AC 010

O Rabo do Gato

Adolfo Coelho

O rabo do gato

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Era de uma vez um gato que foi ao barbeiro para que lhe fizesse a barba. O barbeiro disse ao gato: — «Se tu tivesses o rabo mais curto ficarias muito mais bonito.» Disse-lhe o gato: — «Pois corta-lhe um bocado.» Cortou o barbeiro o rabo do gato e ele foi-se embora; mas no meio no caminho disse para consigo: — «E o barbeiro que me ficou com o meu rabo! Deixa-me ir pedir-lho.»

Foi ter com o barbeiro e disse-lhe: — «Dá-me o meu rabo, senão furto-te uma navalha.» Como o barbeiro lhe não desse o rabo furtou-lhe a navalha.

Foi-se o gato por ali fora e viu uma peixeira que não tinha faca para cortar o peixe e disse-lhe: — «Toma lá esta navalha.» Mais adiante voltou atrás e disse à peixeira: — «Dá cá a navalha, senão furto-te uma sardinha.» Como a peixeira lhe não desse a navalha furtou-lhe a sardinha.

Foi-se e mais adiante viu um moleiro a comer pão seco e disse-lhe: — «Toma lá esta sardinha.» Mais adiante voltou atrás e disse ao moleiro: — «Dá cá a minha sardinha, senão furto-te uma taleiga de farinha.» Como o moleiro já tivesse comido a sardinha furtou-lhe a taleiga de farinha.

Foi o gato ter a uma mestra de meninas que não tinha que lhes dar à merenda e disse-lhe: — «Toma lá esta taleiga de farinha para papas.» Mas depois arrependeu-se e voltou atrás e disse à mestra: — «Dá cá a minha taleiga de farinha, senão furto-te uma menina.»

Saiu com a menina e foi ter com uma lavadeira e disse-lhe: — «Tu estás a lavar a roupa sozinha; toma lá esta menina para te ajudar.» Deixou ficar a menina, mas depois voltou atrás a pedi-la à lavadeira, e, como esta lha não quisesse dar, furtou-lhe uma camisa.

Foi-se mais para diante; viu um violeiro sem camisa e disse-lhe: — «Coitado estás sem camisa; toma lá vai-te vestir.» Enquanto ele foi vestir a camisa, furtou-lhe o gato uma viola e depois subiu para cima de uma árvore e começou a tocar viola e a cantar:

Do meu rabo fiz navalha;
Da navalha fiz sardinha;
Da sardinha fiz farinha;
Da farinha fiz menina;
Da menina fiz camisa;
Da camisa fiz viola;
Frum, fum, fum,
Vou para a minha escola.

(Coimbra.)


Sobre esta edição

Obra
O rabo do gato
Autoria original
Adolfo Coelho
Texto em português
Texto original
Edição publicada
1.0.0
Produção
Codex · edição textual por IA (Coelho)
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
03/11/2026
Relevância no acervo · IRC 1,25

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Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

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As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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