EK 12
O firme soldadinho de estanho
Den standhaftige Tinsoldat
Sobre este conto
Um menino ganha vinte e cinco soldadinhos de estanho de aniversário. Todos vêm de uma velha colher, mas o último tem apenas uma perna, pois faltou metal ao fundi-lo. Sobre a mesa, ele vê um castelo de papel e uma bailarina que lhe parece também ter uma perna só. Enquanto observa a pequena dama, um troll escondido numa caixa de rapé o repreende e o ameaça para o dia seguinte.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Soldadinho de estanho com uma perna, Bailarina de papel com saia de linon e lantejoula, Pequeno troll preto na caixa de rapé, Menino que recebe os vinte e cinco soldados, Outras crianças da casa, Criada que procura o soldado e depois abre o peixe, Dois meninos de rua que fazem o barco, Grande rato-d’água sob a tábua da sarjeta, Peixe grande que engole o soldado, Outros soldadinhos, quebra-nozes, lápis de ardósia e canário
- Onde se passa
- Uma casa não nomeada, com mesa de brinquedos, janela no terceiro andar e estufa de aquecimento; calçamento da rua, sarjeta coberta por uma tábua, canal, barriga de peixe, mercado e cozinha. O soldado retorna à mesma sala de onde partiu.
- Acontecimentos
- Um menino recebe vinte e cinco soldadinhos de estanho. O de uma perna observa uma bailarina e é advertido por um troll que salta da caixa de rapé à meia-noite.
- Na manhã seguinte o soldado cai do terceiro andar, por troll ou corrente de ar. A criada e o menino não o encontram; ele se recusa a gritar por estar de uniforme.
- Depois da chuva, dois meninos o põem num barco de jornal na sarjeta. Sob uma tábua, um rato-d’água exige passaporte e pedágio; a correnteza leva o barco a um canal.
- O barco gira três ou quatro vezes, afunda e se desfaz; o soldado ouve versos sobre morte e é engolido por um peixe. Pescado e vendido, o peixe é aberto pela criada, e o soldado volta à mesma sala.
- Um menino atira o soldado na estufa sem explicar por quê; o narrador atribui isso ao troll. Ele sente calor sem saber se vem do fogo ou do amor e vê que perdeu as cores, por viagem ou tristeza.
- Uma porta se abre e o vento leva a bailarina à estufa. Ela queima e desaparece; o soldado derrete. No dia seguinte, a criada encontra um coraçãozinho de estanho; da bailarina resta a lantejoula preta.
- Desfecho
- De volta à mesma sala, o soldado e a bailarina se olham sem falar. Um menino o joga na estufa sem dar motivo; o narrador culpa o troll. O soldado não sabe se sente calor pelo fogo ou pelo amor, e ninguém sabe se perdeu as cores na viagem ou por tristeza. Uma porta se abre, o vento leva a bailarina até ele como uma sílfide, e ela arde numa chama e desaparece. O soldado derrete numa pequena massa. No dia seguinte, ao retirar as cinzas, a criada o encontra na forma de um coraçãozinho de estanho; da bailarina resta apenas a lantejoula, queimada, preta como carvão.
Era uma vez vinte e cinco soldadinhos de estanho. Eram todos irmãos, pois tinham nascido de uma velha colher de estanho. Seguravam a espingarda no braço e olhavam direto para a frente; vermelho e azul, como era bonito o uniforme! A primeira coisa que ouviram neste mundo, quando tiraram a tampa da caixa em que estavam deitados, foi a palavra: “Soldadinhos de estanho!” Quem gritou foi um menino pequeno, batendo palmas. Ele os ganhara de presente, pois era seu aniversário, e agora os punha de pé sobre a mesa. Um soldado era igualzinho ao outro; só um era um pouco diferente. Tinha uma perna só, porque fora fundido por último e já não havia estanho suficiente. Mesmo assim, firmava-se em sua única perna tão bem quanto os outros nas duas, e é justamente ele que se tornará extraordinário.
Sobre a mesa em que foram postos havia muitos outros brinquedos, mas o que mais chamava a atenção era um lindo castelo de papel. Pelas pequenas janelas era possível ver diretamente os salões. Do lado de fora havia pequenas árvores ao redor de um espelhinho que devia parecer um lago; cisnes de cera nadavam nele e se olhavam no espelho. Tudo era lindo, mas o mais lindo de tudo era uma pequena donzela que ficava bem no meio da porta aberta do castelo. Ela também fora recortada de papel, mas usava uma saia do mais transparente linon e uma fitinha estreita e azul por cima do ombro, como uma veste. No meio dela brilhava uma lantejoula tão grande quanto seu rosto inteiro. A pequena donzela estendia os dois braços, pois era uma bailarina, e erguia uma das pernas tão alto que o soldadinho não conseguia encontrá-la e pensava que ela também só tinha uma perna, como ele.
“Essa seria uma esposa para mim!”, pensou. “Mas ela é um tanto distinta, mora num castelo; eu só tenho uma caixa, e somos vinte e cinco a dividi-la. Não é lugar para ela! Mesmo assim, preciso tentar conhecê-la!” Então se deitou de corpo inteiro atrás de uma caixa de rapé que estava sobre a mesa. Dali podia olhar bem para a pequena e elegante dama, que continuava de pé sobre uma perna, sem perder o equilíbrio.
Quando a noite avançou, todos os outros soldadinhos de estanho foram para sua caixa, e as pessoas da casa se deitaram. Os brinquedos começaram a brincar: de fazer visitas, de guerrear e de dar bailes. Os soldadinhos chacoalhavam na caixa, pois queriam participar, mas não conseguiam tirar a tampa. O quebra-nozes dava cambalhotas, e o lápis de ardósia fazia algazarra na lousa. Era um barulho tão grande que o canário acordou e começou a conversar também, e em versos. Os únicos dois que não saíam do lugar eram o soldadinho e a pequena bailarina. Ela se mantinha tão ereta na ponta do pé, com os dois braços estendidos; ele estava igualmente firme em sua única perna e não tirava os olhos dela nem por um instante.
O relógio bateu meia-noite e, pá!, a tampa da caixa de rapé saltou. Mas lá dentro não havia tabaco; não, havia um pequeno troll preto: era um desses brinquedos engenhosos.
“Soldadinho de estanho!”, disse o troll. “Quer guardar os olhos para você mesmo?”
Mas o soldadinho fingiu que não ouvia.
“Pois espere até amanhã!”, disse o troll.
Quando amanheceu e as crianças se levantaram, puseram o soldadinho na janela. Fosse por causa do troll ou de uma corrente de ar, de repente a janela se abriu, e o soldado caiu de cabeça do terceiro andar. Foi uma descida terrível. Virou a perna bem para cima e ficou apoiado no quepe, com a baioneta entre as pedras do calçamento.
A criada e o menino desceram logo para procurá-lo. Mas, embora estivessem quase pisando nele, não conseguiam vê-lo. Se o soldadinho tivesse gritado “Estou aqui!”, certamente o teriam encontrado; mas ele não achava apropriado gritar alto, já que estava de uniforme.
Começou a chover. As gotas caíam cada vez mais juntas, e veio uma verdadeira chuvarada. Quando passou, apareceram dois meninos de rua.
“Olhe só!”, disse um deles. “Ali está um soldadinho de estanho! Ele vai sair para navegar!”
Então fizeram um barco com um jornal, puseram o soldadinho bem no meio, e ele começou a navegar pela sarjeta. Os dois meninos corriam ao lado e batiam palmas. Deus nos acuda! Que ondas havia naquela sarjeta, e que correnteza! Também, tinha caído um aguaceiro. O barquinho de papel subia e descia e, de vez em quando, girava tão depressa que o soldadinho estremecia. Mas ele continuava firme, não alterava a expressão, olhava direto para a frente e segurava a espingarda no braço.
De repente o barco entrou debaixo de uma longa tábua que cobria a sarjeta. Ficou tão escuro como se ele estivesse em sua caixa.
“Para onde estarei indo agora?”, pensou. “Sim, sim, a culpa é do troll! Ah, se a pequena donzela estivesse aqui no barco, poderia ficar ainda duas vezes mais escuro!”
Naquele instante apareceu um grande rato-d’água, que morava debaixo da tábua da sarjeta.
“Tem passaporte?”, perguntou o rato. “Passe o passaporte para cá!”
Mas o soldadinho ficou calado e segurou a espingarda com ainda mais força. O barco seguia veloz, e o rato ia atrás. Ui! Como rangia os dentes e gritava para os gravetos e as palhas:
“Parem-no! Parem-no! Não pagou pedágio! Não mostrou passaporte!”
Mas a correnteza ficava cada vez mais forte! O soldadinho já conseguia ver a claridade do dia à frente, onde a tábua acabava, mas também ouvia um estrondo capaz de assustar até um homem corajoso. Imaginem: onde a tábua terminava, a sarjeta despencava diretamente num grande canal. Para ele seria tão perigoso quanto para nós navegar por uma grande cachoeira abaixo.
Agora já estava tão perto que não conseguia parar. O barco disparou para fora, e o pobre soldadinho se manteve o mais rígido que pôde; ninguém haveria de dizer que ele piscara os olhos. O barco deu três ou quatro voltas e estava cheio de água até a borda: tinha de afundar. O soldadinho estava com água até o pescoço, e o barco afundava cada vez mais, enquanto o papel se desfazia. A água passou por cima da cabeça do soldado. Então pensou na pequena e linda bailarina, que nunca mais tornaria a ver, e ouviu soar em seus ouvidos:
“Vai, vai, guerreiro!
A morte sofrerás!”
O papel se rasgou, e o soldadinho caiu através dele, mas, naquele mesmo instante, foi engolido por um peixe grande.
Ah, como era escuro ali dentro! Era ainda pior que debaixo da tábua da sarjeta, e tão apertado! Mas o soldadinho continuava firme, deitado de corpo inteiro com a espingarda no braço. —
O peixe disparava de um lado para o outro, fazia os movimentos mais terríveis. Por fim ficou inteiramente quieto, e algo como um raio o atravessou. A luz brilhou muito clara, e alguém gritou: “Soldadinho de estanho!” O peixe fora pescado, levado ao mercado, vendido e trazido à cozinha, onde a criada o abriu com uma faca grande. Com dois dedos ela pegou o soldado pela cintura e o levou para a sala. Todos queriam ver um homem tão extraordinário, que viajara na barriga de um peixe, mas o soldadinho não estava nem um pouco orgulhoso. Puseram-no de pé sobre a mesa, e ali... Como acontecem coisas estranhas neste mundo! O soldadinho estava na mesmíssima sala de antes; viu as mesmas crianças, e os brinquedos estavam sobre a mesa: o belo castelo com a linda bailarina. Ela ainda se equilibrava sobre uma perna, com a outra erguida bem alto; também era firme. Isso comoveu o soldadinho, que estava quase chorando estanho, mas não seria apropriado. Ele olhou para ela, e ela olhou para ele, mas não disseram nada.
Naquele instante um dos meninos pequenos pegou o soldado e o jogou direto na estufa de aquecimento, sem dar motivo algum. Com certeza a culpa era do troll na caixa.
O soldadinho estava inteiramente iluminado e sentia um calor terrível. Mas não sabia se vinha do fogo de verdade ou do amor. Suas cores tinham desaparecido por completo; ninguém podia dizer se isso acontecera na viagem ou por tristeza. Ele olhava para a pequena donzela, ela olhava para ele, e ele sentia que estava derretendo, mas continuava firme, com a espingarda no braço. Então uma porta se abriu, o vento pegou a bailarina, e ela voou como uma sílfide direto para dentro da estufa, até o soldadinho; ardeu numa chama e desapareceu. O soldadinho derreteu numa pequena massa e, quando a criada tirou as cinzas no dia seguinte, encontrou-o como um coraçãozinho de estanho. Da bailarina, porém, restara apenas a lantejoula, que estava queimada, preta como carvão.
Sobre esta edição
- Obra
- Den standhaftige Tinsoldat
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Den standhaftige Tinsoldat
Ler o original em dinamarquês
Der var engang fem og tyve Tinsoldater, de vare alle Brødre, thi de vare fødte af en gammel Tinskee. Geværet holdt de i Armen og Ansigtet satte de lige ud; rød og blaa, nok saa deilig var Uniformen. Det Allerførste, de hørte i denne Verden, da Laaget blev taget af Æsken, hvori de laae, var det Ord: „Tinsoldater!“ det raabte en lille Dreng og klappede i Hænderne; han havde faaet dem, for det var hans Geburtsdag, og stillede dem nu op paa Bordet. Den ene Soldat lignede livagtig den anden, kun en eneste var lidt forskjellig; han havde eet Been, thi han var blevet støbt sidst, og saa var der ikke Tin nok; dog stod han ligesaa fast paa sit ene, som de andre paa deres to, og det er just ham, som bliver mærkværdig.
Paa Bordet, hvor de bleve stillede op, stod meget andet Legetøi; men det, som faldt meest i Øinene, var et nydeligt Slot af Papiir. Gjennem de smaa Vinduer kunde man see lige ind i Salene. Udenfor stode smaa Træer, rundtom et lille Speil, der skulde see ud som en Sø; Svaner af Vox svømmede derpaa og speilede sig. Det var altsammen nydeligt, men det Nydeligste blev dog en lille Jomfru, som stod midt i den aabne Slotsdør; hun var ogsaa klippet ud af Papiir, men hun havde et Skjørt paa af det klareste Linon og et lille smalt blaat Baand over Skulderen ligesom et Gevandt; midt i det sad en skinnende Paillette, lige saa stor som hele hendes Ansigt. Den lille Jomfru strakte begge sine Arme ud, for hun var en Dandserinde, og saa løftede hun sit ene Been saa høit i Veiret, at Tinsoldaten slet ikke kunde finde det og troede, at hun kun havde eet Been ligesom han.
„Det var en Kone for mig!“ tænkte han; „men hun er noget fornem, hun boer i et Slot, jeg har kun en Æske, og den ere vi fem og tyve om, det er ikke et Sted for hende! dog jeg maa see at gjøre Bekjendtskab!“ og saa lagde han sig saa lang han var bag en Snuustobaksdaase, der stod paa Bordet; der kunde han ret see paa den lille fine Dame, som blev ved at staae paa eet Been, uden at komme ud af Balancen.
Da det blev ud paa Aftenen, kom alle de andre Tinsoldater i deres Æske og Folkene i Huset gik til Sengs. Nu begyndte Legetøiet at lege, baade at komme Fremmede, føre Krig og holde Bal; Tinsoldaterne raslede i Æsken, for de vilde være med, men de kunde ikke faae Laaget af. Nøddeknækkeren slog Kaalbøtter, og Griflen gjorde Commers paa Tavlen; der var et Spektakel saa Kanarifuglen vaagnede, og begyndte at snakke med, og det paa Vers. De to eneste, som ikke rørte sig af Stedet, var Tinsoldaten og den lille Dandserinde; hun holdt sig saa rank paa Taaspidsen og begge Armene udad; han var ligesaa standhaftig paa sit ene Been, hans Øine kom ikke et Øieblik fra hende.
Nu slog Klokken tolv, og klask, der sprang Laaget af Snuustobaksdaasen, men der var ingen Tobak i, nei, men en lille sort Trold, det var saadant et Kunststykke.
„Tinsoldat!“ sagde Trolden, „vil Du holde dine Øine hos Dig selv!“
Men Tinsoldaten lod, som han ikke hørte det.
„Ja bi til imorgen!“ sagde Trolden.
Da det nu blev Morgen, og Børnene kom op, blev Tinsoldaten stillet hen i Vinduet, og enten det nu var Trolden eller Trækvind, ligemed eet fløi Vinduet op og Soldaten gik ud paa Hovedet fra tredie Sal. Det var en skrækkelig Fart, han vendte Benet lige iveiret og blev staaende paa Kasketten, med Bajonetten nede imellem Brostenene.
Tjenestepigen og den lille Dreng kom strax ned, for at søge; men skjøndt de vare færdig ved at træde paa ham, kunde de dog ikke see ham. Havde Tinsoldaten raabt: her er jeg! saa havde de nok fundet ham, men han fandt det ikke passende at skrige høit, da han var i Uniform.
Nu begyndte det at regne, den ene Draabe faldt tættere end den anden, det blev en ordentlig Skylle; da den var forbi, kom der to Gadedrenge.
„See Du!“ sagde den ene, „der ligger en Tinsoldat! han skal ud at seile!“
Og saa gjorde de en Baad af en Avis, satte Tinsoldaten midt i den, og nu seilede han ned af Rendestenen; begge Drengene løb ved Siden og klappede i Hænderne. Bevar os vel! hvilke Bølger der gik i den Rendesteen, og hvilken Strøm der var; ja det havde da ogsaa skylregnet. Papiirsbaaden vippede op og ned, og imellem saa dreiede den saa gesvindt, saa det dirrede i Tinsoldaten; men han blev standhaftig, forandrede ikke en Mine, saae lige ud og holdt Geværet i Armen.
Lige med eet drev Baaden ind under et langt Rendesteens-Bræt; der blev lige saa mørkt, som om han var i sin Æske.
„Hvor mon jeg nu kommer hen“, tænkte han, „ja, ja, det er Troldens Skyld! Ak sad dog den lille Jomfru her i Baaden, saa maatte her gjerne være eengang saa mørkt endnu!“
I det samme kom der en stor Vandrotte, som boede under Rendesteens-Brættet.
„Har Du Pas?“ spurgte Rotten. „Hid med Passet!“
Men Tinsoldaten taug stille og holdt endnu fastere paa Geværet. Baaden foer afsted og Rotten bag efter. Hu! hvor den skar Tænder, og raabte til Pinde og Straa:
„Stop ham! stop ham! han har ikke betalt Told! han har ikke viist Pas!“
Men Strømmen blev stærkere og stærkere! Tinsoldaten kunde allerede øine den lyse Dag foran hvor Brættet slap, men han hørte ogsaa en brusende Lyd, der nok kunde gjøre en tapper Mand forskrækket; tænk dog, Rendestenen styrtede, hvor Brættet endte, lige ud i en stor Canal, det vilde være for ham lige saa farligt, som for os at seile ned af et stort Vandfald.
Nu var han allerede saa nær derved, at han ikke kunde standse. Baaden foer ud, den stakkels Tinsoldat holdt sig saa stiv han kunde, ingen skulde sige ham paa, at han blinkede med Øinene. Baaden snurrede tre fire Gange rundt, og var fyldt med Vand lige til Randen, den maatte synke; Tinsoldaten stod i Vand til Halsen og dybere og dybere sank Baaden, mere og mere løste Papiret sig op; nu gik Vandet over Soldatens Hoved, — da tænkte han paa den lille nydelige Dandserinde, som han aldrig mere skulde faae at see; og det klang for Tinsoldatens Øre:
„Fare, Fare, Krigsmand!
Døden skal Du lide!“
Nu gik Papiret itu, og Tinsoldaten styrtede igjennem — men blev i det samme slugt af en stor Fisk.
Nei, hvor det var mørkt derinde! der var endnu værre, end under Rendesteens-Brættet, og saa var der saa snevert; men Tinsoldaten var standhaftig, og laae saa lang han var med Geværet i Armen. —
Fisken foer omkring, den gjorde de allerforskrækkeligste Bevægelser; endelig blev den ganske stille, der foer som en Lynstraale gjennem den. Lyset skinnede ganske klart og een raabte høit: „Tinsoldat!“ Fisken var blevet fanget, bragt paa Torvet, solgt og kommet op i Kjøkkenet, hvor Pigen skar den op med en stor Kniv. Hun tog med sine to Fingre Soldaten midt om Livet og bar ham ind i Stuen, hvor de Allesammen vilde see saadan en mærkværdig Mand, der havde reist om i Maven paa en Fisk; men Tinsoldaten var slet ikke stolt. De stillede ham op paa Bordet og der — nei, hvor det kan gaae underligt til i Verden! Tinsoldaten var i den selvsamme Stue, han havde været i før, han saae de selvsamme Børn og Legetøiet stod paa Bordet; det deilige Slot med den nydelige lille Dandserinde; hun holdt sig endnu paa det ene Been og havde det andet høit i Veiret, hun var ogsaa standhaftig; det rørte Tinsoldaten, han var færdig ved at græde Tin, men det passede sig ikke. Han saae paa hende og hun saae paa ham, men de sagde ikke noget.
I det samme tog den ene af Smaadrengene og kastede Soldaten lige ind i Kakkelovnen, og han gav slet ingen Grund derfor; det var bestemt Trolden i Daasen, der var Skyld deri.
Tinsoldaten stod ganske belyst og følte en Hede, der var forfærdelig, men om det var af den virkelige Ild, eller af Kjærlighed, det vidste han ikke. Couleurerne vare reent gaaet af ham, om det var skeet paa Reisen eller det var af Sorg, kunde ingen sige. Han saae paa den lille Jomfru, hun saae paa ham, og han følte han smeltede, men endnu stod han standhaftig med Geværet i Armen. Da gik der en Dør op, Vinden tog i Dandserinden og hun fløi ligesom en Sylphide lige ind i Kakkelovnen til Tinsoldaten, blussede op i Lue og var borte; saa smeltede Tinsoldaten til en Klat, og da Pigen Dagen efter tog Asken ud, fandt hun ham som et lille Tinhjerte; af Dandserinden derimod var der kun Pailletten, og den var brændt kulsort.
O firme soldadinho de estanho
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