A fada-madrinha e o sapatinho de vidro pertencem à Cinderela de Charles Perrault, publicada em 1697. Na redação dos Grimm de 1857, o auxílio se liga a uma aveleira no túmulo da mãe e a pássaros; o sapato perdido é de ouro. Essas diferenças ajudam a reconhecer qual texto estamos lendo.

Quais edições estão sendo comparadas?

Cendrillon, ou la petite pantoufle de verre integra Histoires ou Contes du temps passé, avec des moralitez, de Perrault, publicado por Claude Barbin em Paris, em 1697, páginas 117–148. A outra fonte é Aschenputtel, KHM 21, no primeiro volume da sétima edição de Kinder- und Haus-Märchen, publicada pela Dieterich em Göttingen, em 1857, páginas 119–126; nessa impressão, o cabeçalho traz a forma Aschenbuttel.

A leitura usa as transcrições históricas da Wikisource vinculadas aos fac-símiles, identificadas na bibliografia. Não foi feita uma nova colação integral dos exemplares impressos. A comparação fica restrita às duas redações, sem pretender estabelecer uma origem única para toda a tradição de Cinderela.

Como a ajuda chega a Cinderela

Em Perrault, a madrinha, que é fada, transforma uma abóbora e animais em carruagem e comitiva. Também muda as roupas da jovem e lhe dá sapatinhos de vidro. A condição é sair antes da meia-noite, quando os encantamentos serão desfeitos.

Nos Grimm, Cinderela planta um ramo de aveleira no túmulo da mãe. Um pássaro lhe concede os pedidos; as aves também a ajudam a separar lentilhas das cinzas. A festa dura três dias, e a jovem volta ao túmulo para conseguir novas roupas.

Elemento Perrault · 1697 Grimm · 1857
Auxílio mágico Fada-madrinha Aveleira e pássaros ligados ao túmulo da mãe
Sapato perdido De vidro Inteiramente de ouro
Perda do sapato Na fuga à meia-noite Fica preso na escadaria coberta de pez
Destino das irmãs Perdão e casamento com senhores da corte Cegueira provocada pelas pombas

O reconhecimento e o destino das irmãs

Em Perrault, o sapato serve em Cinderela, e ela apresenta o outro que guardava. As irmãs pedem perdão; ela as acolhe e lhes arranja casamentos. O conto termina com duas moralidades em versos.

Nos Grimm, as irmãs mutilam os pés para calçar o sapato. As pombas denunciam o sangue e revelam o engano. Depois do reconhecimento de Cinderela, as aves cegam as irmãs no casamento.

Como interpretação de leitura, o contraste convida a observar duas maneiras de encerrar a relação entre as irmãs: reconciliação em uma redação e punição na outra. Ele não basta para resumir toda a visão de mundo de cada autor, nem para classificar uma versão como superior.

Leia cada texto inteiro

Acompanhe Cinderela, de Charles Perrault, e Cinderela, dos Grimm. Procure a origem do auxílio, o momento em que se perde o sapato e o que acontece com as irmãs depois da prova. Esses caminhos ligam o estudo às traduções disponíveis; o artigo não avalia integralmente as escolhas lexicais dessas traduções.