EK 21
O trigo-sarraceno
Boghveden
Sobre este conto
Junto de um velho salgueiro, o trigo-sarraceno se considera mais belo que os outros cereais e se recusa a inclinar a cabeça. Quando uma tempestade se aproxima, as flores, os cereais e a árvore o advertem, mas ele insiste em manter sua postura e desafiar o aviso sobre o relâmpago.
Personagens e estrutura
- Personagens
- O trigo-sarraceno, O velho salgueiro, As flores do campo, Os cereais: centeio, cevada e aveia, O pardal e os pardais que transmitem a história, O narrador, O anjo da tempestade, mencionado no aviso dos cereais
- Onde se passa
- Campos de cereais e de trigo-sarraceno junto de um velho salgueiro rachado, durante uma tempestade e depois dela.
- Acontecimentos
- O narrador apresenta o trigo-sarraceno chamuscado e identifica o pardal e o salgueiro como transmissores da história.
- O trigo-sarraceno se declara rico e belo, mantém-se ereto e insulta o velho salgueiro.
- A tempestade se aproxima; flores e cereais se curvam e o chamam a fazer o mesmo.
- O salgueiro o adverte a fechar as flores e não olhar para o raio, que permite ver o céu de Deus e pode cegar até os seres humanos.
- O trigo-sarraceno olha assim mesmo; depois da tempestade, está queimado, morto e inútil, enquanto as outras plantas se revigoram.
- Os pardais perguntam por que o salgueiro parece chorar, e a árvore lhes conta o ocorrido.
- Desfecho
- O raio deixa o trigo-sarraceno negro como carvão, morto e inútil no campo. Gotas caem das folhas do salgueiro como lágrimas. Questionado pelos pardais, ele conta sobre o orgulho, a presunção e o castigo do trigo-sarraceno. A frase de que o castigo sempre vem pertence ao fecho da narrativa. O narrador encerra dizendo que ouviu o conto dos pardais numa noite em que lhes pediu uma história.
Muitas e muitas vezes, quando passamos depois de uma trovoada por um campo onde cresce trigo-sarraceno, vemos que ele ficou inteiramente preto e chamuscado. É como se uma labareda tivesse passado por cima dele, e então o camponês diz: “Foi o raio que fez isso!” Mas por que aconteceu com ele? Vou contar o que o pardal me disse, e o pardal ouviu de um velho salgueiro que ficava junto de um campo de trigo-sarraceno e ainda está lá. É um salgueiro grande e venerável, mas enrugado e velho. Está rachado bem ao meio, e da fenda crescem capim e ramos de amoreira-silvestre. A árvore se inclina para a frente, e os galhos pendem até o chão, como se fossem uma longa cabeleira verde.
Em todos os campos ao redor cresciam cereais: centeio, cevada e aveia. Sim, aquela bela aveia que, quando madura, parece uma multidão de pequenos canários amarelos num galho. Os cereais cresciam tão abençoados, e, quanto mais pesados ficavam, mais se curvavam em piedosa humildade.
Mas havia também um campo de trigo-sarraceno, e esse campo ficava bem diante do velho salgueiro. O trigo-sarraceno não se curvava de jeito nenhum, como os outros cereais: erguia-se orgulhoso e rígido!
— Sou tão rico quanto a espiga — disse ele — e, além disso, muito mais bonito. Minhas flores são belas como as flores da macieira. É um prazer olhar para mim e para os meus! Você encontra alguém mais magnífico do que nós, velho salgueiro?
O salgueiro assentiu com a cabeça, como se quisesse dizer: “Sim, encontro, de fato!” Mas o trigo-sarraceno se encheu de arrogância e disse:
— Que árvore tola! É tão velha que tem capim crescendo na barriga!
Então se armou uma tempestade terrível. Todas as flores do campo dobraram suas folhas ou inclinaram suas delicadas cabeças enquanto a tempestade passava sobre elas. Mas o trigo-sarraceno continuava de cabeça erguida em seu orgulho.
— Incline a cabeça, como nós! — disseram as flores.
— Não preciso fazer isso de jeito nenhum! — disse o trigo-sarraceno.
— Incline a cabeça, como nós! — gritaram os cereais. — Aí vem voando o anjo da tempestade! Suas asas vão das nuvens até o chão, e ele vai partir você ao meio antes que possa lhe pedir misericórdia!
— Mas eu não vou me curvar! — disse o trigo-sarraceno.
— Feche suas flores e dobre suas folhas! — disse o velho salgueiro. — Não olhe para o raio quando a nuvem se romper. Nem os seres humanos ousam fazer isso, pois no relâmpago se pode ver o céu de Deus, mas essa visão pode deixar cegos até os seres humanos. O que não aconteceria conosco, plantas da terra, se ousássemos fazer isso, nós que somos tão inferiores!
— Tão inferiores! — disse o trigo-sarraceno. — Pois agora é que vou olhar para dentro do céu de Deus! — E fez isso com presunção e orgulho. O relâmpago foi tão forte que parecia que o mundo inteiro estava em chamas.
Quando a tempestade passou, as flores e os cereais estavam no ar calmo e puro, tão revigorados pela chuva. Mas o raio queimara o trigo-sarraceno, deixando-o negro como carvão. Agora ele era uma planta morta e inútil no campo.
Então o velho salgueiro moveu os galhos ao vento, e grandes gotas de água caíram das folhas verdes, como se a árvore chorasse. Os pardais perguntaram:
— Por que você chora? Está tudo tão abençoado aqui! Veja como o sol brilha, veja como as nuvens passam! Sente o perfume das flores e dos arbustos? Por que chora, velho salgueiro?
E o salgueiro contou sobre o orgulho, a presunção e o castigo do trigo-sarraceno! O castigo sempre vem. Eu, que conto esta história, a ouvi dos pardais! Eles me contaram numa noite em que lhes pedi um conto.
Sobre esta edição
- Obra
- Boghveden
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Boghveden
Ler o original em dinamarquês
Tidt og ofte, naar man efter et Tordenveir gaaer forbi en Ager, hvor Boghveden groer, seer man, at den er blevet ganske sort og afsvedet; det er ligesom en Ildslue var gaaet hen over den, og Bondemanden siger da: „det har den faaet af Lynilden!” men hvorfor har den faaet det? — Jeg skal fortælle, hvad Graaspurven har sagt mig, og Graaspurven har hørt det af et gammelt Piletræ, der stod ved en Boghvede-Ager og staaer der endnu. Det er saadant et ærværdigt stort Piletræ, men runkent og gammelt, det er revnet lige midt i og der voxer Græs og Brombær-Ranker ud af Revnen; Træet hælder for over og Grenene hænge lige ned mod Jorden, ligesom om de kunde være et grønt, langt Haar.
Paa alle Markerne rundt om voxte Korn, baade Rug, Byg og Havre, ja den deilige Havre, der seer ud, naar den er moden, ligesom en heel Mængde smaa gule Kanarifugle paa en Green. Kornet stod saa velsignet, og jo tungere det var des dybere bøiede det sig i from Ydmyghed.
Men der var ogsaa en Ager med Boghvede, og den Ager var lige ud for det gamle Piletræ; Boghveden bøiede sig slet ikke, som det andet Korn, den kneiste stolt og stiv!
„Jeg er vel saa riig, som Axet,” sagde den, „jeg er desuden meget smukkere; mine Blomster ere skjønne, som Æbletræets Blomster, det er en Lyst at see paa mig og mine! finder Du nogen prægtigere end os, Du gamle Piletræ!”
Og Piletræet nikkede med Hovedet, ligesom det vilde sige: „jo det gjør jeg rigtignok! men Boghveden struttede af bare Hovmod og sagde: „det dumme Træ, det er saa gammelt at der voxer Græs i Maven paa det!”
Nu trak der et skrækkeligt ondt Veir op; alle Markens Blomster foldede deres Blade eller bøiede deres fine Hoveder, mens Stormen foer hen over dem; men Boghveden kneisede i sin Stolthed.
„Bøi dit Hoved, som vi!” sagde Blomsterne.
„Det behøver jeg slet ikke!” sagde Boghveden.
„Bøi dit Hoved, som vi!” raabte Kornet! „nu kommer Stormens Engel flyvende! han har Vinger, der naae oppe fra Skyerne og lige ned til Jorden, og han hugger Dig midt over, før Du kan bede ham være Dig naadig!”
„Ja men jeg vil ikke bøie mig!” sagde Boghveden.
„Luk dine Blomster og bøi dine Blade!” sagde det gamle Piletræ, „see ikke op mod Lynet, naar Skyen brister, selv Menneskene tør det ikke, thi i Lynet kan man see ind i Guds Himmel, men det Syn kan selv gjøre Menneskene blinde, hvad vilde der da ikke skee med os Jordens Væxter, vovede vi det, vi, som ere langt ringere!”
„Langt ringere!” sagde Boghveden. „Nu vil jeg just see ind i Guds Himmel!” og den gjorde det i Overmod og Stolthed. Det var, som hele Verden stod i Ildslue, saaledes lynede det.
Da det onde Veir siden var forbi, stod Blomster og Korn i den stille rene Luft, saa forfriskede af Regnen, men Boghveden var brændt kulsort i Lynet, den var nu en død, unyttig Urt paa Marken.
Da det gamle Piletræ bevægede sine Grene i Vinden og der faldt store Vanddraaber fra de grønne Blade, ligesom om Træet græd, og Spurvene spurgte: „hvorfor græder Du? her er jo saa velsignet! see hvor Solen skinner, see hvor Skyerne gaae, kan Du mærke den Duft fra Blomster og Buske! hvorfor græder Du, gamle Piletræ!”
Og Piletræet fortalte om Boghvedens Stolthed, Overmod og Straf! den følger altid. Jeg som fortæller Historien har hørt den af Spurvene! — de fortalte mig det en Aften, da jeg bad dem om et Eventyr.
O trigo-sarraceno
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