AC 009
O Compadre Lobo e a Comadre Raposa
O compadre lobo e a comadre raposa
Cerca de 3 min de leitura
Texto do conto
Era de uma vez um homem casado com uma mulher chamada Maria, e tinham por compadres um lobo e uma raposa. Um dia disseram eles ao lobo e à raposa:
— Olhem, compadres, é preciso fazer uma grande festa cá em casa e por isso vê tu, compadre, se me trazes alguns carneiros e ovelhas para o jantar; e tu, comadre raposa, arranja galinhas e patos, pois nós queremos que o banquete seja falado em toda a vizinhança.
O lobo e a raposa responderam:
— Fiquem descansados, compadres, que não lhes há de faltar o que desejam.
Desde esse dia o lobo e a raposa todas as noites levaram gado para casa dos compadres, de sorte que eles já não cabiam em si de contentes. Chegado o dia da festa lá foi o lobo e a raposa para assistirem à função, e quando chegaram, viram que os compadres tinham uma grande caldeira de água a ferver e um espeto metido no fogo. O lobo perguntou:
— Ó comadre, para que é esse espeto?
— É para assar as galinhas.
Palavras não eram ditas, o homem a pegar na caldeira e a deitar a água a ferver em cima do lobo e a mulher a meter o espeto pelos olhos da raposa. Escusado é dizer que ao lobo lhe caiu a pele e a raposa ficou cega.
Passara-se já bastante tempo e os compadres nem já se lembravam do que tinham feito, quando o homem, andando um dia no mato a apanhar lenha, viu correr para ele o compadre lobo e, receando que ele o matasse, subiu para cima de uma árvore. Então o lobo disse-lhe de baixo:
— Tu pensas que me escapas! Espera que eu te ensino.
E dito isto começou a chamar por os outros lobos e logo vieram muitos; ele então disse-lhes:
— É preciso matar aquele homem que ali está em cima e para lá chegar é preciso que se ponham todos em cima uns dos outros; eu ficarei por baixo, porque tenho mais força.
Já os lobos, postos uns sobre os outros, estavam quase a chegar ao compadre quando ele gritou com toda a força:
— Ó Maria, traz cá a caldeira de água a ferver.
O lobo logo que isto ouviu, pernas para que te quero (1) e os outros que estavam sobre ele caíram todos no chão; depois desesperados correram sobre o lobo que tinha fugido e mataram-no.
O compadre voltou para casa e contou tudo à mulher e nunca mais quiseram voltar ao mato.
(Coimbra)
(1) Modo popular de exprimir que alguém deitou a correr.
Sobre esta edição
- Obra
- O compadre lobo e a comadre raposa
- Autoria original
- Adolfo Coelho
- Texto em português
- Texto original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Produção
- Codex · edição textual por IA (Coelho)
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 03/11/2026
Relevância no acervo · IRC 1,25
Este índice orienta a ordem dos destaques. Não é uma nota de qualidade do conto ou da tradução.
Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada
Como o índice é calculadoNa sua biblioteca
Edições e fontes
Conheça as edições desta história e consulte os textos de origem.
O Compadre Lobo e a Comadre Raposa
Encontrou um erro?
Uma palavra, uma passagem, uma referência: sua observação chega à mesa editorial vinculada à edição 1.0.0 que você leu.