AC 010
O Rabo do Gato
O rabo do gato
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Texto do conto
Era de uma vez um gato que foi ao barbeiro para que lhe fizesse a barba. O barbeiro disse ao gato: — «Se tu tivesses o rabo mais curto ficarias muito mais bonito.» Disse-lhe o gato: — «Pois corta-lhe um bocado.» Cortou o barbeiro o rabo do gato e ele foi-se embora; mas no meio no caminho disse para consigo: — «E o barbeiro que me ficou com o meu rabo! Deixa-me ir pedir-lho.»
Foi ter com o barbeiro e disse-lhe: — «Dá-me o meu rabo, senão furto-te uma navalha.» Como o barbeiro lhe não desse o rabo furtou-lhe a navalha.
Foi-se o gato por ali fora e viu uma peixeira que não tinha faca para cortar o peixe e disse-lhe: — «Toma lá esta navalha.» Mais adiante voltou atrás e disse à peixeira: — «Dá cá a navalha, senão furto-te uma sardinha.» Como a peixeira lhe não desse a navalha furtou-lhe a sardinha.
Foi-se e mais adiante viu um moleiro a comer pão seco e disse-lhe: — «Toma lá esta sardinha.» Mais adiante voltou atrás e disse ao moleiro: — «Dá cá a minha sardinha, senão furto-te uma taleiga de farinha.» Como o moleiro já tivesse comido a sardinha furtou-lhe a taleiga de farinha.
Foi o gato ter a uma mestra de meninas que não tinha que lhes dar à merenda e disse-lhe: — «Toma lá esta taleiga de farinha para papas.» Mas depois arrependeu-se e voltou atrás e disse à mestra: — «Dá cá a minha taleiga de farinha, senão furto-te uma menina.»
Saiu com a menina e foi ter com uma lavadeira e disse-lhe: — «Tu estás a lavar a roupa sozinha; toma lá esta menina para te ajudar.» Deixou ficar a menina, mas depois voltou atrás a pedi-la à lavadeira, e, como esta lha não quisesse dar, furtou-lhe uma camisa.
Foi-se mais para diante; viu um violeiro sem camisa e disse-lhe: — «Coitado estás sem camisa; toma lá vai-te vestir.» Enquanto ele foi vestir a camisa, furtou-lhe o gato uma viola e depois subiu para cima de uma árvore e começou a tocar viola e a cantar:
Do meu rabo fiz navalha;
Da navalha fiz sardinha;
Da sardinha fiz farinha;
Da farinha fiz menina;
Da menina fiz camisa;
Da camisa fiz viola;
Frum, fum, fum,
Vou para a minha escola.
(Coimbra.)
Sobre esta edição
- Obra
- O rabo do gato
- Autoria original
- Adolfo Coelho
- Texto em português
- Texto original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Produção
- Codex · edição textual por IA (Coelho)
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 03/11/2026
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Este índice orienta a ordem dos destaques. Não é uma nota de qualidade do conto ou da tradução.
Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada
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