EK 37
A menina dos fósforos
Den lille Pige med Svovlstikkerne
Sobre este conto
Na última noite do ano, uma menina pobre anda descalça pela rua nevada, tentando vender fósforos. Ninguém comprou nada nem lhe deu dinheiro, e ela teme voltar para casa, onde o pai bateria nela. Encolhida entre duas casas, com as mãos quase mortas de frio, arrisca acender um fósforo para se aquecer. Na luz, tem a impressão de estar diante de uma grande estufa.
Personagens e estrutura
- Personagens
- A menina pobre que vende fósforos, A avó materna já morta, única pessoa que fora boa para ela, O pai que a menina teme que bata nela, A mãe que usara os chinelos grandes, O menino que foge com um dos chinelos, As pessoas que veem o cadáver e dizem que ela quis se aquecer
- Onde se passa
- Rua nevada na véspera de Ano-Novo e canto entre duas casas; casa fria da família recordada pela menina; sala com estufa, mesa com ganso assado, árvore de Natal e encontro com a avó na luz dos fósforos.
- Acontecimentos
- A menina perde os chinelos ao atravessar entre duas carruagens; um some e um menino leva o outro. Ninguém lhe compra fósforos nem lhe dá um skilling.
- Com frio e medo de voltar para o pai sem dinheiro, ela se encolhe entre duas casas e risca um fósforo, vendo uma estufa que desaparece quando a chama apaga.
- Outro fósforo revela uma mesa posta e um ganso recheado que anda em sua direção; ao apagar, só resta o muro frio.
- Ela vê uma árvore de Natal com mil velas; as luzes se tornam estrelas, e uma cai. Recorda que a avó dizia que uma alma sobe para Deus quando uma estrela cai.
- Na luz de outro fósforo aparece a avó; a menina acende todo o resto do maço para conservá-la. As duas voam para junto de Deus, sem frio, fome ou angústia.
- Na manhã de Ano-Novo, seu cadáver está no canto junto da casa, com sorriso e fósforos quase queimados; as pessoas ignoram as coisas belas que vira.
- Desfecho
- A avó ergue a menina, e as duas voam em esplendor e alegria para junto de Deus, onde não há frio, fome nem angústia. Na manhã de Ano-Novo, a menina continua sentada junto à casa, morta de frio na última noite do ano velho, com faces vermelhas e sorriso nos lábios. Um maço de fósforos está quase todo queimado. Dizem que ela quis se aquecer, sem saber o que vira nem em que esplendor entrara com a avó na alegria do Ano-Novo.
Fazia um frio terrível. Nevava e começava a escurecer; era também a última noite do ano, a véspera de Ano-Novo. Naquele frio e naquela escuridão, uma pobre menininha andava pela rua, de cabeça descoberta e pés descalços. Sim, ao sair de casa ela tinha chinelos, mas de que adiantara? Eram chinelos muito grandes, tão grandes que a mãe havia sido a última a usá-los. A menina os perdera ao atravessar a rua às pressas, quando duas carruagens passaram numa velocidade terrível. Um dos chinelos não foi encontrado; com o outro, um menino saiu correndo. Disse que poderia usá-lo de berço quando tivesse filhos.
Agora a menina andava com os pezinhos nus, vermelhos e azulados de frio. Levava muitos fósforos num avental velho e um maço na mão. Ninguém lhe comprara nada durante o dia inteiro; ninguém lhe dera um pequeno skilling. Faminta e enregelada, caminhava tão abatida, a pobrezinha! Flocos de neve caíam nos longos cabelos loiros, que se encrespavam tão bonitos junto à nuca, mas ela não pensava naquele enfeite. As luzes brilhavam de todas as janelas, e na rua havia um cheiro delicioso de ganso assado. Era véspera de Ano-Novo; sim, nisso ela pensava.
Num canto entre duas casas, uma um pouco mais avançada sobre a rua que a outra, sentou-se e se encolheu. Puxara as perninhas para debaixo do corpo, mas sentia ainda mais frio. Não se atrevia a voltar para casa: não vendera nenhum fósforo, não recebera um único skilling, e o pai bateria nela. Em casa também fazia frio. Só tinham o telhado logo acima deles, e o vento assobiava pelas frestas, embora tivessem tapado as maiores com palha e trapos. Suas mãozinhas estavam quase mortas de frio. Ah, um pequeno fósforo poderia fazer bem! Se ao menos ousasse tirar um do maço, riscá-lo na parede e aquecer os dedos! Tirou um: “Risc!” Como faiscou, como ardeu! Era uma chama quente e clara, como uma velinha, quando pôs a mão ao redor. Era uma luz estranha. A menina teve a impressão de estar sentada diante de uma grande estufa de ferro, com esferas reluzentes de latão e um cilindro do mesmo metal. O fogo ardia de modo tão abençoado, aquecia tão bem! Mas o que foi aquilo? A pequena já estendia os pés para aquecê-los também quando a chama se apagou. A estufa desapareceu, e ela ficou com um pequeno toco do fósforo queimado na mão.
Riscou outro. Ele ardeu, iluminou, e, onde a luz batia no muro, este ficou transparente como um véu. Ela enxergou o interior da sala: a mesa posta com uma toalha branca e brilhante, porcelana fina e o ganso assado, recheado de ameixas secas e maçãs, soltando um vapor delicioso. Mais esplêndido ainda: o ganso saltou da travessa e veio bamboleando pelo chão, com garfo e faca nas costas, direto para a pobre menina. Então o fósforo se apagou, e só se via o muro grosso e frio.
Acendeu outro. Agora estava sentada sob a mais bela árvore de Natal, maior e mais enfeitada que a que vira pela porta de vidro na casa do rico comerciante, no último Natal. Mil velas ardiam nos ramos verdes, e figuras coloridas, como as que enfeitavam as vitrines, olhavam para ela lá de cima. A menina ergueu as duas mãos, e o fósforo se apagou. As muitas luzes de Natal subiram cada vez mais alto; ela viu que agora eram as estrelas brilhantes. Uma delas caiu e deixou uma longa faixa de fogo no céu.
“Agora alguém está morrendo!”, disse a pequena, pois a velha avó materna, a única que fora boa para ela, mas que agora estava morta, lhe dissera: quando uma estrela cai, uma alma sobe para Deus.
Tornou a riscar um fósforo no muro. A luz se espalhou ao redor, e no clarão estava a velha avó, tão clara, tão radiante, tão mansa e abençoada.
“Vovó!”, gritou a pequena. “Ah, leve-me com você! Sei que vai desaparecer quando o fósforo se apagar, desaparecer como a estufa quente, o delicioso ganso assado e a grande e abençoada árvore de Natal!” E riscou depressa todos os fósforos que restavam no maço, pois queria muito conservar a avó ali. Os fósforos brilharam com tanto esplendor que era mais claro que o dia. Nunca a avó fora tão bela, tão grande. Ergueu a menina no braço, e as duas voaram em esplendor e alegria, tão alto, tão alto! E não havia frio, nem fome, nem angústia: estavam com Deus.
Mas no canto junto da casa, na fria manhã, estava sentada a menina de faces vermelhas e sorriso nos lábios: morta de frio na última noite do ano velho. A manhã de Ano-Novo nasceu sobre o pequeno cadáver sentado com os fósforos, dos quais um maço estava quase todo queimado. “Ela quis se aquecer”, diziam. Ninguém sabia as coisas belas que vira, nem em que esplendor entrara com a velha avó na alegria do Ano-Novo.
Sobre esta edição
- Obra
- Den lille Pige med Svovlstikkerne
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Den lille Pige med Svovlstikkerne
Ler o original em dinamarquês
Det var saa grueligt koldt; det sneede, og det begyndte at blive mørk Aften; det var ogsaa den sidste Aften i Aaret, Nytaarsaften. I denne Kulde og i dette Mørke gik paa Gaden en lille, fattig Pige med bart Hoved og nøgne Fødder; ja, hun havde jo rigtignok haft Tøfler paa, da hun kom hjemme fra, men hvad kunde det hjælpe! det var meget store Tøfler, hendes Moder havde sidst brugt dem, saa store vare de, og dem tabte den lille, da hun skyndte sig over Gaden, idet to Vogne foer saa grueligt stærkt forbi; den ene Tøffel var ikke at finde, og den anden løb en Dreng med; han sagde, at den kunde han bruge til Vugge, naar han selv fik Børn.
Der gik nu den lille Pige paa de nøgne, smaa Fødder, der vare røde og blaa af Kulde; i et gammelt Forklæde holdt hun en Mængde Svovlstikker, og eet Bundt gik hun med i Haanden; ingen havde den hele Dag købt af hende; ingen havde givet hende en lille Skilling; sulten og forfrossen gik hun og saa saa forkuet ud, den lille Stakkel! Snefnuggene faldt i hendes lange, gule Haar, der krøllede saa smukt om Nakken, men den Stads tænkte hun rigtignok ikke paa. Ud fra alle Vinduer skinnede Lysene, og saa lugtede der i Gaden saa dejligt af Gaasesteg; det var jo Nytaarsaften, ja, det tænkte hun paa.
Henne i en Krog mellem to Huse, det ene gik lidt mere frem i Gaden end det andet, der satte hun sig og krøb sammen; de smaa Ben havde hun trukket op under sig, men hun frøs endnu mere, og hjem turde hun ikke gaa, hun havde jo ingen Svovlstikker solgt, ikke faaet en eneste Skilling, hendes Fader vilde slaa hende, og koldt var der ogsaa hjemme, de havde kun Taget lige over dem, og der peb Vinden ind, skønt der var stoppet Straa og Klude i de største Sprækker. Hendes smaa Hænder vare næsten ganske døde af Kulde. Ak! en lille Svovlstik kunde gøre godt. Turde hun bare trække een ud af Bundtet, stryge den mod Væggen og varme Fingrene. Hun trak een ud, »ritch!« hvor sprudede den, hvor brændte den! det var en varm, klar Lue, ligesom et lille Lys, da hun holdt Haanden om den; det var et underligt Lys; den lille Pige syntes, hun sad foran en stor Jernkakkelovn med blanke Messingkugler og Messingtromle; Ilden brændte saa velsignet, varmede saa godt; nej, hvad var det! — Den lille strakte allerede Fødderne ud for ogsaa at varme disse, — — da slukkedes Flammen. Kakkelovnen forsvandt, hun sad med en lille Stump af den udbrændte Svovlstik i Haanden.
En ny blev strøget, den brændte, den lyste, og hvor Skinnet faldt paa Muren, blev denne gennemsigtig som et Flor; hun saa lige ind i Stuen, hvor Bordet stod dækket med en skinnende hvid Dug, med fint Porcelæn, og dejligt dampede den stegte Gaas, fyldt med Svesker og Æbler; og hvad der endnu var prægtigere, Gaasen sprang fra Fadet, vraltede hen ad Gulvet med Gaffel og Kniv i Ryggen; lige hen til den fattige Pige kom den; da slukkedes Svovlstikken, og der var kun den tykke, kolde Mur at se.
Hun tændte en ny. Da sad hun under det dejligste Juletræ; det var endnu større og mer pyntet, end det hun gennem Glasdøren havde set hos den rige Købmand nu sidste Jul; tusinde Lys brændte paa de grønne Grene, og brogede Billeder, som de, der pyntede Butiksvinduerne, saa ned til hende. Den lille strakte begge Hænder i Vejret — da slukkedes Svovlstikken; de mange Julelys gik højere og højere, hun saa, de vare nu de klare Stjerner, een af dem faldt og gjorde en lang Ildstribe paa Himlen.
»Nu dør der een!« sagde den lille, for gamle Mormor, som var den eneste, der havde været god mod hende, men nu var død, havde sagt: Naar en Stjerne falder, gaar der en Sjæl op til Gud.
Hun strøg igen mod Muren en Svovlstik, den lyste rundt om, og i Glansen stod den gamle Mormor, saa klar, saa skinnende, saa mild og velsignet.
»Mormor!« raabte den lille, »oh, tag mig med! jeg veed, du er borte, naar Svovlstikken gaar ud, borte ligesom den varme Kakkelovn, den dejlige Gaasesteg og det store, velsignede Juletræ!« — og hun strøg i Hast den hele Rest Svovlstikker, der var i Bundtet, hun vilde ret holde paa Mormor; og Svovlstikkerne lyste med saadan en Glans, at det var klarere end den lyse Dag. Mormor havde aldrig før været saa smuk, saa stor; hun løftede den lille Pige op paa sin Arm, og de fløj i Glans og Glæde saa højt, saa højt; og der var ingen Kulde, ingen Hunger, ingen Angest, — de vare hos Gud.
Men i Krogen ved Huset sad i den kolde Morgenstund den lille Pige med røde Kinder, med Smil om Munden — død, frosset ihjel den sidste Aften i det gamle Aar. Nytaarsmorgen gik op over det lille Lig, der sad med Svovlstikkerne, hvoraf et Knippe var næsten brændt. Hun har villet varme sig, sagde man; ingen vidste, hvad smukt hun havde set, i hvilken Glans hun med gamle Mormor var gaaet ind til Nytaarsglæde.
A menina dos fósforos
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