JJ 021

Childe Rowland

Joseph Jacobs

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Childe Rowland e seus dois irmãos
Estavam jogando bola,
E lá estava sua irmã Burd Ellen
No meio de todos eles.

Childe Rowland a chutou com o pé
E a apanhou com o joelho;
Por fim, ao se lançar entre todos eles,
Fez a bola voar por cima da igreja.

Burd Ellen deu a volta pela nave
E foi procurar a bola,
Mas muito esperaram, e ainda mais,
E ela não voltou outra vez.

Procuraram-na a leste, procuraram-na a oeste,
Procuraram-na por toda parte,
E aflitos estavam os corações daqueles irmãos,
Pois ela não podia ser encontrada.

Por fim, seu irmão mais velho foi ao feiticeiro Merlin, contou-lhe todo o caso e perguntou se ele sabia onde estava Burd Ellen. “A bela Burd Ellen”, disse o feiticeiro Merlin, “deve ter sido levada pelas fadas, porque deu a volta na igreja ‘widershins’ — na direção contrária à do sol. Agora está na Torre Escura do Rei de Elfland; seria preciso o mais valente cavaleiro da cristandade para trazê-la de volta.”

“Se é possível trazê-la de volta”, disse seu irmão, “eu o farei, ou morrerei na tentativa.”

“Possível é”, disse o feiticeiro Merlin, “mas ai do homem ou filho de mulher que o tentar, se antes não lhe ensinarem bem o que deve fazer.”

Nenhum medo do perigo faria o irmão mais velho de Burd Ellen desistir de tentar trazê-la de volta; por isso, pediu ao feiticeiro Merlin que lhe dissesse o que devia fazer e o que não devia fazer ao ir buscar sua irmã. E, depois de ter recebido os ensinamentos e repetido sua lição, partiu para Elfland.

Mas muito esperaram, e ainda mais,
Com dúvida e muita dor,
Mas aflitos estavam os corações de seus irmãos,
Pois ele não voltou outra vez.

Então o segundo irmão se cansou e se cansou de esperar, foi ao feiticeiro Merlin e lhe perguntou o mesmo que seu irmão. Assim, partiu para encontrar Burd Ellen.

Mas muito esperaram, e ainda mais,
Com muita dúvida e dor,
E aflito estava o coração de sua mãe e de seu irmão,
Pois ele não voltou outra vez.

E, depois de esperarem e esperarem por muito tempo, Childe Rowland, o mais novo dos irmãos de Burd Ellen, quis ir e procurou sua mãe, a boa rainha, para pedir que o deixasse partir. Mas, a princípio, ela não quis, pois ele era o último e o mais querido de seus filhos, e, se o perdesse, tudo estaria perdido. Mas ele pediu e pediu, até que, por fim, a boa rainha o deixou ir e lhe deu a boa espada de seu pai, que nunca golpeava em vão; e, enquanto a cingia à cintura dele, pronunciou o encantamento que lhe daria a vitória.

Assim, Childe Rowland se despediu da boa rainha, sua mãe, e foi à caverna do feiticeiro Merlin. “Mais uma vez, e só mais uma vez”, disse ao feiticeiro, “diga como um homem ou filho de mulher pode resgatar Burd Ellen e seus dois irmãos.”

“Pois bem, meu filho”, disse o feiticeiro Merlin, “há somente duas coisas: simples podem parecer, mas difíceis são de fazer. Uma coisa a fazer e uma coisa a não fazer. E a coisa a fazer é esta: depois de entrar na terra das fadas, a quem quer que fale com você, até encontrar Burd Ellen, deve sacar a espada de seu pai e cortar-lhe a cabeça. E o que não deve fazer é isto: não coma um bocado nem beba uma gota, por mais fome ou sede que tenha; beba uma gota ou coma um bocado enquanto estiver em Elfland, e nunca mais verá a Terra do Meio.”

Então Childe Rowland repetiu as duas coisas muitas e muitas vezes, até sabê-las de cor, agradeceu ao feiticeiro Merlin e seguiu seu caminho. E andou, e andou, e andou, e andou ainda mais, até chegar ao tratador de cavalos do Rei de Elfland, que alimentava seus cavalos. Reconheceu-os pelos olhos de fogo e soube que, por fim, estava na terra das fadas. “Pode me dizer”, perguntou Childe Rowland ao tratador de cavalos, “onde fica a Torre Escura do Rei de Elfland?” “Não posso lhe dizer”, respondeu o tratador de cavalos, “mas siga mais um pouco e chegará ao vaqueiro, e ele talvez possa lhe dizer.” Então, sem mais uma palavra, Childe Rowland desembainhou a boa espada que nunca golpeava em vão, e lá se foi a cabeça do tratador de cavalos; e Childe Rowland seguiu adiante até chegar ao vaqueiro e lhe fazer a mesma pergunta. “Não posso lhe dizer”, respondeu ele, “mas siga mais um pouco e chegará à tratadora de galinhas, e ela com certeza saberá.” Então Childe Rowland sacou sua boa espada, que nunca golpeava em vão, e lá se foi a cabeça do vaqueiro. E andou mais um pouco, até encontrar uma velha de manto cinzento, e perguntou se ela sabia onde ficava a Torre Escura do Rei de Elfland. “Siga mais um pouco”, disse a tratadora de galinhas, “até chegar a uma colina verde e redonda, cercada de terraços em anéis, da base ao topo; dê três voltas ao redor dela, widershins, e a cada vez diga:

Abra, porta! Abra, porta!
E me deixe entrar.

E, na terceira vez, a porta se abrirá, e você poderá entrar.” E Childe Rowland já ia seguir adiante quando se lembrou do que tinha de fazer; então sacou a boa espada, que nunca golpeava em vão, e lá se foi a cabeça da tratadora de galinhas.

Depois andou, e andou, e andou, até chegar à colina verde e redonda, com os terraços em anéis do topo à base; e deu três voltas ao redor dela, widershins, dizendo a cada vez:

Abra, porta! Abra, porta!
E me deixe entrar.

E, na terceira vez, a porta de fato se abriu, e ele entrou; ela se fechou com um estalido, e Childe Rowland ficou no escuro.

Não era exatamente escuridão, mas uma espécie de crepúsculo ou penumbra. Não havia janelas nem velas, e ele não conseguia perceber de onde vinha aquela luz crepuscular, se não era através das paredes e do teto. Eram arcos rústicos feitos de uma rocha transparente, incrustada de mica e espato de rocha e outras pedras brilhantes. Mas, embora fosse rocha, o ar era bastante quente, como sempre é em Elfland. Assim, seguiu por essa passagem até chegar, por fim, a duas portas de duas folhas, largas e altas, que estavam entreabertas. E, quando as abriu, viu uma cena maravilhosa e gloriosa. Um salão grande e espaçoso, tão grande que parecia ter o mesmo comprimento e a mesma largura da própria colina verde. O teto era sustentado por belas colunas, tão grandes e elevadas que as colunas de uma catedral nada eram em comparação. Eram todas de ouro e prata, com trabalho cinzelado, e entre elas e ao redor delas havia grinaldas de flores, compostas de quê, vocês acham? Ora, de diamantes e esmeraldas e toda espécie de pedras preciosas. E as próprias pedras centrais dos arcos tinham como ornamentos cachos de diamantes, rubis, pérolas e outras pedras preciosas. E todos esses arcos se encontravam no meio do teto, e bem ali, pendurada por uma corrente de ouro, havia uma imensa lâmpada feita de uma única pérola grande, escavada por dentro e inteiramente transparente. E no meio dela havia um enorme, gigantesco carbúnculo, que não parava de girar e girar; e era ele que, com seus raios, iluminava todo o salão, que parecia receber a luz do sol poente.

O salão era mobiliado com igual magnificência, e numa de suas extremidades havia um esplêndido divã de veludo, seda e ouro; e lá estava sentada Burd Ellen, penteando seus cabelos dourados com um pente de prata. E, quando viu Childe Rowland, levantou-se e disse:

“Deus tenha piedade de você, pobre tolo sem sorte,
O que veio fazer aqui?

“Ouça isto, meu irmão mais novo,
Por que não ficou em casa?
Se tivesse cem mil vidas,
Não poderia poupar nem uma.

“Mas sente-se; mas ai, oh, ai,
Que tenha nascido um dia,
Pois, quando entrar o Rei de Elfland,
Sua sorte estará perdida.”

Então se sentaram juntos, e Childe Rowland lhe contou tudo o que havia feito; e ela lhe contou como os dois irmãos tinham chegado à Torre Escura, mas haviam sido encantados pelo Rei de Elfland e lá jaziam sepultados, como se estivessem mortos. E, depois de conversarem mais um pouco, Childe Rowland começou a sentir fome por causa de sua longa viagem, disse à irmã Burd Ellen quanta fome tinha e pediu alguma comida, esquecendo por completo o aviso do feiticeiro Merlin.

Burd Ellen olhou tristemente para Childe Rowland e balançou a cabeça, mas estava sob um encantamento e não podia avisá-lo. Assim, levantou-se, saiu e logo voltou trazendo uma bacia de ouro cheia de pão e leite. Childe Rowland já ia levá-la aos lábios quando olhou para a irmã e se lembrou de por que tinha vindo de tão longe. Então atirou a tigela ao chão e disse: “Não engolirei um gole nem comerei um bocado até que Burd Ellen seja libertada.”

Nesse mesmo instante, ouviram o ruído de alguém que se aproximava, e ouviu-se uma voz forte dizendo:

“Fee, fi, fo, fum,
Sinto o cheiro do sangue de um homem cristão,
Esteja morto ou vivo, com minha espada,
Arrancarei seus miolos da caixa craniana.”

E então as portas de duas folhas do salão se abriram violentamente, e o Rei de Elfland entrou correndo.

“Golpeie, então, espectro, se ousar!”, gritou Childe Rowland, e correu para enfrentá-lo com sua boa espada, que jamais havia falhado. Lutaram, e lutaram, e lutaram, até que Childe Rowland pôs o Rei de Elfland de joelhos e o fez se render e implorar misericórdia. “Eu lhe concedo misericórdia”, disse Childe Rowland; “liberte minha irmã de seus encantamentos, devolva meus irmãos à vida e deixe-nos todos partir em liberdade, e você será poupado.” “Concordo”, disse o rei élfico; e, levantando-se, foi até um baú de onde tirou um frasco cheio de um líquido vermelho como sangue. Com ele, ungiu as orelhas, pálpebras, narinas, lábios e pontas dos dedos dos dois irmãos, e eles imediatamente saltaram de volta à vida e declararam que suas almas tinham estado longe, mas agora haviam retornado. O rei élfico disse então algumas palavras a Burd Ellen, e ela ficou desencantada; e os quatro saíram do salão, atravessaram a longa passagem e deram as costas à Torre Escura para nunca mais voltar. Assim, chegaram à sua casa e à boa rainha, sua mãe; e Burd Ellen nunca mais deu a volta numa igreja widershins.


Sobre esta edição

Obra
Childe Rowland
Autoria original
Joseph Jacobs
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
04/11/2026
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Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

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