AM 016
As Três Tias
De tre Mostre.
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Texto do conto
Era uma vez um homem pobre que morava numa casinha muito longe, no meio da floresta, e ganhava a vida caçando. Ele tinha uma única filha, que era extraordinariamente bonita. Como a mãe morrera cedo e a menina já estava crescidinha, ela disse que queria ir trabalhar em casa de outras pessoas, para também aprender a ganhar seu pão.
— Sim, minha filha — disse o pai —, é verdade que comigo você não aprendeu nada além de depenar aves e assá-las, mas terá de tentar trabalhar pelo seu pão mesmo assim.
Então a menina saiu à procura de emprego. Depois de caminhar por algum tempo, chegou ao palácio do rei. Ficou por lá, e a rainha gostou tanto dela que as outras criadas ficaram cheias de inveja. Por isso, inventaram de dizer à rainha que a menina se gabara de poder fiar uma libra de linho em vinte e quatro horas, pois a rainha gostava muitíssimo de trabalhos manuais de toda espécie.
— Pois bem, se você disse isso, terá de fazê-lo — disse-lhe a rainha. — Mas posso lhe dar um pouco mais de tempo.
A pobre menina não teve coragem de dizer que nunca havia fiado; pediu apenas um quarto só para ela. Deram-lhe o quarto e levaram para lá uma roda de fiar e o linho. Ali ficou ela, chorando e aflita, sem saber o que fazer. Mexia na roda de fiar, girava-a de um lado para o outro, sem saber como se arranjar: nunca tinha visto sequer uma roda de fiar.
Enquanto estava assim sentada, entrou uma velha.
— O que você tem, minha filha? — perguntou ela.
— Ah! — respondeu a menina. — Não adianta lhe contar; a senhora não poderá me ajudar mesmo!
— Isso ninguém pode saber — disse a velha. — Pode ser que eu saiba dar um jeito, apesar de tudo.
“Bem, posso lhe contar”, pensou a menina. E contou que suas companheiras de serviço haviam espalhado que ela se gabara de poder fiar uma libra de linho em vinte e quatro horas.
— E eu, pobre de mim — disse ela —, nunca na vida vi uma roda de fiar, quanto mais poderia fiar tanto em um dia e uma noite!
— Pois dá no mesmo, minha filha — disse a velha. — Se você me chamar de tia no seu dia de festa, eu fiarei por você, e você poderá ir se deitar e dormir.
A menina aceitou de muito bom grado e foi se deitar.
De manhã, quando acordou, todo o linho estava fiado sobre a mesa, tão bonito e fino que ninguém jamais vira um fio tão uniforme e belo. A rainha ficou muito contente com o belo fio que recebera e gostou ainda mais da menina. Mas as outras ficaram com ainda mais inveja e inventaram de dizer à rainha que agora ela se gabara de poder tecer em vinte e quatro horas o fio que havia fiado. A rainha repetiu que, se ela dissera isso, teria de fazê-lo; mas, se não fossem exatamente vinte e quatro horas, poderia lhe dar um prazo um pouco maior. A menina também dessa vez não teve coragem de dizer não. Pediu um quarto só para ela, para então tentar.
Ali ficou novamente, chorando e se lamentando, sem saber o que fazer. Então entrou outra velha e perguntou:
— O que você tem, minha filha?
A menina a princípio não quis contar, mas acabou dizendo por que estava tão triste.
— Pois bem — respondeu a velha —, dá no mesmo: se você me chamar de tia no seu dia de festa, eu tecerei por você, e você poderá ir se deitar e dormir.
A menina aceitou de muito bom grado e foi se deitar. Quando acordou, a peça estava sobre a mesa, tecida tão primorosamente e tão cerrada quanto se podia tecer. Ela pegou a peça e a levou à rainha, que ficou muito contente com o belo tecido que recebera e gostou ainda mais da menina. Mas as outras ficaram ainda mais irritadas com ela e não pensavam em outra coisa senão na mentira que agora poderiam inventar a seu respeito.
Por fim, disseram à rainha que agora ela se gabara de poder transformar aquela peça de tecido em camisas, costurando-as em vinte e quatro horas. Tudo aconteceu como antes: a menina não teve coragem de dizer que não sabia costurar. Foi novamente para um quarto só para ela e ali ficou, chorando e aflita. Então veio outra velha, que prometeu costurar por ela se a menina a chamasse de tia no seu dia de festa. A menina prometeu com o maior prazer; depois fez o que a velha mandara e foi se deitar e dormir.
De manhã, ao acordar, encontrou sobre a mesa a peça transformada em camisas costuradas. Ninguém jamais vira costura tão bonita; as camisas tinham suas costuras de união e estavam inteiramente prontas. Quando a rainha viu aquele trabalho, ficou tão contente que bateu palmas.
— Pois nunca tive nem vi costura tão bela — disse ela.
Desde então, estimou a menina como se fosse sua própria filha.
— Se você quiser ficar com o príncipe, ficará com ele — disse à menina —, pois nunca precisará contratar alguém para fazer qualquer trabalho. Você mesma sabe costurar, fiar e tecer tudo.
Como a menina era bonita e o príncipe gostava dela, houve casamento imediatamente. Mas, mal o príncipe se sentara com ela à mesa do banquete de núpcias, entrou uma velha feia, com um nariz comprido: devia ter três côvados de comprimento.
A noiva se levantou, fez uma mesura com a cabeça e disse:
— Bom dia, tia!
— Esta é tia da minha noiva? — perguntou o príncipe.
Sim, era.
— Bem, então ela terá de se sentar à mesa — disse o príncipe.
Mas tanto ele quanto os outros achavam horrível tê-la à mesa.
Nisso entrou outra velha feia. Tinha um traseiro tão grosso e largo que mal conseguia passar pela porta. A noiva imediatamente se levantou e a cumprimentou:
— Bom dia, tia!
O príncipe tornou a perguntar se era tia de sua noiva. As duas responderam que sim, e o príncipe disse que, sendo assim, ela também teria de se sentar à mesa.
Mas, assim que ela se sentou, veio ainda outra velha feia, com olhos grandes como pratos, tão vermelhos e lacrimejantes que era horrível vê-los. A noiva se levantou outra vez e a cumprimentou:
— Bom dia, tia!
O príncipe também a convidou a se sentar à mesa, mas não estava nada contente, e ele pensou consigo mesmo: “Deus me ajude com as tias que minha noiva tem!”
Depois de ficar sentado por algum tempo, ele não conseguiu se conter e perguntou:
— Mas como é possível, neste mundo, que minha noiva, que é tão bonita, tenha tias tão horríveis e disformes?
— Isso eu lhe direi — disse uma delas. — Eu era tão bonita quanto sua noiva quando tinha a idade dela. Mas ganhei este nariz comprido porque vivia sempre sentada, sacudindo e meneando a cabeça ao fiar; assim meu nariz foi se esticando até ficar tão comprido como você agora o vê.
— E eu — disse a segunda —, desde jovem fiquei sentada, empurrando para a frente e para trás no tear, e por isso meu traseiro ficou tão grande e inchado como você agora o vê.
Então disse a terceira:
— Desde muito pequenininha fiquei sentada, forçando a vista e costurando, noite e dia. Por isso meus olhos ficaram tão horríveis e vermelhos, e agora não há mais remédio para eles.
— Ah, é assim! — disse o príncipe. — Foi bom eu saber disso, pois, se as pessoas podem ficar tão feias e horríveis com essas coisas, minha noiva nunca mais há de fiar, tecer ou costurar enquanto viver!
Sobre esta edição
- Obra
- De tre Mostre.
- Autoria original
- Jørgen Engebretsen Moe
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.1
- Tradução
- Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 04/11/2026
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