EK 14
O elfo da rosa
Rosen-Alfen
Sobre este conto
Um elfo tão pequeno que nenhum ser humano pode vê-lo vive dentro de uma rosa. Ao ficar do lado de fora quando as flores se fecham, procura abrigo e encontra um casal que se despede. Escondido na rosa que a moça dá ao amado, acompanha o rapaz pela floresta e presencia um crime.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Elfo invisível aos olhos humanos que mora numa rosa, Moça que ama o rapaz enviado para longe e guarda sua cabeça num vaso, Rapaz amado pela moça, assassinado pelo irmão dela, Irmão da moça, que mata o rapaz e depois herda o vaso, Almas das flores de jasmim, que se dizem nascidas dos olhos e lábios do assassinado, Abelhas e sua rainha, que planejam matar o assassino, Pessoas junto à cama do irmão e homem que pega o vaso
- Onde se passa
- Jardim com roseira e caramanchão de madressilvas; floresta com a tília sob a qual o rapaz é enterrado. A ação também acompanha o quarto da moça e depois o quarto do irmão, onde fica o vaso de jasmim.
- Acontecimentos
- O elfo procura abrigo quando as rosas se fecham. Num caramanchão vê a despedida de um casal e se esconde na rosa que a moça entrega ao rapaz.
- O irmão da moça mata o rapaz, corta-lhe a cabeça e o enterra sob uma tília. O elfo o acompanha numa folha presa ao cabelo e conta o crime à moça enquanto ela dorme.
- A moça encontra a folha que prova o relato, vai à sepultura e leva a cabeça para casa. Coloca-a num vaso com terra e planta nele um ramo de jasmim.
- A moça definha enquanto o jasmim cresce. O elfo lhe fala ao ouvido; ela morre sonhando, e a narrativa a situa no céu junto do amado. O irmão herda o vaso.
- O elfo pede ajuda às abelhas. Mas, na noite anterior à ação do enxame, as almas das flores ferem a língua do irmão com lanças venenosas e anunciam a vingança do morto.
- As abelhas chegam e encontram o irmão morto. Uma pica a mão do homem que levanta o vaso; ele o deixa cair. A caveira branca aparece, e os presentes reconhecem o assassino.
- Desfecho
- Na primeira noite após a morte da moça, as almas das flores saem do jasmim, dão sonhos ruins ao irmão e lhe ferem a língua com lanças venenosas. Anunciam que vingaram o morto. Quando o elfo e as abelhas chegam de manhã para matá-lo, ele já está morto; as pessoas presentes atribuem a morte ao perfume. O elfo compreende a vingança das flores. Como não conseguem espantar o enxame, um homem tenta retirar o vaso e leva uma picada na mão. O vaso cai e se quebra, expondo a caveira branca. Os presentes sabem então que o morto na cama era um assassino. A rainha das abelhas canta sobre a vingança, o elfo da rosa e quem pode testemunhar e vingar o mal atrás da menor pétala.
No meio de um jardim crescia uma roseira inteiramente coberta de rosas, e numa delas, a mais bela de todas, morava um elfo. Ele era tão pequenino que nenhum olho humano podia vê-lo. Atrás de cada pétala da rosa tinha um quarto de dormir; era tão bem-feito e belo quanto uma criança poderia ser e tinha asas que iam dos ombros até os pés. Ah, que perfume havia em seus aposentos, e como eram luminosas e bonitas as paredes! Eram as delicadas pétalas cor-de-rosa pálido.
Passava o dia inteiro se divertindo ao sol quente, voava de flor em flor, dançava sobre as asas da borboleta em voo e media quantos passos precisava dar para percorrer todas as estradas e veredas que havia numa única folha de tília. Eram o que chamamos de nervuras da folha, que ele tomava por estradas e veredas; para ele, eram caminhos sem fim! Antes que terminasse, o sol se pôs; também havia começado muito tarde.
Ficou tão frio, o orvalho caiu e o vento soprou; era melhor voltar para casa. Apressou-se o mais que pôde, mas a rosa havia se fechado, e ele não conseguia entrar: nenhuma rosa estava aberta. O pobre elfinho ficou assustadíssimo; nunca antes havia passado a noite fora, sempre dormira tão bem atrás das pétalas quentinhas. Ah, aquilo certamente seria sua morte!
Na outra ponta do jardim, ele sabia, havia um caramanchão com belas madressilvas. As flores pareciam grandes cornetas pintadas; entraria numa delas para dormir até a manhã seguinte.
Voou até lá. Silêncio! Havia duas pessoas ali dentro: um belo rapaz e a mais encantadora das moças. Estavam sentados um ao lado do outro e desejavam nunca, por toda a eternidade, se separar. Amavam-se muito, muito mais do que a melhor criança pode amar sua mãe e seu pai.
— Mas precisamos nos separar! — disse o rapaz. — Seu irmão não nos quer bem; por isso me manda cumprir uma tarefa tão longe, para lá de montanhas e lagos! Adeus, minha doce noiva, pois é isso que você é para mim!
Então se beijaram, e a moça chorou e lhe deu uma rosa. Mas, antes de entregá-la, apertou nela um beijo tão forte e profundo que a flor se abriu. O elfinho voou para dentro e encostou a cabeça nas delicadas paredes perfumadas. Podia ouvir muito bem os adeuses, adeus, adeus! E sentiu a rosa ser posta sobre o peito do rapaz. Ah, como o coração batia lá dentro! O elfinho não conseguia adormecer, de tanto que ele batia.
A rosa não ficou muito tempo quieta sobre o peito. O rapaz a tirou e, enquanto caminhava sozinho pela floresta escura, beijava a flor. Ah, tantas vezes e com tanta força que o elfinho quase foi esmagado! Através da pétala, sentia como os lábios do rapaz ardiam, e a própria rosa se abrira como sob o mais forte sol do meio-dia.
Então apareceu outro homem, sombrio e furioso: era o irmão malvado da bela moça. Tirou uma faca grande e afiada e, enquanto o outro beijava a rosa, o malvado o esfaqueou até matá-lo, cortou-lhe a cabeça e a enterrou junto com o corpo na terra macia, debaixo da tília.
— Agora ele está esquecido e se foi — pensou o irmão malvado. — Nunca mais voltará. Precisava fazer uma longa viagem, por montanhas e lagos; assim é fácil perder a vida, e ele a perdeu. Não voltará mais, e minha irmã nunca ousará me perguntar por ele.
Com o pé, arrastou folhas secas sobre a terra revolvida e voltou para casa na noite escura. Mas não ia sozinho, como pensava: o elfinho o acompanhava, dentro de uma folha seca de tília, enrolada, que caíra nos cabelos do homem enquanto ele cavava a sepultura. Agora o chapéu estava por cima; lá dentro era tão escuro, e o elfo tremia de medo e de raiva por aquela ação horrível.
Ao amanhecer, o homem malvado chegou em casa; tirou o chapéu e entrou no quarto da irmã. Ali estava deitada a bela moça, em flor, sonhando com aquele que tanto amava e que agora imaginava caminhando por montanhas e florestas. O irmão malvado se inclinou sobre ela e riu horrivelmente, como um diabo pode rir. Então a folha seca caiu de seus cabelos sobre a colcha, mas ele não percebeu e saiu para também dormir um pouco naquela manhã. O elfo escapou da folha, entrou no ouvido da moça adormecida e lhe contou, como num sonho, o assassinato terrível. Descreveu o lugar onde o irmão o matara e enterrara o cadáver, falou da tília florida ali perto e disse: “Para que você não pense que lhe contei apenas um sonho, encontrará uma folha seca sobre sua cama!” E ela a encontrou quando acordou.
Ah, quantas lágrimas salgadas ela chorou! E a ninguém ousava contar sua tristeza. A janela ficou aberta o dia inteiro; o elfinho podia facilmente sair para o jardim, para as rosas e todas as outras flores, mas não tinha coragem de abandonar a moça aflita. Na janela havia uma roseira de floração frequente; ele se sentou numa de suas flores e ficou olhando a pobre moça. O irmão entrou muitas vezes no quarto, tão alegre e malvado, mas ela não ousava dizer uma palavra sobre a grande dor de seu coração.
Assim que anoiteceu, ela saiu furtivamente de casa, foi pela floresta até onde estava a tília, afastou as folhas do chão, cavou a terra e logo encontrou aquele que fora assassinado. Ah, como chorou e pediu a Nosso Senhor que também pudesse morrer em breve!
Gostaria de levar o cadáver para casa, mas não conseguia. Então pegou a cabeça pálida, de olhos fechados, beijou a boca fria e sacudiu a terra de seus belos cabelos. “Quero ficar com ela!”, disse. Depois de cobrir o corpo morto com terra e folhas, levou a cabeça para casa e também um raminho do jasmim que florescia na floresta onde ele fora morto.
Assim que chegou ao seu quarto, buscou o maior vaso de flores que pôde encontrar, pôs nele a cabeça do morto, cobriu-a com terra e plantou o ramo de jasmim no vaso.
— Adeus, adeus! — sussurrou o elfinho. Já não suportava ver tanta tristeza e por isso voou para o jardim, para sua rosa. Mas sua floração já terminara; só algumas pétalas pálidas pendiam do fruto verde da roseira.
— Ah, como tudo o que é belo e bom acaba depressa! — suspirou o elfo. Por fim encontrou outra rosa, que se tornou sua casa; atrás de suas pétalas delicadas e perfumadas, podia construir e morar.
Todas as manhãs voava até a janela da pobre moça; ela estava sempre junto ao vaso, chorando. As lágrimas salgadas caíam no ramo de jasmim e, a cada dia em que ela ficava mais pálida, o ramo se tornava mais viçoso e verde. Brotos surgiam um após outro, apareciam pequenos botões brancos de flores, e ela os beijava. Mas o irmão malvado a repreendia e perguntava se tinha ficado boba; não gostava daquilo e não entendia por que ela sempre chorava sobre o vaso. Não sabia que olhos estavam fechados nem que lábios vermelhos haviam virado terra. Ela encostou a cabeça no vaso, e o elfinho da rosa a encontrou assim, cochilando. Entrou em seu ouvido e lhe contou da noite no caramanchão, do perfume da rosa e do amor dos elfos. Ela sonhou tão docemente e, enquanto sonhava, a vida se foi: morrera uma morte tranquila; estava no céu junto daquele que amava.
E as flores de jasmim abriram suas grandes campânulas brancas; exalavam um perfume de doçura tão extraordinária! De outra maneira não podiam chorar pela morta.
Mas o irmão malvado olhou a bela planta florida, tomou-a para si como herança e a pôs em seu quarto, perto da cama, pois era linda de ver e seu perfume era tão doce e agradável. O elfinho da rosa foi junto, voando de flor em flor. Em cada uma morava uma pequena alma, e ele lhe contou sobre o rapaz assassinado, cuja cabeça agora era terra debaixo da terra, sobre o irmão malvado e a pobre irmã.
— Nós sabemos! — disse cada alma nas flores. — Nós sabemos! Não crescemos dos olhos e dos lábios do assassinado? Nós sabemos! Nós sabemos! — E faziam um gesto tão estranho com a cabeça.
O elfo da rosa não entendia como elas podiam estar tão tranquilas. Voou até as abelhas que colhiam mel e lhes contou a história do irmão malvado. As abelhas a contaram à sua rainha, que ordenou que todas matassem o assassino na manhã seguinte.
Mas, na noite anterior, a primeira noite depois da morte da irmã, enquanto o irmão dormia em sua cama, perto do jasmim perfumado, cada cálice de flor se abriu. Invisíveis, mas armadas de lanças venenosas, as almas das flores saíram, pousaram primeiro junto ao ouvido dele e lhe contaram sonhos ruins; depois voaram sobre seus lábios e lhe espetaram a língua com as lanças venenosas. “Agora vingamos o morto!”, disseram, e voltaram para as campânulas brancas do jasmim.
Quando amanheceu e, de repente, a janela do quarto foi escancarada, o elfo da rosa entrou com a abelha-rainha e o enxame inteiro para matá-lo.
Mas ele já estava morto. Havia pessoas em torno da cama, e diziam: “O perfume do jasmim o matou!”
Então o elfo da rosa compreendeu a vingança das flores e a contou à rainha das abelhas. Ela zumbiu com o enxame inteiro ao redor do vaso; não conseguiam espantar as abelhas. Um homem tentou tirar o vaso dali, e uma das abelhas lhe picou a mão, fazendo-o soltar o vaso, que caiu e se quebrou.
Então viram a caveira branca e souberam que o morto na cama era um assassino.
E a abelha-rainha zumbiu no ar e cantou sobre a vingança das flores, sobre o elfo da rosa e sobre como, atrás da menor pétala, mora alguém que pode contar e vingar o mal!
Sobre esta edição
- Obra
- Rosen-Alfen
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
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Rosen-Alfen
Ler o original em dinamarquês
Midt i en Have voxede der et Rosentræ, der var ganske fuldt af Roser, og i en af disse, den smukkeste af dem alle, boede en Alf; han var saa lille bitte, at intet menneskeligt Øie kunde see ham; bag hvert Blad i Rosen havde han et Sovekammer; han var saa velskabt og deilig som noget Barn kunde være og havde Vinger fra Skuldrene lige ned til Fødderne. O, hvor der var en Duft i hans Værelser, og hvor Væggene vare klare og smukke! de vare jo de blegrøde fine Rosenblade.
Hele Dagen fornøiede han sig i det varme Solskin, fløi fra Blomst til Blomst, dandsede paa Vingerne af den flyvende Sommerfugl og maalte hvor mange Skridt han maatte gaae, for at løbe hen over alle de Landeveie og Stier, der var paa et eneste Lindeblad. Det var hvad vi kalde Aarerne i Bladet, som han ansaae for Landeveie og Stier; ja det var da evige Veie for ham! før han blev færdig, gik Solen ned; han havde ogsaa begyndt saa sildigt.
Det blev saa koldt, Duggen faldt og Vinden blæste; nu var det nok bedst at komme hjem; han skyndte sig Alt hvad han kunde, men Rosen havde lukket sig, han kunde ikke komme ind — ikke en eneste Rose stod aaben; den stakkels lille Alf blev saa forskrækket, han havde aldrig været ude om Natten før, altid sovet saa sødt bag de lune Rosenblade, o, det vilde vist blive hans Død!
I den anden Ende af Haven, vidste han, var en Løvhytte, med deilige Caprifolier, Blomsterne saae ud som store bemalte Horn: i et af disse vilde han stige ned og sove til imorgen.
Han fløi derhen. Tys! der var to Mennesker derinde; en ung smuk Mand og den deiligste Jomfru; de sad ved Siden af hinanden og ønskede, at de aldrig i Evighed maatte skilles ad; de holdt saa meget af hinanden, langt mere, end det bedste Barn kan holde af sin Moder og Fader.
„Dog maae vi skilles!” sagde den unge Mand; „Din Broder er os ikke god, derfor sender han mig i et Ærinde saa langt bort over Bjerge og Søer! Farvel min søde Brud, for det er Du mig dog!”
Og saa kyssede de hinanden, og den unge Pige græd og gav ham en Rose; men før hun rakte ham den, trykkede hun et Kys paa den, saa fast og inderligt, saa Blomsten aabnede sig; da fløi den lille Alf ind i den og heldede sit Hoved op til de fine duftende Vægge; men han kunde godt høre, at der blev sagt Farvel, Farvel! og han følte, at Rosen fik Plads paa den unge Mands Bryst — o, hvor dog Hjertet bankede derinde! den lille Alf kunde slet ikke falde i Søvn, saadan bankede det.
Længe laae Rosen ikke stille paa Brystet, Manden tog den frem og mens han gik ene gjennem den mørke Skov, kyssede han Blomsten, o, saa tidt og stærkt, at den lille Alf var nær ved at blive trykket ihjel; han kunde føle gjennem Bladet, hvor Mandens Læber brændte, og Rosen selv havde aabnet sig som ved den stærkeste Middagssol.
Da kom der en anden Mand, mørk og vred, han var den smukke Piges onde Broder; en Kniv saa skarp og stor tog han frem, og mens den anden kyssede Rosen, stak den onde Mand ham ihjel, skar hans Hoved af og begravede det med Kroppen i den bløde Jord under Lindetræet.
„Nu er han glemt og borte,” tænkte den onde Broder; „han kommer aldrig mere tilbage. En lang Reise skulde han gjøre, over Bjerge og Søer, da kan man let miste Livet, og det har han. Han kommer ikke mere, og mig tør min Søster aldrig spørge om ham.”
Saa ragede han med Foden visne Blade hen over den opgravede Jord og gik hjem igjen i den mørke Nat; men han gik ikke alene, som han troede: den lille Alf fulgte med, den sad i et vissent, sammenrullet Lindeblad, der var faldet den onde Mand i Haaret da han gravede Graven. Hatten var nu sat ovenpaa, der var saa mørkt derinde, og Alfen rystede af Skræk og Vrede over den fæle Gjerning. —
I Morgenstunden kom den onde Mand hjem; han tog sin Hat af og gik ind i Søsterens Sovekammer; der laae den smukke blomstrende Pige og drømte om ham, hun holdt saa meget af og som hun nu troede gik over Bjerge og gjennem Skove; og den onde Broder bøiede sig over hende, og loe fælt, som en Djævel kan lee; da faldt det visne Blad af hans Haar ned paa Sengetæppet, men han mærkede det ikke og gik ud, for selv at sove lidt i Morgenstunden. Men Alfen smuttede ud af det visne Blad, gik ind i Øret paa den sovende Pige og fortalte hende, som i en Drøm, det skrækkelige Mord, beskrev hende Stedet, hvor Broderen havde dræbt ham og lagt hans Liig, fortalte om det blomstrende Lindetræ tætved og sagde: „For at Du ikke skal troe, det bare er en Drøm, jeg har fortalt Dig, saa vil Du finde paa Din Seng et vissent Blad!” og det fandt hun, da hun vaagnede.
O, hvor græd hun ikke de salte Taarer! og til Ingen turde hun sige sin Sorg. Vinduet stod hele Dagen aabent, den lille Alf kunde let komme ud i Haven til Roserne og alle de andre Blomster, men han nænte ikke at forlade den Bedrøvede. I Vinduet stod et Træ med Maaneds-Roser, i en af Blomsterne der satte han sig og saae paa den stakkels Pige. Hendes Broder kom mange Gange ind i Kammeret, og han var saa lystig og ond, men hun turde ikke sige et Ord om sin store Hjertesorg.
Saasnart det blev Nat, listede hun sig ud af Huset, gik i Skoven til det Sted, hvor Lindetræet stod, rev Bladene bort fra Jorden, gravede ned i den og fandt strax ham der var slaaet ihjel; o, hvor hun græd, og bad vor Herre, at hun ogsaa snart maatte døe. —
Gjerne vilde hun føre Liget med sig hjem, men det kunde hun ikke; saa tog hun det blege Hoved med de lukkede Øine, kyssede den kolde Mund og rystede Jorden af hans deilige Haar. „Det vil jeg eie!” sagde hun, og da hun havde lagt Jord og Blade paa det døde Legeme, tog hun Hovedet med sig hjem og en lille Green af det Jasmintræ, der blomstrede i Skoven, hvor han var dræbt.
Saasnart hun var i sin Stue, hentede hun den største Blomsterpotte, der var at finde, i den lagde hun den Dødes Hoved, kom Jord derpaa og plantede saa Jasmingrenen i Potten.
„Farvel! farvel!” hvidskede den lille Alf, han kunde ikke længer holde ud at see al den Sorg, og fløi derfor ud i Haven til sin Rose; men den var afblomstret, der hang kun nogle blege Blade ved den grønne Hyben.
„Ak hvor det dog snart er forbi med alt det Skjønne og Gode!” sukkede Alfen. Tilsidst fandt han en Rose igjen, den blev hans Huus, bag dens fine duftende Blade kunde han bygge og boe.
Hver Morgenstund fløi han til den stakkels Piges Vindue, og der stod hun altid ved Blomsterpotten og græd; de salte Taarer faldt paa Jasmingrenen, og for hver Dag som hun blev blegere og blegere stod Grenen mere frisk og grøn, det ene Skud voxede frem efter det andet, der kom smaa hvide Knopper til Blomster og hun kyssede dem, men den onde Broder skjændte og spurgte, om hun var blevet fjantet? han kunde ikke lide og ikke begribe hvorfor hun altid græd over den Blomsterpotte. Han vidste jo ikke, hvilke Øine der vare lukt og hvilke røde Læber der vare blevne Jord; og hun bøiede sit Hoved op til Blomsterkrukken og den lille Alf fra Rosen fandt hende saadan blundende; da steeg han ind i hendes Øre, fortalte om Aftenen i Løvhytten, om Rosens Duft, og Alfernes Kjærlighed; hun drømte saa sødt, og mens hun drømte, svandt Livet bort: hun var død en stille Død, hun var i Himlen hos ham, hun havde kjær.
Og Jasminblomsterne aabnede deres store hvide Klokker, de duftede saa forunderligt sødt: anderledes kunde de ikke græde over den Døde.
Men den onde Broder saae paa det smukke blomstrende Træ, tog det til sig som et Arvegods, og satte det ind i sit Sovekammer, tæt ved Sengen, for det var deiligt at see paa og Duften var saa sød og liflig. Den lille Rosen-Alf fulgte med, fløi fra Blomst til Blomst, i hver boede jo en lille Sjæl, og denne fortalte han om den dræbte unge Mand, hvis Hoved nu var Jord under Jorden, fortalte om den onde Broder og den stakkels Søster.
„Vi veed det!” sagde hver Sjæl i Blomsterne, „vi veed det! ere vi ikke voxede frem af den Dræbtes Øine og Læber! vi veed det! vi veed det!” og saa nikkede de saa underligt med Hovedet.
Rosen-Alfen kunde ikke forstaae sig paa, hvorledes de kunde være saa rolige, og han fløi ud til Bierne, som samlede Honning, fortalte dem Historien om den onde Broder, og Bierne sagde det til deres Dronning, der bød, at de alle næste Morgen skulde dræbe Morderen.
Men Natten forud, det var den første Nat efter Søsterens Død, da Broderen sov i sin Seng tæt ved det duftende Jasmintræ, aabnede hvert Blomsterbæger sig, og usynlige, men med giftige Spyd, stege Blomster-Sjælene ud og satte sig først ved hans Øre og fortalte ham onde Drømme, fløi derpaa over hans Læber og stak hans Tunge med de giftige Spyd. „Nu have vi hævnet den Døde!” sagde de og søgte igjen tilbage i Jasminens hvide Klokker.
Da det blev Morgen, og Vinduet til Sovekammeret med eet blev revet op, foer Rosen-Alfen med Bidronningen og den hele Sværm Bier ind, for at dræbe ham.
Men han var allerede død; der stod Folk rundt omkring Sengen og de sagde: „Jasminduften har dræbt ham!”
Da forstod Rosen-Alfen Blomsternes Hævn, og han fortalte det til Biernes Dronning, og hun surrede med hele sin Sværm om Blomsterkrukken; Bierne vare ikke til at forjage; da tog en Mand Blomsterkrukken bort og en af Bierne stak hans Haand, saa han lod Krukken falde og gaae itu.
Da saae de det hvide Dødning-Hoved, og de vidste, at den Døde i Sengen var en Morder.
Og Bidronningen surrede i Luften og sang om Blomsternes Hævn og om Rosen-Alfen, og at bag det mindste Blad boer En, som kan fortælle og hævne det Onde!
O elfo da rosa
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