JJ 016

O Mestre e Seu Discípulo

Joseph Jacobs

The Master and his Pupil

Cerca de 4 min de leitura

Era uma vez, no norte do país, um homem muito instruído que conhecia todas as línguas sob o sol e estava a par de todos os mistérios da criação. Tinha um grande livro encadernado em couro preto de bezerro, com fechos de ferro e cantoneiras de ferro, preso por uma corrente a uma mesa que estava fixada ao chão; e, quando lia esse livro, destrancava-o com uma chave de ferro, e ninguém além dele o lia, pois continha todos os segredos do mundo espiritual. Dizia quantos anjos havia no céu, como marchavam em suas fileiras e cantavam em seus coros, quais eram suas diferentes funções e qual era o nome de cada grande anjo poderoso. E falava dos demônios, de quantos eram, de seus diferentes poderes, de seus trabalhos e de seus nomes, de como podiam ser invocados, de como se lhes podiam impor tarefas e de como podiam ser acorrentados para servir de escravos ao homem.

Ora, o mestre tinha um discípulo que era apenas um rapaz tolo e servia de criado ao grande mestre, mas nunca lhe era permitido olhar o livro preto, e mal lhe permitiam entrar no aposento reservado.

Um dia, o mestre estava fora, e então o rapaz, curioso como só ele, correu ao aposento onde seu mestre guardava os maravilhosos aparelhos para transformar cobre em ouro e chumbo em prata, e onde estava seu espelho, no qual podia ver tudo o que se passava no mundo, e onde estava a concha que, levada ao ouvido, sussurrava todas as palavras ditas por qualquer pessoa de quem o mestre desejasse saber. O rapaz tentou em vão, com os cadinhos, transformar cobre e chumbo em ouro e prata — olhou demoradamente e em vão para o espelho; fumaça e nuvens passavam por ele, mas nada via com clareza, e a concha, junto a seu ouvido, produzia apenas murmúrios indistintos, como o quebrar de mares distantes numa praia desconhecida. — Não consigo fazer nada — disse ele —, pois não sei as palavras certas que devo pronunciar, e elas estão trancadas naquele livro.

Olhou ao redor e, vejam só! O livro estava aberto nos fechos; o mestre se esquecera de trancá-lo antes de sair. O menino correu até ele e abriu o volume. Estava escrito com tinta vermelha e preta, e boa parte ele não conseguia entender; mas pôs o dedo numa linha e a leu soletrando até o fim.

Na mesma hora, o aposento escureceu e a casa tremeu; um estrondo de trovão percorreu o corredor e o velho aposento, e diante dele surgiu uma forma horrível, horrível, que expelia fogo e tinha olhos como lâmpadas acesas. Era o demônio Belzebu, que ele invocara para servi-lo.

— Dá-me uma tarefa! — disse ele, com uma voz semelhante ao rugido de uma fornalha de ferro.

O menino apenas tremia, e seus cabelos se puseram em pé.

— Dá-me uma tarefa, ou eu te estrangulo!

Mas o rapaz não conseguia falar. Então o espírito maligno avançou para ele e, estendendo as mãos, tocou-lhe a garganta. Os dedos queimaram-lhe a carne. — Dá-me uma tarefa!

— Rega aquela flor! — gritou o menino, desesperado, apontando para um gerânio que estava num vaso no chão.

Instantaneamente, o espírito saiu do aposento, mas no instante seguinte voltou com um barril às costas e despejou seu conteúdo sobre a flor; e, repetidas vezes, ia e vinha e despejava mais e mais água, até que o chão do aposento ficou coberto de água até os tornozelos.

— Chega, chega! — disse o rapaz, ofegante; mas o demônio não lhe deu ouvidos: o rapaz não sabia as palavras com que mandá-lo embora, e ele continuava a buscar água.

Ela subiu até os joelhos do menino, e ainda mais água foi despejada. Chegou-lhe à cintura, e Belzebu continuava a trazer barris cheios. Subiu-lhe até as axilas, e ele trepou sobre a mesa. E agora a água no aposento chegava à janela, batia contra o vidro e rodopiava ao redor de seus pés sobre a mesa. Continuava a subir; alcançou-lhe o peito. Em vão ele gritava; o espírito maligno não se deixava dispensar e, até hoje, estaria despejando água e teria afogado todo Yorkshire. Mas o mestre se lembrou, durante a viagem, de que não trancara seu livro e, por isso, voltou; e, no momento em que a água borbulhava ao redor do queixo do discípulo, entrou correndo no aposento e pronunciou as palavras que lançaram Belzebu de volta à sua morada de fogo.


Sobre esta edição

Obra
The Master and his Pupil
Autoria original
Joseph Jacobs
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
04/11/2026
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Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

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As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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