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EK 23

O rouxinol

Hans Christian Andersen

Nattergalen

Sobre este conto

O imperador da China descobre por um livro que existe em seus domínios um rouxinol admirado por todos. Uma menina da cozinha leva os cortesãos até o pássaro, cujo canto comove o soberano. A chegada de um rouxinol artificial coberto de pedras preciosas muda as preferências da corte e a vida do cantor da floresta.

Personagens e estrutura
Personagens
O imperador da China, O rouxinol vivo, O rouxinol artificial, O fidalgo e os cortesãos, A menina da cozinha e sua mãe doente, O pescador e os pescadores, O mestre de música, O médico e o relojoeiro, A Morte, As boas e más ações do imperador, que aparecem como cabeças
Onde se passa
Na China, o palácio de porcelana e seu jardim, a floresta junto ao mar, a cidade e o quarto do imperador. O cemitério é descrito no canto do rouxinol.
Acontecimentos
  1. O imperador exige ouvir o rouxinol; a menina da cozinha encontra o pássaro e o leva à corte.
  2. O canto faz o imperador chorar. O pássaro fica na corte, numa gaiola, com passeios vigiados por doze criados.
  3. Um rouxinol artificial faz sucesso repetindo a mesma música. O vivo volta à floresta e é banido; o artificial recebe honras.
  4. O mecanismo se estraga. Um relojoeiro o conserta parcialmente, permitindo apenas uma execução por ano. Depois o imperador adoece e é abandonado pela corte.
  5. A Morte senta no peito do imperador; suas ações o confrontam. O rouxinol vivo retorna e canta, recebendo da Morte o sabre, a bandeira e a coroa.
  6. O canto sobre o cemitério faz a Morte partir. O imperador dorme e acorda saudável; o rouxinol pede liberdade para voltar e segredo sobre suas notícias.
Desfecho
A Morte sai pela janela como uma névoa branca e fria. O imperador acorda saudável e quer conservar o rouxinol no palácio e quebrar o artificial. O rouxinol pede que poupe a outra ave e o deixe vir livremente cantar sobre o que acontece longe da corte. Ama mais o coração que a coroa, embora reconheça nela algo sagrado, e pede segredo sobre suas notícias. Voa embora. Quando os criados entram para ver o imperador que julgavam morto, ele lhes diz: “Bom dia!”

Na China, você bem sabe, o imperador é chinês, e todos os que o cercam são chineses. Isso aconteceu há muitos anos, mas justamente por isso vale a pena ouvir a história antes que seja esquecida. O palácio do imperador era o mais magnífico do mundo, feito inteiramente de fina porcelana, tão preciosa, mas tão frágil, tão delicada de tocar que era preciso tomar muito cuidado. No jardim se viam as flores mais extraordinárias, e às mais esplêndidas tinham sido presos sininhos de prata, que tocavam para que ninguém passasse sem notá-las. Sim, tudo era tão engenhoso no jardim do imperador, e ele se estendia por tão longe que nem o próprio jardineiro sabia onde terminava. Quem continuasse andando chegava à mais bela floresta, com árvores altas e lagos profundos. A floresta descia até o mar, azul e profundo; grandes navios podiam passar bem debaixo dos galhos, e neles morava um rouxinol que cantava tão maravilhosamente que até o pobre pescador, com tantas outras coisas para fazer, ficava quieto e escutava quando saía à noite para recolher a rede e ouvia o rouxinol. “Meu Deus, como é bonito!”, dizia ele. Mas depois tinha de cuidar de seus afazeres e esquecia o pássaro. Na noite seguinte, porém, quando ele tornava a cantar e o pescador chegava ali, dizia a mesma coisa: “Meu Deus! Como é bonito!”

De todos os países do mundo chegavam viajantes à cidade do imperador. Admiravam a cidade, o palácio e o jardim, mas, quando ouviam o rouxinol, todos diziam: “Ele é o melhor de tudo!”

Ao voltarem para casa, os viajantes contavam isso, e os sábios escreveram muitos livros sobre a cidade, o palácio e o jardim. Mas não se esqueceram do rouxinol: deram-lhe o primeiro lugar. E os que sabiam fazer versos escreveram os mais belos poemas, todos sobre o rouxinol da floresta junto ao mar profundo.

Esses livros correram o mundo, e alguns chegaram também, um dia, às mãos do imperador. Sentado em sua cadeira de ouro, ele lia sem parar e a todo instante assentia com a cabeça, pois gostava de ouvir as magníficas descrições da cidade, do palácio e do jardim. “Mas o rouxinol é o melhor de tudo!”, estava escrito.

“O quê!”, disse o imperador. “O rouxinol! Eu nem o conheço! Existe um pássaro desses em meu império, ainda por cima em meu jardim! Nunca ouvi falar nisso! É preciso descobrir essas coisas lendo!”

Chamou então seu fidalgo, que era tão importante que, quando alguém inferior a ele ousava lhe dirigir a palavra ou fazer uma pergunta, só respondia “P!”, e isso não significa nada.

“Parece que há aqui um pássaro extraordinário chamado rouxinol!”, disse o imperador. “Dizem que é a melhor coisa de meu grande reino! Por que nunca me disseram nada a respeito dele?”

“Nunca ouvi seu nome antes!”, disse o fidalgo. “Nunca foi apresentado à corte!”

“Quero que venha aqui esta noite cantar para mim!”, disse o imperador. “O mundo inteiro sabe o que eu tenho, e eu não sei!”

“Nunca ouvi seu nome antes!”, disse o fidalgo. “Vou procurá-lo, vou encontrá-lo!”

Mas onde encontrá-lo? O fidalgo subiu e desceu todas as escadas, atravessou salões e corredores, mas nenhuma das pessoas que encontrou tinha ouvido falar do rouxinol. Voltou correndo ao imperador e disse que aquilo devia ser uma fábula dos que escreviam livros. “Vossa Majestade Imperial não deve acreditar no que se escreve! São invenções e uma coisa chamada magia negra!”

“Mas o livro em que li isso”, disse o imperador, “foi enviado pelo poderosíssimo imperador do Japão, portanto não pode ser mentira. Quero ouvir o rouxinol! Ele tem de estar aqui esta noite! Tem meu mais alto favor! E, se não vier, toda a corte levará pancadas na barriga depois do jantar!”

“Tsing-pe!”, disse o fidalgo e tornou a subir e descer todas as escadas, atravessando salões e corredores. Metade da corte correu com ele, pois não queria levar pancadas na barriga. Todos perguntavam pelo extraordinário rouxinol, que o mundo inteiro conhecia, mas ninguém na corte.

Por fim encontraram uma pobre menininha na cozinha. Ela disse: “Meu Deus, o rouxinol! Eu o conheço bem! Ah, como ele sabe cantar! Todas as noites tenho licença para levar algumas sobras da mesa para minha pobre mãe doente, que mora lá embaixo, perto da praia. Quando volto, cansada, e descanso na floresta, ouço o rouxinol cantar! Fico com os olhos cheios de lágrimas; é como se minha mãe me beijasse!”

“Pequena ajudante de cozinha!”, disse o fidalgo. “Vou conseguir para você um emprego fixo na cozinha e permissão para ver o imperador comer, se puder nos levar ao rouxinol, pois ele foi convocado para esta noite.”

Todos foram então para a floresta onde o rouxinol costumava cantar. Metade da corte os acompanhava. No meio do caminho, uma vaca começou a mugir.

“Oh!”, disseram os fidalgos da corte. “Agora o encontramos! Que força extraordinária num bichinho tão pequeno! Tenho certeza de que já o ouvi antes!”

“Não, são as vacas mugindo!”, disse a pequena ajudante de cozinha. “Ainda estamos longe do lugar!”

Então as rãs começaram a coaxar no brejo.

“Maravilhoso!”, disse o prelado chinês do palácio. “Agora o ouço; parece o som de pequenos sinos de igreja.”

“Não, são as rãs!”, disse a pequena ajudante de cozinha. “Mas acho que logo o ouviremos!”

Então o rouxinol começou a cantar.

“É ele!”, disse a menininha. “Escutem! Escutem! Ali está ele!” E apontou para um pequeno pássaro cinzento no alto dos galhos.

“É possível!”, disse o fidalgo. “Nunca o imaginei assim! Como é simples! Deve ter perdido a cor ao ver tanta gente importante perto dele!”

“Pequeno rouxinol!”, gritou bem alto a pequena ajudante de cozinha. “Nosso bondoso imperador gostaria muito que você cantasse para ele!”

“Com o maior prazer!”, disse o rouxinol e cantou que era uma alegria.

“Parece o som de sininhos de vidro!”, disse o fidalgo. “E vejam como essa gargantinha trabalha! É extraordinário nunca o termos ouvido antes! Ele fará grande sucesso na corte!”

“Devo cantar mais uma vez para o imperador?”, perguntou o rouxinol, pensando que o imperador estivesse entre eles.

“Meu excelente pequeno rouxinol!”, disse o fidalgo. “Tenho a grande alegria de convidá-lo para uma festa na corte esta noite, onde encantará Sua Alta Graça Imperial com seu canto encantador!”

“Ele fica melhor em meio ao verde!”, disse o rouxinol. Mesmo assim, acompanhou-os de bom grado quando soube que era esse o desejo do imperador.

No palácio tinham caprichado na arrumação! As paredes e o chão, de porcelana, brilhavam à luz de muitos milhares de lâmpadas de ouro! As flores mais belas, que sabiam tilintar tão bem, tinham sido colocadas nos corredores. Era uma correria e uma corrente de ar, mas assim todos os sininhos tocavam, e não se conseguia ouvir uma palavra.

No meio do grande salão onde o imperador estava sentado, haviam posto um poleiro de ouro, e nele o rouxinol deveria pousar. Toda a corte estava presente, e a pequena ajudante de cozinha recebera permissão para ficar atrás da porta, pois agora tinha o título de ajudante de cozinha efetiva. Todos vestiam seus maiores enfeites e olhavam para o pequeno pássaro cinzento, a quem o imperador fazia um aceno de cabeça.

O rouxinol cantou tão lindamente que os olhos do imperador se encheram de lágrimas. As lágrimas lhe escorriam pelas faces, e então o rouxinol cantou ainda mais bonito, bem ao coração. O imperador ficou tão contente que disse que o rouxinol receberia seu chinelo de ouro para usar ao pescoço. Mas o rouxinol agradeceu: já tinha recebido recompensa suficiente.

“Vi lágrimas nos olhos do imperador; para mim, são o tesouro mais rico! As lágrimas de um imperador têm um poder extraordinário! Deus sabe que já estou bem recompensado!” E cantou novamente com sua voz doce e abençoada.

“É a mais adorável coqueteria que conheço!”, disseram as damas ao redor. Puseram água na boca para gorjear quando alguém lhes falava; acreditavam assim ser também rouxinóis. Sim, os lacaios e as camareiras mandaram dizer que também estavam satisfeitos, e isso é muita coisa, pois são os mais difíceis de agradar. Sim, o rouxinol fez mesmo sucesso.

Agora ele deveria ficar na corte, ter sua própria gaiola e liberdade para passear duas vezes de dia e uma vez à noite. Doze criados o acompanhavam, cada um segurando bem firme uma fita de seda presa à perna do pássaro. Não havia prazer algum naquele passeio.

A cidade inteira falava do extraordinário pássaro. Quando duas pessoas se encontravam, uma só dizia “Rou—!”, e a outra respondia “xinol!” Então suspiravam e se entendiam. Sim, onze filhos de vendedores de mantimentos receberam o nome dele, mas nenhum tinha uma só nota musical no corpo.

Um dia chegou um grande pacote para o imperador. Por fora estava escrito: Rouxinol.

“Temos agora um novo livro sobre nosso famoso pássaro!”, disse o imperador. Mas não era um livro: dentro de uma caixa havia uma pequena obra de engenho, um rouxinol artificial que deveria se parecer com o vivo, mas era todo coberto de diamantes, rubis e safiras. Assim que davam corda no pássaro artificial, ele podia cantar uma das músicas que o verdadeiro cantava, enquanto a cauda subia e descia, brilhando em prata e ouro. Trazia uma pequena fita ao pescoço, e nela estava escrito: “O rouxinol do imperador do Japão é pobre comparado ao do imperador da China.”

“Que maravilha!”, disseram todos. E quem trouxera o pássaro artificial recebeu imediatamente o título de Supremo Portador Imperial de Rouxinóis.

“Agora eles devem cantar juntos! Que dueto será!”

Tiveram então de cantar juntos, mas a coisa não funcionou muito bem, pois o rouxinol verdadeiro cantava à sua maneira, e o artificial funcionava por cilindros. “Ele não tem culpa”, disse o mestre de música. “Mantém o compasso com muita precisão e é inteiramente de minha escola!” Então o pássaro artificial teve de cantar sozinho. Fez tanto sucesso quanto o verdadeiro, e também era muito mais bonito de se olhar: brilhava como pulseiras e broches.

Trinta e três vezes cantou a mesma música, sem se cansar. As pessoas gostariam de ouvi-lo recomeçar, mas o imperador achou que agora o rouxinol vivo também deveria cantar um pouco. Mas onde estava ele? Ninguém tinha percebido que voara pela janela aberta de volta para suas florestas verdes.

“Mas o que é isso!”, disse o imperador. Todos os cortesãos ralharam e acharam que o rouxinol era um animal muito ingrato. “Ainda temos o melhor pássaro!”, disseram. O artificial teve então de cantar novamente, e foi a trigésima quarta vez que ouviram a mesma música. Ainda não a sabiam por inteiro, pois era muito difícil. E o mestre de música elogiou tanto o pássaro que chegou a garantir que era melhor do que o rouxinol verdadeiro, não só pelas roupas e pelos muitos diamantes bonitos, mas também por dentro.

“Pois vejam, meus senhores, e sobretudo o imperador! Com o rouxinol verdadeiro nunca se pode prever o que virá, mas com o pássaro artificial tudo está determinado! Será assim e não de outra maneira! Podemos explicar seu funcionamento, abri-lo e mostrar ao pensamento humano como estão dispostos os cilindros, como se movem e como uma coisa decorre da outra!”

“É exatamente o que penso!”, disseram todos. O mestre de música recebeu permissão para mostrar o pássaro ao povo no domingo seguinte. O povo também deveria ouvi-lo cantar, disse o imperador. E ouviram, ficando tão contentes como se tivessem se embriagado de chá, pois isso é uma coisa inteiramente chinesa. Todos disseram “Oh!”, levantaram o dedo que chamam de “lambe-pote” e assentiram com a cabeça. Mas os pobres pescadores que tinham ouvido o rouxinol verdadeiro disseram: “O som é bem bonito, e também se parece, mas falta alguma coisa, não sei o quê!”

O rouxinol verdadeiro fora banido do país e do reino.

O pássaro artificial tinha seu lugar numa almofada de seda junto à cama do imperador. Ao seu redor ficavam todos os presentes que recebera, ouro e pedras preciosas. Seu título havia subido para “Altíssimo Cantor Imperial de Mesa de Cabeceira”, com o posto número um do lado esquerdo, pois o imperador considerava mais nobre o lado em que ficava o coração, e o coração fica à esquerda também num imperador. O mestre de música escreveu vinte e cinco volumes sobre o pássaro artificial. Eram tão eruditos, tão longos e cheios das palavras chinesas mais difíceis que todo mundo dizia ter lido e entendido, pois, do contrário, seria tolo e levaria pancadas na barriga.

Assim se passou um ano inteiro. O imperador, a corte e todos os outros chineses sabiam de cor cada pequeno gorjeio do canto do pássaro artificial, e era justamente por isso que agora gostavam tanto dele. Podiam cantar junto, e cantavam. Os meninos de rua cantavam “zizizi! cluccluccluc!”, e o imperador cantava também! Sim, era realmente maravilhoso!

Mas uma noite, quando o pássaro artificial cantava a todo vapor e o imperador o ouvia deitado na cama, fez “ploc!” dentro do pássaro. Alguma coisa se rompeu: “vrrrr!” Todas as rodas giraram, e a música parou.

O imperador saltou imediatamente da cama e mandou chamar seu médico particular. Mas em que ele poderia ajudar? Então buscaram o relojoeiro. Depois de muita conversa e muito exame, conseguiu pôr o pássaro mais ou menos em ordem, mas disse que era preciso poupá-lo bastante, pois os pinos estavam muito gastos e não era possível colocar novos de modo que a música funcionasse com segurança. Foi uma grande tristeza! Só se ousava deixar o pássaro artificial cantar uma vez por ano, e mesmo isso já era demais. Mas o mestre de música fazia um pequeno discurso com as palavras difíceis e dizia que estava tão bom quanto antes, e então estava tão bom quanto antes.

Cinco anos haviam passado, e uma grande tristeza tomou conta do país inteiro, pois no fundo todos gostavam de seu imperador. Agora ele estava doente e não viveria, diziam. Um novo imperador já tinha sido escolhido, e as pessoas ficavam na rua perguntando ao fidalgo como estava seu imperador.

“P!”, dizia ele, sacudindo a cabeça.

Frio e pálido, o imperador jazia em sua grande e magnífica cama. Toda a corte o julgava morto, e cada um correu para cumprimentar o novo imperador. Os camareiros saíram para conversar sobre o assunto, e as criadas do palácio faziam uma grande reunião para tomar café. Haviam estendido tecidos por todos os salões e corredores para que não se ouvisse ninguém andar, e por isso tudo estava tão quieto, tão quieto. Mas o imperador ainda não estava morto. Rígido e pálido, jazia na magnífica cama, com suas longas cortinas de veludo e pesadas borlas de ouro. Lá no alto uma janela estava aberta, e a lua iluminava o imperador e o pássaro artificial.

O pobre imperador mal conseguia respirar. Era como se houvesse alguma coisa sentada em seu peito. Abriu os olhos e viu que era a Morte, sentada em seu peito, usando sua coroa de ouro, segurando numa mão o sabre de ouro do imperador e na outra sua magnífica bandeira. Ao redor, nas dobras das grandes cortinas de veludo da cama, surgiam cabeças extraordinárias, algumas terríveis, outras tão bondosas e suaves. Eram todas as boas e más ações do imperador que olhavam para ele, agora que a Morte estava sentada sobre seu coração.

“Lembra-se disso?”, sussurravam uma depois da outra. “Lembra-se disso?” E lhe contavam tantas coisas que o suor lhe brotava na testa.

“Nunca soube disso!”, disse o imperador. “Música! Música! O grande tambor chinês!”, gritou ele. “Para que eu não tenha de ouvir tudo o que elas dizem!”

Mas elas continuavam, e a Morte assentia como um chinês a tudo o que era dito.

“Música! Música!”, gritou o imperador. “Você, pequeno e abençoado pássaro de ouro! Cante, cante! Dei-lhe ouro e preciosidades, eu mesmo pendurei meu chinelo de ouro em seu pescoço. Cante, cante!”

Mas o pássaro ficava imóvel. Não havia ninguém para lhe dar corda, e sem isso ele não cantava. A Morte continuava a olhar para o imperador com suas grandes órbitas vazias, e estava tudo tão quieto, tão terrivelmente quieto.

Nesse instante soou perto da janela o mais belo canto. Era o pequeno rouxinol vivo, pousado no galho lá fora. Soubera da aflição de seu imperador e viera lhe cantar consolo e esperança. À medida que cantava, as figuras iam ficando cada vez mais pálidas, o sangue circulava cada vez mais depressa no corpo enfraquecido do imperador, e a própria Morte escutou e disse: “Continue, pequeno rouxinol! Continue!”

“Sim, mas você me dará o magnífico sabre de ouro? Sim, me dará a rica bandeira? Me dará a coroa do imperador?”

A Morte deu cada preciosidade por uma canção, e o rouxinol continuou cantando. Cantou sobre o cemitério silencioso, onde crescem as rosas brancas, onde o sabugueiro perfuma o ar e a relva fresca é molhada pelas lágrimas dos que ficaram. Então a Morte sentiu saudade de seu jardim e flutuou pela janela como uma névoa branca e fria.

“Obrigado! Obrigado!”, disse o imperador. “Pequeno pássaro celestial, eu o reconheço! Expulsei você de meu país e de meu reino, e ainda assim, com seu canto, afastou as visões más de minha cama e tirou a Morte de meu coração! Como hei de recompensá-lo?”

“Você já me recompensou!”, disse o rouxinol. “Recebi as lágrimas de seus olhos na primeira vez em que cantei. Nunca esquecerei isso! São essas as joias que fazem bem ao coração de um cantor. Mas durma agora e fique forte e saudável! Cantarei para você!”

E cantou, e o imperador caiu num sono doce, tão suave e reparador era aquele sono.

O sol entrava pelas janelas quando ele acordou, fortalecido e saudável. Nenhum de seus criados tinha voltado ainda, pois pensavam que estivesse morto, mas o rouxinol continuava ali cantando.

“Você tem de ficar sempre comigo!”, disse o imperador. “Só cantará quando quiser, e eu quebrarei o pássaro artificial em mil pedaços.”

“Não faça isso!”, disse o rouxinol. “Ele fez o bem que pôde! Conserve-o como sempre! Não posso fazer meu ninho e morar no palácio, mas deixe-me vir quando eu tiver vontade. Então, à noite, pousarei naquele galho junto à janela e cantarei para você, para que fique alegre e pensativo ao mesmo tempo. Cantarei sobre os felizes e sobre os que sofrem; cantarei sobre o mal e o bem que escondem ao seu redor. O pequeno pássaro cantor voa por toda parte, até o pobre pescador, até o telhado do camponês, até todos os que estão longe de você e de sua corte. Amo seu coração mais do que sua coroa, embora a coroa tenha ao seu redor um perfume de algo sagrado! Virei cantar para você! Mas uma coisa precisa me prometer!”

“Tudo!”, disse o imperador. Ali estava ele em seus trajes imperiais, que vestira sozinho, segurando junto ao coração o sabre pesado de ouro.

“Só uma coisa lhe peço! Não conte a ninguém que tem um passarinho que lhe diz tudo; assim será ainda melhor!”

E o rouxinol voou para longe.

Os criados entraram para ver seu imperador morto. Sim, lá estavam eles, e o imperador disse: “Bom dia!”


Sobre esta edição

Obra
Nattergalen
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Nattergalen

H. C. Andersens Eventyr og Historier · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind · 1905 · Dinamarquês · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind
Volume I. Página 230–241. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

I Kina, veed du jo nok, er Kejseren en Kineser, og alle de, han har om sig, ere Kinesere. Det er nu mange Aar siden, men just derfor er det værd at høre Historien, før man glemmer den. Kejserens Slot var det prægtigste i Verden, ganske og aldeles af fint Porcelæn, saa kostbart, men saa skørt, saa vanskeligt at røre ved, at man maatte ordentlig tage sig i Agt. I Haven saa man de forunderligste Blomster, og ved de allerprægtigste var der bundet Sølvklokker, der klang, for at man ikke skulde gaa forbi uden at bemærke dem. Ja, alting var saa udspekuleret i Kejserens Have, og den strakte sig saa langt, at Gartneren selv ikke vidste Enden paa den; blev man ved at gaa, kom man i den dejligste Skov med høje Træer og dybe Søer. Skoven gik lige ned til Havet, der var blaat og dybt; store Skibe kunde sejle lige ind under Grenene, og i disse boede der en Nattergal, der sang saa velsignet, at selv den fattige Fisker, der havde saa meget andet at passe, laa stille og lyttede, naar han om Natten var ude at trække Fiskegarnet op og da hørte Nattergalen. »Herre Gud, hvor det er kønt!« sagde han, men saa maatte han passe sine Ting og glemte Fuglen; dog næste Nat, naar den igen sang, og Fiskeren kom derud, sagde han det samme: »Herre Gud! hvor det dog er kønt!«

Fra alle Verdens Lande kom der rejsende til Kejserens Stad, og de beundrede den, Slottet og Haven, men naar de fik Nattergalen at høre, sagde de alle sammen: »Den er dog det bedste!«

Og de rejsende fortalte derom, naar de kom hjem, og de lærde skrev mange Bøger om Byen, Slottet og Haven, men Nattergalen glemte de ikke, den blev sat allerøverst; og de, som kunde digte, skrev de dejligste Digte, alle sammen om Nattergalen i Skoven ved den dybe Sø.

De Bøger kom Verden rundt, og nogle kom da ogsaa engang til Kejseren. Han sad i sin Guldstol, læste og læste, hvert Øjeblik nikkede han med Hovedet, thi det fornøjede ham at høre de prægtige Beskrivelser over Byen, Slottet og Haven. »Men Nattergalen er dog det allerbedste!« stod der skrevet.

»Hvad for noget!« sagde Kejseren, »Nattergalen! den kender jeg jo slet ikke! er her saadan en Fugl i mit Kejserdømme, oven i Købet i min Have! det har jeg aldrig hørt! saadant noget skal man læse sig til!«

Og saa kaldte han paa sin Kavaler, der var saa fornem, at naar nogen, der var ringere end han, vovede at tale til ham eller spørge om noget, saa svarede han ikke andet end »P!« og det har ikke noget at betyde.

»Her skal jo være en højst mærkværdig Fugl, som kaldes Nattergal!« sagde Kejseren, »man siger, at den er det allerbedste i mit store Rige! hvorfor har man aldrig sagt mig noget om den?«

»Jeg har aldrig før hørt den nævne!« sagde Kavaleren, »den er aldrig bleven præsenteret ved Hoffet!« —

»Jeg vil, at den skal komme her i Aften og synge for mig!« sagde Kejseren. »Der veed hele Verden hvad jeg har, og jeg veed det ikke!«

»Jeg har aldrig før hørt den nævne!« sagde Kavaleren, »jeg skal søge den, jeg skal finde den!« —

Men hvor var den at finde? Kavaleren løb op og ned ad alle Trapper, gennem Sale og Gange, ingen af alle dem, han traf paa, havde hørt tale om Nattergalen, og Kavaleren løb igen til Kejseren og sagde, at det vist maatte være en Fabel af dem, der skrev Bøger. »Deres kejserlige Majestæt skal ikke tro, hvad der skrives! det er Opfindelser og noget, som kaldes den sorte Kunst!«

»Men den Bog, hvori jeg har læst det,« sagde Kejseren, »er sendt mig fra den stormægtige Kejser af Japan, og saa kan det ikke være Usandhed. Jeg vil høre Nattergalen! den skal være her i Aften! den har min højeste Naade! og kommer den ikke, da skal hele Hoffet dunkes paa Maven, naar det har spist Aftensmad!«

»Tsing-pe!« sagde Kavaleren og løb igen op og ned ad alle Trapper, gennem alle Sale og Gange; og det halve Hof løb med, for de vilde ikke gerne dunkes paa Maven. Der var en Spørgen efter den mærkelige Nattergal, som hele Verden kendte, men ingen ved Hoffet.

Endelig traf de en lille, fattig Pige i Køkkenet. Hun sagde: »O Gud, Nattergalen! den kender jeg godt! ja, hvor den kan synge! hver Aften har jeg Lov til at bringe lidt Levninger fra Bordet hjem til min stakkels syge Moder, hun bor nede ved Stranden; og naar jeg saa gaar tilbage, er træt og hviler i Skoven, saa hører jeg Nattergalen synge! jeg faar Vandet i Øjnene derved, det er, ligesom om min Moder kyssede mig!«

»Lille Kokkepige!« sagde Kavaleren, »jeg skal skaffe hende fast Ansættelse i Køkkenet og Lov til at se Kejseren spise, dersom Hun kan føre os til Nattergalen, for den er tilsagt til i Aften.«

Og saa drog de alle sammen ud i Skoven, hvor Nattergalen plejede at synge; det halve Hof var med. Som de allerbedst gik, begyndte en Ko at brøle.

»Oh!« sagde Hofjunkerne, »nu har vi den! der er dog en mærkelig Kraft i et saadant lille Dyr! jeg har ganske bestemt hørt den før!«

»Nej, det er Køerne, som brøle!« sagde den lille Kokkepige, »vi ere endnu langt fra Stedet!«

Frøerne kvækkede nu i Kæret.

»Dejligt!« sagde den kinesiske Slotsprovst, »nu hører jeg hende, det er ligesom smaa Kirkeklokker.«

»Nej, det er Frøerne!« sagde den lille Kokkepige. »Men nu tænker jeg snart, vi høre den!«

Saa begyndte Nattergalen at synge.

»Den er det!« sagde den lille Pige, »hør! hør! og der sidder den!« og saa pegede hun paa en lille graa Fugl oppe i Grenene.

»Er det muligt!« sagde Kavaleren, »saaledes havde jeg nu aldrig tænkt mig den! hvor den ser simpel ud! den har vist mistet sin Kulør over at se saa mange fornemme Mennesker hos sig!«

»Lille Nattergal!« raabte den lille Kokkepige ganske højt, »vor naadige Kejser vil saa gerne, at du skal synge for ham!«

»Med største Fornøjelse!« sagde Nattergalen og sang, saa det var en Lyst.

»Det er ligesom Glasklokker!« sagde Kavaleren, »og se den lille Strube, hvor den bruger sig! det er mærkværdigt, vi aldrig har hørt den før! den vil gøre en stor succes ved Hoffet!«

»Skal jeg synge endnu engang for Kejseren?« sagde Nattergalen, der troede, at Kejseren var med.

»Min fortræffelige, lille Nattergal!« sagde Kavaleren, »jeg har den store Glæde at skulle tilsige Dem til en Hoffest i Aften, hvor De vil fortrylle Hans høje, kejserlige Naade med Deres charmante Sang!«

»Den tager sig bedst ud i det grønne!« sagde Nattergalen, men den fulgte dog gerne med, da den hørte, at Kejseren ønskede det.

Paa Slottet var der ordentligt pudset op! Vægge og Gulv, der var af Porcelæn, skinnede ved mange Tusinde Guldlamper! de dejligste Blomster, som ret kunde klinge, vare stillede op i Gangene; der var en Løben og en Trækvind, men saa klang just alle Klokkerne, man kunde ikke høre Ørenlyd.

Midt inde i den store Sal, hvor Kejseren sad, var der stillet en Guldpind, og paa den skulde Nattergalen sidde! hele Hoffet var der, og den lille Kokkepige havde faaet Lov at staa bag ved Døren, da hun nu havde Titel af virkelig Kokkepige. Alle vare de i deres største Pynt, og alle saa de paa den lille graa Fugl, som Kejseren nikkede til.

Og Nattergalen sang saa dejligt, at Kejseren fik Taarer i Øjnene, Taarerne trillede ham ned over Kinderne, og da sang Nattergalen endnu smukkere, det gik ret til Hjertet; og Kejseren var saa glad, og han sagde, at Nattergalen skulde have hans Guldtøffel at bære om Halsen. Men Nattergalen takkede, den havde allerede faaet Belønning nok.

»Jeg har set Taarer i Øjnene paa Kejseren, det er mig den rigeste Skat! en Kejsers Taarer har en forunderlig Magt! Gud veed, jeg er nok belønnet!« og saa sang den igen med sin søde, velsignede Stemme.

»Det er det elskeligste Koketteri, jeg kender!« sagde Damerne rundt om, og saa tog de Vand i Munden for at klukke, naar nogen talte til dem; de troede da ogsaa at være Nattergale; ja, Lakajerne og Kammerpigerne lod melde, at ogsaa de vare tilfredse, og det vil sige meget, thi de ere de allervanskeligste at gøre til Pas. Jo, Nattergalen gjorde rigtignok Lykke.

Den skulde nu blive ved Hoffet, have sit eget Bur, samt Frihed til at spadsere ud to Gange om Dagen og een Gang om Natten. Den fik tolv Tjenere med, alle havde de et Silkebaand om Benet paa den og holdt godt fast. Der var slet ingen Fornøjelse ved den Tur.

Hele Byen talte om den mærkværdige Fugl, og mødte to hinanden, saa sagde den ene ikke andet end: »Nat —!« og den anden sagde »gal!« og saa sukkede de og forstod hinanden, ja, elleve Spekhøkerbørn bleve opkaldte efter den, men ikke een af dem havde en Tone i Livet. —

En Dag kom en stor Pakke til Kejseren, udenpaa stod skrevet: Nattergal.

»Der har vi nu en ny Bog om vor berømte Fugl!« sagde Kejseren; men det var ingen Bog, det var et lille Kunststykke, der laa i en Æske, en kunstig Nattergal, der skulde ligne den levende, men var overalt besat med Diamanter, Rubiner og Safirer; saa snart man trak Kunstfuglen op, kunde den synge et af de Stykker, den virkelige sang, og saa gik Halen op og ned og glinsede af Sølv og Guld. Om Halsen hang et lille Baand, og paa det stod skrevet: »Kejseren af Japans Nattergal er fattig imod Kejseren af Kinas.«

»Det er dejligt!« sagde de alle sammen, og den, som havde bragt den kunstige Fugl, fik straks Titel af Overkejserlig-nattergale-bringer.

»Nu maa de synge sammen, hvor det vil blive en Duet!«

Og saa maatte de synge sammen, men det vilde ikke rigtig gaa, thi den virkelige Nattergal sang paa sin Maner, og Kunstfuglen gik paa Valser. »Den har ingen Skyld,« sagde Spillemesteren, »den er særdeles taktfast og ganske af min Skole!« Saa skulde Kunstfuglen synge alene. — Den gjorde lige saa megen Lykke som den virkelige, og saa var den jo ogsaa saa meget mere nydelig at se paa: den glimrede som Armbaand og Brystnaale.

Tre og tredive Gange sang den eet og det samme Stykke, og den var dog ikke træt; Folk havde gerne hørt den forfra igen, men Kejseren mente, at nu skulde ogsaa den levende Nattergal synge lidt — — men hvor var den? Ingen havde bemærket, at den var fløjen ud af det aabne Vindue, bort til sine grønne Skove.

»Men hvad er dog det for noget!« sagde Kejseren; og alle Hoffolkene skændte og mente, at Nattergalen var et højst utaknemmeligt Dyr. »Den bedste Fugl have vi dog!« sagde de, og saa maatte igen Kunstfuglen synge, og det var den fire og tredivte Gang, de fik det samme Stykke, men de kunde det ikke helt endnu, for det var saa svært, og Spillemesteren roste saa overordentligt Fuglen, ja, forsikrede, at den var bedre end den virkelige Nattergal, ikke blot hvad Klæderne angik og de mange dejlige Diamanter, men ogsaa indvortes.

»Thi ser De, mine Herskaber, Kejseren fremfor alle! hos den virkelige Nattergal kan man aldrig beregne, hvad der vil komme, men hos Kunstfuglen er alt bestemt! saaledes bliver det og ikke anderledes! man kan gøre Rede for det, man kan sprætte den op og vise den menneskelige Tænkning, hvorledes Valserne ligge, hvorledes de gaa, og hvordan det ene følger af det andet —!«

»Det er ganske mine Tanker!« sagde de alle sammen, og Spillemesteren fik Lov til, næste Søndag, at vise Fuglen frem for Folket; de skulde ogsaa høre den synge, sagde Kejseren; og de hørte den, og de bleve saa fornøjede, som om de havde drukket sig lystige i Tevand, for det er nu saa ganske kinesisk, og alle sagde da: »Oh!« og stak i Vejret den Finger, man kalder »Slikpot«, og saa nikkede de; men de fattige Fiskere, som havde hørt den virkelige Nattergal, sagde: »Det klinger smukt nok, det ligner ogsaa, men der mangler noget, jeg veed ikke hvad!«

Den virkelige Nattergal var forvist fra Land og Rige.

Kunstfuglen havde sin Plads paa en Silkepude tæt ved Kejserens Seng; alle de Foræringer, den havde faaet, Guld og Ædelstene, laa rundt omkring den, og i Titel var den stegen til »Højkejserlig Natbord-Sanger«, i Rang Nummer eet til venstre Side, for Kejseren regnede den Side for at være mest fornem, paa hvilken Hjertet sad, og Hjertet sidder til venstre ogsaa hos en Kejser. Og Spillemesteren skrev fem og tyve Bind om Kunstfuglen; det var saa lærd og saa langt, og med de allersværeste kinesiske Ord, og alle Folk sagde, at de havde læst og forstaaet det, for ellers havde de jo været dumme og vare da blevne dunkede paa Maven.

Saaledes gik der et helt Aar: Kejseren, Hoffet og alle de andre Kinesere kunde udenad hvert lille Kluk i Kunstfuglens Sang, men just derfor syntes de nu allerbedst om den; de kunde selv synge med, og det gjorde de. Gadedrengene sang »zizizi! klukklukkluk!« og Kejseren sang det! jo, det var bestemt dejligt!

Men en Aften, som Kunstfuglen bedst sang, og Kejseren laa i Sengen og hørte paa den, sagde det »svup!« inden i Fuglen; der sprang noget: »snurrrr!« alle Hjulene løb rundt, og saa stod Musikken.

Kejseren sprang straks ud af Sengen og lod sin Livlæge kalde, men hvad kunde han hjælpe! saa lod de Urmageren hente, og efter megen Tale og megen Seenefter fik han Fuglen nogenlunde i Stand, men han sagde, at der maatte spares meget paa den, thi den var saa forslidt i Tappene, og det var ikke muligt at sætte ny, saaledes at det gik sikkert med Musikken. Det var en stor Bedrøvelse! kun een Gang om Aaret turde man lade Kunstfuglen synge, og det var strengt nok endda; men saa holdt Spillemesteren en lille Tale med de svære Ord og sagde, at det var lige saa godt som før, og saa var det lige saa godt som før.

Nu vare fem Aar gaaede, og hele Landet fik en rigtig stor Sorg, thi de holdt i Grunden alle sammen af deres Kejser: nu var han syg og kunde ikke leve, sagde man, en ny Kejser var allerede valgt, og Folk stod ude paa Gaden og spurgte Kavaleren, hvorledes det var med deres Kejser.

»P!« sagde han og rystede paa Hovedet.

Kold og bleg laa Kejseren i sin store, prægtige Seng, hele Hoffet troede ham død, og enhver af dem løb hen for at hilse paa den ny Kejser; Kammertjenerne løb ud for at snakke om det, og Slotspigerne havde stort Kaffeselskab. Rundt om i alle Sale og Gange var lagt Klæde, for at man ikke skulde høre nogen gaa, og derfor var der saa stille, saa stille. Men Kejseren var endnu ikke død; stiv og bleg laa han i den prægtige Seng med de lange Fløjls Gardiner og de tunge Guldkvaster; højt oppe stod et Vindue aabent, og Maanen skinnede ind paa Kejseren og Kunstfuglen.

Den stakkels Kejser kunde næsten ikke trække Vejret, det var, ligesom om der sad noget paa hans Bryst; han slog Øjnene op, og da saa han, at det var Døden, der sad paa hans Bryst og havde taget hans Guldkrone paa, og holdt i den ene Haand Kejserens Guldsabel, i den anden hans prægtige Fane; og rundt om i Folderne af de store Fløjls Sengegardiner stak der forunderlige Hoveder frem, nogle ganske fæle, andre saa velsignede milde: det var alle Kejserens onde og gode Gerninger, der saa paa ham, nu da Døden sad paa hans Hjerte.

»Husker du det?« hviskede den ene efter den anden. »Husker du det?« og saa fortalte de ham saa meget, saa at Sveden sprang ham ud af Panden.

»Det har jeg aldrig vidst!« sagde Kejseren; »Musik, Musik, den store kinesiske Tromme!« raabte han, »at jeg dog ikke skal høre alt det, de sige!«

Og de blev ved, og Døden nikkede ligesom en Kineser ved alt, hvad der blev sagt.

»Musik, Musik!« skreg Kejseren. »Du lille, velsignede Guldfugl! syng dog, syng! jeg har givet dig Guld og Kostbarheder, jeg har selv hængt dig min Guldtøffel om Halsen, syng dog, syng!«

Men Fuglen stod stille, der var ingen til at trække den op, og ellers sang den ikke; men Døden blev ved at se paa Kejseren med sine store, tomme Øjehuler, og der var saa stille, saa skrækkeligt stille.

Da lød i det samme, tæt ved Vinduet, den dejligste Sang; det var den lille, levende Nattergal, der sad paa Grenen udenfor; den havde hørt om sin Kejsers Nød og var derfor kommen at synge ham Trøst og Haab; og alt som den sang, bleve Skikkelserne mere og mere blege, Blodet kom raskere og raskere i Gang i Kejserens svage Legeme, og Døden selv lyttede og sagde: »Bliv ved, lille Nattergal! bliv ved!«

»Ja, vil du give mig den prægtige Guldsabel! ja, vil du give mig den rige Fane! vil du give mig Kejserens Krone!«

Og Døden gav hvert Klenodie for en Sang, og Nattergalen blev ved endnu at synge, og den sang om den stille Kirkegaard, hvor de hvide Roser gro, hvor Hyldetræet dufter, og hvor det friske Græs vædes af de efterlevendes Taarer; da fik Døden Længsel efter sin Have og svævede, som en kold, hvid Taage, ud af Vinduet.

»Tak, Tak!« sagde Kejseren, »du himmelske lille Fugl, jeg kender dig nok! Dig har jeg jaget fra mit Land og Rige, og dog har du sunget de onde Syner fra min Seng, faaet Døden fra mit Hjerte! Hvorledes skal jeg lønne dig?«

»Du har lønnet mig!« sagde Nattergalen; »jeg har faaet Taarer af dine Øjne, første Gang jeg sang, det glemmer jeg dig aldrig! det er de Juveler, der gør et Sangerhjerte godt —; men sov nu og bliv frisk og stærk! jeg skal synge for dig!«

Og den sang — og Kejseren faldt i en sød Søvn, saa mild og velgørende var Søvnen.

Solen skinnede ind ad Vinduerne til ham, da han vaagnede styrket og sund; ingen af hans Tjenere vare endnu komne tilbage, thi de troede, han var død, men Nattergalen sad endnu og sang.

»Altid maa du blive hos mig!« sagde Kejseren; »du skal kun synge, naar du selv vil, og Kunstfuglen slaar jeg i tusinde Stykker.«

»Gør ikke det!« sagde Nattergalen; »den har jo gjort det gode, den kunde! behold den som altid! jeg kan ikke bygge og bo paa Slottet, men lad mig komme, naar jeg selv har Lyst, da vil jeg om Aftenen sidde paa Grenen der ved Vinduet og synge for dig, at du kan blive glad og tankefuld tillige; jeg skal synge om de lykkelige, og om dem, som lide; jeg skal synge om ondt og godt, der rundt om dig holdes skjult; den lille Sangfugl flyver vidt omkring til den fattige Fisker, til Bondemandens Tag, til enhver, der er langt fra dig og dit Hof; jeg elsker dit Hjerte mer end din Krone, og dog har Kronen en Duft af noget helligt om sig! — jeg kommer, jeg synger for dig! — men eet maa du love mig!« —

— »Alt!« sagde Kejseren og stod der i sin kejserlige Dragt, som han selv havde iført sig, og holdt Sabelen, der var tung af Guld, op mod sit Hjerte.

»Eet beder jeg dig om! fortæl ingen, at du har en lille Fugl, der siger dig alt, saa vil det gaa endnu bedre!«

Og da fløj Nattergalen bort.

Tjenerne kom ind for at se til deres døde Kejser; — — jo, der stod de, og Kejseren sagde: »God Morgen!«

O rouxinol

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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