AM 013

Algumas Mulheres São Assim!

Peter Christen Asbjørnsen

Somme Kjærringer er slige!

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Era uma vez um homem e uma mulher que precisavam semear, mas não tinham sementes nem dinheiro para comprá-las. Só possuíam uma vaca, que o homem devia levar à cidade e vender para conseguir dinheiro para as sementes. Mas, na hora de partir, a mulher não se atreveu a deixar o marido ir, pois tinha medo de que ele gastasse o dinheiro em bebida. Foi ela mesma com a vaca e levou também uma galinha.

Perto da cidade, encontrou um açougueiro.

— Vai vender essa vaca, minha senhora? — perguntou ele.

— Vou, sim — disse ela.

— Quanto pede por ela?

— Acho que vou querer um marco pela vaca, mas pela galinha o senhor terá de dar dez dáleres — disse ela.

— Pois bem — respondeu ele —, não tenho utilidade para a galinha, e a senhora certamente conseguirá vendê-la quando chegar à cidade; mas pela vaca lhe darei um marco.

Ela vendeu a vaca e recebeu seu marco, mas não havia ninguém na cidade que quisesse dar dez dáleres por uma galinha magra e sarnenta. Por isso, voltou ao açougueiro e disse:

— Não consigo vender a galinha, meu senhor! O senhor terá de ficar com ela também, já que ficou com a vaca.

— Havemos de dar um jeito nisso — disse o açougueiro.

Então lhe serviu comida e lhe deu tanta aguardente que ela ficou bêbada e perdeu completamente o juízo.

Enquanto ela dormia para passar a bebedeira, o açougueiro a mergulhou num barril de alcatrão e depois a deitou num monte de penas.

Quando acordou, estava coberta de penas e começou a se perguntar:

— Sou eu ou não sou eu? Não, não posso ser eu! Deve ser uma ave grande e esquisita. Mas como farei para descobrir se sou eu ou não sou eu? Já sei como poderei reconhecer se sou eu: se os bezerros me lamberem e o cachorro não latir para mim quando eu chegar em casa, então sou eu!

Mal o cachorro viu semelhante monstro, começou a latir como se houvesse ladrões e patifes na propriedade.

— Não, com certeza não posso ser eu — disse ela.

Quando entrou no estábulo, os bezerros não quiseram lambê-la, porque sentiram o cheiro forte do alcatrão.

— Não, não posso ser eu; deve ser uma ave esquisita — disse ela.

Então subiu no telhado do celeiro, começou a bater os braços como se fossem asas e quis levantar voo. Ao ver isso, o marido saiu com o rifle e começou a mirar.

— Ah, não atire, não atire! — gritou a mulher. — Sou eu!

— Se é você — disse o marido —, não fique aí como uma cabra; desça e preste contas do que fez.

Ela desceu, mas não tinha um único xelim, pois havia jogado fora, durante a bebedeira, o marco recebido do açougueiro. Quando o marido soube disso, disse:

— Você ficou duas vezes mais louca do que já era!

E ficou tão zangado que disse que iria embora, deixando tudo, e nunca voltaria, a menos que encontrasse outras três mulheres tão loucas quanto ela.

Ele partiu sem rumo e, depois de caminhar um trecho, viu uma mulher que entrava e saía de uma cabana recém-construída de troncos, levando uma peneira vazia. Toda vez que entrava, jogava o avental por cima da peneira, como se levasse alguma coisa nela, e a virava sobre o chão.

— Por que faz isso, minha senhora? — perguntou ele.

— Ah, só quero trazer um pouco de sol para dentro — respondeu ela. — Mas não sei o que acontece: quando estou lá fora, tenho o sol na peneira; quando entro, porém, já o joguei fora. E, quando morava na minha velha cabana, tinha sol de sobra, embora nunca trouxesse nem um pouquinho para dentro. Se alguém pudesse me arranjar sol, eu lhe daria de boa vontade trezentos dáleres.

— Se tem um machado — disse o homem —, vou lhe arranjar sol.

Deram-lhe um machado, e ele abriu os vãos das janelas, pois os carpinteiros tinham se esquecido deles. O sol entrou imediatamente, e ele recebeu seus trezentos dáleres.

“Essa foi a primeira”, pensou o homem, e seguiu caminho.

Pouco depois, chegou diante de uma casa de onde vinham gritos e berros terríveis. Entrou e viu uma mulher batendo na cabeça do marido com um batedor de lavar roupa; ela lhe tinha enfiado pela cabeça uma camisa sem abertura para o pescoço.

— Quer matar seu marido, minha senhora? — perguntou ele.

— Não — disse ela —, só quero fazer uma abertura para o pescoço nesta camisa.

O marido gritava e se lamentava:

— Que Deus console e ampare quem precisa vestir camisa nova! Se alguém pudesse ensinar minha mulher a fazer de outro jeito uma abertura para o pescoço na camisa, eu lhe daria de boa vontade trezentos dáleres.

— Isso já vai ficar pronto; é só trazer uma tesoura — disse o outro.

Deram-lhe uma tesoura, ele recortou uma abertura e seguiu adiante com seus trezentos.

“Essa foi a segunda”, disse consigo mesmo.

Depois de muito tempo, chegou a uma propriedade onde pensava descansar um pouco. Quando entrou, a mulher lhe perguntou:

— De onde vem, meu senhor?

— Venho de Ringerike — respondeu ele.

— Ah, não me diga! Vem do Reino dos Céus? Então deve conhecer Peer, o Segundo, meu falecido marido!

A mulher tinha sido casada três vezes; seu primeiro e seu último maridos eram maus, por isso acreditava que só o segundo, que fora bondoso, tinha alcançado a bem-aventurança.

— Sim, conheço-o muito bem — disse o homem que andava pelo mundo.

— E como ele está passando agora? — perguntou a mulher.

— Ah, está passando mal — respondeu o homem de Ringerike. — Anda de uma propriedade a outra, sem comida nem roupa no corpo; e dinheiro, então, nem se fala.

— Que Deus tenha piedade dele! — exclamou a mulher. — Não precisava andar em tamanha miséria, ele, que deixou tanta coisa! Aqui há um sótão inteiro cheio de roupas que eram dele, e também está aqui uma arca grande com dinheiro. Se quiser levar tudo, lhe darei um cavalo e uma carroça para transportar as coisas; o cavalo ele pode ficar com ele lá, e, na carroça, poderá ir sentado de uma propriedade a outra, pois não precisa andar a pé.

O homem de Ringerike recebeu uma carroça inteira de roupas, uma arca cheia de moedas de prata reluzentes e tanta comida e bebida quanto quis. Depois de receber tudo, sentou-se na carroça e foi embora.

“Essa foi a terceira”, disse consigo mesmo.

Mas o terceiro marido da mulher estava arando lá no campo. Quando viu alguém que não conhecia sair da propriedade com o cavalo e os apetrechos, foi para casa e perguntou à mulher quem era aquele que partira com o cavalo azulado.

— Ah, aquele — disse ela — era um homem do Reino dos Céus; disse que Peer, o Segundo, meu falecido marido, está numa miséria tão grande que anda de uma propriedade a outra sem roupa nem dinheiro. Então mandei por ele todas essas roupas velhas que ficaram penduradas aqui depois da morte dele, e a velha arca de dinheiro, com as moedas de prata dentro.

O marido entendeu logo aonde aquilo ia dar, selou um cavalo e saiu a todo galope. Não demorou a chegar bem perto do homem que seguia sentado na carroça. Mas, quando este percebeu, levou o cavalo e a carroça para dentro do bosque baixo, arrancou um punhado de crina do cavalo e subiu correndo uma ladeira, onde amarrou a crina a uma bétula. Depois se deitou debaixo dela e ficou olhando fixamente para as nuvens.

— Não, não, não! — disse, como se falasse consigo mesmo, quando Peer, o Terceiro, chegou a cavalo. — Não, nunca vi coisa tão esquisita! Não, nunca vi nada igual!

Peer ficou algum tempo olhando para ele e se perguntando o que havia de errado. Por fim, perguntou:

— O que está fazendo aí deitado?

— Não, nunca vi nada igual! — disse o outro. — Acabou de passar um homem subindo direto para o Céu com um cavalo azulado. Aqui se vê a crina que ficou presa na bétula, e lá em cima, nas nuvens, se vê o cavalo azulado dele.

Peer olhou ora para as nuvens, ora para o homem, e disse:

— Eu não vejo nada além da crina na bétula.

— Não, desse lugar onde está, também não pode ver — disse o outro. — Mas venha e deite-se exatamente aqui, olhe bem para cima e não desvie os olhos das nuvens.

Enquanto Peer, o Terceiro, ficava deitado olhando para as nuvens, até seus olhos lacrimejarem, o homem de Ringerike pegou o cavalo, montou e foi embora com ele e com a carroça carregada. Quando começou a fazer barulho na estrada, Peer, o Terceiro, se levantou de um salto; mas ficou tão aturdido ao ver o outro partir com seus cavalos que não pensou em correr atrás dele antes que fosse tarde demais.

Estava bastante cabisbaixo quando chegou em casa. Mas, quando a mulher lhe perguntou o que fizera do cavalo, respondeu:

— Dei esse também a Peer, o Segundo, porque achei que não valia a pena ele ficar sentado numa carroça, sacolejando de uma propriedade a outra no Reino dos Céus. Agora pode vender a carroça e comprar uma carruagem para andar.

— Obrigada por isso! Nunca imaginei que você fosse um homem tão bondoso — disse a mulher.

Quando o outro chegou em casa, aquele que recebera os seiscentos dáleres e a carroça carregada de roupas e dinheiro, viu que todos os campos estavam arados e semeados. A primeira coisa que perguntou à mulher foi onde tinha conseguido sementes.

— Ah — disse ela —, sempre ouvi dizer que quem semeia alguma coisa colhe alguma coisa; por isso semeei aquele sal que a comitiva que voltava para o norte*) deixou aqui. Se chover, acredito que vai brotar muito bem.

— Louca você é e louca vai continuar enquanto viver — disse o marido. — Mas agora tanto faz, porque as outras não são mais sensatas que você.

*) Os homens dos vales que voltam para casa com cargas de mercadorias.


Sobre esta edição

Obra
Somme Kjærringer er slige!
Autoria original
Peter Christen Asbjørnsen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.1
Tradução
Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
04/11/2026
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Pesquisa em 04/11/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

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As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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