AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

EK 33

Holger, o dinamarquês

Hans Christian Andersen

Holger Danske

Sobre este conto

Um velho entalhador conta ao neto a história de Holger Danske, que dorme sob o castelo de Kronborg e se levantará quando a Dinamarca correr verdadeiro perigo. Enquanto prepara uma figura de proa do herói com o brasão dinamarquês, o avô recorda pessoas e acontecimentos associados aos leões e corações do escudo. O menino leva a narrativa para seus pensamentos ao deitar.

Personagens e estrutura
Personagens
Holger Danske, herói adormecido sob Kronborg, O avô entalhador e seu netinho, O anjo de Deus que visita Holger na véspera de Natal, A nora do entalhador e seu marido, filho dele e pai do menino, Knud, Valdemar e Margrethe, lembrados pelos três leões, Eleonora Ulfeldt, filha de Christian IV e prisioneira, Hvitfeldt, que faz explodir a si mesmo e a seu navio, O pastor Hans Egede na Groenlândia, Frederik VI, lembrado pelo avô, O combatente desconhecido que o avô associa a Holger Danske, Holberg, Tyge Brahe e Bertel, citados como outras formas de força
Onde se passa
Kronborg, junto ao Øresund, com navios, gelo de inverno e o porão de Holger; uma sala familiar onde o avô entalha e janta, e a cama do menino. As lembranças evocam Inglaterra, terras dos vendos, prisão, mar, Groenlândia e a sala de uma camponesa.
Acontecimentos
  1. O avô conta que Holger dorme sob Kronborg, vê a Dinamarca em sonhos e recebe de um anjo a confirmação de que ainda pode descansar.
  2. Ao entalhar a figura de proa, o avô relaciona os três leões a Knud, Valdemar e Margrethe; os corações tornam-se chamas em seus pensamentos.
  3. As chamas evocam a prisão de Eleonora, a explosão do navio de Hvitfeldt, Hans Egede na Groenlândia e Frederik VI escrevendo seu nome numa viga.
  4. O avô lembra um homem que lutou ao seu lado no Danmark, na esquadra de Steen Bille, e diz ter pensado que podia ser o próprio Holger.
  5. Uma sombra parece mover-se, talvez pela chama instável da vela. Ao jantar, o avô fala de Holberg, Tyge Brahe e Bertel como outras manifestações de força.
  6. O menino vê Holger em pensamento, ouvindo a conversa e prometendo vir na necessidade. As salvas de saudação dos navios não despertam o herói.
Desfecho
O avô propõe um brinde a Bertel depois de falar de forças que não dependem da espada. Na visão do menino deitado, Holger Danske sonha com a sala do entalhador, ouve a conversa e pede ao povo dinamarquês que se lembre dele: virá na hora da necessidade. Fora de Kronborg há dia claro, trompa de caça e saudações de canhões entre castelo e navios. Holger não desperta com esses cumprimentos; serão necessários outros disparos, mas o narrador afirma que ele despertará, pois tem vigor.

Há na Dinamarca um velho castelo chamado Kronborg. Fica bem junto ao Øresund, por onde passam todos os dias centenas de grandes navios ingleses, russos e prussianos. Eles saúdam o velho castelo com os canhões: “Bum!” E o castelo responde também com seus canhões: “Bum!” É assim que os canhões dizem “Bom dia!” e “Muito obrigado!” No inverno não passam navios: tudo fica coberto de gelo até a terra sueca, como uma grande estrada. Ali tremulam a bandeira dinamarquesa e a sueca, e dinamarqueses e suecos dizem uns aos outros “Bom dia!” e “Muito obrigado!”, mas não com canhões: com um aperto de mão amigável. Uns vão buscar pão de trigo e rosquinhas na terra dos outros, porque a comida de fora tem mais gosto. Mas o esplendor de tudo é mesmo o velho Kronborg. É debaixo dele que Holger Danske está sentado, no porão profundo e escuro onde ninguém entra. Está vestido de ferro e aço e apoia a cabeça nos braços fortes; a longa barba se estende sobre a mesa de mármore, na qual cresceu até ficar presa. Ele dorme e sonha, mas em sonhos vê tudo o que acontece aqui em cima, na Dinamarca. Toda véspera de Natal, um anjo de Deus vem lhe dizer que é verdade o que sonhou e que pode voltar a dormir, pois a Dinamarca ainda não corre um perigo sério. Mas, se um dia correr, o velho Holger Danske se levantará, e a mesa se partirá quando ele puxar a barba para junto de si. Então sairá e dará golpes que serão ouvidos em todos os países do mundo.

Um velho avô estava contando tudo isso sobre Holger Danske ao netinho, e o menino sabia que o que o avô dizia era verdade. Enquanto contava, o velho entalhava uma grande figura de madeira. Ela devia representar Holger Danske e ser posta na proa de um navio, pois o avô era entalhador de figuras: um desses homens que esculpem as figuras de proa dos navios, conforme o nome de cada embarcação. Ali havia entalhado Holger Danske, tão ereto e orgulhoso com a longa barba, segurando numa das mãos a larga espada de combate e apoiando a outra no brasão dinamarquês.

O velho avô contou tantas coisas sobre homens e mulheres notáveis da Dinamarca que, por fim, o netinho achou que já sabia tanto quanto Holger Danske podia saber, pois este apenas sonhava com tudo aquilo. Quando o menino foi para a cama, pensou tanto no assunto que apertou o queixo contra o edredom e imaginou ter uma longa barba que crescera presa nele.

O avô continuou sentado, trabalhando e entalhando a última parte da figura: o brasão dinamarquês. Agora estava pronto. Olhou o conjunto e pensou em tudo o que havia lido e ouvido e no que, naquela noite, contara ao menino. Meneou a cabeça, limpou os óculos, tornou a pô-los e disse: “É, no meu tempo Holger Danske provavelmente não virá. Mas o menino que está na cama talvez venha a vê-lo e participe quando chegar a hora decisiva.” O velho avô meneou a cabeça e, quanto mais olhava seu Holger Danske, mais percebia que fizera uma boa figura. Pareceu-lhe até que ela ganhava cor e que a armadura brilhava como ferro e aço. Os corações do brasão dinamarquês ficavam cada vez mais vermelhos, e os leões saltavam com coroas de ouro na cabeça.

“É o brasão mais belo que alguém possui no mundo!”, disse o velho. “Os leões são a força, e os corações são a brandura e o amor!” Olhou o leão de cima e pensou no rei Knud, que ligara a grande Inglaterra ao trono da Dinamarca. Olhou o segundo leão e pensou em Valdemar, que reunira a Dinamarca e subjugara as terras dos vendos. Olhou o terceiro leão e pensou em Margrethe, que unira a Dinamarca, a Suécia e a Noruega. Mas, quando olhou os corações vermelhos, eles brilharam ainda mais que antes, transformaram-se em chamas que se moviam, e seu pensamento acompanhou cada uma delas.

A primeira chama o levou a uma prisão estreita e escura. Ali estava uma prisioneira, uma bela mulher, filha de Christian IV: Eleonora Ulfeldt. A chama pousou como uma rosa em seu peito e floresceu junto com seu coração, ela, a mais nobre e a melhor de todas as mulheres dinamarquesas.

“Sim, este é um coração no brasão da Dinamarca!”, disse o velho avô.

Seus pensamentos acompanharam a chama, que o levou ao mar, onde os canhões troavam e os navios estavam envoltos em fumaça. A chama se prendeu como uma faixa de condecoração ao peito de Hvitfeldt, no momento em que, para salvar a esquadra, ele fez explodir a si mesmo e a seu navio.

A terceira chama o levou às miseráveis cabanas da Groenlândia, onde o pastor Hans Egede estava com amor em palavras e atos. A chama era uma estrela em seu peito, um coração para o brasão dinamarquês.

Os pensamentos do velho avô se adiantaram à chama flutuante, pois ele sabia aonde ela iria. Na pobre sala de uma camponesa, Frederik VI escrevia seu nome a giz numa viga. A chama tremia em seu peito, tremia em seu coração. Na sala do camponês, seu coração se tornou um coração no brasão da Dinamarca. O velho avô enxugou os olhos, pois conhecera e vivera para o rei Frederik, de cabelos brancos como prata e olhos azuis sinceros. Juntou as mãos e olhou em silêncio para a frente. Então chegou sua nora e disse que era tarde, que devia descansar e que a mesa do jantar estava posta.

“Mas é uma beleza o que o senhor fez, vovô!”, disse ela. “Holger Danske e todo o nosso velho brasão! Parece que já vi esse rosto antes!”

“Não, acho que não viu!”, disse o velho avô. “Mas eu vi, e procurei entalhá-lo na madeira como me lembro dele. Foi quando os ingleses estavam ancorados ao largo, naquele dois de abril dinamarquês, quando mostramos que éramos dinamarqueses dos antigos. A bordo do ‘Danmark’, onde servi na esquadra de Steen Bille, havia um homem ao meu lado. Era como se as balas tivessem medo dele! Cantava alegremente velhas cantigas e atirava e combatia como se fosse mais que um homem. Ainda me lembro de seu rosto, mas não sei de onde veio nem para onde foi; ninguém sabe. Muitas vezes pensei que talvez fosse o próprio velho Holger Danske, que tivesse vindo nadando de Kronborg para nos ajudar na hora do perigo. Era o que eu pensava, e ali está sua figura!”

Ela projetava sua grande sombra bem alto na parede e até por parte do teto. Parecia que o verdadeiro Holger Danske estava ali atrás, pois a sombra se mexia. Mas também podia ser porque a chama da vela não ardia de modo constante. A nora beijou o velho avô e o levou até a grande poltrona diante da mesa. Ela e seu marido, que era o filho do velho avô e pai do menino deitado na cama, sentaram-se e jantaram. O velho avô falou dos leões e dos corações dinamarqueses, da força e da brandura, e explicou muito claramente que existia outra força além daquela que estava na espada. Apontou a prateleira onde havia livros velhos e todas as comédias de Holberg, tantas vezes lidas, pois eram tão divertidas que se tinha a impressão de conhecer todas aquelas personagens dos velhos tempos.

“Vejam, ele também sabia desferir golpes!”, disse o avô. “Cortou das pessoas o que tinham de errado e de anguloso, tanto quanto pôde!” O velho avô fez um aceno em direção ao espelho, onde estava o almanaque com a Torre Redonda, e disse: “Tyge Brahe também foi um dos que usaram a espada. Não para cortar carne e osso, mas para abrir um caminho mais claro entre todas as estrelas do céu! E aquele cujo pai era do meu ofício, o filho do velho entalhador, aquele que nós mesmos vimos de cabelos brancos e ombros fortes, cujo nome é citado em todos os países do mundo! Sim, ele sabia esculpir, eu só sei entalhar! Pois Holger Danske pode vir de muitas maneiras, para que se ouça falar da força da Dinamarca em todos os países do mundo! Vamos brindar a Bertel!”

Mas o menino na cama via com clareza o velho Kronborg com o Øresund e o verdadeiro Holger Danske, sentado lá no fundo, com a barba crescida e presa na mesa de mármore, sonhando com tudo o que acontece aqui em cima. Holger Danske também sonhava com a pobre salinha onde o entalhador estava sentado; ouvia tudo o que se dizia, meneava a cabeça em sonhos e dizia:

“Sim, lembrem-se de mim, povo dinamarquês! Guardem-me no pensamento! Virei na hora da necessidade.”

Fora de Kronborg, o dia brilhava claro, e o vento trazia os sons da trompa de caça do país vizinho. Os navios passavam e saudavam: “Bum! Bum!” De Kronborg vinha a resposta: “Bum! Bum!” Mas Holger Danske não acordava, por mais forte que disparassem, pois aquilo era apenas “Bom dia!” e “Muito obrigado!” Será preciso disparar de outra maneira para que ele acorde. Mas ele há de acordar, pois há vigor em Holger Danske.


Sobre esta edição

Obra
Holger Danske
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Holger Danske

H. C. Andersens Eventyr og Historier · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind · 1905 · Dinamarquês · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind
Volume I. Página 342–347. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

Der er i Danmark et gammelt Slot, som hedder Kronborg, det ligger lige ud i Øresund, hvor de store Skibe hver Dag sejle forbi i Hundredvis, baade engelske, russiske og preussiske; og de hilse med Kanoner for det gamle Slot: »Bum!« og Slottet svarer igen med Kanoner: »Bum!« for saaledes sige Kanonerne »God Dag!« »Mange Tak!« — Om Vinteren sejler der ingen Skibe, saa ligger alt med Is lige over til det svenske Land, men det er ordentlig ligesom en hel Landevej, der vajer det danske Flag og det svenske Flag, og danske og svenske Folk sige hverandre: »God Dag,« »Mange Tak!« men ikke med Kanoner, nej, med venligt Haandtag, og den ene henter Hvedebrød og Kringler hos den anden, for fremmed Mad smager bedst. Men Pragten i det hele er dog det gamle Kronborg, og under det er det, at Holger Danske sidder i den dybe, mørke Kælder, hvor ingen kommer; han er klædt i Jern og Staal og støtter sit Hoved paa de stærke Arme; hans lange Skæg hænger ud over Marmorbordet, hvor det er vokset fast; han sover og drømmer, men i Drømme ser han alt, hvad der sker heroppe i Danmark. Hver Juleaften kommer en Guds Engel og siger ham, at det er rigtigt, som han har drømt, og at han godt kan sove igen, for Danmark er endnu ikke i nogen ordentlig Fare; men kommer det i en, ja, saa vil den gamle Holger Danske rejse sig, saa Bordet revner, naar han trækker Skægget til sig; saa kommer han frem og slaar, saa det høres i alle Verdens Lande.

Alt dette om Holger Danske sad en gammel Bedstefader og fortalte sin lille Sønnesøn, og den lille Dreng vidste, at hvad Bedstefader sagde, det var sandt. Og medens den gamle sad og fortalte, saa snittede han paa et stort Træbillede; det skulde forestille Holger Danske og stilles forud paa et Skib; for den gamle Bedstefader var Billedsnitter, og det er saadan en Mand, som skærer ud til Skibenes Gallioner, eftersom hvert Skib skal kaldes; og her havde han udskaaret Holger Danske, der stod saa rank og stolt med sit lange Skæg og holdt i den ene Haand det brede Slagsværd, men støttede den anden Haand paa det danske Vaaben.

Og den gamle Bedstefader fortalte saa meget om mærkelige danske Mænd og Kvinder, at den lille Sønnesøn til sidst syntes, at nu vidste han lige saa meget, som Holger Danske kunde vide, der jo dog kun drømte derom; og da den lille kom i sin Seng, tænkte han saa meget derpaa, at han ordentlig knugede sin Hage til Sengedynen og syntes, at han havde et langt Skæg, der var groet fast i den.

Men den gamle Bedstefader blev siddende ved sit Arbejde og snittede paa den sidste Del deri, det var det danske Vaaben; og nu var han færdig, og han saa paa det hele, og han tænkte paa alt, hvad han havde læst og hørt, og hvad han i Aften havde fortalt den lille Dreng; og han nikkede og tørrede sine Briller, satte dem paa igen og sagde: »Ja, i min Tid kommer nok ikke Holger Danske; men Drengen der i Sengen kan maaske faa ham at se og være med, naar det rigtigt gælder,« og den gamle Bedstefader nikkede, og jo mere han saa paa sin Holger Danske, des tydeligere blev det ham, at det var et godt Billede, han der havde gjort; han syntes ordentlig, at det fik Kulør, og at Harnisket skinnede som Jern og Staal; Hjerterne i det danske Vaaben bleve mere og mere røde, og Løverne sprang med Guldkroner paa.

»Det er dog det dejligste Vaaben, nogen i Verden har!« sagde den gamle. »Løverne ere Styrke, og Hjerterne ere Mildhed og Kærlighed!« og han saa paa den øverste Løve og tænkte paa Kong Knud, der bandt det store England til Danmarks Kongestol, og han saa paa den anden Løve og tænkte paa Valdemar, som samlede Danmark og betvang de vendiske Lande; han saa paa den tredie Løve og tænkte paa Margrethe, som forenede Danmark, Sverrig og Norge; men idet han saa paa de røde Hjerter, saa skinnede de endnu stærkere end før, de bleve til Flammer, som bevægede sig, og hans Tanke fulgte hver af dem.

Den første Flamme førte ham ind i et snævert, mørkt Fængsel; der sad en Fange, en dejlig Kvinde, Christian den Fjerdes Datter: Eleonora Ulfeldt; og Flammen satte sig som en Rose paa hendes Bryst og blomstrede sammen med hendes Hjerte, hun, den ædleste og bedste af alle danske Kvinder.

»Ja, det er et Hjerte i Danmarks Vaaben!« sagde den gamle Bedstefader.

Og hans Tanker fulgte Flammen, som førte ham ud paa Havet, hvor Kanonerne buldrede, hvor Skibene laa indhyllede i Røg; og Flammen hæftede sig som et Ordensbaand paa Hvitfeldts Bryst, idet han til Flaadens Frelse sprængte sig og sit Skib i Luften.

Og den tredie Flamme førte ham til Grønlands usle Hytter, hvor Præsten Hans Egede stod med Kærlighed i Ord og Gerning; Flammen var en Stjerne paa hans Bryst, et Hjerte til det danske Vaaben.

Og den gamle Bedstefaders Tanker gik foran den svævende Flamme, thi hans Tanke vidste, hvor Flammen vilde hen. I Bondekonens fattige Stue stod Frederik den Sjette og skrev sit Navn med Kridt paa Bjælken; Flammen bævede paa hans Bryst, bævede i hans Hjerte; i Bondens Stue blev hans Hjerte et Hjerte i Danmarks Vaaben. Og den gamle Bedstefader tørrede sine Øjne, for han havde kendt og levet for Kong Frederik med de sølvhvide Haar og de ærlige, blaa Øjne, og han foldede sine Hænder og saa stille frem for sig. Da kom den gamle Bedstefaders Sønnekone og sagde, at det var sildigt, nu skulde han hvile, og at Aftensbordet var dækket.

»Men dejligt er det dog, hvad du der har gjort, Bedstefader!« sagde hun. »Holger Danske og hele vort gamle Vaaben! — Det er, ligesom om jeg havde set det Ansigt før!«

»Nej, det har du nok ikke!« sagde den gamle Bedstefader, »men jeg har set det, og jeg har stræbt at snitte det i Træ, saaledes som jeg husker det. Den Gang var det, da Englænderne laa paa Reden, den danske anden April, da vi viste, vi vare gamle Danske. Paa »Danmark«, hvor jeg stod i Steen Billes Eskadre, havde jeg en Mand ved min Side; det var, som Kuglerne vare bange for ham! Lystig sang han gamle Viser og skød og stred, som var han mer end et Menneske. Jeg husker hans Ansigt endnu; men hvorfra han kom, hvorhen han gik, veed jeg ikke, veed ingen. Jeg har tit tænkt, det var nok gamle Holger Danske selv, der var svømmet ned fra Kronborg og hjalp os i Farens Stund; det var nu min Tanke, og der staar hans Billede!«

Og det kastede sin store Skygge helt op ad Væggen, selv noget hen ad Loftet; det saa ud, som var det den virkelige Holger Danske selv, som stod der bag ved, for Skyggen rørte sig, men det kunde da ogsaa være, fordi Flammen i Lyset ikke brændte stadig. Og Sønnekonen kyssede den gamle Bedstefader og førte ham hen i den store Lænestol foran Bordet, og hun og hendes Mand, som jo var den gamle Bedstefaders Søn og Fader til den lille Dreng, der laa i Sengen, sad og spiste deres Aftensmad, og den gamle Bedstefader talte om de danske Løver og de danske Hjerter, om Styrken og Mildheden, og ganske tydeligt forklarede han, at der var endnu een Styrke foruden den, der laa i Sværdet, og han pegede paa Hylden, hvor der laa gamle Bøger, hvor alle Holbergs Komedier laa, de, som saa tit vare læste, for de vare saa morsomme, man syntes ordentlig at kende alle de Personer deri fra gamle Dage.

»Se, han har ogsaa vidst at hugge!« sagde den gamle Bedstefader; »han har hugget det gale og kantede af Folk, saa langt han kunde!« og gamle Bedstefader nikkede hen til Spejlet, hvor Almanakken stod med »Rundetaarn«, og saa sagde han: »Tyge Brahe, han var ogsaa en, som brugte Sværdet; ikke til at hugge i Kød og Ben, men hugge en tydeligere Vej op imellem alle Himlens Stjerner! — Og saa han, hvis Fader var af min Stand, den gamle Billedsnitters Søn, han, vi selv have set med det hvide Haar og de stærke Skuldre, han, som nævnes af alle Verdens Lande! ja, han kunde hugge, jeg kan kun snitte! Jo, Holger Danske kan komme paa mange Maader, saa at der i alle Verdens Lande høres om Danmarks Styrke! Skal vi saa drikke Bertels Skaal!«

Men den lille Dreng i Sengen saa tydeligt det gamle Kronborg med Øresund, den virkelige Holger Danske, som sad dybt dernede med Skægget vokset fast i Marmorbordet og drømte om alt, hvad der sker heroppe; Holger Danske drømte ogsaa om den lille fattige Stue, hvor Billedsnitteren sad, han hørte alt, hvad der blev talt, og nikkede i Drømme og sagde:

»Ja, husk kun paa mig, I danske Folk! behold mig i Tanke! jeg kommer i Nødens Time.«

Og uden for Kronborg skinnede den klare Dag, og Vinden bar Jægerhornets Toner over fra Nabolandet, Skibene sejlede forbi og hilsede: »Bum! bum!« og fra Kronborg svarede det: »Bum! bum!« men Holger Danske vaagnede ikke, hvor stærkt de skød, for det var jo bare: »God Dag!« — »Mange Tak!« Der skal skydes anderledes, før han vil vaagne; men han vaagner nok, for der er Krummer i Holger Danske.

Holger, o dinamarquês

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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