SR 016
A Madrasta
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Texto do conto
Havia um homem viúvo que tinha duas filhas pequenas e casou-se pela segunda vez. A mulher era muito má para as meninas; mandava-as como escravas fazer todo o serviço e dava-lhes muito.
Perto de casa havia uma figueira que estava dando figos e a madrasta mandava as enteadas botar sentido aos figos por causa dos passarinhos.
Ali passavam as crianças dias inteiros, espantando-os e cantando:
«Xô, xô, passarinho,
Aí não toques teu biquinho,
Vai-te embora para teu ninho...»
Quando acontecia aparecer qualquer figo picado, a madrasta castigava as meninas. Assim foram passando sempre maltratadas. Quando foi uma vez, o pai das meninas fez uma viagem e a mulher mandou-as enterrar vivas. Quando o homem chegou, a mulher lhe disse que suas filhas tinham caído doentes e lhe tinham dado grande trabalho e tomado muitas mezinhas, mas sempre tinham morrido. O pai ficou muito desgostoso.
Aconteceu que nas covas das duas meninas e dos cabelos delas nasceu um capinzal muito verde e bonito e, quando dava o vento, o capinzal dizia:
«Xô, xô, passarinho,
Aí não toques teu biquinho,
Vai-te embora para teu ninho...»
Andando o capinheiro da casa a cortar capim para os cavalos, deu com aquele capinzal muito bonito, mas teve medo de cortá-lo, por ouvir aquelas palavras. Correndo foi contar ao senhor.
O senhor não o quis acreditar e mandou-o cortar aquele mesmo capim, porque estava muito grande e verde. O negro foi cortar o capim e, quando meteu a foice, ouviu aquela voz sair debaixo da terra e cantando:
«Capinheiro de meu pai,
Não me cortes os cabelos;
Minha mãe me penteava,
Minha madrasta me enterrou
Pelo figo da figueira
Que o passarinho picou.»
O negro, que ouviu isto, correu para casa assombrado e foi contar ao senhor, que não o quis acreditar, até que o negro insistiu tanto que ele mesmo veio e, mandando o negro meter a foice, também ouviu a cantiga do fundo da terra. Então mandou cavar naquele lugar e encontrou suas duas filhas ainda vivas por milagre de Nossa Senhora, que era madrinha delas. Quando chegaram em casa, acharam a mulher morta por castigo.
Sobre esta edição
- Obra
- A Madrasta
- Autoria original
- Sílvio Romero
- Texto em português
- Texto original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Produção
- Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 04/11/2026
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Este índice orienta a ordem dos destaques. Não é uma nota de qualidade do conto ou da tradução.
Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada
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