AC 021

João Pequenito

Adolfo Coelho

Cerca de 4 min de leitura

Havia noutros tempos um homem que tinha três filhos e como fossem muito pobres disse-lhe um dia: — «Meus filhos, é tempo de ir correr mundo em busca de fortuna, porque eu nada tenho que lhes deixar quando morrer.» Então os filhos despediram-se do pai e partiram-se para muito longe, indo ter à corte de um rei turco muito mau. Logo que ali chegaram pediram agasalho por aquela noite; o rei mandou-os entrar no palácio e como ele tinha três filhas mandou que deitassem os três rapazes nas camas das filhas e que lhes pusessem na cabeça umas carapuças de prata, que eram para quando eles estivessem a dormir lhes ir cortar as cabeças.

Lá pela noite adiante o rapaz mais novo que se chamava João Pequenito (apelido que lhe puseram por ele ser muito baixinho) levantou-se e tirou a carapuça da cabeça e das cabeças dos irmãos; pô-las nas cabeças das filhas do rei e fugiu do palácio e mais os irmãos, escapando assim à morte.

O rei turco, de noite, foi para matar os rapazes e matou as filhas, julgando serem eles que matava.

Quando os rapazes já iam muito longe, disse o João Pequenito: — «Agora é preciso separarmo-nos e cada qual busque a sua vida.» O João Pequenito foi ao palácio de certo rei e pediu para que o tomassem para criado; o rei nomeou-o seu jardineiro e ele de tal maneira se soube haver que o rei estimava-o mais que todos os outros criados. Entre estes começou a reinar muita inveja a pontos de irem dizer ao rei que o João Pequenito tinha dito que era capaz de ir furtar uma bolsa de moedas que o rei turco tinha debaixo da cabeceira. Chamou o rei o João Pequenito e disse-lhe o que os criados tinham dito e ele respondeu que sim, que iria e disse mais: — «Mande-me vossa majestade dar um navio para eu ir à corte do rei turco e verá de quanto eu sou capaz.»

Foi o João Pequenito; subiu pela parede do palácio do rei turco, entrou pela janela e quando o rei dormia tirou-lhe a bolsa debaixo do travesseiro e fugiu.

O papagaio do rei turco começou a gritar: — «Ó rei, olha que o João Pequenito leva a tua bolsa de moedas.» O rei foi ver à janela, mas ele já ia longe; o rei ainda lhe perguntou: — «Tornarás cá, Pequenito?» — «Tornarei, tornarei.» E foi todo contente levar a bolsa ao rei seu amo.

Passados dias foram dizer ao rei que o João Pequenito dissera que era capaz de ir furtar a coberta de campainhas que o rei turco tinha na cama. De novo é o Pequenito interrogado e lá volta à corte do turco, furta a coberta e foge. O papagaio do rei turco gritava: — «Oh rei, oh rei, olha o Pequenito que leva a tua coberta de campainhas.» O turco foi à janela e perguntou: — «Tornarás cá, Pequenito?» — «Tornarei, tornarei.» Chegou o Pequenito ao palácio do seu amo com a coberta e o rei de cada vez estava mais agradado dele por ver a sua valentia.

De novo os criados foram dizer ao rei que o Pequenito dissera que era capaz de ir furtar o papagaio do rei turco. O Pequenito logo que isto soube aprontou-se e foi. Furtou o papagaio e este gritava pelo caminho: — «Aqui del-rei, que me levam furtado.» E o Pequenito gritava: — «Aqui del-rei, que furtado me levam.»

Chegado o Pequenito ao palácio, novos trabalhos o esperavam. Disseram ao rei que o Pequenito dissera que era capaz de furtar o rei turco e de o trazer para o palácio. Então o rei disse-lhe: — «Se tu fores capaz de me trazer aqui o rei turco casarás com a princesa minha filha.» O Pequenito respondeu: — «Dê-me vossa majestade um exército de homens e alguns navios e verá de quanto é capaz o Pequenito.»

Aprontou-se tudo e o Pequenito arranjou uma grande dorna e foi ao palácio do turco e quando ele estava a dormir envolveu-o na roupa da cama; desceu com ele pela janela, meteu-o na dorna e à frente do exército lá o levou para a corte do rei seu amo. Este quis logo que o Pequenito casasse com a sua filha; fizeram-se grandes festas e o Pequenito mandou ir para o palácio o seu pai e irmãos, dando-lhe altos cargos na corte. E assim acaba esta história de que

A certidão está em Tondela;
Quem quiser vá lá por ela.

(Coimbra.)


Sobre esta edição

Obra
João Pequenito
Autoria original
Adolfo Coelho
Texto em português
Texto original
Edição publicada
1.0.0
Produção
Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
05/11/2026
Relevância no acervo · IRC 1,25

Este índice orienta a ordem dos destaques. Não é uma nota de qualidade do conto ou da tradução.

Pesquisa em 31/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

Como o índice é calculado

Na sua biblioteca

Edições e fontes

Conheça as edições desta história e consulte os textos de origem.

João Pequenito

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
Consultar esta edição ↗
Encontrou um erro?

Uma palavra, uma passagem, uma referência: sua observação chega à mesa editorial vinculada à edição 1.0.0 que você leu.