romero
Texto em português
Texto original
Edição publicada
1.0.0
Produção
Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
04/11/2026
Relevância no acervo · IRC 1,25

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Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

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As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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