AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

EK 4

As flores da pequena Ida

Hans Christian Andersen

Den lille Idas Blomster

Sobre este conto

A pequena Ida encontra suas flores murchas e pergunta a um estudante por que estão assim. Ele conta que elas passam as noites dançando em bailes, descreve uma corte de flores no palácio do rei e explica como se comunicam por gestos. Convencida de que suas flores estão cansadas e doentes, Ida lhes oferece a cama de sua boneca Sophie e pensa no que poderá acontecer quando todos dormirem.

Personagens e estrutura
Personagens
Ida, Estudante, Conselheiro da chancelaria, Mãe de Ida, Pai de Ida, Flores, Sophie, boneca de Ida, Boneco fumante, Boneca de cera no ramo de Carnaval, Professor de botânica, na história do estudante, Administrador do palácio, na história do estudante, Senhorita Line, lembrada por Ida, Jonas, primo norueguês de Ida, Adolph, primo norueguês de Ida
Onde se passa
Casa de Ida, com quarto, sala, mesa de brinquedos e jardim. O palácio de verão do rei e seu jardim são mencionados por Ida e pelo estudante; o jardim botânico, pelo estudante. Cidade e época da ação não são nomeadas.
Acontecimentos
  1. O estudante atribui o aspecto murcho das flores a bailes noturnos; descreve a corte floral, as borboletas e a linguagem de gestos. O conselheiro da chancelaria critica sua fantasia.
  2. Ida tira Sophie da caminha e a põe na gaveta. Deita as flores na caminha, promete chá e fecha as cortinas para protegê-las do sol. Antes de dormir, fala às flores da mãe sobre o baile.
  3. Ida acorda, escuta um piano e espia a sala iluminada pela lua. Vê jacintos e tulipas dançando, um lírio amarelo ao piano e suas flores se levantando da cama para participar.
  4. Um ramo de Carnaval dança mazurca sobre três pernas vermelhas. A boneca de cera nele cresce e imita o conselheiro, até as flores intercederem por ela. O boneco fumante abre a gaveta de Sophie.
  5. Sophie acaba dançando com as flores, que anunciam sua morte e pedem enterro no jardim, onde está o canário. Outras flores chegam em cortejo com música; duas rosas levam coroas de ouro.
  6. Após voltar à cama e sonhar com o que viu, Ida encontra as flores ainda mais murchas na manhã seguinte. Sophie nada diz. Ida põe as flores mortas numa caixa de papel com pássaros desenhados.
Desfecho
Ida e seus primos noruegueses Jonas e Adolph enterram as flores no jardim. Ela beija as flores e as põe na terra com a caixinha. Os meninos disparam seus arcos por cima da sepultura, pois não têm espingardas nem canhões.

— Minhas pobres flores estão completamente mortas! — disse a pequena Ida. — Estavam tão bonitas ontem à noite, e agora todas as folhas pendem murchas! Por que fazem isso? — perguntou ao estudante que estava sentado no sofá. Ela gostava tanto dele: ele sabia as histórias mais lindas e recortava figuras tão divertidas! Corações com pequenas senhoras dançando dentro deles; flores e grandes castelos cujas portas podiam ser abertas. Era um estudante alegre! — Por que as flores estão tão mal hoje? — perguntou de novo, mostrando-lhe um buquê inteiro, completamente murcho.

— Sabe o que elas têm? — disse o estudante. — As flores foram a um baile esta noite, e por isso estão de cabeça caída!

— Mas flores não podem dançar! — disse a pequena Ida.

— Podem, sim — disse o estudante. — Quando escurece e todos nós dormimos, elas saltam alegremente de um lado para o outro. Quase toda santa noite têm um baile!

— Nenhuma criança pode ir a esse baile?

— Pode, sim — disse o estudante. — Margaridinhas bem pequeninas e lírios-do-vale!

— Onde dançam as flores mais bonitas? — perguntou a pequena Ida.

— Você não costuma passar pelo portão da cidade e ir até o grande palácio onde o rei mora no verão, onde fica aquele lindo jardim com tantas flores? Já viu os cisnes que nadam até você quando quer lhes dar migalhas de pão. Pois lá há um baile de verdade, pode acreditar!

— Estive lá no jardim ontem com minha mãe! — disse Ida. — Mas todas as folhas tinham caído das árvores, e já não havia flor nenhuma! Onde estão? No verão vi tantas!

— Estão dentro do palácio! — disse o estudante. — Você precisa saber que, assim que o rei e toda a corte se mudam para cá, para a cidade, as flores correm do jardim para o palácio e se divertem. Você devia ver! As duas rosas mais bonitas se sentam no trono e são rei e rainha. Todas as cristas-de-galo vermelhas se põem ao lado delas e ficam fazendo reverências: são os gentis-homens da câmara. Então chegam todas as flores mais lindas, e há um grande baile. As violetas azuis representam pequenos cadetes da marinha e dançam com jacintos e crócus, a quem chamam de senhoritas! As tulipas e os grandes lírios amarelos são senhoras idosas: cuidam para que se dance direito e para que tudo corra bem!

— Mas — perguntou a pequena Ida — ninguém faz nada às flores por dançarem no palácio do rei?

— Ninguém sabe disso direito! — disse o estudante. — Às vezes, de noite, é verdade que vem o velho administrador do palácio, que deve tomar conta de lá. Traz um grande molho de chaves, mas, assim que as flores ouvem o tilintar das chaves, ficam bem quietinhas, escondem-se atrás das cortinas compridas e põem a cabeça para fora. “Sinto pelo cheiro que há flores aqui dentro”, diz o velho administrador, mas não consegue vê-las.

— Que divertido! — disse a pequena Ida, batendo palmas. — Mas eu também não conseguiria ver as flores?

— Conseguiria, sim — disse o estudante. — Quando voltar lá, lembre-se de espiar pela janela, e vai vê-las, com certeza. Foi o que fiz hoje. Havia um narciso amarelo e comprido deitado no sofá, espreguiçando-se: era uma dama da corte!

— As flores do jardim botânico também podem ir até lá? Conseguem percorrer esse caminho tão comprido?

— Ah, pode acreditar que sim! — disse o estudante. — Pois, quando querem, podem voar. Você já viu aquelas lindas borboletas, vermelhas, amarelas e brancas, que quase parecem flores? Pois elas também já foram flores. Saltaram de seus caules bem alto no ar e bateram as pétalas como se fossem asinhas, e então voaram. Como se comportaram tão bem, receberam permissão para voar também de dia, sem precisar voltar para casa e ficar quietinhas no caule. Por fim, as pétalas se tornaram asas de verdade. Isso você mesma já viu! Mas pode ser que as flores do jardim botânico nunca tenham ido ao palácio do rei, nem saibam como é divertido lá à noite. Por isso vou lhe dizer uma coisa! Ele vai ficar tão espantado, o professor de botânica que mora ao lado; você o conhece, não é? Quando entrar no jardim dele, conte a uma das flores que há um grande baile no palácio. Ela contará a todas as outras, e elas sairão voando. Então, quando o professor for ao jardim, não haverá uma flor sequer, e ele não conseguirá entender onde foram parar.

— Mas como a flor pode contar às outras? Flores não sabem falar!

— Não, isso é verdade! — respondeu o estudante. — Mas fazem mímica! Você já viu como, quando venta um pouco, as flores acenam com a cabeça e mexem todas as folhas verdes? É tão claro como se falassem!

— Então o professor entende mímica? — perguntou Ida.

— Ah, pode acreditar que sim! Certa manhã, ele foi ao jardim e viu uma grande urtiga fazendo mímica com as folhas para um lindo cravo vermelho. Ela dizia: “Você é tão bonito, e eu gosto tanto de você!” Mas o professor não gosta nada dessas coisas e logo bateu nas folhas da urtiga, pois são os dedos dela. Só que se queimou, e desde então nunca mais se atreve a tocar numa urtiga.

— Que engraçado! — disse a pequena Ida, rindo.

— Que ideia, meter essas coisas na cabeça da criança! — disse o enfadonho conselheiro da chancelaria, que tinha vindo fazer uma visita e estava sentado no sofá. Ele não gostava nada do estudante e sempre resmungava quando o via recortando aquelas figuras estranhas e divertidas: ora um homem pendurado numa forca, com um coração na mão, pois era um ladrão de corações; ora uma velha bruxa montada numa vassoura, com o marido em cima do nariz. O conselheiro da chancelaria não gostava disso e dizia, como agora: — Que ideia, meter essas coisas na cabeça da criança! É essa fantasia tola!

Mas a pequena Ida achava tão divertido o que o estudante contava sobre suas flores, e pensava tanto naquilo! As flores estavam de cabeça caída porque tinham dançado a noite inteira e estavam cansadas; certamente estavam doentes. Então ela as levou até seus outros brinquedos, que ficavam numa mesinha bonita, com a gaveta inteira cheia de coisas lindas. Sua boneca, Sophie, estava deitada na cama de boneca, dormindo, mas a pequena Ida lhe disse: — Você precisa mesmo se levantar, Sophie, e se contentar em dormir na gaveta esta noite. As pobres flores estão doentes e precisam ficar na sua cama; talvez assim melhorem! — E tirou a boneca da cama, mas ela ficou com uma cara tão emburrada e não disse uma só palavra, pois estava zangada por não poder ficar com sua cama.

Ida deitou as flores na cama de boneca, puxou o cobertorzinho até cobri-las bem e disse que agora deviam ficar quietinhas; ela ferveria água para lhes fazer chá, para que melhorassem e pudessem se levantar no dia seguinte. E fechou bem as cortinas da caminha, para que o sol não lhes batesse nos olhos.

Durante toda a noitinha, ela não conseguia parar de pensar no que o estudante lhe contara. Quando chegou sua vez de ir para a cama, primeiro teve de ir atrás das cortinas das janelas, onde ficavam as lindas flores de sua mãe, jacintos e tulipas, e sussurrou bem baixinho: — Sei muito bem que vocês vão ao baile esta noite! — Mas as flores fingiram não entender nada e não mexeram uma folha sequer. A pequena Ida, porém, sabia o que sabia.

Quando se deitou, passou muito tempo pensando em como seria lindo ver as belas flores dançando lá no palácio do rei. “Será que minhas flores também foram?” Mas então adormeceu. No meio da noite, acordou de novo. Tinha sonhado com as flores e com o estudante, a quem o conselheiro da chancelaria ralhava, dizendo que queria meter coisas na cabeça dela. Tudo estava muito quieto no quarto onde Ida dormia; a lamparina noturna estava acesa sobre a mesa, e seu pai e sua mãe dormiam.

“Será que minhas flores estão agora na cama de Sophie?”, disse consigo mesma. “Como eu gostaria de saber!” Ergueu-se um pouco e olhou para a porta, que estava entreaberta. Lá dentro estavam as flores e todos os seus brinquedos. Pôs-se a escutar e pareceu-lhe ouvir alguém tocando piano na sala, mas tão baixinho e tão lindamente como nunca tinha ouvido antes.

— Agora todas as flores devem estar dançando lá dentro! — disse ela. — Meu Deus, como eu gostaria de ver! — Mas não se atrevia a levantar, pois acordaria seu pai e sua mãe. — Se ao menos elas viessem aqui! — disse. Mas as flores não vieram, e a música continuou a tocar tão lindamente que ela não pôde resistir: era bonito demais. Saiu da caminha, foi bem devagar até a porta e espiou dentro da sala. Ah, como era divertido o que viu!

Não havia lamparina nenhuma lá dentro, mas mesmo assim tudo estava bem claro: a lua brilhava pela janela, bem no meio do chão! Era quase como se fosse dia. Todos os jacintos e tulipas estavam no chão, em duas fileiras compridas. Já não havia nenhum na janela: os vasos estavam vazios. Lá no chão, todas as flores dançavam tão lindamente umas em volta das outras, formando uma corrente e segurando-se pelas longas folhas verdes enquanto giravam. Ao piano, porém, estava sentado um grande lírio amarelo, que a pequena Ida certamente tinha visto no verão, pois se lembrava bem de que o estudante dissera: “Nossa, como se parece com a senhorita Line!” Na ocasião, todos tinham rido dele, mas agora Ida também achava que a comprida flor amarela se parecia mesmo com a senhorita. E tocava do mesmo jeito: ora inclinava o rosto amarelo e alongado para um lado, ora para o outro, e marcava com a cabeça o compasso da bela música! Ninguém percebia a presença da pequena Ida. Então ela viu um grande crócus azul saltar bem para o meio da mesa dos brinquedos, ir direto à cama de boneca e afastar as cortinas. Ali estavam as flores doentes, mas elas se levantaram logo e acenaram com a cabeça para as outras lá embaixo, dizendo que também queriam dançar. O velho boneco fumante, que tinha o lábio inferior quebrado, levantou-se e fez uma reverência às belas flores. Elas não pareciam nem um pouco doentes: saltaram para junto das outras e estavam tão contentes!

Pareceu que alguma coisa caía da mesa. Ida olhou para lá: era o ramo de Carnaval que saltava para o chão; ele também achava que fazia parte das flores. Era muito bonito, e no alto havia uma bonequinha de cera com um chapéu de abas largas na cabeça, igualzinho ao que o conselheiro da chancelaria usava. O ramo de Carnaval saltou para o meio das flores sobre suas três pernas de madeira vermelha e bateu os pés com muita força, pois dançava a mazurca. As outras flores não sabiam dançar aquela dança, porque eram tão leves que não conseguiam bater os pés.

De repente, a boneca de cera no alto do ramo de Carnaval ficou grande e comprida, rodopiou acima das flores de papel e gritou bem alto: — Que ideia, meter essas coisas na cabeça da criança! É essa fantasia tola! — E a boneca de cera ficou exatamente igual ao conselheiro da chancelaria com seu chapéu de abas largas, tão amarelo e resmungão quanto ele. Mas as flores de papel bateram em suas pernas finas, e ele se encolheu de novo e virou uma bonequinha de cera minúscula. Era tão divertido de ver! A pequena Ida não conseguia parar de rir. O ramo de Carnaval continuou dançando, e o conselheiro da chancelaria teve de dançar junto. Não adiantava ficar grande e comprido nem virar a pequena boneca amarela de cera, com seu grande chapéu preto. Então as outras flores intercederam por ele, sobretudo as que tinham ficado na cama de boneca, e o ramo de Carnaval o deixou em paz. Nesse instante, ouviram-se fortes batidas dentro da gaveta onde a boneca Sophie estava deitada com tantos outros brinquedos. O boneco fumante correu até a beirada da mesa, esticou-se de barriga para baixo e conseguiu puxar um pouquinho a gaveta. Sophie se levantou e olhou ao redor, muito espantada. — Parece que há um baile aqui! — disse ela. — Por que ninguém me contou?

— Quer dançar comigo? — perguntou o boneco fumante.

— Ah, você é mesmo um belo par para dançar! — disse ela, dando-lhe as costas. Então se sentou na gaveta, pensando que alguma flor com certeza viria convidá-la, mas nenhuma veio. Tossiu: hum, hum, hum! Mesmo assim não veio uma sequer. O boneco fumante dançava sozinho, e até que não dançava mal!

Como nenhuma das flores parecia ver Sophie, ela se deixou cair da gaveta direto no chão, fazendo um grande alvoroço. Todas as flores correram para junto dela e perguntaram se não tinha se machucado. Foram tão gentis, sobretudo as que tinham ficado na sua cama! Mas ela não tinha se machucado nada. Todas as flores de Ida lhe agradeceram pela bela cama e gostavam tanto dela que a levaram para o meio do chão, onde a lua brilhava, e dançaram com ela, enquanto todas as outras flores formavam uma roda em volta. Agora Sophie estava satisfeita! E disse que podiam ficar com sua cama; ela não se importava nem um pouco de dormir na gaveta.

Mas as flores disseram: — Muito obrigada, mas não podemos viver tanto tempo! Amanhã estaremos completamente mortas. Diga, porém, à pequena Ida que deve nos enterrar lá no jardim, onde está o canário. Assim cresceremos de novo no verão e ficaremos muito mais bonitas!

— Não, vocês não podem morrer! — disse Sophie, e beijou as flores. Nesse instante, a porta do salão se abriu, e uma multidão de belas flores entrou dançando. Ida não conseguia entender de onde tinham vindo: certamente eram todas as flores do palácio do rei. Bem na frente vinham duas lindas rosas com pequenas coroas de ouro: eram um rei e uma rainha. Depois vieram os mais belos goivos e cravos, cumprimentando para todos os lados. Traziam música consigo: grandes papoulas e peônias sopravam em vagens de ervilha, ficando com o rosto todo vermelho. As campânulas azuis e as pequenas campainhas-de-neve brancas tilintavam como se tivessem guizos. Era uma música divertida. Então vieram muitas outras flores, e todas dançavam: as violetas azuis e as margaridas vermelhas, as margaridinhas e os lírios-do-vale. E todas as flores se beijavam: era lindo de ver!

Por fim, as flores desejaram boa-noite umas às outras. A pequena Ida também voltou de mansinho para a cama, onde sonhou com tudo o que tinha visto.

Quando se levantou na manhã seguinte, foi depressa à mesinha para ver se as flores ainda estavam lá. Afastou a cortina da caminha: sim, lá estavam todas, mas completamente murchas, muito mais do que no dia anterior. Sophie estava deitada na gaveta onde Ida a deixara, com uma cara muito sonolenta.

— Você se lembra do que devia me dizer? — perguntou a pequena Ida. Mas Sophie ficou com uma cara muito tola e não disse uma só palavra.

— Você não é nada boa — disse Ida. — E olhe que todas elas dançaram com você! — Então pegou uma caixinha de papel com lindos pássaros desenhados, abriu-a e pôs dentro as flores mortas. — Este vai ser o lindo caixão de vocês — disse. — E, quando meus primos noruegueses vierem aqui, vão ajudar a enterrá-las no jardim, para que possam crescer no verão e ficar ainda muito mais bonitas!

Os primos noruegueses eram dois meninos animados, chamados Jonas e Adolph. O pai lhes tinha dado dois arcos novos, e eles os tinham trazido para mostrar a Ida. Ela lhes contou sobre as pobres flores que tinham morrido, e eles receberam permissão para enterrá-las. Os dois meninos foram na frente, com os arcos aos ombros, e a pequena Ida atrás, levando as flores mortas na linda caixinha. No jardim, cavaram uma pequena sepultura. Primeiro Ida beijou as flores e depois as pôs na terra com a caixa. Adolph e Jonas atiraram com seus arcos por cima da sepultura, pois não tinham espingardas nem canhões.


Sobre esta edição

Obra
Den lille Idas Blomster
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
29/10/2026
Edições e fontes

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Den lille Idas Blomster

Eventyr, fortalte for Børn · 1835 · Dinamarquês · Primeiro Hefte
Volume Første Hefte. Página 45–61. Consultar esta edição ↗
Ler o original em dinamarquês

Fonte deste texto ↗

»Mine stakkels Blomster ere ganske døde!« sagde den lille Ida. »De vare saa smukke iaftes, og nu hænge alle Bladene visne! Hvorfor gjøre de det?« spurgte hun Studenten, der sad i Sophaen; for ham holdt hun saa meget af, han kunde de allerdeiligste Historier og klippede saadanne morsomme Billeder: Hjerter med smaa Madammer i, der dandsede; Blomster og store Slotte, hvor Dørene kunde lukkes op; det var en lystig Student! »Hvorfor see Blomsterne saa daarlige ud i Dag?« spurgte hun igjen, og viste ham en heel Bouquet, der var ganske vissen.

»Ja veed Du, hvad de feile!« sagde Studenten. »Blomsterne have været paa Bal i Nat, og derfor hænge de med Hovedet!«

»Men Blomsterne kunne jo ikke dandse!« sagde den lille Ida.

»Jo,« sagde Studenten, »naar det bliver mørkt og vi andre sove, saa springe de lystigt omkring; næsten hver evige Nat har de Bal!«

»Kan der ingen Børn komme med paa det Bal?«

»Jo,« sagde Studenten, »smaabitte Gaaseurter og Lillieconvaller!«

»Hvor dandse de pæneste Blomster,« spurgte lille Ida.

»Har Du ikke tidt været ude af Porten ved det store Slot, hvor Kongen boer om Sommeren, hvor den deilige Have er med de mange Blomster? Du har jo seet Svanerne, der svømme hen til dig, naar Du vil give dem Brødkrummer. Derude er rigtigt Bal, kan Du troe!«

»Jeg var der ude i Haven igaar med min Moder!« sagde Ida, »men alle Bladene vare af Træerne, og der var slet ingen Blomster meer! hvor ere de? I Sommer saae jeg saa mange!«

»De ere inde paa Slottet!« sagde Studenten. »Du maa vide, at ligesaa snart Kongen og alle Hoffolkene flytte herind til Byen, saa løbe Blomsterne strax fra Haven op paa Slottet og ere lystige. Det skulde Du see! De to allersmukkeste Roser sætte sig paa Thronen, og saa ere de Konge og Dronning. Alle de røde Hanekamme stille sig op ved Siden, og staae og bukke, de ere Kammerjunkere. — Saa komme alle de nydeligste Blomster, og saa er der stort Bal, de blaa Violer forestille smaa Søcadetter, de dandse med Hyazinter og Crocus, som de kalde Frøkener! Tulipanerne og de store gule Lillier, det er gamle Fruer, de passe paa, at der bliver dandset net, og at det gaaer pænt til!«

»Men,« spurgte lille Ida, »er der ingen, som gjør Blomsterne noget, fordi de dandse paa Kongens Slot?«

»Der er Ingen, som rigtigt veed af det!« sagde Studenten. »Sommetider, om Natten, kommer rigtignok den gamle Slotsforvalter, der skal passe paa derude, han har et stort Knippe Nøgler med sig, men saasnart Blomsterne høre Nøglerne rasle, saa blive de ganske stille, skjule sig bag ved de lange Gardiner og stikke Hovedet frem. “Jeg kan lugte, her ere nogle Blomster inde,” siger den gamle Slotsforvalter, men han kan ikke see dem.

»Det er morsomt!« sagde den lille Ida og klappede i Hænderne. »Men kunde jeg heller ikke see Blomsterne?«

»Jo,« sagde Studenten, »husk bare paa, naar du kommer der ud igjen, at kige ind af Vinduet, saa seer Du dem nok. Det gjorde jeg i Dag, der laae en lang guul Paaskelillie i Sophaen og strakte sig, det var en Hofdame!«

»Kan ogsaa Blomsterne i den botaniske Have komme der ud? Kan de komme den lange Vei?«

»Ja, det kan Du troe!« sagde Studenten, »for naar de ville, saa kunne de flyve. Har Du ikke nok seet de smukke Sommerfugle, de røde, gule og hvide, de see næsten ud som Blomster, det have de ogsaa været, de ere sprungne af Stilken høit op i Luften, og har da slaaet med Bladene, ligesom de vare smaa Vinger, og saa fløi de; og da de førte sig saa godt op, fik de Lov at flyve om ogsaa ved Dagen, skulde ikke hjem igjen, og sidde stille paa Stilken, og saa blev Bladene tilsidst til virkelige Vinger. Det har Du jo selv seet! Det kan ellers gjerne være, at Blomsterne inde i den botaniske Have aldrig have været ude paa Kongens Slot, eller veed, at der er saa lystigt der om Natten. Nu skal jeg derfor sige dig noget! saa vil han blive saa forbavset, den botaniske Professor, der boer ved Siden af, Du kjender ham jo nok? Naar Du kommer ind i hans Have, skal Du fortælle een af Blomsterne, at der er stort Bal ude paa Slottet, saa siger den det igjen til alle de andre, og saa flyve de afsted; kommer da Professoren ud i Haven, saa er der ikke en eneste Blomst, og han kan slet ikke forstaae, hvor de ere henne.«

»Men hvor kan Blomsten fortælle det til de andre? Blomsterne kunne jo ikke tale!«

»Nei, det kunne de rigtignok ikke!« svarede Studenten; »men saa gjøre de Pantomime! Har Du ikke nok seet, at naar det blæser lidt, saa nikke Blomsterne, og bevæge alle de grønne Blade, det er ligesaa tydeligt, som om de talte!«

»Kan Professoren da forstaae Pantomime?« spurgte Ida.

»Ja, det kan Du troe! Han kom en Morgen ned i sin Have og saae en stor Brændenelde staae at gjøre Pantomime med Bladene til en deilig rød Nellike; den sagde, du er saa nydelig og jeg holder saa meget af dig! men saadan noget kan Professoren nu slet ikke lide, og slog strax Brændenelden over Bladene, for de ere dens Fingre, men saa brændte han sig, og fra den Tid tør han aldrig røre ved en Brændenelde.«

»Det var morsomt!« sagde den lille Ida og loe.

»Er det at bilde Barnet saadan noget ind!« sagde den kjedelige Cancellieraad, der var kommen i Visit og sad i Sophaen; han kunde slet ikke lide Studenten og gnavede alletider, naar han saae ham klippe de løierlige, morsomme Billeder: snart en Mand, der hang i en Galge og holdt et Hjerte i Haanden, for han var en Hjertetyv, snart en gammel Hex, der red paa en Kost og havde sin Mand paa Næsen; det kunde Cancellieraaden ikke lide, og saa sagde han, ligesom nu, »er det noget, at bilde Barnet ind! det er den dumme Phantasie!«

Men den lille Ida syntes dog, det var saa morsomt, hvad Studenten fortalte om hendes Blomster, og hun tænkte saa meget derpaa. Blomsterne hang med Hovedet, fordi de vare trætte af at dandse hele Natten, de vare bestemt syge. Saa gik hun med dem hen til sit andet Legetøi, der stod paa et pænt lille Bord, og hele Skuffen var fuld af Stads. I Dukkesengen laae hendes Dukke, Sophie, og sov, men den lille Ida sagde til hende: »Du maa virkelig staae op, Sophie, og tage til Takke med at ligge i Skuffen i Nat, de stakkels Blomster ere syge, og saa maa de ligge i din Seng, maaskee de da blive raske!« og saa tog hun Dukken op, men den saae saa tvær ud og sagde ikke et eneste Ord, for den var vred, fordi den ikke maatte beholde sin Seng.

Saa lagde Ida Blomsterne i Dukkesengen, trak det lille Teppe heelt op om dem og sagde, nu skulde de ligge smukt stille, saa vilde hun koge Theevand til dem, at de kunde blive raske og komme op imorgen, og hun trak Gardinerne tæt om den lille Seng, for at Solen ikke skulde skinne dem ind i Øinene.

Hele Aftenen igjennem kunde hun ikke lade være at tænke paa, hvad Studenten havde fortalt hende, og da hun nu selv skulde i Seng, maatte hun først hen bag Gardinerne, der hang ned for Vinduerne, hvor hendes Moders deilige Blomster stod, baade Hyacinther og Tulipaner, og saa hvidskede hun ganske sagte: Jeg veed nok, I skal paa Bal i Nat! men Blomsterne lod, som om de ingenting forstod og rørte ikke et Blad, men lille Ida vidste nok, hvad hun vidste.

Da hun var kommet i Seng, laae hun længe og tænkte paa, hvor nydeligt det kunde være at see de deilige Blomster dandse derude paa Kongens Slot. »Mon mine Blomster virkelig have været med?« Men saa faldt hun i Søvn. Ud paa Natten vaagnede hun igjen, hun havde drømt om Blomsterne og Studenten, som Cancellieraaden skjændte paa og sagde vilde bilde hende noget ind. Der var ganske stille i Sovekammeret, hvor Ida laae; Natlampen brændte henne paa Bordet, og hendes Fader og Moder sov.

»Mon mine Blomster nu ligge i Sophies Seng?« sagde hun ved sig selv, »hvor jeg dog gjerne vilde vide det!« Hun reiste sig lidt og saae hen til Døren, der stod halv paa Klem, derinde laae Blomsterne og alt hendes Legetøi. Hun lyttede efter, og da var det ligesom om hun hørte, at der blev spillet paa Claveer inde i Stuen, men ganske sagte, og saa nydeligt, som hun aldrig før havde hørt det.

»Nu dandse vist alle Blomsterne derinde!« sagde hun, »o Gud, hvor jeg dog gjerne vilde see det!« men hun turde ikke staae op, for saa vækkede hun sin Fader og Moder. »Bare de dog vilde komme herind,« sagde hun; men Blomsterne kom ikke og Musiken vedblev at spille saa nydeligt, da kunde hun slet ikke lade være, for det var altfor deiligt, hun krøb ud af sin lille Seng og gik ganske sagte hen til Døren og kigede ind i Stuen. Nei, hvor det var morsomt, hvad hun fik at see!

Der var slet ingen Natlampe derinde, men alligevel ganske lyst, Maanen skinnede gjennem Vinduet midt ind paa Gulvet! det var næsten ligesom det kunde være Dag. Alle Hyacintherne og Tulipanerne stode i to lange Rækker paa Gulvet, der vare slet ingen flere i Vinduet, der stode tomme Potter, nede paa Gulvet dandsede alle Blomsterne saa nydeligt rundt om hinanden, gjorde ordentlig Kjæde og holdt hverandre i de lange grønne Blade, naar de svingede rundt. Men henne ved Claveret sad en stor guul Lillie, som lille Ida bestemt havde seet i Sommer, for hun huskede godt, Studenten havde sagt: »nei, hvor den ligner Frøken Line!« men da loe de Allesammen af ham; men nu syntes virkelig Ida ogsaa, at den lange gule Blomst lignede Frøkenen, og den bar sig ogsaa ligesaadan ad med at spille, snart lagde den sit aflange gule Ansigt paa den ene Side, snart paa den anden, og nikkede Takten til den deilige Musik! Slet ingen mærkede den lille Ida. Nu saae hun en stor blaa Crocus hoppe midt op paa Bordet, hvor Legetøiet stod, gaae lige hen til Dukkesengen og trække Gardinerne til Side, der laae de syge Blomster, men de reiste sig strax op og nikkede ned til de andre at de ogsaa vilde med at dandse. Den gamle Røgmand, som Underlæben var brækket af, stod op og bukkede for de pæne Blomster, de saae slet ikke syge ud, de hoppede ned mellem de andre og vare saa fornøiede.

Det var ligesom om noget faldt ned af Bordet, Ida saae derhen, det var Fastelavns-Riset, der sprang ned, det syntes ogsaa, at det hørte med til Blomsterne. Det var ogsaa meget nydeligt, og oveni sad en lille Voxdukke, der havde just saadan en bred Hat paa Hovedet, som den Cancellieraaden gik med. Fastelavns-Riset hoppede paa sine tre røde Træbeen midt ind imellem Blomsterne, og trampede ganske stærkt, for det dandsede Masurka, og den Dands kunde de andre Blomster ikke, fordi de vare saa lette og kunde ikke trampe.

Voxdukken paa Fastelavnsriset blev lige med eet stor og lang, snurrede sig rundt ovenover Papirsblomsterne og raabte ganske høit: »Er det at bilde Barnet saadan noget ind! det er den dumme Phantasie!« og saa lignede Voxdukken ganske accurat Cancellieraaden med den brede Hat, saae ligesaa guul og gnaven ud, men Papirsblomsterne slog ham om de tynde Been, og saa krøb han sammen igjen og blev en lille bitte Voxdukke. Det var saa morsomt at see! den lille Ida kunde ikke lade være at lee. Fastelavnsriset blev ved at dandse, og Cancellieraaden maatte dandse med, det hjalp ikke, enten han gjorde sig stor og lang eller blev den lille gule Voxdukke med den store, sorte Hat. Da bad de andre Blomster for ham, især de, der havde ligget i Dukkesengen, og saa lod Fastelavnsriset være. I det samme bankede det ganske stærkt inde i Skuffen, hvor Idas Dukke, Sophie, laae ved saa meget andet Legetøi; Røgmanden løb hen til Kanten af Bordet, lagde sig langs ud paa sin Mave og fik Skuffen en lille Smule trukket ud. Der reiste Sophie sig op, og saae ganske forundret rundtomkring. »Her er nok Bal!« sagde hun; »hvorfor er der ingen, der har sagt mig det!«

»Vil Du dandse med mig?« sagde Røgmanden.

»Jo, Du er en pæn En at dandse med!« sagde hun og vendte ham Ryggen. Saa satte hun sig paa Skuffen og tænkte, at nok en af Blomsterne vilde komme at engagere hende, men der kom ingen, saa hostede hun, hm, hm, hm! men alligevel kom der ikke Een. Røgmanden dandsede saa ganske alene, og det var ikke saa daarligt!

Da nu ingen af Blomsterne syntes at see Sophie, lod hun sig dumpe fra Skuffen lige ned paa Gulvet, saa det gav en stor Alarm; alle Blomsterne kom ogsaa løbende hen rundt omkring hende og spurgte, om hun ikke havde slaaet sig, og de vare alle saa nydelige imod hende, især Blomsterne, der havde ligget i hendes Seng; men hun havde slet ikke slaaet sig, og alle Idas Blomster sagde Tak for den deilige Seng og holdt saa meget af hende, tog hende midt hen paa Gulvet hvor Maanen skinnede, dandsede med hende, og alle de andre Blomster gjorde en Kreds udenom; nu var Sophie fornøiet! og hun sagde, de maatte gjerne beholde hendes Seng, hun brød sig slet ikke om at ligge i Skuffen.

Men Blomsterne sagde: »Du skal have saa mange Tak, men vi kan ikke leve saa længe! imorgen ere vi ganske døde; men siig til den lille Ida, at hun skal begrave os ude i Haven, hvor Kanarifuglen ligger, saa voxe vi op igjen til Sommer og blive meget smukkere!«

»Nei, I maae ikke døe!« sagde Sophie, og saa kyssede hun Blomsterne; i det samme gik Salsdøren op, og en heel Mængde deilige Blomster kom dandsende ind, Ida kunde slet ikke begribe, hvor de vare komne fra, det var bestemt alle Blomsterne ude fra Kongens Slot. Allerforrest gik to deilige Roser, og de havde smaa Guldkroner paa, det var en Konge og en Dronning, saa kom de nydeligste Levkøier og Nelliker og de hilste til alle Sider. De havde Musik med, store Valmuer og Pioner blæste i Ærtebælge saa de vare ganske røde i Hovedet. De blaa Klokker og de smaa hvide Sommergjække klingede, ligesom de havde Bjelder paa. Det var en morsom Musik. Saa kom der saa mange andre Blomster, og de dandsede allesammen, de blaa Violer og de røde Bellis, Gaaseurterne og Lillieconvallerne. Og alle Blomsterne kyssede hinanden, det var nydeligt at see!

Tilsidst sagde Blomsterne hinanden god Nat, saa listede ogsaa den lille Ida sig hen i Sengen, hvor hun drømte om alt, hvad hun havde seet.

Da hun næste Morgen kom op, gik hun gesvindt hen til det lille Bord, for at see om Blomsterne vare der endnu, hun trak Gardinet til Side fra den lille Seng, ja, der laae de allesammen, men de vare ganske visne, meget meer end igaar. Sophie laae i Skuffen, hvor hun havde lagt hende, hun saae meget søvnig ud.

»Kan Du huske, hvad Du skulde sige til mig,« sagde den lille Ida, men Sophie saae ganske dum ud og sagde ikke et eneste Ord.

»Du er slet ikke god,« sagde Ida, »og de dandsede dog allesammen med Dig.« Saa tog hun en lille Papirsæske, der var tegnet nydelige Fugle paa, den lukkede hun op og lagde de døde Blomster i den. »Det skal være Eders nydelige Liigkiste,« sagde hun, »og naar siden de norske Fættere komme herhen, saa skal de være med at begrave Eder ude i Haven, at I til Sommer kan voxe op og blive endnu meget smukkere!«

De norske Fættere vare to raske Drenge, de hed Jonas og Adolph; deres Fader havde foræret dem to nye Flitsbuer, og disse havde de med at vise Ida. Hun fortalte dem om de stakkels Blomster, der vare døde, og saa fik de Lov at begrave dem. Begge Drengene gik foran med Flitsbuerne paa Skuldren, og den lille Ida bagefter med de døde Blomster i den nydelige Æske; ude i Haven blev gravet en lille Grav; Ida kyssede først Blomsterne, satte dem saa med Æsken ned i Jorden, og Adolph og Jonas skjød med Flitsbuer over Graven, for de havde ingen Geværer eller Kanoner.

As flores da pequena Ida

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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