EK 156
A pulga e o professor
Loppen og Professoren
Sobre este conto
O filho de um aeronauta torna-se artista ambulante e professor de uma pulga adestrada. Os dois viajam até uma terra governada por uma princesa de oito anos, que se encanta pela pulga.
Personagens e estrutura
- Personagens
- O professor, filho de um aeronauta, A pulga adestrada, A mulher do professor, A princesa de oito anos, O pai e a mãe da princesa
- Onde se passa
- Cidades e países percorridos por artistas ambulantes, uma terra de antropófagos e, ao final, a terra natal do professor.
- Acontecimentos
- O pai morre numa queda de balão; o filho, enviado antes de paraquedas, sobrevive e aprende números de destreza e ventriloquia.
- A mulher auxilia nos espetáculos, mas desaparece; o professor adestra uma pulga que ela lhe deixou e volta a ganhar dinheiro.
- Uma princesa de oito anos prende a pulga a uma peça de coral na orelha e instala o professor num salão com uma rede.
- Entediado, o professor oferece construir um grande canhão e obtém os materiais necessários para um balão.
- Ele alega precisar da pulga para dirigir a suposta arma, recebe-a e parte com ela no balão.
- Desfecho
- A princesa, seus pais e o povo continuam esperando a volta dos viajantes e acreditam que o canhão precisa esfriar. A pulga e o professor estão em sua terra natal, viajam em primeira classe, ganham bem e são considerados gente abastada e honrada; ninguém pergunta como conseguiram o balão.
Havia um aeronauta, e as coisas lhe correram mal: o balão se rompeu, o homem despencou e se espatifou. Dois minutos antes, mandara o filho descer de paraquedas; essa foi a sorte do menino. Ele saiu ileso e andava por aí com grandes conhecimentos para se tornar aeronauta, mas não tinha balão nem recursos para conseguir um.
Precisava viver; por isso se dedicou a números de destreza e à arte de falar com a barriga, o que se chama ser ventríloquo. Era jovem e tinha boa aparência, e, quando lhe cresceu o bigode e conseguiu boas roupas, bem poderia passar por filho de conde. As senhoras o achavam bonito; uma jovem ficou tão encantada com sua beleza e com sua arte de destreza que o acompanhou a cidades e países estrangeiros. Lá ele se chamava professor; por menos não podia ser.
Seu pensamento constante era conseguir um balão e subir aos ares com sua mulherzinha, mas ainda não tinham os recursos.
— Eles virão! — dizia ele.
— Quem dera viessem! — dizia ela.
— Somos jovens! E agora sou professor. Migalhas também são pão!
Ela o ajudava fielmente, sentava-se à porta e vendia ingressos para o espetáculo; no inverno, era uma diversão gelada. Também o ajudava num número de mágica. Ele punha a mulher na gaveta da mesa, uma grande gaveta; lá ela se arrastava para um compartimento ao fundo, e então não se via mais no compartimento da frente: era como uma ilusão de ótica.
Mas uma noite, quando ele abriu a gaveta, ela também desaparecera para ele. Não estava no compartimento da frente, nem no do fundo, nem na casa inteira; não se via nem se ouvia. Essa era a arte de destreza dela. Nunca mais voltou; estava farta daquilo, e ele ficou triste com aquilo, perdeu o bom humor, já não sabia rir nem fazer graça, e então o público deixou de vir. Os ganhos pioraram, as roupas pioraram; por fim, só possuía uma grande pulga, uma herança da mulher, e por isso gostava tanto dela. Adestrou-a, ensinou-lhe números de destreza, ensinou-a a apresentar armas e disparar um canhão, mas pequeno.
O professor tinha orgulho da pulga, e ela tinha orgulho de si mesma. Aprendera alguma coisa, tinha sangue humano e estivera nas maiores cidades; fora vista por príncipes e princesas e conquistara seus altos aplausos. Isso saíra nos jornais e nos cartazes. Ela sabia que era uma celebridade e podia sustentar um professor, até uma família inteira.
Era orgulhosa e famosa; contudo, quando ela e o professor viajavam, iam de trem em quarta classe: esta chega tão depressa quanto a primeira. Havia uma promessa tácita de que nunca se separariam, nunca se casariam: a pulga continuaria um solteirão, e o professor, viúvo. Dava tudo na mesma.
— Onde se faz mais sucesso — dizia o professor —, não se deve aparecer duas vezes!
Ele conhecia as pessoas, e esse também é um conhecimento.
Por fim, percorrera todos os países, menos a terra dos selvagens; e então quis ir à terra dos selvagens. Lá, de fato, comiam gente cristã, o professor sabia disso; mas ele não era propriamente cristão, e a pulga não era propriamente gente, de modo que achou que poderiam muito bem viajar para lá e ter bons ganhos.
Viajaram de navio a vapor e de veleiro. A pulga fazia seus números, e assim tiveram passagem de graça pelo caminho e chegaram à terra dos selvagens.
Ali governava uma princesinha; tinha apenas oito anos, mas governava. Tirara o poder do pai e da mãe, porque tinha vontade própria e era incomparavelmente encantadora e malcriada.
Assim que a pulga apresentou armas e disparou o canhão, ela ficou tão encantada com a pulga que disse:
— Ele ou ninguém!
Ficou inteiramente selvagem de amor, e já era selvagem antes.
— Minha doce, pequena e sensata criança! — disse seu próprio pai. — Se ao menos se pudesse fazer dele um ser humano!
— Deixe isso comigo, velho! — disse ela; e não era bonito uma princesinha falar assim com o pai, mas ela era selvagem.
Pôs a pulga sobre a mãozinha.
— Agora você é um ser humano e governa comigo; mas tem de fazer o que eu quiser, senão mato você e como o professor.
O professor recebeu um grande salão para morar. As paredes eram de cana-de-açúcar, e ele podia andar por ali lambendo-as, mas não era guloso. Recebeu uma rede para dormir; era como se estivesse deitado num balão, aquele que sempre desejara e que era seu pensamento constante.
A pulga ficou com a princesa, pousada em sua mãozinha e em seu delicado pescoço. Ela arrancara um fio de cabelo da cabeça; o professor teve de amarrá-lo à perna da pulga, e assim ela a mantinha presa à grande peça de coral que tinha no lóbulo da orelha.
Que tempo delicioso para a princesa, e também para a pulga, pensava ela. O professor, porém, não estava satisfeito; era homem de viagens, gostava de ir de cidade em cidade, de ler nos jornais sobre sua perseverança e sua habilidade em ensinar a uma pulga todas as atividades humanas. Dia após dia, ficava deitado na rede, sem fazer nada, e recebia sua boa comida: ovos frescos de aves, olhos de elefante e coxas de girafa assadas. Os antropófagos não vivem só de carne humana: esta é uma iguaria.
— Espádua de criança com molho picante — dizia a mãe da princesa — é o que há de mais delicado.
O professor se entediava e queria ir embora da terra dos selvagens, mas precisava levar a pulga: ela era sua maravilha e seu ganha-pão. Como poderia apanhá-la e ficar com ela? Não era tão fácil.
Pôs em ação todas as suas faculdades de pensar e então disse:
— Agora descobri!
— Pai da princesa, dê-me alguma coisa para fazer! Posso treinar os habitantes do país a apresentar armas? É isso que, nos maiores países do mundo, se chama educação!
— E o que você pode me ensinar? — perguntou o pai da princesa.
— Minha maior arte — disse o professor —: disparar um canhão de modo que a terra inteira trema e todas as aves mais saborosas do céu caiam assadas! Isso é que é um estrondo!
— Tragam o canhão! — disse o pai da princesa.
Mas no país inteiro não havia canhão, a não ser o que a pulga trouxera, e esse era pequeno demais.
— Vou fundir um maior! — disse o professor. — Basta me dar os recursos. Preciso de tecido de seda fino, agulha e linha, cordas e cordões, além de gotas para o estômago de balões: elas enchem de ar, aliviam e elevam; produzem o estrondo na barriga do canhão.
Deram-lhe tudo o que pediu.
O país inteiro se reuniu para ver o grande canhão. O professor só chamou o povo quando tinha o balão inteiramente pronto para encher e subir.
A pulga estava na mão da princesa e observava. Encheram o balão, que se avolumou e mal podia ser contido, de tão selvagem que estava.
— Preciso levá-lo aos ares para que esfrie — disse o professor, e se sentou no cesto pendurado debaixo dele. — Sozinho não consigo dominá-lo e dirigi-lo. Preciso levar um companheiro entendido para me ajudar. Aqui não há ninguém que saiba fazer isso, a não ser a pulga!
— Dou essa permissão a contragosto! — disse a princesa; ainda assim, entregou a pulga ao professor, que a pôs na mão.
— Soltem os cordões e as cordas! — disse ele. — Lá vai o balão!
Pensaram que ele tivesse dito: “Canhão!”
E o balão subiu cada vez mais alto, por cima das nuvens, para longe da terra dos selvagens.
A princesinha, seu pai e sua mãe, o povo inteiro ficaram esperando. Esperam até hoje; e, se você não acredita, viaje à terra dos selvagens. Lá, toda criança fala da pulga e do professor, acredita que eles voltarão quando o canhão tiver esfriado. Mas eles não voltam: estão aqui entre nós, estão em sua terra natal, viajam de trem em primeira classe, não em quarta; têm bons ganhos, um grande balão. Ninguém pergunta como conseguiram o balão nem de onde o tiraram. São gente abastada, gente honrada, a pulga e o professor.
Sobre esta edição
- Obra
- Loppen og Professoren
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Loppen og Professoren, et Æventyr
A pulga e o professor
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