AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

EK 34

O sino

Hans Christian Andersen

Klokken

Sobre este conto

Numa grande cidade, algumas pessoas escutam um som parecido com um sino de igreja, mais nítido fora das ruas movimentadas. Muitos procuram sua origem na floresta e oferecem explicações diferentes. Num dia de confirmação, um grupo de jovens decide seguir o toque. Entre eles está um filho de rei, que não se satisfaz com o pequeno sino encontrado pelo caminho.

Personagens e estrutura
Personagens
Moradores da cidade que ouvem e procuram o sino, Dois confeiteiros que armam barracas na borda da floresta, Imperador que promete o título de Sineiro do Mundo, Homem que atribui o som a uma coruja e recebe o cargo, Pastor que fala na cerimônia de confirmação, Grupo de jovens confirmandos, muitos dos quais desistem da busca, Filho de rei que continua procurando o sino, Menino pobre que devolve roupas emprestadas e depois segue sozinho, Macacos que propõem atirar coisas no filho do rei, Espíritos bem-aventurados que dançam em torno do sino no final
Onde se passa
Ruas e arredores de uma grande cidade; borda da floresta com salgueiros e barracas; mata densa com fontes, casa de cascas e galhos, lagos e rochedos junto ao mar. A natureza é descrita no final como uma igreja. O país não é nomeado.
Acontecimentos
  1. Pessoas procuram um toque ouvido ao entardecer. Muitas param nos salgueiros da borda da floresta, onde dois confeiteiros armam barracas; um pendura um sino sem badalo.
  2. O imperador promete um título a quem achar a origem do som. Um homem o atribui a uma coruja, sem saber se vem da cabeça ou do tronco. É nomeado Sineiro do Mundo, mas o conhecimento não aumenta.
  3. Confirmandos decidem seguir o sino. Três não vão: uma moça quer provar o vestido de baile, um menino deve devolver roupas emprestadas e outro não sai sem os pais. Outros desistem pelo caminho.
  4. Alguns aceitam um pequeno sino numa casa como explicação. O filho de rei discorda e segue sozinho. Encontra o menino pobre, que já devolveu as roupas e voltou à busca de tamancos.
  5. Os dois tomam caminhos diferentes: o filho de rei vai à esquerda e o menino à direita. Espinhos ferem o menino até sangrar; o filho de rei também se arranha e continua pela floresta.
  6. Ao anoitecer, o filho de rei se ajoelha, canta seu salmo e escala rochas molhadas para ver o sol mais uma vez. Do alto, vê o mar e a paisagem descrita como uma grande igreja.
Desfecho
O sol desaparece e milhões de estrelas se acendem. Quando o filho de rei abre os braços, o menino pobre chega pelo corredor da direita, tendo alcançado o mesmo lugar tão cedo quanto ele, por seu próprio caminho. Os dois correm um ao encontro do outro e se dão as mãos na grande igreja da Natureza e da Poesia. Acima deles soa o sino invisível e sagrado, rodeado por espíritos bem-aventurados que dançam num jubiloso aleluia.

À tarde, nas ruas estreitas da grande cidade, quando o sol se punha e as nuvens brilhavam como ouro entre as chaminés, ora uma pessoa, ora outra ouvia um som estranho, semelhante ao toque de um sino de igreja. Mas só se podia ouvi-lo por um instante, porque havia tanto estrondo de carros e tanta gritaria, e isso atrapalha. “Agora toca o sino da tarde!”, diziam. “Agora o sol está se pondo!”

Quem saía da cidade, onde as casas ficavam mais afastadas umas das outras, com jardins e pequenos campos, via um céu ainda mais magnífico e ouvia muito mais forte o som do sino. Era como se viesse de uma igreja no fundo da floresta silenciosa e perfumada. As pessoas olhavam naquela direção e ficavam inteiramente solenes.

Passou-se muito tempo. Uma pessoa dizia à outra: “Será que há uma igreja lá na floresta? Esse sino tem um som tão estranho e bonito! Não deveríamos ir até lá para vê-lo mais de perto?” Os ricos iam de carro, e os pobres, a pé. Mas o caminho lhes parecia estranhamente longo. Quando chegavam a um grupo de salgueiros na borda da floresta, sentavam-se ali, olhavam para os longos galhos e acreditavam estar em pleno verde. O confeiteiro da cidade foi até lá e armou sua barraca. Depois veio outro confeiteiro, que pendurou um sino logo acima da sua. O sino era coberto de alcatrão para resistir à chuva e não tinha badalo. Ao voltar para casa, as pessoas diziam que tudo fora muito romântico, e isso significa alguma coisa inteiramente alheia à água do chá. Três pessoas garantiam que haviam entrado na floresta até onde ela terminava e que sempre tinham ouvido aquele toque estranho, mas, para elas, parecia vir de dentro da cidade. Uma delas escreveu uma canção inteira a respeito e disse que o sino soava como a voz de uma mãe para um filho querido e inteligente. Nenhuma melodia era mais bela que o toque do sino.

O imperador do país também tomou conhecimento do assunto e prometeu que quem descobrisse de verdade de onde vinha o som receberia o título de “Sineiro do Mundo”, mesmo que não se tratasse de um sino.

Muitos foram então à floresta por causa daquele bom sustento. Mas só um voltou com uma espécie de explicação. Ninguém tinha ido fundo o bastante, e ele tampouco. Mesmo assim, disse que o som vinha de uma coruja muito grande, num tronco oco. Era uma dessas corujas sábias, que batia sem parar a cabeça na árvore. Ainda não podia dizer com certeza se o som vinha da cabeça dela ou do tronco oco. Foi nomeado Sineiro do Mundo e todos os anos escrevia um pequeno tratado sobre a coruja. Mas o que se sabia continuava sendo o mesmo.

Era justamente um dia de confirmação. O pastor falara de modo tão belo e comovente, e os confirmandos tinham se emocionado muito. Era um dia importante para eles: de crianças, tornavam-se adultos de uma hora para outra. A alma infantil deveria, por assim dizer, voar para dentro de uma pessoa mais sensata. Fazia um sol maravilhoso. Os confirmandos saíram da cidade, e o grande sino desconhecido soava na floresta com uma força extraordinária. Imediatamente sentiram uma grande vontade de ir até lá, todos menos três. Uma precisava voltar para casa e experimentar seu vestido de baile: tinham sido justamente aquele vestido e aquele baile os responsáveis por ela ter sido confirmada daquela vez; do contrário, não teria participado. O segundo era um menino pobre, que pedira emprestadas a casaca de confirmação e as botas ao filho do senhorio e precisava devolvê-las numa hora marcada. O terceiro disse que nunca ia a lugares desconhecidos sem os pais, que sempre fora uma criança bem-comportada e que continuaria a ser assim mesmo como confirmando. Não se deve zombar disso, mas eles zombaram.

Três deles, portanto, não foram. Os outros seguiram a passos largos. O sol brilhava, os pássaros cantavam, e os confirmandos cantavam junto e se davam as mãos, pois ainda não haviam recebido cargos e eram todos confirmandos diante de Nosso Senhor.

Logo, porém, dois dos menores se cansaram e voltaram para a cidade. Duas menininhas se sentaram para fazer grinaldas e também não seguiram adiante. Quando os outros chegaram aos salgueiros onde estava o confeiteiro, disseram: “Pronto, chegamos! Na verdade, esse sino nem existe. É só uma coisa que a gente imagina!”

Naquele instante, o sino soou no fundo da floresta com tanta doçura e solenidade que quatro ou cinco decidiram continuar um pouco mais. A mata era tão fechada e frondosa que custava mesmo avançar. Aspérulas e anêmonas cresciam quase altas demais; convólvulos floridos e ramos de silvas pendiam em longas grinaldas de árvore em árvore, onde o rouxinol cantava e os raios de sol brincavam. Ah, era uma bênção! Mas não era um caminho para as meninas: suas roupas ficariam em farrapos. Havia grandes blocos de rocha cobertos de musgo de todas as cores. A água fresca da fonte brotava e fazia um som estranho, como “gluc, gluc!”

“Não será esse o sino?”, disse um dos confirmandos, deitando-se para escutar. “É preciso estudar isso a fundo!” Ficou ali e deixou os outros seguirem.

Chegaram a uma casa feita de cascas de árvore e galhos. Uma grande macieira silvestre se inclinava sobre ela, como se quisesse derramar toda a sua bênção sobre o telhado, que florescia de rosas. Os longos galhos se estendiam pela empena, e nela pendia um pequeno sino. Seria aquele que tinham ouvido? Sim, todos concordaram, menos um. Ele disse que o sino era pequeno e delicado demais para ser ouvido de tão longe e que eram notas bem diferentes as que tocavam assim um coração humano. Quem falava era um filho de rei. Então os outros disseram: “Gente assim sempre quer saber mais que os outros.”

Deixaram-no seguir sozinho. Quanto mais avançava, mais seu peito se enchia da solidão da floresta. Ainda ouvia, porém, o pequeno sino que satisfizera tanto os outros e, de vez em quando, quando o vento vinha do confeiteiro, também podia ouvir as canções que acompanhavam o chá. Mas as badaladas profundas soavam mais fortes. Parecia que um órgão as acompanhava. O som vinha da esquerda, do lado onde fica o coração.

Houve um ruído no arbusto, e diante do filho do rei apareceu um menino de tamancos, com uma jaqueta tão curta que se podia ver muito bem como seus pulsos eram compridos. Os dois se conheciam. Era justamente o confirmando que não pudera acompanhá-los porque precisava voltar para casa e devolver a jaqueta e as botas ao filho do senhorio. Já o fizera e agora saíra sozinho, de tamancos e roupas pobres, porque o sino soava tão forte e tão profundo que precisava ir até lá.

“Então podemos ir juntos!”, disse o filho do rei. Mas o pobre confirmando de tamancos estava muito acanhado. Puxou as mangas curtas da jaqueta e disse que receava não conseguir acompanhá-lo com a mesma rapidez. Além disso, achava que era preciso procurar o sino à direita, pois aquele era o lugar de tudo o que era grande e magnífico.

“Então não vamos nos encontrar!”, disse o filho do rei, acenando para o menino pobre. Este entrou na parte mais escura e fechada da floresta, onde os espinhos rasgaram suas roupas pobres e feriram seu rosto, suas mãos e seus pés até sangrarem. O filho do rei também ganhou uns bons arranhões, mas o sol iluminava seu caminho. É ele que vamos acompanhar agora, pois era um rapaz decidido.

“Quero e preciso encontrar o sino!”, disse ele. “Mesmo que tenha de ir até o fim do mundo!”

Os macacos repugnantes estavam no alto das árvores e riam, mostrando todos os dentes. “Vamos atirar coisas nele!”, diziam. “Vamos atirar coisas nele! É um filho de rei!”

Mas ele seguiu sem desanimar, cada vez mais fundo na floresta, onde cresciam as flores mais extraordinárias. Havia lírios brancos estrelados, com estames vermelhos como sangue; tulipas azul-celeste, que cintilavam ao vento; e macieiras cujas maçãs pareciam, exatamente, grandes e reluzentes bolhas de sabão. Imagine como aquelas árvores deviam resplandecer ao sol! Ao redor dos mais belos prados verdes, onde cervos e corças brincavam na relva, cresciam magníficos carvalhos e faias. Se a casca de uma árvore se rachava, ali cresciam erva e longas ramas. Havia também grandes extensões de floresta com lagos tranquilos, nos quais cisnes brancos nadavam e batiam as asas. O filho do rei parava muitas vezes para escutar. Frequentemente pensava que o sino soava para ele das profundezas de um daqueles lagos. Depois percebia que não vinha dali, mas de um lugar ainda mais fundo na floresta.

O sol se punha. O ar brilhava vermelho como fogo, e a floresta ficava tão silenciosa, tão silenciosa! Ele caiu de joelhos, cantou seu salmo da tarde e disse: “Nunca encontrarei o que procuro! Agora o sol se põe, agora vem a noite, a noite escura. Talvez eu ainda possa ver uma vez o sol redondo e vermelho, antes que desapareça inteiramente atrás da terra. Vou subir naquelas rochas, que se erguem à altura das maiores árvores.”

Agarrou-se às ramas e às raízes e escalou as pedras molhadas, onde serpentes-d'água se enroscavam e o sapo parecia latir para ele. Mas chegou ao alto antes que o sol se tivesse posto inteiramente, visto daquela altura. Ah, que esplendor! O mar, o grande e magnífico mar que lançava suas longas ondas contra a costa, estendia-se diante dele. O sol parecia um grande altar reluzente, lá onde o mar e o céu se encontravam. Tudo se fundia em cores ardentes; a floresta cantava, o mar cantava, e seu coração cantava junto. Toda a natureza era uma grande igreja sagrada, na qual as árvores e as nuvens flutuantes eram as colunas, as flores e a relva, o tecido de veludo, e o próprio céu, a grande cúpula. Lá em cima, as cores vermelhas se apagaram quando o sol desapareceu. Mas milhões de estrelas se acenderam, milhões de lâmpadas de diamante brilharam, e o filho do rei abriu os braços para o céu, para o mar e para a floresta. Naquele mesmo instante, pelo corredor da direita, chegou o pobre confirmando de mangas curtas e tamancos. Havia chegado tão cedo quanto ele, pelo seu próprio caminho. Correram um ao encontro do outro e se deram as mãos na grande igreja da Natureza e da Poesia. Acima deles soava o sino invisível e sagrado; espíritos bem-aventurados dançavam ao seu redor, num jubiloso aleluia.


Sobre esta edição

Obra
Klokken
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

Conheça as edições desta história e consulte os textos de origem.

Klokken

H. C. Andersens Eventyr og Historier · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind · 1905 · Dinamarquês · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind
Volume I. Página 312–317. Consultar esta edição ↗
Ler o original em dinamarquês

Fonte deste texto ↗

Om Aftenen, i de snævre Gader i den store By, naar Solen gik ned, og Skyerne skinnede som Guld oppe mellem Skorstenene, hørte tit snart den ene, snart den anden, en underlig Lyd ligesom Klangen af en Kirkeklokke, men det var kun et Øjeblik, den hørtes, for der var saadan en Rumlen med Vogne og saadan en Raaben, og det forstyrrer. »Nu ringer Aftenklokken!« sagde man, »nu gaar Solen ned!«

De, som gik uden for Byen, hvor Husene laa længere fra hverandre med Haver og smaa Marker, saa Aftenhimlen endnu prægtigere og hørte langt stærkere Klangen af Klokken; det var, som kom Lyden fra en Kirke dybt inde i den stille, duftende Skov; og Folk saa derhen og bleve ganske højtidelige. —

Nu gik mange Tider, den ene sagde til den anden: »Mon der er en Kirke derude i Skoven? Den Klokke har dog en underlig, dejlig Klang; skulle vi ikke tage derud og se lidt nærmere paa den.« Og de rige Folk de kørte, og de fattige de gik, men Vejen blev dem saa underlig lang, og da de kom til en hel Del Piletræer, der voksede ved Udkanten af Skoven, saa satte de sig der og saa op i de lange Grene og troede, at de vare rigtigt i det grønne; Konditoren inde fra Byen kom derud og slog sit Telt op, og saa kom der nok en Konditor, og han hængte en Klokke op lige over sit Telt, og det en Klokke, som var tjæret for at kunne taale Regnen, og Knebelen manglede. Naar saa Folk tog hjem igjen, sagde de, at det havde været saa romantisk, og det betyder noget ganske uden for Tevand. Tre Personer forsikrede, at de vare trængte ind i Skoven, lige til hvor den endte, og de havde altid hørt den underlige Klokkeklang, men det var for dem, ligesom den kom inde fra Byen; den ene skrev en hel Vise derom og sagde, at Klokken klang som en Moders Stemme til et kært, klogt Barn, ingen Melodi var dejligere end Klokkens Klang.

Landets Kejser blev ogsaa opmærksom derpaa og lovede, at den, som rigtigt kunde opdage, hvorfra Lyden kom, skulde faa Titel af »Verdens Klokker« og det selv om det ikke var en Klokke.

Nu gik da mange til Skoven for det gode Levebrøds Skyld, men der var kun een, som kom hjem med et Slags Forklaring; ingen havde været dybt nok inde, og han da ikke heller, men han sagde dog, at Klokkelyden kom fra en meget stor Ugle i et hult Træ; det var saadan en Visdomsugle, som idelig slog sit Hoved mod Træet, men om Lyden kom fra dens Hoved eller fra den hule Stamme, det kunde han ikke endnu med Bestemthed sige, og saa blev han ansat som Verdens Klokker og skrev hvert Aar en lille Afhandling om Uglen; men lige meget vidste man.

Nu var det just en Konfirmationsdag, Præsten havde talt saa smukt og inderligt; Konfirmanderne havde været saa bevægede, det var en vigtig Dag for dem, de bleve fra Børn med eet til voksne Mennesker, Barnesjælen skulde nu ligesom flyve over i en forstandigere Person. Det var det dejligste Solskin, Konfirmanderne gik ud af Byen, og fra Skoven klang forunderlig stærkt den store, ubekendte Klokke. De fik lige straks saadan en Lyst til at komme der, og det alle paa tre nær, den ene af dem skulde hjem og prøve sin Balkjole, for det var just den Kjole og det Bal, der var Skyld i, at hun var bleven konfirmeret denne Gang, for ellers var hun ikke kommen med; den anden var en fattig Dreng, som havde laant sin Konfirmationskjole og Støvlerne hos Værtens Søn, og dem maatte han levere af paa bestemt Klokkeslet; den tredie sagde, at han aldrig gik noget fremmed Sted, uden hans Forældre vare med, og at han altid havde været et artigt Barn, og det vilde han blive selv som Konfirmand, og det skal man ikke gøre Nar af; — men det gjorde de.

Tre af dem gik altsaa ikke med; de andre travede af Sted; Solen skinnede, og Fuglene sang, og Konfirmanderne sang med og holdt hverandre i Hænderne, for de havde jo ikke faaet Embeder endnu og vare alle Konfirmander for Vor Herre.

Men snart bleve to af de mindste trætte, og saa vendte de to om til Byen igjen; to Smaapiger satte sig og bandt Kranse, de kom heller ikke med, og da de andre naaede Piletræerne, hvor Konditoren boede, saa sagde de: »Se saa, nu ere vi herude; Klokken er jo egentlig ikke til, den er bare saadant noget, man bilder sig ind!«

Da lød i det samme dybt i Skoven Klokken saa sødt og højtideligt, at fire, fem bestemte sig til dog at gaa noget længere ind i Skoven. Den var saa tæt, saa løvfuld, det var ordentlig besværligt at komme frem, Skovmærker og Anemoner voksede næsten alt for højt, blomstrende Konvolvuli og Brombærranker hang i lange Guirlander fra Træ til Træ, hvor Nattergalen sang, og Solstraalerne legede; oh, det var saa velsignet, men det var ingen Vej at gaa for Pigerne, de vilde faaet Klæderne revne itu. Der laa store Klippeblokke, begroede med Mos af alle Farver, det friske Kildevand piblede frem, og underligt sagde det ligesom »kluk, kluk!«

»Det skulde dog ikke være Klokken!« sagde en af Konfirmanderne og lagde sig ned og hørte efter. »Det maa man rigtigt studere!« og saa blev han og lod de andre gaa.

De kom til et Hus af Bark og Grene, et stort Træ med vilde Æbler hældede sig hen over det, som vilde det ryste hele sin Velsignelse ud over Taget, der blomstrede med Roser; de lange Grene laa lige hen om Gavlen, og paa den hang en lille Klokke. Skulde det være den, man havde hørt? Ja, derom vare de alle enige, paa een nær; han sagde, at den Klokke var for lille og fin til at kunne høres saa langt borte, som de havde hørt den, og at det var ganske andre Toner, som saaledes rørte et Menneskehjerte; han, som talte, var en Kongesøn, og saa sagde de andre: »Saadan en vil nu altid være klogere.«

Saa lod de ham gaa alene, og alt som han gik, blev hans Bryst mere og mere opfyldt af Skovensomheden; men endnu hørte han den lille Klokke, som de andre vare saa fornøjede med, og imellem, naar Vinden bar fra Konditoren, kunde han ogsaa høre, hvorledes der blev sunget til Tevand; men de dybe Klokkeslag lød dog stærkere, det var, ligesom et Orgel spillede dertil, Lyden kom fra venstre, fra den Side, paa hvilken Hjertet sidder.

Nu raslede det i Busken, og der stod en lille Dreng foran Kongesønnen, en Dreng i Træsko og med en Trøje saa kort, at man ret kunde se, hvor lange Haandled han havde. De kendte begge hinanden, Drengen var just den af Konfirmanderne, som ikke kunde komme med, fordi han skulde hjem og levere Trøje og Støvler af til Værtens Søn; det havde han gjort og var nu, i Træsko og de fattige Klæder, gaaet af Sted alene, thi Klokken klang saa stærkt, saa dybt, han maatte derud.

»Saa kunne vi jo gaa sammen!« sagde Kongesønnen. Men den fattige Konfirmand med Træskoene var ganske undselig, han trak paa de korte Trøjeærmer og sagde, han var bange for, at han ikke kunde gaa saa rask med, desuden mente han, at Klokken maatte søges til højre, thi den Plads havde jo alt stort og herligt.

»Ja, saa mødes vi slet ikke!« sagde Kongesønnen og nikkede til den fattige Dreng, der gik ind i den mørkeste, mest tætte Del af Skoven, hvor Tornene rev hans fattige Klæder itu og Ansigt, Hænder og Fødder til Blods. Kongesønnen fik ogsaa nogle gode Rifter, men Solen skinnede dog paa hans Vej, og det er ham, vi nu følge med, for en rask Knøs var han.

»Klokken vil og maa jeg finde!« sagde han, »om jeg saa skal gaa til Verdens Ende!«

De ækle Abekatte sad oppe i Træerne og grinte med alle deres Tænder. »Skal vi dænge ham!« sagde de, »skal vi dænge ham; han er en Kongesøn!«

Men han gik ufortrøden dybere og dybere ind i Skoven, hvor der voksede de forunderligste Blomster; der stod hvide Stjernelillier med blodrøde Støvtraade, himmelblaa Tulipaner, som gnistrede i Vinden, og Æbletræer, hvor Æblerne ganske og aldeles saa ud som store, skinnende Sæbebobler; tænk blot, hvor de Træer maatte straale i Solskinnet. Rundt om de dejligste grønne Enge, hvor Hjort og Hind legede i Græsset, voksede prægtige Ege og Bøge, og var et af Træerne revnet i Barken, saa voksede her Græs og lange Ranker i Revnen; der var ogsaa store Skovstrækninger med stille Indsøer, hvori hvide Svaner svømmede og slog med Vingerne. Kongesønnen stod tit stille og lyttede, ofte troede han, at det var fra en af disse dybe Søer, Klokken klang op til ham, men saa mærkede han dog nok, at det ikke var derfra, men endnu dybere inde i Skoven, at Klokken klang.

Nu gik Solen ned, Luften skinnede rød som Ild, det blev saa stille, saa stille i Skoven, og han sank paa sine Knæ, sang sin Aftenpsalme og sagde: »Aldrig finder jeg, hvad jeg søger! nu gaar Solen ned, nu kommer Natten, den mørke Nat; dog een Gang kan jeg maaske endnu se den runde, røde Sol, før den ganske synker bag Jorden; jeg vil stige op paa Klipperne der, de rejse sig i Højde med de største Træer.«

Og han greb i Ranker og Rødder, klatrede op ad de vaade Stene, hvor Vandslangerne snoede sig, hvor Skrubtudsen ligesom gøede ad ham; — men op kom han, før Solen endnu ganske var nede, set fra denne Højde; oh, hvilken Pragt! Havet, det store, herlige Hav, der væltede sine lange Bølger mod Kysten, strakte sig ud foran ham, og Solen stod som et stort, skinnende Alter derude, hvor Hav og Himmel mødtes, alt smeltede sammen i glødende Farver, Skoven sang, og Havet sang, og hans Hjerte sang med, den hele Natur var en stor, hellig Kirke, hvori Træer og svævende Skyer vare Pillerne, Blomster og Græs det vævede Fløjls Klæde, Himlen selv den store Kuppel; deroppe slukkedes de røde Farver, idet Solen forsvandt; men Millioner Stjerner tændtes, Millioner Diamantlamper skinnede da, og Kongesønnen bredte sine Arme ud mod Himlen, mod Havet og Skoven, — og i det samme kom, fra den højre Sidegang, den fattige Konfirmand med de korte Ærmer og med Træskoene; han var kommen der lige saa tidlig, kommen der ad sin Vej, og de løb hinanden i Møde og holdt hinanden i Hænderne i Naturens og Poesiens store Kirke, og over dem klang den usynlige, hellige Klokke, salige Aander svævede i Dans om den til et jublende Halleluja.

O sino

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
Consultar esta edição ↗
Encontrou um erro?

Uma palavra, uma passagem, uma referência: sua observação chega à mesa editorial vinculada à edição 1.0.0 que você leu.