AC 009

O Compadre Lobo e a Comadre Raposa

Adolfo Coelho

O compadre lobo e a comadre raposa

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Era de uma vez um homem casado com uma mulher chamada Maria, e tinham por compadres um lobo e uma raposa. Um dia disseram eles ao lobo e à raposa:

— Olhem, compadres, é preciso fazer uma grande festa cá em casa e por isso vê tu, compadre, se me trazes alguns carneiros e ovelhas para o jantar; e tu, comadre raposa, arranja galinhas e patos, pois nós queremos que o banquete seja falado em toda a vizinhança.

O lobo e a raposa responderam:

— Fiquem descansados, compadres, que não lhes há de faltar o que desejam.

Desde esse dia o lobo e a raposa todas as noites levaram gado para casa dos compadres, de sorte que eles já não cabiam em si de contentes. Chegado o dia da festa lá foi o lobo e a raposa para assistirem à função, e quando chegaram, viram que os compadres tinham uma grande caldeira de água a ferver e um espeto metido no fogo. O lobo perguntou:

— Ó comadre, para que é esse espeto?

— É para assar as galinhas.

Palavras não eram ditas, o homem a pegar na caldeira e a deitar a água a ferver em cima do lobo e a mulher a meter o espeto pelos olhos da raposa. Escusado é dizer que ao lobo lhe caiu a pele e a raposa ficou cega.

Passara-se já bastante tempo e os compadres nem já se lembravam do que tinham feito, quando o homem, andando um dia no mato a apanhar lenha, viu correr para ele o compadre lobo e, receando que ele o matasse, subiu para cima de uma árvore. Então o lobo disse-lhe de baixo:

— Tu pensas que me escapas! Espera que eu te ensino.

E dito isto começou a chamar por os outros lobos e logo vieram muitos; ele então disse-lhes:

— É preciso matar aquele homem que ali está em cima e para lá chegar é preciso que se ponham todos em cima uns dos outros; eu ficarei por baixo, porque tenho mais força.

Já os lobos, postos uns sobre os outros, estavam quase a chegar ao compadre quando ele gritou com toda a força:

— Ó Maria, traz cá a caldeira de água a ferver.

O lobo logo que isto ouviu, pernas para que te quero (1) e os outros que estavam sobre ele caíram todos no chão; depois desesperados correram sobre o lobo que tinha fugido e mataram-no.

O compadre voltou para casa e contou tudo à mulher e nunca mais quiseram voltar ao mato.

(Coimbra)

(1) Modo popular de exprimir que alguém deitou a correr.


Sobre esta edição

Obra
O compadre lobo e a comadre raposa
Autoria original
Adolfo Coelho
Texto em português
Texto original
Edição publicada
1.0.0
Produção
Codex · edição textual por IA (Coelho)
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
03/11/2026
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Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

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