AM 008

O Rico Mascate Peer

Asbjørnsen e Moe

Rige Peer Kræmmer

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Era uma vez um homem a quem chamavam o rico mascate Peer, porque andara de um lugar a outro vendendo mercadorias e juntara tanto dinheiro que se tornara um homem rico. Esse rico Peer tinha uma filha, e a tinha em tão alta conta que todos os pretendentes que vinham pedi-la em casamento recebiam uma recusa, pois ele achava que nenhum era bom o bastante para ela. Como isso acontecia com todos, por fim ninguém mais apareceu; e, como os anos iam passando, Peer começou a recear que ela não se casasse.

— O que me espanta mesmo — disse à mulher — é não vir mais nenhum pretendente para nossa filha, que é tão rica. Seria estranho não haver ninguém que a quisesse, pois dinheiro ela tem, e terá ainda mais. Acho que vou ter de procurar os astrólogos e perguntar com quem ela vai se casar, porque aqui não aparece ninguém.

— E como os astrólogos podem responder a isso? — perguntou a mulher.

— Ora, eles leem tudo nas estrelas — disse o rico Peer.

Levou então muito dinheiro, foi procurar os astrólogos e pediu que lhe fizessem o favor de olhar as estrelas e dizer que marido sua filha teria. Os astrólogos olharam as estrelas, mas disseram que não conseguiam ver. Peer, porém, pediu que olhassem melhor e não deixassem de lhe dizer; ele lhes pagaria bem por isso. Os astrólogos olharam então mais atentamente e disseram que sua filha teria por marido o bebê do moleiro que acabava de nascer no moinho logo abaixo da propriedade do rico Peer.

Peer deu cem dáleres aos astrólogos e voltou para casa com a resposta que recebera. Parecia-lhe completamente absurdo que sua filha tivesse por marido alguém que acabara de vir ao mundo, e ainda por cima de condição tão humilde. Foi o que também disse à mulher, e acrescentou:

— Será que eles não quereriam me vender o menino? Assim havemos de nos livrar dele.

— Ah, acho que sim — disse a mulher. — São gente pobre.

Peer, o mascate, desceu então ao moinho e perguntou à mulher se não queria lhe vender o filho; receberia muito dinheiro por ele. Não, ela não queria de jeito nenhum.

— Não sei por que você não quer — disse Peer, o mascate. — Vocês vivem na miséria, e o menino não há de aliviá-la, pelo que imagino.

Mas ela gostava tanto do menino que não queria perdê-lo. Quando o moleiro entrou, Peer lhe disse a mesma coisa e prometeu dar-lhes seiscentos dáleres pelo menino, para que pudessem comprar uma propriedade e deixar de moer para os outros e de passar fome quando faltasse água para mover o moinho. O moleiro gostou da ideia, falou com a mulher, e assim o rico Peer ficou com o menino. A mãe chorava e se lamentava muito, mas Peer a consolou dizendo que ele passaria bem; só precisavam prometer que não perguntariam por ele, pois pretendia mandá-lo para bem longe, a outros países, para aprender línguas estrangeiras.

Quando Peer, o mascate, chegou em casa com o menino, mandou fazer um pequeno baú, tão bem-acabado que dava gosto de ver. Vedou-o com breu, pôs o filho do moleiro dentro, fechou a fechadura e o lançou ao rio, para que a correnteza o levasse. Agora estou livre dele, pensou Peer, o mascate.

Mas, depois de descer muito pelo rio, o baú entrou num canal de água de outro moinho, passou por ele e foi dar na roda que movia a mó, fazendo o moinho parar. O homem desceu para ver o que estava impedindo o moinho de funcionar, encontrou o baú e o levou consigo. Quando chegou em casa, ao meio-dia, disse à mulher:

— Estou curioso para saber o que há dentro deste baú. Hoje ele veio pelo canal, bateu na roda e me fez parar o moinho.

— Logo vamos saber — disse a mulher. — A chave está na fechadura; é só abrir.

Quando abriram, lá estava a criança mais bonita que alguém poderia ver. Os dois ficaram contentes e quiseram ficar com o menino, pois eles próprios não tinham filhos e já estavam numa idade em que também não podiam esperar ter mais nenhum.

Passado algum tempo, Peer, o mascate, começou outra vez a se perguntar se não apareceria algum pretendente para sua filha, que era tão rica e tinha tanto dinheiro. Mas ninguém vinha, e ele foi novamente aos astrólogos e lhes ofereceu muito dinheiro se pudessem lhe dizer que marido sua filha teria.

— Já dissemos que ela vai se casar com o filho daquele moleiro lá embaixo — disseram os astrólogos.

— Sim, muito bem — disse Peer, o mascate —, mas ele já morreu. Se eu pudesse saber quem será o marido de minha filha, de bom grado lhes daria duzentos dáleres.

Os astrólogos tornaram a olhar as estrelas, mas então ficaram zangados e disseram:

— Ela vai se casar assim mesmo com o filho do moleiro que você lançou ao rio e quis matar, porque ele ainda vive e está no moinho que fica a tal e tal distância rio abaixo.

Peer, o mascate, deu-lhes duzentos dáleres por essa informação e ficou pensando se não poderia afinal se livrar do filho do moleiro. A primeira coisa que fez ao chegar em casa foi ir ao moinho. O menino já crescera tanto que havia recebido a confirmação e trabalhava no moinho, ajudando. Tornara-se um belo rapaz.

— Você não poderia me ceder esse rapaz? — disse Peer, o mascate, ao moleiro.

— Não, não posso — respondeu ele. — Eu o criei como se fosse meu e ele se saiu bem, de modo que agora posso ter sua ajuda e tirar proveito do trabalho dele no moinho, pois eu mesmo estou ficando velho e alquebrado.

— Sim, comigo acontece o mesmo — disse Peer, o mascate —, e por isso gostaria de ter alguém a quem pudesse ensinar o comércio. Se você me deixar ficar com ele, lhe darei seiscentos dáleres; assim poderá comprar uma propriedade e viver em paz e sossego na velhice.

Pois, ao ouvir aquilo, o moleiro deixou que Peer, o mascate, levasse o rapaz. Os dois viajaram por muitos lugares, comerciando suas mercadorias, até chegarem a uma hospedaria à beira de uma grande floresta. Dali Peer mandou o rapaz para casa com uma carta para sua mulher — pois, cortando caminho pela floresta, não era longe — e pediu que dissesse a ela que fizesse o mais depressa possível o que estava escrito na carta. Mas na carta estava escrito que ela devia, naquele mesmo instante, acender uma grande fogueira e jogar nela o filho do moleiro; caso não o fizesse, ela própria seria queimada viva.

O rapaz partiu com a carta, atravessando a floresta. Ao cair da tarde, chegou a uma propriedade bem no meio da mata e entrou, mas não encontrou ninguém na casa. Num quarto encontrou uma cama feita e deitou-se atravessado nela. Tinha enfiado a carta sob a fita do chapéu e pôs o chapéu sobre o rosto. Quando os ladrões chegaram — pois doze ladrões tinham seu esconderijo naquela propriedade — e viram o rapaz deitado na cama, ficaram curiosos para saber quem era. Um deles pegou a carta, rompeu o selo e a leu.

— Hum, hum — disse ele. — É Peer, o mascate, que anda por aí. Mas agora vamos pregar uma peça nele, porque seria um pecado aquele velho patife conseguir dar cabo de um rapaz tão jovem e bonito.

Os ladrões escreveram então outra carta à mulher de Peer e a prenderam sob a fita do chapéu enquanto o rapaz dormia. Na carta ordenavam que ela casasse imediatamente a filha com o filho do moleiro, lhes desse cavalos, gado e utensílios domésticos e os instalasse com tudo o que precisassem na propriedade que ele tinha ao pé do morro; se isso não estivesse feito quando chegasse em casa, ela sofreria um castigo.

No dia seguinte, os ladrões deixaram o rapaz partir. Ao chegar em casa e entregar a carta, ele disse que trazia lembranças de Peer, o mascate, e que ela devia cumprir o mais depressa possível o que estava escrito.

— Você deve ter se comportado bem — disse a mulher de Peer ao filho do moleiro — para ele escrever assim agora; porque, quando vocês partiram, estava tão furioso com você que não sabia como fazer para matá-lo.

Ela começou logo os preparativos do casamento e instalou os dois na propriedade ao pé do morro, com cavalos, gado e toda espécie de utensílios domésticos.

Não muito depois, Peer, o mascate, voltou para casa, e a primeira coisa que perguntou foi se ela fizera o que havia escrito na carta.

— Sim, achei aquilo estranho, mas não ousei fazer outra coisa — disse ela.

Peer perguntou então onde estava a filha.

— Você bem sabe onde ela está — disse a mulher. — Está com ele na propriedade ao pé do morro, como dizia a carta.

Quando Peer, o mascate, soube o que acontecera e viu a carta, ficou tão furioso que estava a ponto de explodir e correu imediatamente à propriedade dos dois jovens.

— Está muito bem, meu filho, que você tenha conseguido minha filha — disse ao filho do moleiro —, mas, se pretende ficar com ela, precisa ir ao dragão de Dybenfart e me trazer três penas da cauda dele, pois quem as possui pode conseguir o que quiser.

— E onde vou encontrá-lo? — perguntou o genro.

— Isso não sei — disse Peer, o mascate. — Esse problema é seu.

O rapaz pôs-se então a caminho, confiante, e, depois de andar algum tempo, chegou a uma propriedade real. Vou entrar aqui e perguntar, pensou, porque gente assim conhece o mundo melhor que os outros, e talvez aqui eu possa saber o caminho.

O rei lhe perguntou de onde vinha e a que ia.

— Vou ao dragão de Dybenfart buscar três penas da cauda dele, se ao menos conseguir encontrá-lo — disse o rapaz.

— Para isso será preciso sorte — opinou o rei —, pois nunca ouvi dizer que alguém tenha voltado de lá. Mas, se chegar a encontrá-lo, poderia lhe perguntar por mim por que não consigo ter água limpa no meu poço. Já o escavei e limpei uma vez depois da outra, mas nunca consigo água limpa.

— Sim, farei isso — disse o rapaz.

Na propriedade real ele foi bem tratado e recebeu provisões e dinheiro quando partiu.

Ao cair da tarde, chegou a outra propriedade real. Quando entrou na cozinha, o rei apareceu e perguntou de onde vinha e a que ia.

— Vou ao dragão de Dybenfart buscar três penas da cauda dele — disse o rapaz.

— Para isso será preciso sorte — disse o rei —, pois ainda não ouvi dizer que alguém tenha voltado de lá. Mas, se chegar até ele, poderia lhe perguntar por mim onde está minha filha, que desapareceu há muitos anos. Já a procurei e mandei anunciar seu desaparecimento em todas as igrejas, mas ninguém pôde me dizer nada sobre ela.

— Farei isso — disse o rapaz.

Na propriedade real ele foi muito bem tratado e, ao partir, recebeu provisões e dinheiro.

Quando a tarde tornou a cair, chegou a mais uma propriedade real. Ali a rainha veio à cozinha e lhe perguntou de onde vinha e a que ia.

— Vou ao dragão de Dybenfart buscar três penas da cauda dele — disse o rapaz.

— Para isso será preciso muita sorte — disse a rainha —, pois nunca ouvi dizer que alguém tenha voltado de lá. Mas, se chegar a encontrá-lo, poderia lhe perguntar por mim onde posso achar as chaves de ouro que perdi.

— Farei isso — disse o rapaz.

Depois de andar um pouco, chegou a um rio grande e largo. Enquanto estava ali, pensando em como atravessá-lo ou se devia seguir pela margem, apareceu um velho de costas encurvadas e perguntou aonde ele ia.

— Vou ao dragão de Dybenfart, se alguém puder me dizer onde encontrá-lo.

— Isso posso lhe dizer — disse o homem —, pois fico aqui levando para o outro lado quem vai até ele. Mora logo ali em cima; assim que subir a encosta, verá o castelo dele. E, se conseguir falar com ele, poderia lhe perguntar por mim até quando terei de ficar aqui fazendo a travessia.

— Farei isso — disse o rapaz.

O homem o tomou às costas e o carregou através do rio. Quando chegou ao alto da encosta, o rapaz viu o castelo e entrou. A princesa estava sozinha em casa.

— Mas, minha nossa, como ousa vir gente cristã até aqui? — disse ela. — Não veio ninguém assim desde que cheguei. É melhor você tratar de ir embora o mais depressa que puder, pois, quando o dragão chegar, vai sentir seu cheiro e engoli-lo no mesmo instante; e você também vai me tornar infeliz.

— Não — disse o rapaz —, não posso ir antes de conseguir três penas da cauda dele.

— Isso você nunca vai conseguir — disse a princesa.

Mas o rapaz não quis partir: queria esperar o dragão e conseguir as penas e as respostas às perguntas.

— Bem, já que você insiste tanto, vou ter de ver se posso ajudá-lo — disse a princesa. — Veja se consegue levantar a espada que está pendurada ali na parede.

Não, o rapaz não conseguiu nem movê-la.

— Pois então tome um gole desta garrafa — disse a princesa.

Depois de ficar sentado algum tempo, o rapaz foi tentar de novo; então conseguiu apenas movê-la.

— Você vai ter de tomar mais um gole — disse a princesa — e me contar a que veio.

Ele tomou um gole e contou que um rei lhe pedira que perguntasse ao dragão por que não conseguia ter água limpa no seu poço; por outro, devia perguntar o que acontecera à filha que desaparecera havia muitos anos; por uma rainha, devia perguntar onde estavam suas chaves de ouro; e, por fim, devia perguntar ao dragão, em nome do homem da travessia, até quando ele precisaria ficar ali embaixo levando pessoas para o outro lado.

Quando tornou a pegar a espada, conseguiu levantá-la; e, depois de tomar mais um gole, conseguiu brandi-la.

— Se não quiser que o dragão dê cabo de você, agora terá de se esconder debaixo da cama — disse a princesa, quando começou a cair a tarde —, pois ele logo chegará. E terá de ficar tão quieto que ele não perceba sua presença. Quando tivermos nos deitado, vou lhe fazer as perguntas; mas então preste bem atenção e repare no que ele responde. Fique debaixo da cama até tudo estar quieto e o dragão tornar a dormir; depois saia devagar, levando a espada, e, quando ele se levantar, trate de lhe cortar a cabeça com um só golpe e arrancar no mesmo instante as três penas, pois, do contrário, ele próprio as arrancará, para que ninguém possa se beneficiar delas.

Algum tempo depois de o rapaz se esconder debaixo da cama, o dragão chegou.

— Aqui está cheirando a osso de cristão! — disse o dragão.

— Ah, sim, veio um corvo voando com um osso humano no bico e pousou no telhado — disse a princesa. — Deve ser isso que você está cheirando.

— Ah, então é isso — disse o dragão.

A princesa pôs a comida na mesa e, depois de comerem, os dois se deitaram. Mas, depois de algum tempo, a princesa começou a dormir muito inquieta e de repente acordou sobressaltada.

— Ai! — disse ela.

— O que há com você? — perguntou o dragão.

— Ah, estou dormindo tão inquieta — disse a princesa —, e tive um sonho tão estranho!

— E com que sonhou? — perguntou o dragão.

— Parecia que um rei vinha aqui e lhe perguntava o que devia fazer para conseguir água limpa no seu poço — disse a princesa.

— Ah, isso ele podia muito bem descobrir sozinho — disse o dragão. — Quando escavar e limpar o poço e tirar o velho tronco podre que está no fundo, terá água limpa outra vez. Mas agora fique quieta e não sonhe mais.

A princesa ficou deitada por um pouco, mas então se inquietou muito e começou a se revirar na cama; depois tornou a acordar sobressaltada.

— Ai!

— O que está acontecendo outra vez? — perguntou o dragão.

— Ah, estou dormindo tão inquieta e tive um sonho tão estranho! — disse a princesa.

— Você não para de sonhar! — disse o dragão. — E com que sonhou agora?

— Parecia que um rei vinha aqui e lhe perguntava o que acontecera à filha que desapareceu há muitos anos — disse a princesa.

— É você — disse o dragão —, mas ele nunca mais vai vê-la. Agora peço que me deixe dormir em paz e não fique sonhando mais, senão eu lhe quebro as costelas!

A princesa não ficou muito tempo deitada antes de começar a se agitar outra vez; de repente acordou sobressaltada:

— Ai! — disse ela.

— Então é isso outra vez! O que está acontecendo agora? — disse o dragão.

Estava tão furioso e rabugento de sono que por pouco não explodia.

— Ah, não fique zangado — disse a princesa —, mas tive um sonho tão estranho!

— Que diabo de sonhação! Com que sonhou agora? — perguntou o dragão.

— Parecia que uma rainha vinha aqui e lhe perguntava se você poderia dizer onde ela encontraria as chaves de ouro que perdeu.

— Ah, ela pode procurar entre os arbustos onde esteve deitada, daquela vez que ela bem sabe, e vai encontrá-las — disse o dragão. — Mas agora me deixe em paz com esses sonhos.

Os dois dormiram um pouco, mas então a princesa tornou a se inquietar e de repente deu um sobressalto.

— Ai!

— Você não vai se comportar enquanto eu não lhe quebrar o pescoço — disse o dragão.

Estava tão furioso que lhe saltavam faíscas dos olhos.

— O que está acontecendo agora?

— Ah, não fique zangado comigo, não posso evitar — disse a princesa —, mas tive um sonho tão estranho!

— Nunca ouvi falar de tanta sonhação — disse o dragão. — E com que sonhou agora?

— Parecia que o homem da travessia aqui embaixo vinha perguntar até quando terá de ficar ali levando pessoas para o outro lado — disse a princesa.

— Que besta! Podia se livrar disso num instante — disse o dragão. — Quando aparecer alguém que queira atravessar, basta jogá-lo no rio e dizer: agora faça você a travessia, até alguém tomar seu lugar! Mas me deixe em paz com seus sonhos, senão a dança vai ser outra.

A princesa deixou então que ele dormisse em paz. Mas, assim que tudo ficou quieto e o filho do moleiro ouviu o dragão roncar, saiu debaixo da cama. Antes de clarear o dia, o dragão se levantou, mas mal havia posto os dois pés no chão, o rapaz lhe cortou a cabeça e arrancou três penas da cauda.

Foi uma grande alegria, e tanto o rapaz como a princesa pegaram tanta prata, ouro, dinheiro e outras preciosidades quanto podiam levar. Quando chegaram à travessia, deram tanto que carregar ao homem que ele se atrapalhou e esqueceu completamente de perguntar o que o dragão dissera, até que tudo, o rapaz e a princesa já estivessem do outro lado.

— É verdade — disse ele, quando os dois iam partir —, você perguntou ao dragão aquilo que lhe pedi?

— Sim — disse o rapaz. — Ele disse que, quando aparecer alguém querendo atravessar, você deve jogá-lo bem no meio do rio e dizer: agora faça você a travessia, até alguém tomar seu lugar. Assim você fica livre.

— Ah, maldito seja! — disse o homem da travessia. — Se tivesse dito antes, você é que teria ficado no meu lugar.

Quando chegaram à primeira propriedade real, a rainha perguntou se ele havia perguntado ao dragão por suas chaves de ouro.

— Sim — respondeu o rapaz, e cochichou para a rainha: — Ele disse que você deve procurar entre os arbustos onde esteve deitada daquela vez, você bem sabe.

— Psiu, psiu, não diga nada — disse a rainha, e deu cem dáleres ao rapaz.

Quando chegou à segunda propriedade real, o rei perguntou se havia falado com o dragão sobre aquilo que lhe pedira.

— Sim — disse o rapaz —, falei, e aqui está sua filha.

O rei ficou tão contente que de bom grado teria dado ao filho do moleiro a princesa e metade do reino. Mas, como ele já era casado, recebeu duzentos dáleres, cavalos, uma carroça e tanto ouro e prata quanto podia levar.

Quando chegou à terceira propriedade real, o rei veio lhe perguntar se havia perguntado ao dragão aquilo que pedira.

— Sim — respondeu o rapaz. — Ele disse que você deve escavar e limpar o poço e tirar o velho tronco podre que está no fundo; assim terá água limpa.

O rei lhe deu então trezentos dáleres. Dali ele foi direto para casa, e estava tão enfeitado de ouro e prata, tão vistoso, que tudo nele brilhava e reluzia. Agora era muito mais rico que Peer, o mascate.

Quando Peer recebeu as penas, nada teve a dizer contra o casamento. Mas, ao ver toda aquela riqueza, perguntou se o dragão possuía tanto assim.

— Sim — disse o rapaz —, havia muito mais do que eu podia levar. É tanta coisa que dá muitas cargas de cavalos, e, se quiser ir até lá, certamente haverá bastante para você também.

Pois Peer, o mascate, quis ir. O genro lhe explicou tão bem o caminho que não precisaria pedir informações.

— Mas os cavalos — disse — é melhor deixar deste lado do rio, porque o velho da travessia há de ajudá-lo a passar.

Peer partiu levando muitas provisões e muitos cavalos, mas deixou-os na margem do rio, como o rapaz havia dito. O homem da travessia o tomou então às costas e, depois de avançar um pouco pelo rio, jogou-o bem no meio da água e disse:

— Agora você pode ficar aqui levando as pessoas para o outro lado, até alguém tomar seu lugar.

E, se ninguém tomou seu lugar, o rico mascate Peer continua lá fazendo a travessia até hoje.


Sobre esta edição

Obra
Rige Peer Kræmmer
Autoria original
Asbjørnsen e Moe
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
03/11/2026
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Pesquisa em 30/10/2026 · Confiança baixa · Método 2.0 · Evidência limitada

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