AM 016

As Três Tias

Jørgen Engebretsen Moe

De tre Mostre.

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Era uma vez um homem pobre que morava numa casinha muito longe, no meio da floresta, e ganhava a vida caçando. Ele tinha uma única filha, que era extraordinariamente bonita. Como a mãe morrera cedo e a menina já estava crescidinha, ela disse que queria ir trabalhar em casa de outras pessoas, para também aprender a ganhar seu pão.

— Sim, minha filha — disse o pai —, é verdade que comigo você não aprendeu nada além de depenar aves e assá-las, mas terá de tentar trabalhar pelo seu pão mesmo assim.

Então a menina saiu à procura de emprego. Depois de caminhar por algum tempo, chegou ao palácio do rei. Ficou por lá, e a rainha gostou tanto dela que as outras criadas ficaram cheias de inveja. Por isso, inventaram de dizer à rainha que a menina se gabara de poder fiar uma libra de linho em vinte e quatro horas, pois a rainha gostava muitíssimo de trabalhos manuais de toda espécie.

— Pois bem, se você disse isso, terá de fazê-lo — disse-lhe a rainha. — Mas posso lhe dar um pouco mais de tempo.

A pobre menina não teve coragem de dizer que nunca havia fiado; pediu apenas um quarto só para ela. Deram-lhe o quarto e levaram para lá uma roda de fiar e o linho. Ali ficou ela, chorando e aflita, sem saber o que fazer. Mexia na roda de fiar, girava-a de um lado para o outro, sem saber como se arranjar: nunca tinha visto sequer uma roda de fiar.

Enquanto estava assim sentada, entrou uma velha.

— O que você tem, minha filha? — perguntou ela.

— Ah! — respondeu a menina. — Não adianta lhe contar; a senhora não poderá me ajudar mesmo!

— Isso ninguém pode saber — disse a velha. — Pode ser que eu saiba dar um jeito, apesar de tudo.

“Bem, posso lhe contar”, pensou a menina. E contou que suas companheiras de serviço haviam espalhado que ela se gabara de poder fiar uma libra de linho em vinte e quatro horas.

— E eu, pobre de mim — disse ela —, nunca na vida vi uma roda de fiar, quanto mais poderia fiar tanto em um dia e uma noite!

— Pois dá no mesmo, minha filha — disse a velha. — Se você me chamar de tia no seu dia de festa, eu fiarei por você, e você poderá ir se deitar e dormir.

A menina aceitou de muito bom grado e foi se deitar.

De manhã, quando acordou, todo o linho estava fiado sobre a mesa, tão bonito e fino que ninguém jamais vira um fio tão uniforme e belo. A rainha ficou muito contente com o belo fio que recebera e gostou ainda mais da menina. Mas as outras ficaram com ainda mais inveja e inventaram de dizer à rainha que agora ela se gabara de poder tecer em vinte e quatro horas o fio que havia fiado. A rainha repetiu que, se ela dissera isso, teria de fazê-lo; mas, se não fossem exatamente vinte e quatro horas, poderia lhe dar um prazo um pouco maior. A menina também dessa vez não teve coragem de dizer não. Pediu um quarto só para ela, para então tentar.

Ali ficou novamente, chorando e se lamentando, sem saber o que fazer. Então entrou outra velha e perguntou:

— O que você tem, minha filha?

A menina a princípio não quis contar, mas acabou dizendo por que estava tão triste.

— Pois bem — respondeu a velha —, dá no mesmo: se você me chamar de tia no seu dia de festa, eu tecerei por você, e você poderá ir se deitar e dormir.

A menina aceitou de muito bom grado e foi se deitar. Quando acordou, a peça estava sobre a mesa, tecida tão primorosamente e tão cerrada quanto se podia tecer. Ela pegou a peça e a levou à rainha, que ficou muito contente com o belo tecido que recebera e gostou ainda mais da menina. Mas as outras ficaram ainda mais irritadas com ela e não pensavam em outra coisa senão na mentira que agora poderiam inventar a seu respeito.

Por fim, disseram à rainha que agora ela se gabara de poder transformar aquela peça de tecido em camisas, costurando-as em vinte e quatro horas. Tudo aconteceu como antes: a menina não teve coragem de dizer que não sabia costurar. Foi novamente para um quarto só para ela e ali ficou, chorando e aflita. Então veio outra velha, que prometeu costurar por ela se a menina a chamasse de tia no seu dia de festa. A menina prometeu com o maior prazer; depois fez o que a velha mandara e foi se deitar e dormir.

De manhã, ao acordar, encontrou sobre a mesa a peça transformada em camisas costuradas. Ninguém jamais vira costura tão bonita; as camisas tinham suas costuras de união e estavam inteiramente prontas. Quando a rainha viu aquele trabalho, ficou tão contente que bateu palmas.

— Pois nunca tive nem vi costura tão bela — disse ela.

Desde então, estimou a menina como se fosse sua própria filha.

— Se você quiser ficar com o príncipe, ficará com ele — disse à menina —, pois nunca precisará contratar alguém para fazer qualquer trabalho. Você mesma sabe costurar, fiar e tecer tudo.

Como a menina era bonita e o príncipe gostava dela, houve casamento imediatamente. Mas, mal o príncipe se sentara com ela à mesa do banquete de núpcias, entrou uma velha feia, com um nariz comprido: devia ter três côvados de comprimento.

A noiva se levantou, fez uma mesura com a cabeça e disse:

— Bom dia, tia!

— Esta é tia da minha noiva? — perguntou o príncipe.

Sim, era.

— Bem, então ela terá de se sentar à mesa — disse o príncipe.

Mas tanto ele quanto os outros achavam horrível tê-la à mesa.

Nisso entrou outra velha feia. Tinha um traseiro tão grosso e largo que mal conseguia passar pela porta. A noiva imediatamente se levantou e a cumprimentou:

— Bom dia, tia!

O príncipe tornou a perguntar se era tia de sua noiva. As duas responderam que sim, e o príncipe disse que, sendo assim, ela também teria de se sentar à mesa.

Mas, assim que ela se sentou, veio ainda outra velha feia, com olhos grandes como pratos, tão vermelhos e lacrimejantes que era horrível vê-los. A noiva se levantou outra vez e a cumprimentou:

— Bom dia, tia!

O príncipe também a convidou a se sentar à mesa, mas não estava nada contente, e ele pensou consigo mesmo: “Deus me ajude com as tias que minha noiva tem!”

Depois de ficar sentado por algum tempo, ele não conseguiu se conter e perguntou:

— Mas como é possível, neste mundo, que minha noiva, que é tão bonita, tenha tias tão horríveis e disformes?

— Isso eu lhe direi — disse uma delas. — Eu era tão bonita quanto sua noiva quando tinha a idade dela. Mas ganhei este nariz comprido porque vivia sempre sentada, sacudindo e meneando a cabeça ao fiar; assim meu nariz foi se esticando até ficar tão comprido como você agora o vê.

— E eu — disse a segunda —, desde jovem fiquei sentada, empurrando para a frente e para trás no tear, e por isso meu traseiro ficou tão grande e inchado como você agora o vê.

Então disse a terceira:

— Desde muito pequenininha fiquei sentada, forçando a vista e costurando, noite e dia. Por isso meus olhos ficaram tão horríveis e vermelhos, e agora não há mais remédio para eles.

— Ah, é assim! — disse o príncipe. — Foi bom eu saber disso, pois, se as pessoas podem ficar tão feias e horríveis com essas coisas, minha noiva nunca mais há de fiar, tecer ou costurar enquanto viver!


Sobre esta edição

Obra
De tre Mostre.
Autoria original
Jørgen Engebretsen Moe
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.1
Tradução
Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
04/11/2026
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As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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